quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Questões de calendário

Na passagem do ano brincámos por aqui com a «gracinha obrigatória» que era despedirmo-nos a dizer «até p’ró ano!» ou quando nos reencontrávamos dizer «já não te via desde o ano passado». Faz também parte do ritual desses dias.
Mas ontem tive uma experiência quase inversa, e também cómica:
Tenho andado ultimamente num virote às voltas com montes de papelada, com necessidade de licenças, e autorizações, e guias disto e daquilo. E como toda a gente que vive neste mundo em Portugal sabe, todas estas coisas formam cadeias complicadas (cadeias? grilhões!!!) porque uma coisa é necessária para outra, que por sua vez é indispensável para uma terceira, que é imprescindível para uma quarta, sem a qual não pode fazer-se uma quinta que será aquilo que pretendemos ( OK, OK, eu abreviei a-cadeia-de-papeis-necessários para o post ficar com um tamanho decente)
Ora ontem à tarde, depois de ter esperado num local aí umas duas horas e meia, - tinha a senha 93 e, ao chegar, o placar marcava 41 – consegui o almejado documento de que necessitava e vou a correr antes que o outro local fechasse entregar o tal papel. Azar. Faltava uma assinatura. Vou outra vez a voar, com o papel assinalado com uma cruzinha a lápis no sítio certo, arranjar a assinatura que faltava. Volto atrás a entregar tudo. Respiro fundo e atrevo-me a perguntar ao senhor que me atende «Está tudo bem? E agora não leva muito tempo a responder…?» E ele muito bonacheirão «Nãããã… Então isto só é preciso para o mês que vem! Há muito tempo!» e eu, já a gaguejar «Po…po…pois, é a partir de 1 de Março!» e ele continua calmíssimo «Pois é. É para o mês que vem
Saí de lá meio a rir meio a chorar. Oxalá dê tudo certo, porque não me atrevi a insistir mais e responder-lhe «Olhe que é para o mês que vêm sim senhor, como quem diz... é para depois de amanhã…!»



Nota - Como isto é escrito hoje, quer dizer que afinal «é para amanhã» e o papel foi entregue ontem ao fim da tarde... Estou a fazer figas com as duas mãos!

Sou candidata!

A apresentação abre o apetite. Dizem: Imagine um canal de televisão feito à medida dos seus gostos, com todos os seus programas preferidos, nos horários que mais lhe convém
Não preciso de me esforçar nada, porque estou farta de o imaginar. Em sonhos, é claro. E sempre que desligo furiosa o televisor porque o programa que desejava afinal passa a uma hora impossível, ou já passou sem avisar, ou no zapping que faço só encontro propostas de não me interessam nadinha.
Bem. Parece que amanhã em Aveiro (outra vez Aveiro! Tenho de me mudar para lá, o futuro passa por Aveiro, tá visto) vão apresentar essa maravilha. Olhem só: Esta tecnologia "vai aprendendo o que as pessoas gostam e a partir desse material elabora, depois, uma grelha que até considera os horários em que a pessoa está mais disponível para ver TV".
Heim?!
Mais do que isto só oferecerem um fatinho à marinheira…

Ora bem!


Com que então, basta apenas que haja «alterações decorrentes da transição das regras contabilísticas nacionais para normas internacionais» e o valor pago em impostos pago pelos Bancos disparou . Já viram bem?
Aaaah!?!
E isto apesar de «os maiores bancos a operar em Portugal voltarem a apresentar lucros recorde em 2006» com valores que nos deixam sem fôlego, como por exemplo 734 milhões de euros de lucro da CGD. É muita milhão...!
Contudo
as dívidas ao fisco ainda chegam aos 16,5 mil milhões de euros .Isto é mesmo muito, muito dinheiro. Por onde é que ele anda? Isto é um caso que interessa a todos porque se as continhas andassem em ordem, talvez o pesadelo de um cinto tão apertado que já nem tem furos pudesse chegar ao fim.

Aconselhamento

Houve acordo e a lei está a ser finalizada mas acredito que corre, e ainda vai correr, muita tinta. No fundamentalismo dos dois lados vai haver quem levante logo prós e contras. Parece-me bastante sensato que os médicos objectores de consciência sejam impedidos de participar na consulta ou no acompanhamento à grávida por motivos óbvios. De resto «a possibilidade da mulher ser acompanhada, a nível psicológico ou social» integrado na figura de "disponibilidade de acompanhamento" parece-me boa a natural. Mal comparado, no caso de divórcio também é obrigatório uma reunião de «conciliação» com a intenção evitar actos irreflectidos. E é este aconselhamento e ajuda que podem fazer toda a diferença no futuro destas mulheres e no precaver que possam voltar a acontecer situações tão traumáticas como a que estão a viver.

Meter os pés pelas mãos

...é o que faz mais uma vez o nosso Ministros dos Negócios Estrangeiros. O senhor tinha afirmado ao Parlamento, várias vezes, que os voos teriam ocorrido sob a égide tanto da NATO como da ONU. Ana Gomes não esteve de modas e escreveu ao Secretário-geral da Nato a confirmar a afirmação do ministro de que «sete voos passando por Portugal de e para Guantánamo feitos "sob a égide" daquela organização»
Veio a resposta -
"Os únicos voos actualmente tripulados e operados pela NATO são os da nossa esquadra AWACS. Estes aviões não voam nem voaram para a baía de Guantánamo. A NATO, como organização, não tem nenhum papel de coordenação em providenciar autorizações para outros voos."
E aqui começa a confusão porque, perante este desmentido, a porta-voz do Ministério responde que "A carta não diz mais do que o óbvio: a NATO não tem meios próprios. É isso que o secretário-geral explica." Ora se a transcrição que lemos está correcta, para além de ‘explicar o óbvio’ o tal secretário-geral diz mais uma coisinha: os seus aviões não voam nem voaram para a baía de Guantánamo, e a NATO, como organização, não tem nenhum papel de coordenação em providenciar autorizações para outros voos.
Então onde é que está a tal égide da Nato???

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Um «país normal»

O melhor amigo das raparigas

Cantava a Marilyn Monroe, mas acho que também é o melhor amigo dos homens.
Qual CÃO, qual BACALHAU, estou a falar de outro produto, como é evidente:
DIAMANTES.

Também queria ser cidadã europeia!

Afinal…
A geografia é uma treta porque afinal, pelos vistos, apesar de ter nascido na Europa e cá viver, não devo ser cidadã europeia. É que com sinceridade não me sinto
«satisfeita com o meu nível de vida, nem com as possibilidades de viajar, nem com os serviços médicos, nem com as escolas das zonas em que resido, nem acho o meu sistema de segurança social me dê cobertura suficiente.
Alem disso apesar de «contar manter o emprego que tenho nos próximos meses, o nível de satisfação profissional não é relativamente elevado»

Pois é. Deve ser engano. Ou a sondagem foi mal feita ou em Portugal não se colhem os benefícios de se ser cidadão europeu.


