segunda-feira, agosto 31, 2009

Fim de férias

Wordle: Untitled

Wordle: ferias


Em preto ou em branco, ou seja... tudo tem duas faces.

Hoje é o meu último dia de férias (as GRANDES!) e amanhã volto à actividade, o que também tem as suas vantagens. Se estivesse sempre em férias, isso não se chamava férias, não é? Era um 'estado de ociosidade', digamos assim.
Que enjoo.

Portanto a partir de amanhã (e ainda hesitei se aproveitava ou não este último diazinho de Agosto) recomeço a agitação do dia-a-dia.
Contudo vamos aproveitar este último dia(zinho) que espero seja um grande dia!.

E faxavor de fazer bom tempo hoje, ó São Pedro!!!!
Não peço tanto calor como ontem é claro, mas que não faça frio. Quero levar saudades deste mês.


domingo, agosto 30, 2009

Poupadinho, heim?...

E depois há quem diga que o nosso SMN é pouco?! Que grande mentira. Quem o sabe gerir bem dá para tudo e mais um par de botas!

Vejam o nosso industrial (é industrial, não é?) Manuel Damásio.
Há 10 anos, ganhava o mínimo nacional, e hoje vai vender a sua casinha, por
15 milhões de euros.*
E deve valer isso, pela descrição que vem na imprensa.
Além de situada na Quinta da Marinha, sítio requintado, ela tem: «nove quartos, dois deles reservados para os empregados, 12 casas de banho, várias salas de jantar, uma discoteca com bar, ginásio, jacuzzi, duas piscinas, uma interior aquecida, outra exterior e um grande jardim»

Repararam que tem mais casas de banho do que quartos?
Gente asseada, aquela!
Tudo brilha de asseio.
Até mesmo o dinheiro deve estar lavadinho...



* Se ele me ensinasse como se faz...
Ficava muito agradecida. Confesso que ganho bastante mais do que o SMN, portanto deve ser ainda mais fácil!


Uma música ao Domingo

E a Rita Pavone?...

sábado, agosto 29, 2009

Boas Notícias

Não será uma «Boa Notícia» assim espantosa, mas devo considerar Boa Notícia, digna de figurar aqui nesta rubrica:
O Plano Regional de Vacinação, nos Açores, vai incluir uma vacina para crianças até aos dois anos contra alguns tipos de meningite, pneumonia e septicemia

Claro que é para alguns tipos dessas doenças, seria complicado abranger tudo, mas na minha opinião tudo o que seja Prevenção é de aplaudir.
E a vacinação é das prevenções mais simples.
A mortalidade infantil desceu dos níveis assustadores que tinha há 100 anos por causa das vacinas. E sabemos agora que nos Açores, os meninos mais pobres, aqueles cujos pais não tinham dinheiro para esta prevenção estarão protegidos.
Boa Notícia.


sexta-feira, agosto 28, 2009

Palavras pesadas

Para mim, na nossa linguagem há muitas vezes dois pesos.
Por um lado é o significado exacto e rigoroso da palavra, por outro aquilo que, de uma forma geral, ela invoca. Sabemos que nem sempre isso coincide.

A comunicação social deve ter muito cuidado com o modo como dá as notícias, é claro. E faz muito bem em evitar «acusar» seja quem for sem o tribunal o considerar culpado. Aliás, infelizmente, sabemos que nem sempre há essa cautela, podem não acusar directamente mas basta apresentar alguns factos de um modo mais ou menos tendencioso para influenciar a opinião pública.

Mas o que me anda a fazer confusão ultimamente é quase o oposto dessa posição.
Tornou-se agora moda, usar a palavra ‘alegadamente’ por sistema quando se conta uma história de polícia.
Ora, com rigor, se a palavra ‘alegar’ significa ‘emitir razões sobre um facto’, também nos evoca a ideia de ’desculpas’ ou ’pretextos’ e a verdade é que muitas vezes é logo isso que se pensa. É correcto, se um indivíduo foi acusado, contar-se esse facto com a cautela do ’alegadamente’ - a tal ideia de que somos inocentes até se provar a culpa.
Mas, com sinceridade, soa-me mal quando o ’alegadamente’ se aplica à vítima ou para ser mais rigorosa, ao queixoso (ou queixosa).
É que, nesse caso, a mensagem que nos chega, mesmo sem querer, é que aquilo que ele disse pode ser uma mentira. E até pode, mas isso ficará para depois ser provado.