(Quem quiser brincar é imprimir a página e arranjar uma caixa de lápis de côr! )

Dois destaques numa primeira página

O D.N. destacou para Primeira Página duas notícias. No outro dia, nas conversas de domingo de Marcelo, dizia ele que a ‘viragem’ do Diário de Notícias ia torná-lo outro “Correio da Manhã”, um jornal-tabloide. Possivelmente sim, e é uma pena. É certo que o modo como enche a primeira página desde algum tempo é um pouco para o sensacionalista, e hoje mexe mesmo connosco ao colocar duas únicas notícias em contraste:
O Tribunal Constitucional aprova penhora de salário mínimo mostrando que é coisa que felizmente está longe de acontecer a Vítor Constâncio que ganhou 280 mil euros em 2005 e «não tem dívidas» segundo a declaração de rendimentos.
Contudo, penso eu, Victor Constâncio terá um salário tão adequado como todos os salários de gente importante a que não houve acesso. E foi este Victor Constâncio que tem desejado que termine a corrupção, facto que todos dizem desejar mas que parece ainda muito longe, pelo que dá-lo como exemplo não parece inocente.
É claro que o Tribunal Constitucional só poderá dar pareceres sobre o que é constitucional ou não, ninguém lhe pergunta outra coisa, e na constituição não deve vir referido nem o SMN nem penhoras. Mas é interessante reparar que este «parecer» veio na sequência do Tribunal da Relação de Lisboa ter recusado aplicar uma penhora de um salário mínimo, considerando que este acautela o mínimo da dignidade humana. Neste caso parece-me que o Tribunal da Relação levou mais em conta o «espírito» da Constituição, levada apenas «à letra» pelos outros juízes.
É que penhorar um salário mínimo (e para se chegar a esse ponto é porque não existe mais nenhum bem além do salário) poderá ser legal, sem dúvida, mas também é imoral!

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Os parabéns à Saltapocinhas

Falhei a festa que foi ontem, Domingo.
A minha justificação é boa – eu estava como aqui disse a meio um décimo de gás, e portanto não sai do Pópulo. Acho até que nem sequer «entrei» no Pópulo quanto mais sair…
Mas o
Fábulas, fez anos!
Já se sabe que um ano neste universo não tem nada a ver com os anos civis normais, estes valem por dez pelo menos!!! E o Fábulas é daqueles blogs que tinham de existir. Atento, bem disposto, oportuno, forte e ‘agressivo’ quando é necessário e a indignação apanha a Saltapocinhas, brincalhão e irónico muitas vezes, sensível e delicado muitas outras. A pouco e pouco vamos conhecendo bem esta professora por grande vocação, mãe, dona de uns belos gatos que a adoptaram, ‘marida’ de um maridão formidável, mulher muito completa, cujo defeito de cusquice é compartilhado por quase todos nós. :D
E talvez acima de tudo, a mentora de um blog dos seus
Golfinhos, meninos formidáveis e cheios de sorte por lhes ter cabido na rifa esta professora!

Energia solar no Algarve


A notícia parece interessante. Se há terra onde - em Portugal - exista bastante sol, é ali no Algarve. Portanto fará todo o sentido que se construa uma central solar lá no Algarve. Uma ou várias! E quem diz Algarve, diz Alentejo.
Pelo que se pode ler, este tipo de central que permite utilizar apenas a dita energia solar, tem poder para fornecer electricidade a 10 /12 mil pessoas por ano.
Parece um sonho realizável, vermos o sul do nosso país abastecido por centrais deste tipo pois, sol, costumamos nós ter com fartura.
E dizem que quando nasce é para todos! (É ???)

A questão das férias dos magistrados

No «braço de ferro» que existiu entre a decisão do governo de alterar as férias judiciais e os argumentos dos atingidos pela medida insistindo que isso não ia alterar a questão dos atrasos nos tribunais, começam a aparecer números que dizem que afinal alguma coisinha foi melhorada. Se a produtividade nos tribunais aumentou 57,3% durante os meses de Verão de 2006 é porque essa alteração serviu para alguma coisa. Bom, o que dizem do «outro lado» é que não são números que se possam comparar e não se está a levar em conta o «Plano de Acção para o Descongestionamento dos Tribunais». OK. Mas o certo é que se mexeu numa situação e ela melhorou.
E o famoso simplex? Já começa a haver menos «papelada»? Imagino que com a informatização também se acelere alguma coisita
.


(imagem do JN)

Óscares

Não, não perdi a noite a ver quem ganhou o Oscar Sabia que de qualquer modo o vinha a saber hoje de manhã. Não vi ainda o filme vencedor, "Entre Inimigos" , mas como toda a gente conheço a carreira do realizador vencedor e pelo conjunto dos filmes realizados mereceria o dito prémio. Aparentemente quem mais perdeu foi Babel, que muitos diziam ir ganhar e o prémio que conseguiu foi de «melhor orquestração»… Parece pouco.
Depois, distribui-se o bem pelas aldeias:
deu um pouco a ideia de que se tentou dar um brinde a todos os meninos para ninguém ficar triste ou seja, cada nomeado apanhar com qualquer coisinha:
O melhor actor e a melhor actriz, para «reis» diferentes – A Rainha e O Último Rei da Escócia , melhor argumento Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos, melhor filme estrangeiro A Vida dos Outros, da Alemanha. Quanto às «Cartas de Iwo Jima» tiveram um prémio estranho para uma leiga – melhor montagem de som. Não me consigo recordar o que tivesse o som de muito diferente, mas sempre recebeu algum prémio…
Enfim, Óscares! Espectáculo e negócios que aquilo tem muitos ‘cordelinho
s’.

domingo, fevereiro 25, 2007

Hoje estou como o tempo

Não saí, mas vejo da janela:
Ora chove ora faz sol. Tal e qual eu.
Ando para aqui com altos e baixos. Estou uns tempinhos sem tossir e quando começo a pensar «A coisa vai!» zás, um enorme ataque de tosse que me deixa roxa. Depois há momentos em que me sinto sem febre e mais animada, levanto-me, duche, visto-me, mas mal cabo de calçar os sapatos sinto um grande arrepio - é o toque de clarim que a febre vem de novo aí. Depois tomo um antipirético qualquer, fraquito, e meia hora mais tarde já parece que está tudo arrumado de vez.
Até

(isto para explicar que aqui o Pópulo, hoje está de quarentena; sorry)


sábado, fevereiro 24, 2007

Recaída


Mas porque raio…?!
Primeiro, porque raio é que uma criatura depois de ter gripe, não fica «vacinada» e termina a ‘época-de-gripe’ até para o ano, como devia ser?
Segundo, porque raio é que as recaídas são sempre ao fim-de-semana, para mo estragarem por completo…?
Para além de febre tenho é sobretudo uma crise de fúria! A ida ao cinema que estava planeada, nem pensar nisso que seria rapidamente expulsa pelos outros espectadores logo ao primeiro ruidoso ataque de tosse que nem me deixou dormir a mim! Passear, para aproveitar este sol tão lindo, também tem de ser posto de lado com os arrepios que sinto não me dava gosto nenhum. Fazer ou receber visitas seria muito egoísta porque iria contagiar com este vírus horrível os meus pobres amigos. Resta-me o quê, neste fim-de-semana? Ler se me conseguir concentrar, ver algum DVD que tenha para ali, e resmungar contra tudo e contra todos!
Estou mesmo má de aturar!

Ideias extraordinárias!

Existe uma loja de vendas por correspondência que também tem uma loja real e onde por vezes entro e tem uma ou outra ideia engraçada e útil mas, para equilibrar, também prima por apresentar de vez em quando ideias que não lembram a ninguém!
Quando a novidade é daquelas de deixar a boca aberta, já a tenho referido por aqui (não estou para procurar agora os posts, mas escrevi dois ou três, de certeza)
Bom, desta vez não resisto, de novo.
É claro que o considerar-se "original e interessante" ou "disparatado e ridículo", depende completamente dos nossos gostos pessoalíssimos. Isto que descobri hoje e me fez rir, pode ser considerado o máximo do bom gosto e requinte por alguém que por aqui passe, é claro.
Bem, devo dizer que o meu gosto pessoal é variado. Em matéria de decoração depende do local da casa onde estou. Na sala de estar ou quarto até aprecio «mariquices» inúteis como candeeiros, ou velas, ou jarras, ou almofadas que não têm uma utilidade imediata mas tornam o ambiente mais acolhedor, digamos assim. Aprecio. Contudo, se há local onde, para mim, a ‘decoração’ deva ser minimalista é a casa de banho. Para o meu gosto deve ter o essencial e o que não for de uso imediato estar guardado em armários que se possam limpar bem e depressa. Daí o meu espanto ao deparar com uma cortina de banheira que é gabada porque o seu revestimento externo assemelha-se a um verdadeiro cortinado de janela, com folhos e “faixas de reposteiro”»
A sério! Folhinhos, rendinhas e faixas para os 'drapés' ali na casa de banho...?!
Cá vem ela para quem aprecie o estilo:


Os novos polícias

E cá vamos caminhando alegremente para a nossa privatização à portuguesa.
Passamos agora à polícia.
Os «polícias» da EMEL, atingiram já o terceiro grau do jogo e imagino que dentro em pouco possam passar à fase seguinte, criar os seus próprios tribunais e quiçá as suas cadeias. Imagino que caí numa realidade virtual de um jogo de vídeo!
As ruas de Lisboa foram vendidas a uma empresa, a EMEL. Como eram dela, naturalmente que se devia pagar para utilizar um bem que é de outrem, claro está. Assim começamos a pagar para estar parado e tudo seguia bem. Mas depois havia uns rebeldes que não pagavam. Eram castigados com uma multa, que era aplicada pela polícia. Só que a polícia tem mais que fazer, e assim delegou essa competência dos «polícias» da EMEL. E portanto estes novos polícias multam, rebocam, imobilizam carros nas «suas ruas»
E a experiência foi tão bem sucedida que nasceu a brilhante ideia de a expandir. E porque não? O que pode impedir que ela
multe e reboque carros estejam ou não na sua zona ?
Parece que «a empresa de estacionamento tem um corpo de fiscais equiparado a agentes da autoridade, mas que apenas tinham autoridade para autuar nas zonas tarifadas da EMEL» - só que isso era dantes. Agora a PSP fica mais aliviada para de dedicar com mais afinco às queridas operações Stop.
Até ver. A PSP que se cuide, que um dia destes acorda sem competências que foram passando paulatinamente para a segurança privada. Já faltou mais…


Quando a saúde é privada

Eu sou uma consumidora - moderada mas consumidora - daquelas séries tipo «Serviço de Urgência» passadas numa urgência de Hospital onde as vidas dos médicos e enfermeiros se misturam com histórias muito dramáticas resolvidas com uma agradável taxa de sucesso, havendo em cada episódio um caso ou dois que «corre mal» para dar um realista à coisa. Mas dá gosto ouvir «vem aí um caso de um tipo que caiu de uma janela, tem as pernas partidas e o coração a falhar!» e quando se abre as portas para passar a maca tem um médico de um lado, um enfermeiro do outro, e enquanto empurram a maca para a sala de observações vão dizendo «análises a isto, a isto e aquilo, verifiquem o estado disto e aquilo», etc, etc, e uns minutos depois estão a operar o doente e a salvar-lhe a vida.
Dá gosto ver como uma coisa daquelas pode funcionar. Mas mesmo sendo uma série de TV, onde é tudo em «faz-de-conta», como procuram ser realistas há um pormenor que borra a pintura que é quando alguém (costuma ser um chefe) indaga «Ele tem seguro?». Porque quando não tem seguro, ou é um seguro baratucho que não cobre aquelas mordomias, esses doentes são encaminhados para outros locais e a história que estamos a ver passa para outros casos.
Lembrei-me dessas histórias quando li que alguns soldados americanos feridos no Iraque e Afeganistão
vivem num hospital rodeados por ratos, baratas e bolor É curioso porque sendo, pelos vistos, um Hospital Militar deve ser do Estado e assim eles não devem ter o tal seguro que lhes permite o atendimento que vemos nessas séries tão emocionantes.
Interessante, não é? Afinal é a vida a preto e branco – ou se tem dinheiro ou se não tem, ou se tem bons cuidados de saúde ou não. Fácil.


sexta-feira, fevereiro 23, 2007

E para terminar o dia



Um outro tipo de canção:


Vinte anos?

Impossível!
Passaram vinte anos? Nestas coisas das contagens anuais, cada ano que passa faz nascer mais algum espanto por se sentir ainda e sempre o passado tão perto de nós. Contudo 20 é um número redondo, um número pesado. Faz hoje, 23 de Fevereiro, 20 anos que perdemos fisicamente Zeca Afonso.
A sua obra permanece como é evidente. E através dela mesmo quem não privou com ele pode sentir que grande homem era. E é esse ponto que considero importante, mantê-lo vivo entre nós e que quem já nasceu depois ou era tão pequeno que já pode dizer que «não era do seu tempo» reconheça a fibra daquele Homem. Que saiba que para além desta voz belíssima que estamos a ouvir, foi um dos melhores símbolos da resistência que ficará nas nossas memórias. Pela sua integridade e coerência. O Homem que recusou medalhas e comendas, quando depois de Abril o Poder lhas quis conceder. Que lutou pelos seus ideais de igualdade e fraternidade com todas as armas que possuía e que armas fortes eram: a sua voz, os seus poemas, a sua música. É hoje um símbolo mas mais do que isso foi um Homem que admiramos, respeitamos, amamos.


O concerto do Coliseu




Hoje é já uma recordação «histórica», mas quem o viveu nunca o poderá esquecer.
Tinham sido anos muito duros para o Zeca. Os álbuns editados com dificuldade, doente, expulso do ensino, apesar dos prémios que recebe a sua vida é dura e difícil. Em 73 é preso pela Pide e experimenta na pele a prisão de Caxias.
Em fins de Março de 74, organiza-se um Concerto no Coliseu onde o Zeca está rodeado por outras vozes suas amigas – Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, José Jorge Letria, Barata Moura, Fernando Tordo…
Era um mar de gente o Coliseu. Sabíamos que estávamos do mesmo lado da barricada, havia uma cumplicidade enorme, um entusiasmo, uma alegria, que só se entende por pairar no ar alguma coisa de indescritível mas que era a premonição de que um mês mais tarde o país estaria livre e aquelas canções seriam cantadas por multidões ao ar livre.
Ali ainda não. Em 29 de Março de 74, a plateia do Coliseu cantava em coro o refrão das canções que todos conhecíamos, mas sabíamos que à porta estariam agentes da PIDE a assinalar quem ali tinha ido. Mas ali e agora, havia força, havia comoção.
O concerto terminou com todos de pé a cantar Grândola, Vila Morena, de braço dado com o vizinho do lado. Era uma canção de unidade e força, premonitória do que se ia passar menos de um mês depois

Vinte anos, vinte canções

Vinte anos, vinte canções Ligo o rádio como todas as manhãs, na Antena Um.
Surpresa. Também eles fazem hoje uma homenagem ao Zeca: Vinte anos - vinte músicas. De hora a hora vamos ouvindo uma canção seleccionada, até às 22:30 a Emissão Especial com muitos dos seus amigos a cantá-lo.
Porque mais do que falar, a ouvi-lo é que se homenageia.
Gostei.

Um dia especial no Pópulo

Há um ano o Pópulo esteve também em festa.
Falei lá
da canção que tinha escolhido como fundo e porquê quis também dizer porque escolhi voltar atrás no tempo e não falar da actualidade . Como podem ir lá espreitar, foi um dia de homenagem, e pausa para recordar.
Este ano a homenagem repete-se. Amanhã voltamos a olhar em redor e pensar no estado em que está este país e … o resto do mundo. Voltamos a inquietar–nos com o futuro e com o presente. E temos muitos motivos para isso, mas hoje é um dia de recordação e de homenagem. Hoje é o dia de recordar o nosso amigo, de dizermos todos que não o esquecemos
.