A semana passada foi notícia os casos de duas raparigas que fizeram queixa de violação, mas como não havia ninguém da Medicina Legal para recolher as provas, e elas não conseguiram esperar todo o fim de semana por que esses técnicos voltassem a trabalhar, essas evidências não puderam ser recolhidas.
Contudo, nos dois casos, a notícia falava da jovem como «alegadamente violada».
Havia várias maneiras de dizer aquilo sem acusar ninguém, mas a mais fácil, que me ocorre logo, era referir: «queixando-se de violação». Porque isso era um facto, a queixa. As duas raparigas tinham-se queixado, tinham mesmo até feito uma participação na polícia.
É certo que a investigação depois logo concluiria se a queixa se podia materializar numa acusação a alguém. Mas a queixa, e pelos vistos com provas que só não foram recolhidas porque os médicos disseram que não era nada com eles, essa existiu.

O «alegadamente» serviu para deitar suspeitas sobre a sinceridade das queixosas e não gostei.




quinta-feira, agosto 27, 2009

Comércio tradicional

Na aldeia ao lado da minha, onde costumo fazer as compras:

Era um talho onde nunca tinha entrado. Estava habituada ao senhor Zé, mais abaixo e, sei lá porquê, nunca tinha entrado na porta daquele. Mas o talho do senhor Zé estava fechado. Não sei porque é, se vai fazer obras, se está reformado, não há nenhum papel a explicar. Portanto fui ao outro, um pouco de pé atrás.
Pois é, para quem costuma fazer as suas compras nos grandes centros, isto é outro mundo!
Via-se logo que era empresa da família. Um pai e uma mãe, dois rapazes. O casal até tinha fotografia, tamanho postal e encaixilhada em frente do tabuleiro com os frangos e os peitos de peru. Quanto os filhos não era preciso nenhum teste de adn que aquilo era a cara chapada dos pais.
Todos afáveis, simpáticos, sobretudo os rapazes. Amáveis sem se «fazerem engraçados» que é coisa com que não engraço. Como estava lá pouca gente e eu queria várias coisas vieram logo dois atenderem-me para não estar à espera! Um deles foi picar a carne que eu pedi, perguntando se queria só vaca ou vaca e porco e, no fim de estar picada, atenciosamente veio perguntar se queria que passasse outra vez pela máquina. Pormenores simpáticos. Quanto ao frango que comprei e pedi para cortar para guisar, pensou um minuto e disse-me que ia lá dentro buscar outros que aqueles eram pequenos, depois de guisados ficavam com muito osso. Voltou de seguida com um belíssimo frango que só pesou depois de tirar as pontas das asas e um bocado da gordura. Assim se captam fregueses, não é?
Entretanto tinham entrado mais clientes, senhoras da terra de mais do que de meia idade perto da tal terceira que falavam dos netos e metiam-me a mim na conversa, sentia-me em casa!
Como eu tenha ouvido falar de umas espetadas que lá vendiam, explicaram-me que não as tinham já feitas mas faziam-nas num instante, e portanto esperei sentada numa cadeirinha de braços que lá tinham para os clientes! E já no final o rapaz explicou-me que não sendo o volume muito tinha distribuído por dois sacos para eu não levar muito peso de um lado só.
Conquistada! Nunca por nunca um talho de uma «grande superfície» me tratava assim!
Este pequeno comércio quando é bom, é muito bom!

quarta-feira, agosto 26, 2009

Era de esperar

Li por aí que Cavaco vetou a nova lei sobre as uniões de facto
Normal. Nada de mais.
O que me surpreende a mim é a surpresa das pessoas. Quando se votou Cavaco, sabia-se que isso implicava muitas outras escolhas. Não sou bruxa mas isso foi sempre claro para mim. Penso que quem votou naquela personagem, tinha todos os dados para saber quem ele era, o que pensava, que atitudes tinha e quais as decisões que tomaria com os poderes que lhe iam dar.
O homem que «não tinha dúvidas e raramente se enganava», agora anda com várias dúvidas, mas apenas quando as leis que são aprovadas na Assembleia da República vão ao arrepio dos seus gostos. Lendo as suas razões - ou dos seus assessores, é claro - sobre esta Lei das Uniões de Facto, até parece que se estava a propor para aí umas enormes e fundamentais alterações. Mas não seria nada de muito especial e, com essa tal lei que foi vetada por ele, não se prejudicaria ninguém, tanto quanto li, e se quiserem podem confirmar, e podia beneficiar algumas pessoas. Claro que podemos ter a ideia de que regular essa união* vai um tanto contra os «bons costumes» é certo, mas eles são cada vez menos os que aceitam os «bons costumes» felizmente.
Huuummm… No país real, a verdade é que andamos a casar ‘oficialmente’ bastante menos do que a viver-se em uniões livres. Os costumes não gostam. A Igreja não gosta.
Hoje em dia, até quem casa ‘oficialmente’ já fez um ensaio geral de como é essa coisa de viver com outra pessoa. Se gostaram, avançaram para o tal casamento. Ou gostaram mas pensaram que assim estavam bem. Ou não gostaram, e a experiência ficou por ali.
E sabemos que tal atitude não se passa apenas em Portugal, muito pelo contrário. É uma onda geral.
Mas que Cavaco e as pessoas que ele representa esteja contra, nada de mais natural. Por isso é que votaram nele!


*a única possível aos homossexuais, que é o que aqui está em causa, é claro....

terça-feira, agosto 25, 2009

Os penduras do guarda-vento

Uma praia é um posto de observação do melhor.
De um modo geral, quando chego lá depois de cravar o guarda-sol na areia, estender a toalha, pôr protector solar e abrir o livro ou a revista que levo, faço uma pausa para olhar em volta e apreciar o que vejo.

E na verdade há sempre bastante para ver. Por exemplo, tenho reparado na quantidade de gente que não se rala nada em fazer publicidade a troco de um guarda-sol. Se olharem com atenção, em cada cinco guarda-sois uns dois ou três anunciam coisas de beber ou comer: café, cerveja, gelados, iogurtes, águas... (não digo as marcas para não fazer publicidade)
E
stou a brincar com isto mas, se calhar, se me oferecessem um também o aproveitava! O meu é muuuito velhinho, mas ainda resiste a tudo. Imagine-se que nem é de nylon, é ainda dos de lona e tem uma indicação de que é 100% de algodão! Aos anos…
Mas, recentemente, quero eu dizer o ano passado, decidi adquirir também um guarda-vento. A verdade é que muitas das tarde de praia ficam desagradáveis, não por não haver sol mas sim porque há demasiado vento. E isso resolve-se com três ou quatro paus unidos por bocados de pano que se espetam na areia e fazem uma barragem contra o vento.
Muito útil.

Ontem chegámos à praia, como sempre depois das 4 horas, e já não havia muita gente. Óptimo. Escolhemos um local simpático e lá plantámos o guarda-vento. Decidiu-se que aquilo chegava, a sombra que dava era o suficiente para nos protegermos.

Ao fim de uns 15 minutos de sossego entregue à leitura, oiço umas pessoas a falar com muita nitidez. «Que curioso» pensei «como aqui na praia os sons enganam. Até parece que estão aqui mesmo ao lado» e deitei uma olhadela para avaliar da distância a que estariam as pessoas cuja conversa estava a ouvir tão bem. Em redor não via nada até que o meu olhar se aproximou. Era uma família, dois adultos e duas crianças, que tinham estendido as suas toalhas mesmo encostadinhos ao outro lado do meu guarda-vento!!!