Hoje é Dia de Música

Faz hoje um ano escolhi como canção que se ouviu no Pópulo o dia todo, uma das que mais gosto «O Canto Moço».



(para a ouvir é melhor deixar acabar o «Maria Faia»)
Não será uma das mais famosas mas merecia sê-lo porque tem uma alegria e uma força de que sempre gostei imenso. E ainda hesitei um pouco em ‘repetir a dose’ este ano porque acho que as canções muito belas, nunca é demais ouvi-las.
Contudo preferi deixar outra no ar. E a dificuldade foi da escolha, porque a lista das canções do Zeca Afonso de que gosto muito, é enorme.
Escolhi com dificuldade uma, uma canção popular, mas que no seu timbre especial ganha uma sonoridade espantosa e que podemos ouvir o dia inteiro sem nunca nos cansarmos.
Fica no ar, o Maria Faia.

Dia Z

Hoje é o Dia Z para muitos de nós em toda a blogosfera.
É o dia 23 de Fevereiro, de homenagem a Zeca Afonso. Muitos blogs, unem-se neste desejo de ajudar a manter viva a sua recordação, de falar dele, de o ouvir de novo, todos juntos em cada ano a 23 de Fevereiro.
Tudo o que se sabe sobre ele está reunido na
Associação José Afonso , site que é sempre bom visitar e onde se encontra quase todas as respostas às perguntas que tenhamos.
Hoje é o dia Z.
O dia do Zeca. Vamos ouvir a sua música. Vamos lembrá-lo.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Pirata da Educação 2006

Em resposta ao «Prémio Nacional de Professores», para distinguir o melhor de entre quase 150 mil docentes portugueses que o Ministério instituiu, os professores lançaram o «Prémio Pirata da Educação 2006»
Olho por olho, pelo que parece.
Pelos vistos para além do Prémio principal existem umas «menções vergonhosas»;
o «Machado Dourado» (Relativa ao abate de escolas);
o «Santa Ignorância» (Relativa a prestações públicas, sistemáticas, de ignorância sobre Educação);
o «Língua de serpente» (Relativa a ofensas e injúrias proferidas sobre os professores e educadores),
e ainda o «Nem ao Diabo Lembrava» (Relativa à medida mais disparatada tomada no âmbito da Educação)
Parece que já existem nomeados, não sei se ganham os prémios ou não.

Disciplinar o trânsito

Na nossa capital como parece que a polícia não chega para controlar as infracções ao estacionamento, chegou o Batman a EMEL.
Desde há uns tempos que os ‘fiscais’ da EMEL têm competência para multar e agora para bloquear e rebocar carros mal estacionados.
È certo que as ruas são públicas e portanto devem ser respeitadas. E se há coisa com que não concorde é com a «esperteza saloia» de alguns automobilistas que com a maior desfaçatez estacionam em segunda (ou até terceira!) fila e vão à sua vida, deixando as faixas de rodagem entupidas e quem estacionou o seu carro legitimamente junto ao passeio, impedido de sair por ter um monstro ao seu lado. É uma completa falta de respeito e, até há pouco, isso sucedia com toda a naturalidade porque a EMEL só podia actuar na sua zona que era a delimitada junto ao passeio.
Isso agora
passou à história: os fiscais têm atribuições policiais, bloqueiam e rebocam como a polícia . Passamos do 8 para o 80. A vantagem vê-se logo, é que a «polícia verdadeira» tem mais tempo para outras operações. Ainda ontem, fui apanhada por uma ‘Operação Stop’. Como graças aos deuses não costumo andar atrasada, o incómodo foi pequeno, aí um quarto de hora para mostrar papelada, verificar tudo, confirmar onde estava o triângulo e o colete, ver se os pneus não estavam gastos, tudo visto à lupa mas não foi mais do que esses 15 minutos. O que não me impediu de olhar várias vezes para o relógio, até o agente perguntar «Está com pressa?» «Bom, neste momento até já estou…!» acabei por responder. Quando cheguei ao meu destino e fui estacionar lá encontrei «a concorrência» a bloquear um carrito.
Pois é!

Dia Europeu da Vitima de Crime

Diz a APAV que Metade das vítimas de violência [doméstica] não se queixa E se alguém pode fundamentar o que diz é esta ONG. Passam-lhe pelas mãos milhares de casos, e tem conhecimento muito próximo dos casos mais chocantes e graves. Portanto os números que avança merecem todo a credibilidade.
O que nos diz é que dos 7935 processos que acompanhou, apenas 2449 apresentaram uma queixa oficial. Se imaginarmos que ainda é natural que existam vários casos de pessoas maltratadas que nem chegaram à APAV, a conta é assustadora!
A maioria dos casos foi apresentada nas áreas de Lisboa e Porto. Por um lado faz sentido, porque é nestes pontos do país que existe maior concentração de habitantes, contudo não dá para concluir que a violência só existe nas cidades. Todos sabemos que mesmo nesse Portugal profundo há dezenas de casos que muitas vezes só chegam a ser detectados quando a gravidade da agressão é tal que leva ao hospital. Creio que deve ser nessa zona mais cinzenta que aparecem menos queixas porque a vergonha é grande, e a «queixa intermédia» como aquela que se faz à APAV é mais difícil.
Não será novidade nenhuma que nestes casos a violência é fundamentalmente «masculina» e dirigida também preferencialmente contra mulheres: «Em 88% dos casos a vítima era do sexo feminino enquanto quase 90% dos autores do crime do sexo masculino». Não é novidade, mas continua a existir.

Zangam-se as comadres

A derrocada na CML continua. Já nem é notícia, começa a ser rotina. Mas o interessante é que agora até velhos quero dizer recentes, (enfim, é melhor não adjectivar) aliados entram na guerra.
Um vereador do PSD forneceu informações que, apanhando os últimos 3 anos, vão atingir a vereadora Nogueira Pinto e a sua gestão. Ele acha que
"Não é normal adquirir materiais a preços 50 vezes mais caros do que os praticados no mercado" e lá por isso nós também não achamos normal! Ela ficou aborrecida «Neste momento, zanguei-me» disse, o que me parece natural. Pois, tá bem... mas onde é que pairarão os relativos às 49 vezes a mais?
Huuummmm….
Eu como lisboeta, nata e criada, não dei por nada, à minha casa não chegou pinga.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Os dias já estão maiores

Quero eu dizer, os dias estão iguais. Continuam com 24 horas
(às vezes infelizmente…).
Mas as horas de sol são agora mais do que há pouco tempo.
É tão bom…
Das coisas que anima mais para sair para o trabalho é ver um raiozinho de sol.
Torna logo o dia mais animado.

Uma medida que terá o aplauso de todos os consumidores

Parece que está em estudo uma lei que irá proibir a cobrança de alugueres de contadores de água, electricidade e gás (e já agora, telefone, ou não?)
Diz a proposta:
"Entendeu-se fixar a proibição da cobrança aos utentes de importâncias relativas ao uso dos contadores e outros instrumentos de medição aplicados pelos prestadores de serviços para controle dos consumos efectuados"
Há muito que este aluguer vitalício irrita quem a ele é obrigado. É certo que sem as máquinas não se poderá saber que consumos houve, mas quem tem interesse nisso é a companhia que os fornece. Como se quem vai a uma loja fazer uma compra, para além do custo do produto pagasse uma taxa para a máquina registadora e para as etiquetas com os preços. Se calhar pagamos, isso deve acontecer, mas está ‘diluído’ no total… E se não fizer qualquer compra não vou pagar taxa nenhuma, não é ? mas se tiver uma casa de campo onde esteja um ou dois meses sem lá ir, mesmo sem gastar um pingo de água ou fazer um único telefonema, o certo é que aquela conta chega-me fatalmente à caixa do correio.
Será desta que as coisas ficam mais justas?