Que eu saiba é coisa inédita, a cortesia das praias costuma ensinar que nos devemos instalar a uma distância razoável dos nossos vizinhos. E decerto que havia espaço de sobra no resto da praia, simplesmente eles decidiram aproveitar dos benefícios do meu guarda-vento.

Deu-me um ataque de riso que, obviamente, ouviram sem se ralar lá muito…
E lá foram aproveitando daquele cantinho resguardado enquanto eu, que desejava algum silêncio para ouvir o som das ondas - a única coisa que se devia ouvir nas praias - fui brindada com a tagarelice desinteressante daquela família, separada de mim apenas pela distância de uma lona!


segunda-feira, agosto 24, 2009

Sinalização, precisa-se!

Na quinta-feira falei aqui de um passeio que dei e onde me perdi. Mas prometi a completar a história. Então, «foi assim»:

Aquele caminho é conhecidíssimo. Não vou dizer que o faço de olhos fechados, que isso não convém fazer quando se vai a conduzir, mas a verdade é que já o fiz centenas de vezes e conheço-o muito bem. Quando digo conheço, é a estrada em si, é um facto que os arredores não domino. Mesmo nada!
A tal estrada tem trânsito, sobretudo ao fim de semana, e a autarquia vela por nós. Aquilo tem vários avisos para não ultrapassar os 60 quilómetros, ou os 50, ou os 70 (a coisa varia ao longo da estrada) e, para fazer cumprir a ordem, tem também muitos semáforos, daqueles que passam a vermelho se não obedecemos. Está bem.
Para além, disso desatou a construir rotundas. Que eu possa contar já lá cantam umas 3 ou 4, mas devem ter ponderado que ainda não chegavam (ou sobraram alguns trocos no fim do ano) e lá estão obras para mais outras 3 rotundas.
OK. Aceito. Eles mandam e deve haver para aí estudos a dizer que aquilo faz abrandar a velocidade…
O pior é que o orçamento se esgotou nos caterpillars e escavadoras e não sobra quase nada para deixar avisos a quem quer passar por aquela estrada. Minto, há um aviso, amarelo, a dizer «DESVIO». Muito bem, mas desvio para onde e por onde?…
É que a partir do primeiro desvio entra-se num mundo que nos faz lembrar a «Alice no País das Maravilhas». A gente «desvia-se» e vai dali a pouco dar a uma outra rotunda em construção. Linda, com seis saídas. Começamos a contornar aquilo devagarinho à procura de uma placa que nos indique o caminho para a terra que desejamos. Não há. Quatro das saídas têm sinal de sentido proibido, uma foi por onde viemos. Bom, deve ser a outra, pensamos. Metemos por ela, andamos um bocado e... voltamos à placa amarela que diz «desvio».
Não pode ser!? Tornamos a fazer o mesmo caminho. Chegamos ao tal redondel e já lá estão dois carros a andar à volta. Decidimos ir atrás deles, parecem tão perdidos como eu, mas enfim… Acabamos todos por enfiar por um caminho estreitíssimo de terra batida e dali a pouco vejo de novo a placa amarela a dizer «desvio». Falha-me o coração! Ah não, esta é outra, é mais pequena. É capaz de ser por aqui.
Entretanto os outros carros foram-se mas eu, corajosa, avanço. Ando 10 minutos sem qualquer indicação e depois encontro um poste todo torto indicando umas aldeias que não conheço de lado nenhum.
Bolas, não deve ser por aqui.
Mais uns quilómetros e uma placa verde indica «Farmácia». Ainda bem que há, mas eu queria era a estrada. Passo por uma terra onde não se vê vivalma, continuo a andar e acabo por encontrar uma placa que indica, em sentido contrário, a cidade de onde eu tinha vindo. Mas nada que sugira o caminho para onde quero ir. Continuo a andar, felizmente o depósito está cheio, e... cá está de novo a placa amarela a dizer «desvio». Desta vez ao contrário. Deve ser para os desgraçados que vão para a cidade de onde eu venho…
Placas indicadoras, nem pó. Mas, pouco mais à frente, vejo uma outra verde a indicar «Farmácia». É a segunda naqueles 20 minutos.
Em desespero de causa penso «vou à Farmácia perguntar o caminho!» mas quando entro na povoação, a feliz possuidora da Farmácia, vejo o tal ecoponto com o senhor amável cuja bela informação já contei.
Fim da primeira parte (o resto está no outro post)
Brevemente, só quero acrescentar que à volta, noite escura, regresso com umas indicações mais seguras, mas tive de passar pelas mesmas rotundas e, se a estrada normal está iluminada a zona das obras está mergulhada num negro de breu. Não se vê nadinha! Imagina-se o que é uma rotunda com muitas saídas, sem indicações e sem se ver nada?! Quando dei por mim tinha voltado para trás sem querer e estava outra vez junto terra dos meus amigos…
Por favor! Se fizerem um peditório para comprar placas, eu dou, eu dou!!! Só não quero voltar a passar por aquilo.


domingo, agosto 23, 2009

A fobia da gripá



Querem espaço, na praia, quando as toalhas na área mais agradável estão muito juntas?

E já experimentaram dar um espirro?

OK, digo-vos que é sensacional.

Aaaaaatchim!
Ainda o espirro não acabou e já o círculo de 10 ou 20 guarda-sois à nossa volta está em alerta máximo a olhar para nós.

Atchim?!
«Bem, o melhor é afastarmo-nos uns bons metros para longe», pensam eles!
E já está!


As fobias têm estas vantagens, agora é só cravar o chapéu na areia e estender a nossa toalha.

Uma música ao Domingo

Colaboração dos amigos.
Desta vez foi a Saltapocinhas que se lembrou destes:


video


(em karaoke, para quem se atrever!)



sábado, agosto 22, 2009

Boas notícias ideias


Li que o Palácio de La Moneda, no Chile passou a ser aquecido e iluminado por painéis solares.

Não seria uma ideia interessante a utilizar cá?
Não apenas em Belém, mas nos edifícios públicos.
Economizava-se e dava-se o exemplo. Pouco a pouco a energia ia passando a ser mais natural e sol é coisa que temos em abundância.

Outra coisa que não será uma Boa Notícia como as que tenho aqui referido mas nos faz pensar é aquilo que disse, muito bem, o José Palmeiro: Nélson Évora, foi um CAMPEÃO!
Não ganhou o Ouro, ganhou a Prata, mas com um fair-play que só nos pode orgulhar.
Muito bem, Nélson!!!


sexta-feira, agosto 21, 2009

A questão da saúde mental


Por um lado não me apetece tocar neste assunto que é demasiado angustioso e sem solução à vista. Mas o certo é que comecei por escrever alguma coisa, depois apaguei tudo e recomecei a escrever sobre outro assunto menos ‘pesado’ mas reflecti que era uma atitude de avestruz - não era por mudar de assunto que deixava de me preocupar, e cá volto.
Li no jornal que está em curso - ainda e sempre - a «reforma da saúde mental». Tanto quanto me lembro, e já ando por cá há uns anos, temos andado sempre a tratar da reforma da saúde mental. Já muitos psiquiatras, dos que mais lutaram por isso, se reformaram e outros até morreram e continuamos a tratar da abençoada reforma.
A verdade é que se fecham hospitais psiquiátricos, o que não é nenhum mal. Sabe Deus as condições que muitos deles tinham, e decerto que a ideia de que um doente mental ficará melhor enquadrado num ambiente «normal» está correcta. Desde que lhe sejam dadas condições !!!
Esse é o ponto chave.
Não é de hoje que há planos e até existem casas, com o apoio da Segurança Social, umas pequeninas ‘repúblicas’ com meia dúzia de quartos, onde outros tantos doentes mentais ‘estáveis’ fazem uma vida normal, desde que haja um vigilante que pernoite lá e vigie os medicamentos.