Pode ser ridículo, mas além disso será falso?

Tem a sua graça. Parece que o porta-voz do Pentágono considerou que o que a BBC tinha tratado como informação, acerca dos planos dos EUA tendo como alvos prioritários as bases aéreas e navais, instalações de mísseis e centros de comando e controlo para realizar um ataque ao Irão, era ridículo. Claro que reconheceu que «têm inquietações reais em relação ao programa nuclear iraniano» mas tudo se está a tratar diplomaticamente.
Interessou-me que o senhor
considerasse ridículo. Realmente depois do buraco do Iraque parece «ridículo» pensar-se num ataque ao Irão.
A dúvida é se o presidente Bush se preocupa com o ridículo.
Não é essa a ideia que nos transmite.

A batata frita e a publicidade

Andamos em círculos a definir e delimitar culpas na velha história de «quem nasceu primeiro, se o ovo se a galinha».
É já sabido que as batatas fritas – então se forem ‘de pacote, upa! upa! – não são um alimento por aí além. Para além da própria batata não alimentar assim lá muito, a gordura em que é frita e o sal que leva torna-a num alimento-não-saudável. Pronto, hoje em dia quase toda a gente sabe isso.
Mas também se diz que ‘o que é mau sabe bem’ e muita gente gosta. Sobretudo as crianças que acham piada ao estalar da batata e consomem daquilo em doses industriais. Das batatas fritas, dos refrigerantes, dos doces. Claro que consomem porque provaram a primeira vez e começaram a gostar. Agora o problema que se põe, uma vez que também é um facto que as nossas crianças estão a ficar obesas, e «a Organização Mundial de Saúde já considerou que a obesidade é a epidemia do século XXI» é como travar esse consumo.
Onde entra a conversa da galinha e ovo é
na relação com a publicidade . A miudagem consome muito porque os anúncios são muito atractivos, ou os anunciantes querem fazer publicidade porque têm compradores?...
Do lado da publicidade, devolvem a acusação e dizem que tudo se resolve com a auto-regulação e se está a exagerar a questão. Pois é. Realmente as crianças gostam dos refrigerantes, doces ou batatas fritas porque alguém lhes deu a provar, ou seja a culpa é dos pais. Que também têm «culpa» por os filhos verem tantas horas de TV. Mas vamos ser objectivos, há publicidade que é claramente dirigida àquela fatia de idades, àquele target como eles dizem. Se fosse passada à hora a que estão a dormir, ou quando devem estar na escola, perdia o efeito, portanto não é tão inocente como isso…
Eu então tenho uma particular embirração: é quando se impinge o mesmo produto mas ainda por cima mais caro, porque é «light»! A batata tem menos sal, o refrigerante menos açúcar, portanto está tudo bem! É a venda sonsa. Como quem vai deixar de fumar e compra cigarros com menos nicotina. Tenham mas é juízo!

terça-feira, fevereiro 20, 2007

«As bandeiras dos nossos pais»

A outra face da moeda.
Tinha visto há dias as
Cartas de Iwo Jima e vi agora As Bandeiras dos Nossos Pais. A história já é conhecida por todos nós: uma famosa foto com 6 soldados que hasteiam a bandeira americana no alto do monte Suribachi E como depois essa foto vai servir diversos fins como recolher fundos para a guerra o exército.
Não, este não é um filme anti-americano mas é decerto anti aproveitamento da guerra. O filme conta-nos as histórias desses rapazes, ainda tão novinhos tal como os combatentes japoneses, e do modo com a sua vida continuou. Há momentos em que nos lembramos de O Resgate do Soldado Ryan, um pouco na mesma linha de desencanto, há «heróis» que apenas o são porque há quem precise que eles sejam heróis…
Como eu vi primeiro o «outro» filme há cenas que são de dejá vu a sério - já foram mesmo vistas! Mas enquanto, por exemplo, vi primeiro as grutas «por dentro», agora elas são vistas «por fora», buracos de onde saem tiros, buracos perigosos, do inferno. A guerra continua a ser um horror seja ela vista por qualquer dos lados. Neste caso, a sua continuação vai chocar pelo ‘oportunismo’ com que se joga a cartada da imagem da bandeira. A verdade é que o exército precisa de dinheiro, e os heróis podem trazer dinheiro.
É curioso que a frase que 'os heróis' repetiam em cada aparição pública «os verdadeiros heróis foram os que morreram lutando na ilha de Iwo Jima» bem vistas as coisas daria para os dois lados. Porque a areia negra daquela ilha ficou empapada de sangue: 18.000 japoneses, 7.000 americanos, é muito morto para uma ilha tão pequena! São os horrores da guerra e das jogadas dos poderosos.

E vivó chocolate!!!


Agora uma noticiazinha para nos alegrar o coração:
Comer chocolate é bom para cérebro e coração
OK, o doce estraga os dentes, tá bem, tá bem, mas também posso arranjar uns dentes bem bonitos feitos por encomenda. Já quanto ao coração é muito mais difícil substitui-lo e o cérebro… quanto a isso estamos conversados! O que temos de origem tem de ser conservado, ou estamos mal.
Portanto
VIVA O CHOCOLATE!

Pobres

É um estudo (mais um) desta vez da União Europeia.
Há muitos dados que não são surpresa nenhuma. Quem vive nesta terra sabe como se vive mal.
A União Europeia, já tem de momento 27 países, e não é agora aquela «nata» de meia dúzia de países ricos onde Portugal estaria naturalmente afastado, ora na União Europeia actual apenas a Polónia e a Lituânia estão em pior situação do que nós no que respeita a pobreza.
É grave.
Mas o que neste estudo sinto como mais grave é um ponto:
14 por cento dos portugueses com um emprego vivem abaixo do limiar de pobreza . Isto é que é o chocantemente grave! Não estamos já a falar sequer na horrível situação do desemprego, o que o estudo nos informa, é que mesmo dentro da classe dos empregados em cada 100 existem 14 que vivem abaixo do limiar da pobreza.
E continuamos a olhar para o lado? A dizer «é a vida»?

Todos têm medo dele, porquê?