Mas são umas ilhas.
Umas pequeninas ilhas no imenso oceano estagnado dos cuidados de saúde mental.
A verdade é que, na generalidade, como esses doentes não podem (nem devem, creio) ficar hospitalizados mas por outro lado é impossível se na família todos trabalham ficaram na sua casa, a solução encontrada é enviá-los para lares.
Quando no final do mês passado a comunicação social falou no encerramento de um Lar na zona de Rio Maior, fiquei siderada. É que eu conhecia pessoalmente esse Lar por lá terem estado duas familiares minhas. Foi há mais de dois anos mas o Lar tinha sido sinalizado na altura por uma assistente social do Hospital de Santa Maria, ou seja julgávamos que havia garantias.
Mas o certo é que apesar das instalações serem boas, sentimos logo que havia muito falta de pessoal e estas minhas familiares queixavam-se exactamente de que eram incomodadas por pessoas desequilibradas que até as assustavam bastante. Quer eu quer a filha tentávamos aligeirar a coisa e aconselhar a que não ligassem importância mas era muito desagradável.

Bem, por aquilo que li na primeira notícia, esses doentes mentais foram agora para o Pisão. E aqui, num quarto de 4 estão 12. «As pessoas são despejadas e abandonadas à sua sorte. É pouco mais do que um albergue para comer e dormir» dizem.
Parece um ciclo infernal, não é?
Saem de um mal para passarem para outro igual. É esta a reforma da saúde mental?


quinta-feira, agosto 20, 2009

Clareza (...)

Ontem fui dar um passeio.
Nada de mirabolante, um passeiozito a sítios onde já fui vezes sem conta.
Mas acontece que no caminho para lá havia obras, pelo que entendi mais duas ou três rotundas para ‘travar a velocidade’ dos automobilistas (numa estrada não muito grande onde, pelas minhas contas, já lá há umas cinco…) e na confusão dessas obras sem sinalização enfiei por uns caminhos desconhecidos e … perdi-me!
(Fica para outra próxima conversa o desabafo sobre a péssima sinalização das obras na nossa terra, não que elas não estejam sinalizadas mas não dizem como se sai dali!)
Bem, perdi-me.
Não tenho GPS.
Felizmente não tinha uma grande pressa, porque apesar de ter combinado uma hora para me encontrar com uns amigos estávamos todos em férias e os atrasos não tinham importância.
A verdade é que primeiro tentei orientar-me pelas placas de sinalização que não me ajudaram nada. Mesmo nada, como hei-de contar. Desisti. Parei o carro junto de um senhor de aspecto simpático, que era dali de certeza porque estava em calções a despejar embalagens num ecoponto, e pergunto-lhe o caminho.
- «Está perto. Vai já por esta aqui em frente, anda um pouco e vira à esquerda, deixa passar dois cruzamentos e vira à direita e depois logo à esquerda. Vai em frente até ao fim dessa rua e vira à direita. Depois da curva vira outra vez à direita. Segue em frente e vira na segunda à esquerda. Depois disso vira na outra à direita, e vai sempre a direito nessa estrada»
Era simpático.
Mas um desastre a dar explicações. Como seria de esperar, voltei a perder-me e fui dar a outro sítio desconhecido (ontem fiquei rica em ‘sítios desconhecidos’) Vejo um rapaz novo, de boné, talvez de aspecto menos ‘certinho’ do que o senhor do ecoponto. Explico-lhe que estou perdida e queria apanhar pelo menos a estrada importante que tinha como referência.
- «Sim. Vira já aqui e depois segue sempre em frente»
E não é que pouco depois vi brilhar ao longe a água do rio que me servia de bom ponto de referência? Respirei muito fundo, sabendo onde era o rio não tinha dificuldades, essa é uma sinalização que não falha.

Estava meia hora atrasada!

quarta-feira, agosto 19, 2009

Moscas

(Moscas? Devem vocês estar agora a pensar. Ela não deve ter mesmo nenhum assunto para vir perorar sobre moscas!… Mas enganam-se, já vão ver!)