É um fenómeno digno de estudo – qual a razão porque as pessoas receiam o AAJ?
Que lá no seu feudo o temam, nada mais natural. Com o seu feitio e autoridade que foi conquistando, é natural que quem lá vive sinta que para sobreviver terá de estar do seu lado, porque ali ou se é por ele ou contra ele… Mas a verdade é que os anos vão passando, os Governos têm mudado de cor, temos tido diversos Presidentes da República e ninguém lhe responde à letra quando ele desafia frontalmente as leis gerais do país, para além do «estilo» arruaceiro e de grande grosseria com que gosta de falar.
No editorial do DN faz-se uma brincadeira que é mais do brincar, é reconhecer um facto:
Antes de os chineses terem inventado a teoria do "Um país, dois sistemas" [….] nós sabíamos o que era viver num país com dois sistemas: o Sistema Alberto, para os assuntos relativos ao presidente do Governo da Madeira, e o Sistema Geral, para o resto do País.
Neste artigo realça-se o que nós sabemos «ao longo dos anos, a regra do líder madeirense foi sempre a de ignorar as leis da República de que não gosta». E vai continuar com uma pirueta, num gesto que terá influência nas suas ilhas, mas fica por ali. Contudo vai marcar o seu ponto de vista.
O chocante, é que muitos de nós, vamos atrás do folclore que é o modo desbragado do seu discurso, a diversa gama de insultos que vai desde o miudinho (tratar Cavaco Silva por «sr. Silva» ou Sócrates por «sr. Pinto de Sousa») o que é apenas o seu modo de gozar, àquele que mete o palavrão forte que usa nos comícios ou em entrevistas de rua, deixando-nos imaginar que bebeu um copo a mais. Ora essa capa, é para mim apenas ‘folclore’. Tem pouca importância, apenas a de 'picar' as pessoas que ouvem e mostrar que quem escolhe esse estilo terá uma determinada personalidade. O sério e grave não são as suas palavras ou o modo de se exprimir, são os seus actos. O modo como governa a «sua ilha» onde o dinheiro de Lisboa é fundamental para manter o seu sistema. E a prova de que esse dinheiro lhe é necessário, apesar da arrogância desbragada com que trata os sucessivos governos centrais, é a reacção que teve ao ver o fecho da torneira.
É natural que com estas eleições antecipadas, ele volte a ganhar. Porque não? Tivemos por cá municípios onde o caciquismo prevaleceu, mesmo quando os candidatos a presidentes da autarquia tinham processos pendentes por corrupção! O super-caciquismo que por lá existe terá de ter super-resultados. E depois? Vamos continuar com «um país, dois sistemas»?

Haiku

Se calhar vocês sabem o que é. Eu, confesso que até há pouco tempo nunca tinha ouvido falar em tal…
Tinha de ser oriental, não pelo nome, apesar de por aí já vir uma pista, mas pelo conceito. Por aquilo que consegui entender o Haiku é encontrar o essencial e dizê-lo em 3 linhas formando uns minúsculos poemas.
Esta arte nasceu no século VII, teve o apogeu no século XVII, mas parece estar a tornar-se num fenómeno de moda agora. Fala-se em serenidade, em exercício para a simplicidade, para o essencial. O conceito é pensar em qualquer coisa e reproduzir o nosso pensamento em 3 versos, 17 sílabas (antes da tradução, é certo)
Os entendidos consideram que se sentem as emoções do poeta sem que elas sejam escritas e esse não-dito faz a beleza do poema. Um pouco hermético, não?
É uma escrita que se prende a detalhes, a questões ínfimas da vida.
«Paz no velho lago
Uma rã mergulha
Ruído de água»
escreveu o poeta Matsuo Bashô um dos mais famosos destes escritores.
Para se entrar bem dentro do espírito mandam-nos respirar, olhar, ouvir. Ver a sala em que se está, a sombra da cortina, a luz no sobrado. A erva no canteiro, o galo a cantar, a curva do voo de um pássaro. Reparar no pormenor.

Depois, como seria de esperar em algo que nasceu no oriente há montes de regras, regra formais. Segundo o kigo, a evocação de uma estação é colocada no primeiro verso. E depois vem o cinco, sete, cinco – ou seja o texto não pode ultrapassar 17 sílabas divididas em 3 versos (curto, longo, curto, 5/7/5) pode ser ainda mais curto, nunca mais longo!

Japonesices?...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Magia

Adoro magia.
Fico tal e qual como uma criança pequena quando sou apanhada por uma situação «mágica» onde me descobrem aquilo que penso sem eu entender como é que o truque é feito!
Este que venho aqui mostrar tem resultado sempre e não consigo descobrir como é que é possível!
Mas o certo é que é. Resultou todas as vezes que repeti.
Experimentem vocês e vão seguindo as instruções – escolher um número até 99, subtrair-lhe o valor de cada um dos algarismos que o compõem (25 -5 -2 = 18) esse número corresponde a um símbolo e… tátátátá!!! O símbolo aparece no quadradinho.

ESTÁ TUDO AQUI EXPLICADO


«Há coisas espantosas não há?...»
Ou será por ser Carnaval?

Emprego e filhos

Aqui está um ponto que só foi aflorado ao de leve na campanha do último referendo (e é normal que assim fosse uma vez que o que estava em discussão era uma questão jurídica ) mas que é da maior importância e ajuda muito a enquadrar uma das causas da baixa natalidade em Portugal – a pressão que uma mulher sente por parte do seu patrão contra o facto de ser mãe ou o desejar ser.
O JN dá-lhe a primeira página e ainda bem. Porque esta é uma questão muito delicada e onde as queixas são difíceis.

Estamos a falar da discriminação da mulher em função de vir a engravidar ou até mesmo por ter filhos pequenos.

Para além de ser delicado apresentar queixa, admitindo em seguida que a trabalhadora discriminada prova o seu caso e o patrão a tenha de admitir novamente, não é difícil imaginar os milhares de pequeninas vinganças a que será submetida depois dessa readmissão forçada…! Uma empresa que se veja obrigada a readmitir uma mulher despedida por ter engravidado, tem o queijo numa mão e a faca na outra para hiper-valorizar a menor falta cometida e infernizar o quotidiano dessa mulher mantida no posto de trabalho contra a vontade do patrão. E o que a IGT diz agora neste relatório, já nós o sabíamos pelo que se vai ouvindo no dia a dia: isto acontece "em todos os sectores da vida económica". Sem falarmos no mundo imenso do trabalho precário, onde a questão nem se põe porque logo de início, se está grávida ou com um bebé pequeno a mulher nem sequer é aceite, muitos de nós conhecemos casos de mulheres que trabalham em sectores mais qualificados e são penalizadas se acontece engravidarem. Eu tenho duas amigas bancárias que me contam situações inacreditáveis de intromissão na sua vida privada. Nem sequer pelo chefe máximo mas por quem está mais perto delas e sente que a produção no seu sector pode diminuir!
Assim como posso contar uma história, passada na própria função pública que deveria dar o exemplo nestes casos: uma rapariga, já funcionária, pediu uma transferência para secretária de uma chefe que precisava de alguém com as suas qualificações. Vi a expressão dela ao sair da entrevista, e era aterrorizada quase à beira da lágrima. «Mas o que foi?» quis eu saber. «Ai, meu Deus! A Dr.a X disse-me que para aqui só queria mulheres na menopausa ou com trompas laqueadas». Rodeamos a moça e tentamos dizer que aquilo era uma brincadeira. E é claro que só podia ser uma brincadeira, mas de muito mau gosto.
E sintomática de como as coisas se passam.

domingo, fevereiro 18, 2007

KUNG HEI FAT CHOI


Acabou o Ano do Cão, vem aí o Ano do Porco
É engraçado como os animais do «Zodíaco» (?) chinês são, de uma forma geral, animais bastante secundários cá para nós. Sem falar no pobre do Rato, que isso nem se imagina como uma pessoa pode ser «rato» (!!!) os outros, enfim… lá o tigre, o cavalo, o boi, ainda a serpente que pode meter algum temor, e sobretudo o MEU, o belo Dragão, são animais como deve ser. Agora o carneiro, o macaco, o galo, o cão, o gato, o rato, o coelho…onde é que já se viu!???
Mas enfim, cada terra com as suas tradições e essas são tão, mas tão antigas, que ninguém tem nada com isso…Afinal sou eu, ocidentalzinha da gema a ver as coisas da minha perspectiva.
Começa então hoje o Ano do Porco.
O Ano Novo Lunar na China é um espectáculo deslumbrante. Já escrevi
por aqui ou também por aqui vários posts sobre esse tema, pelo que não me vou repetir.
Desejo uns bons 紅包; «lai-si», bem recheadinhos, e

KUNG HEI FAT CHOI !!!