Agosto, em pleno Verão, o que há mais são moscas.
No campo, sabemos bem que o que há mais são moscas.
Ou seja, Agosto, no campo... é uma praga.

E, a verdade é que ninguém gosta delas…
Há quem só embirre um pouco, quem embirre muito, e todos nós tentamos afastá-las de diversos modos.
Isto para dizer que a luta contra as moscas, que poisam em cima de nós, que poisam na comida, que deixam as suas ‘marcas’ nos quebra-luzes, nas cortinas, até no ecrã da tv é o meu desporto de Verão.
De tal forma isso é que aqui na minha casa tenho aquelas pazinhas mata-moscas em todas as divisões da casa, e até me dou ao requinte de fazer condizer esses ‘mata-moscas’ com a cor da divisão - tenho um vermelho na sala, azul no quarto, amarelo na cozinha, verde na casa de banho… Não será por falta de arma de agressão que não combato as moscas, mas elas por um lado multiplicam-se e por outro fogem airosamente quando as ameaço.
E uso esse velho utensílio porque me parece ainda o mais ‘ecológico’ e de certa forma o mais leal - sou eu contra a mosca, eu sou maior mas ela é mais ágil. Mas como já expliquei aquilo é mais ‘ameaça’ porque elas fogem sempre.
Ora ontem, estava eu na cozinha e elas zumbiam à minha volta que a comida cheirava bem. Cheirava-me bem a mim e, não sei se elas têm nariz, mas lá que o cheio as atraía parecia mesmo! Já farta pego na arma de ataque e zás!!!
- «Ai, que horror!» gritei.
- «Que foi?» veio perguntar a correr o meu filho.
- «Matei uma mosca!»
- «Atão?! Não era isso que querias?..»
- «Pois queria. Mas agora faz-me impressão vê-la esborrachada na parede, tadinha...» e fui a correr buscar um esfregão para limpar.
É assim.
Complicado, não é? Nunca estou contente. Ou porque as moscas picam, ou porque as mato.




terça-feira, agosto 18, 2009

Títulos (de artigos de jornais)

Ou «parangonas», que mesmo que o não sejam soam como tal.
De vez em quando bato nesta tecla, mas a verdade é que não resisto. Faz-me impressão, até porque sei e falando por mim própria, que muitas vezes as pessoas, das notícias só lêem os títulos.
Tantas e tantas vezes! Estamos com pressa ou com interesse noutra coisa e passa-se os olhos pelas notícias, assim, por alto, deixa-cá-espreitar-os-títulos...
E a verdade é que ler um título não é ler a notícia, como sabemos, mas cai-se na armadilha!
Ainda ontem, ao fazer uma passagem pelas notícias na net, vi que as suspeitas de negligência médica sobem 600%
Uma pessoa fica arrepiada! Um aumento de seiscentos por cento?... A primeira ideia que nos vem à cabeça é que é um perigo cair nas mãos de um médico. Livra! De repente ficaram uma cambada de incompetentes e distraídos. Algo de muito grave se anda a passar.
Contudo, no corpo da notícia, ficamos a saber que «o Ministério Público está a investigar 80 casos». A investigar.
É evidente que é grave, e se um caso se passasse comigo ou um familiar eu estaria na linha da frente a exigir esclarecimentos, castigos, indemnizações. Alguns casos chegam aos jornais, porque os tenho lido, e chocam-me muito. Mas, ao ler mais 600 % a ideia que se tem não é de que o número original - de há 8 anos - era de cerca de 30 casos e portanto 30, mais 30, mais 30, mais 30, durante oito anos se chega aos 600%; quem leia apenas o título fica com a vaga noção que isto se passou de um ano para o outro e o número de negligências torna-se assustador.
Mas é apenas uma questão de escolha de título. A mesma notícia no DN, de onde aliás foi tirada, tem outro título muito menos bombástico e verdadeiro.
Eu sei que é matéria grave. Sei que não se pode discutir números porque UM caso que exista já é demais. Sei que se pensa que, de uma forma geral, os médicos têm uma consciência de classe muito forte e algum corporativismo e por isso é difícil investigar certos comportamentos e erros, mas haja calma. Se estes números correspondessem à imagem que deixam, até a Ordem teria vantagem em limpar essa imagem.