Um grande desportista!

Recebi a mensagem por email.
Veio no Youtube como fui confirmar e vejo agora que o «Arrastão» já o publicou de modo que não sei bem a quem o roubei…
De qualquer modo o vídeo é tão interessante e oportuno que é impossível não o deixar aqui também!
Sempre a descer a alta velocidade!



Ou será um «sempre-em-pé»?

Cartas de Iwo Jima

A ordem deve ser arbitrária, penso eu. Quer «As Bandeiras dos Nossos Pais» quer a outra face da medalha «Cartas de Iwo Jima» são filmes obrigatórios. Os dois. Digo isto apesar de ontem ter começado por ver as «Cartas» mas apenas porque se tem de começar por um deles… Pretendo muito rapidamente ver agora o ‘lado americano’ da história.
Este é um filme inesquecível! Sombrio em todos os sentidos. Sombrio pela cor, filme cinzento, a cor que aparece é quase apenas o vermelho da bandeira ou do sangue. E sombrio porque, como numa tragédia grega, sabemos que o desfecho inevitável é a morte. Uma morte fatal para 19.000 japoneses que defendiam aquela ilha de uma importância estratégica grande, mas que apenas podia contar com aqueles homens em terra – nem aviação, nem marinha.
O horror da guerra em grande plano. Soldados tão jovens, um deles diz «nós ainda nem sabemos aquilo que vamos perder» porque aos 20 anos a vida mal começou. Grandes conceitos, pátria, honra… Acreditaram que os americanos eram os maus, eram diferentes, mas ao ler uma carta de uma mãe americana para o filho reparam que é igual à que as suas mães lhes escrevem. É possível?
Clint Eastwood conta-nos uma história impressionante que questiona de um modo muito forte a guerra em si. Dos dois lados da barricada estão seres humanos quase iguais. É certo que a cultura japonesa aceita o suicídio honroso, os kamikases ‘nasceram’ no Japão, mas neste filme vê-se que nada disso é generalizável. Há quem pense de outro modo, há quem pense que se continuar vivo poderá ser mais útil do que se auto-despedaçar com uma granada, e há até quem pense em se render. Porque são seres humanos. Porque também são diferentes entre si.
Essa ilha de 21 km quadrados com o seu monte Suribashi, não conseguiu resistir. Ficaram as cartas, centenas de cartas que foram escritas mas não enviadas. Enterradas naquele solo que ainda era japonês, para que um dia talvez pudessem servir de testemunho ao que ali se tinha passado.

O Carnaval

Tal como as outras «datas obrigatórias» entendo que haja quem o rejeite. Quando falo em datas obrigatórias, penso no Natal, ou Passagem do Ano, ou Santos Populares, ou Páscoa, enfim dias onde é suposto todos terem as mesmas emoções. Claro que é impossível e artificial estar-se fraterno, ou animado, ou alegre, ou comovido, ou brincalhão, ou carinhoso, ou… num dia certo como se fôssemos um interruptor que se liga ou desliga. Concordo que não. Também penso que em qualquer destas situações como nos furacões ou torvelinhos do mar, se estamos mais perto do fenómeno (neste caso de pessoas que estão ‘apanhadas’ por esses sentimentos) teremos maior tendência a sentir parecido.
O Carnaval é um caso destes. Se, ou antes, quando somos crianças vivemos a época plenamente e com toda a alegria. Depois vai-se crescendo e tudo começa a depender do nosso feitio por um lado, do local onde vivemos e dos amigos com quem nos damos mais, por outro.
Há uns séculos atrás, onde a vida social e os costumes eram muito mais rígidos, mais formais, havia normas muito sérias quanto à forma como nos vestíamos, o que dizíamos, que comportamentos tínhamos – os dias de Carnaval eram importantes como um escape para se fugir durante eles aos comportamentos a que se tinha de obedecer durante todo o ano. Ainda por cima este tempo vinha imediatamente antes de um outro muito grave e pesado que era a Quaresma, onde os cristãos faziam penitências e acabava toda a brincadeira.
Neste milénio as coisas estão bem diferentes nessa ‘perspectiva sociológica’, chamemos-lhe assim. Há muito menos recalques durante o dia-a-dia portanto menos necessidade destes períodos de time out. E em Portugal deu-se um fenómeno de imitação completamente artificial que foi a cópia infeliz do modelo brasileiro. O Carnaval brasileiro é um fenómeno único e é deles! Não pode ser exportado e a sua imitação acaba por ter um ar (desculpem o termo mas não me ocorre outro) pindérico! Não há nem pode haver desfiles de escolas de samba, porque não há samba, nem há escolas, nem há nada disso na nossa tradição! E as organizações dos diferentes Carnavais que pretendem essas imitações manhosas estão claramente condenadas ao fracasso.
Mas há também em Portugal tradições de terras onde se vive o Carnaval de um modo muito autêntico e bem disposto. Pelo que sei, lá
nas terras do amigo Farpas a coisa é famosa. E uma amiga que vive em Torres esteve no outro dia a contar-me que para além do «corso» e essas actividades mais mediáticas e vistosas, eles lá vivem o Carnaval a noite toda e levam isso muito a sério. Grupos de amigos mascaram-se de igual, de africanos, de extraterrestres, de esquimós, de palhaços – as lojas vendem metros e metros de tecidos e eles fazem as suas fantasias em casa divertidíssimos e tentando mostrar a sua imaginação.
Bem, eu que não sou torriense, nem canense, sou uma pobre e simples lisboeta, sei que não vou ter nenhum «assalto» na minha casa e o Carnaval que recordo é o da minha infância.
E que bom que ele era! Como me sentia contente vestida de espanhola, ou dama antiga, ou bailarina, ou fada. Vestidos feitos em casa, um pouco trapalhões mas criados com tanto amor por quem o costurava que me sentia felicíssima. Só era pena acabar na 3ª feira apesar de ainda poder brincar com os meus amigos sempre que me apetecesse até o vestido se desfazer.
Tempos que já lá vão…

sábado, fevereiro 17, 2007

Infinitos

Aqui há bastante tempo mandaram-me um email espantoso.
Logo na altura desejei deixá-lo aqui no Pópulo para partilhar com vocês a sensação estranha que tive, nesta viagem extraordinária. Mas na altura, não sabia como é que se podia postar power-points, e deixei cair a ideia.
Entretanto aprendi como podia deixar aqui a porta aberta para fazerem mesma viagem.
É esta a porta


FAÇAM FAVOR DE ENTRAR !!!

De pedra e cal betão

Ora cá está! Alguém pensava que esta escandaleira toda abalava a gestão do PSD na Câmara da nossa capital? Olhem que inocência… Tão duramente conquistada iam agora abrir mão dessa presa? Estão ali para ficar! De cimento armado. E bem armado, pois então!!!
O eng Carmona mantêm a sua atitude de candura e inocência e vai dizendo que
não vê razão para o vice-presidente suspender o mandato, e além disso «estamos de consciência tranquila»
Quem bem que deve dormir. Dizem que a consciência tranquila dá um soninho repousado…



Roubada ao Kaos

Os voos da CIA

Eu compreendo as questões de lealdade. E acho louvável. É bonito sermos leais com os nossos amigos, com os nossos colegas, os nossos companheiros.
Também compreendo que se «o amor é cego» muitas vezes a amizade também o é. E acontece se ouvimos uma crítica a alguém de quem gostamos, nem reflectimos duas vezes e saltamos em sua defesa sem medir consequências.
Tudo isto no campo da nossa vida particular. Mas quando passamos para a vida profissional a medida costuma ser outra. Se nos dizem que um nosso colega de trabalho, cometeu um erro que nos pode atingir não é costume dizer «isso não interessa nada, vamos tratar de outro assunto» mas sim, serenamente esclarecer o assunto, investigar o que se passou e concluir - ou é um engano e ele não cometeu erro nenhum, ou houve lamentavelmente uma asneira é uma pena e isso não se pode repetir. Porque nesse caso a lealdade é devida ao conjunto de trabalhadores e à empresa e não particularmente ao nosso colega.
O nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros não pensa assim. A sua lealdade mostra ser para com os seus colegas ministros anteriores a si, e não para com o povo que elegeu este governo, ou para com o respeito aos direitos humanos. A sua frase de que é
«a sua "obrigação" é "pôr as mãos no fogo" pelas conduta dos governos anteriores» deixa-nos de boca aberta de espanto. É que essa de «por as mãos no fogo» não me parece que seja nunca uma obrigação. Há aqui muito de contraditório porque a expressão de ‘por as mãos no fogo’ é uma defesa cega. Como é que é uma obrigação defender seja quem for sem investigar? Como é possível dizer-se que "Guantánamo é uma vergonha mas esse problema não é nosso". Numa outra medida o holocausto foi uma vergonha e não foi problema nosso…
Continuando com a metáfora das «mãos», não entendo é como se podem lavar as mãos com esta ligeireza!

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Um equilíbrio delicado

Quando alguém faz uma confidência, um desabafo, espera uma reacção de compreensão, e em certa medida de solidariedade. Mas a verdade é que a atitude correcta, mesmo ‘certinha’, aquela que o confidente deseja, é extremamente difícil de ‘ajustar’ assim um pouco como o «ponto» do açúcar para quem faz doce – um pouco menos de tempo ao lume e a calda de açúcar fica líquida, um pouco a mais e torna-se em caramelo!
Uma amiga queixava-se ontem de que, ultimamente, tem ouvido muito uma expressão, dita a seu respeito, que a deixa possessa: «coitadinha da M. eu tenho alguns problemas mas ela!!!!». E, o engraçado é que sendo a frase bem intencionada tanto quanto me parecia, ela ficava furiosa por achar que as pessoas que a diziam também tinham problemas mas por orgulho os negavam não assumindo as dificuldades. «Inventavam» um mar de rosas, e ela se tinha algum problema, bolas! também não era nenhuma desgraçadinha. Quando lhe chamei a atenção para que a frase rigorosamente oposta que é «ah, tu queixas-te mas os teus problemas não são nada comparados com os meus...» também era irritante e, ainda por cima, mais frequente do que a tal que a aborrecia, ficou um pouco perplexa. Reconheceu que também não gostaria que lhe dissessem isso, mas…
A verdade é que cada um de nós quando fala da sua vida, não quer a «conversa desviada», deseja é apoio e compreensão sem comparar com mais nada. Deseja analisar o seu caso, o seu problema, a sua preocupação. Deseja encontrar uma solução, quer imaginar uma saída, sonha com um final feliz. A comparação com o bom ou o mau de uma experiência alheia, nessa altura não vai ajudar nada.
Mas o certo é que essa escuta atenta e centrada exactamente na questão que é posta é, tal como disse, tão delicado como acertar o ponto pérola e não o ponto fio na calda do açúcar.
Ou então o doce não resulta!


Não saberá ler, não saberá ouvir, ou é tudo junto?

Estou sempre a pensar que não se deve gastar mais cera com este defunto, mas nunca aguento! É que o homem adora estar na berlinda e a gente vai-lhe fazendo o gosto…
Desta vez o inefável A.A.J. vem afirmar uma coisa em que ninguém tinha reparado:
o referendo à despenalização do aborto "não é vinculativo"
Aaaaah???? A sério? Então não é…? Olhem que uma surpresa destas até faz mal ao coração!
Mas ao menos ficamos enternecidos com o cuidado do senhor em relação aos "testículos" dos portugueses. É que fazem falta, e é um descuido perder-se um órgão desses. As mulheres aqui do continente devem começar a ficar raladas, talvez se comece a olhar para as ilhas com cobiça e sonhando com uns transplantes.
Oh homem, contenha-se, se conseguir! Ou o disparate não tem mesmo limites???

Chicotada psicológica…?

No futebol é conhecido: quando começa a haver maus resultados, manda-se o treinador para a rua. Na imprensa ainda não tinha ouvido falar, mas parece que vai começar a ser moda.
O patrão da GlobalNotícias, demitiu em bloco a direcção do Diário de Notícias, por estar insatisfeito com os resultados das vendas do jornal Como parece, trata-se de uma questão de gestão económica, não da qualidade do jornalismo.
E um lifting como no
? Aumentaria as vendas?
Esta coisa do marketing é complicado…

Pois se ninguém lhe perguntou…

Gosto destas habilidades. O senhor vice-presidente da CML diz inocentemente, qual cordeirinho recém-nascido que só nunca disse que era arguido porque ninguém lhe perguntou
:D :D :D
Tá claro! Pois então alguém lhe perguntou? É evidente que todas as questões levantadas pela oposição à vereação da Câmara são uma coisa, mas uma pergunta directa, assim frente a frente, «olhe lá criatura, já foi dado como réu no processo, sim ou sopas?» é outra e parece que se esqueceram de a fazer.
Tchi, tchi, esta gente que nem se lembra das coisas mais elementares! Claro que sem pergunta não há resposta, o que é que julgam?
Assim como os senhores da Bragaparques também
continuam a explorar o terreno do Parque Mayer, como parque de estacionamento, sem pagar qualquer tipo de contrapartida à Câmara Municipal de Lisboa porque ninguém lhe foi dizer eu não o podiam fazer…
Não podiam adivinhar que não se pode explorar uma coisa que não é nossa, não é assim?
Eles não 'espilicam' como dizia dantes o Badaró, e um pobre anjinho não vai adivinhar o que é que querem saber...

«O desemprego mais alto dos últimos 20 anos»

É uma constatação do INE, não é uma opinião mal fundamentada da oposição. É o Instituto que nos fornece os números oficiais que o diz: a taxa de desemprego passou para 8,2%, o nível mais alto dos últimos 20 anos .
Diz-se que têm sido criados muitos empregos. Fala-se em números, em 9.000 em dois anos. Pode impressionar à primeira vista, contudo se os olharmos à lupa parece que são os famosos trabalhos de curta duração, que fazem com que um trabalhador se sinta em permanente instabilidade, como os alcatruzes de uma nora – sabe que vai conseguir subsistir durante 3 meses para recomeçar tudo de novo no quarto mês. É a satisfação de curta duração a que parece que nos vamos habituando.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Roda do(s) alimento(s)

Mas poupar como?

Olham que tem graça! Fazem uma comparação entre diversos povos da Europa e dizem-nos que os suecos, alemães, austríacos, suíços, holandeses, andam a fazer investimentos e poupar para a reforma e cá em Portugal, nada.
Gosto destas conclusões!
Ora bem, o certo é que para além da precariedade de emprego, que o que se poderá poupar (quem o conseguir fazer!) será para o momento em que se veja desempregado, há que levar em conta
que ainda há que pagar a amortização da casa, a educação dos filhos e já agora a conta do médico e da farmácia
São problemas com que, imagino, os suecos ou holandeses não se debatem!
Por cá, basta pensar que a reforma que os mais velhos de nós recebem não dá para pagar um lar de 3ª idade... (privado, é claro, que os outros tem listas de espera que dá para se morrer entretanto!)