E talvez os jornalistas também.
É que 'a sensação' não é tudo.

segunda-feira, agosto 17, 2009

«Falar verdade a mentir» ou as redes sociais na net

Quando era adolescente, no grupo de teatro do meu liceu representei “Falar verdade a mentir” e foi uma experiência formidável que me fez passar a adorar o teatro, gosto que me durou a vida toda. Peça ingénua, própria para jovens do liceu do meu tempo e que nunca esqueci, como é natural.
E as relações entre a ‘pura verdade’ e a ‘autêntica mentira’ sempre me tocaram. A verdade é que a vida de todos nós é um novelo de mentirinhas, insignificantes, mas quem afirmar que não o faz… está a mentir. É a vida em sociedade. Normal.
Ontem, numa muito rápida vista pela net, encontrei um post do Charquinho que falava sobre a importância de usar um nick e a sinceridade que se pode, ou não, usar na net, a coberto desta ‘espécie de anonimato‘. É um tema que volta não volta quase todos os blogger abordam porque existe a ideia de que esta capa de ‘invisibilidade’ permite soltar sentimentos e emoções muito fortes que em sociedade estão controladas e reprimidas. Não direi que não, mas por mim não acredito que tenha a força que se diz. Na nossa vida não virtual podemos sempre, melhor ou pior, ‘mascararmo-nos’ e mostrar de vez em quando uma nossa faceta diferente. Quem é que nunca o fez?
Claro que a net torna essa coisa mais fácil.
Mas quando pensamos nas famosas «redes sociais» da net é que a coisa parece um desafio à sinceridade ou falta dela. Eu nunca tive muito jeito para isso. Há uns largos anos tempos recebi um email a dizer «João F. quer ser teu amigo» e pedindo para clicar lá num sítio, se aceitasse esse pedido. Estranhei, porque o João F. era meu amigo, era assim como aceitar um anel de noivado do nosso marido. Mas obedeci e cliquei lá, tendo assim entrado numa coisa chamada hi5. Como depois me pediram vários dados pessoais e o meu amigo João já os sabia, dei um passo ao lado e baralhei um tanto as informações que eram indispensáveis e as que o não eram simplesmente não as dei.
Desde aí, recebi mais uns tantos ‘convites’ do Plaxo, Wayn e, creio mas não estou certa, que também da facebook, Myspace, Orkut… A Plaxo e Wayn, esses tenho a certeza de ter sido convidada porque, como vinham de outros bons amigos meus, aceitei e estou sempre a receber mensagens de pessoas que vão entrado e querem «ser meus amigos». É uma grande fila. E fico sempre embaraçada, porque nestas três redes baralhei os dados que lá deixei, mas vi que há muita gente que é sincera e até deixa fotos suas e tudo. Sinto-me um tanto mal, como a espreitar por uma janela para uma sala iluminada estando eu na sombra. Mas é certo que quem lá deixa dados pessoais sabe que elas passam a ser públicos, não é?
Nesta caso como posso «falar verdade a mentir»? Ou «mentir a falar verdade»? É um falso dilema, é claro, porque o mais fácil deve ser apagar esta coisa toda e não ligar à simpática mensagem «X quer ser teu amigo»
Mas é difícil. Afinal não tenho assim tantos amigos que me dê ao luxo de deitar fora quem venha oferecer a sua amizade sem me conhecer de lado nenhum.
Oh que dilema!


domingo, agosto 16, 2009

Uma Música ao Domingo

Tinha escolhido uma música para hoje.
Mas... tinha-me esquecido de que este Domingo é 16 de Agosto. Foi exactamente a um fim de semana faz hoje quarenta anos, a 15 a 16 de Agosto de 1969, que se deu um acontecimento musical e não só, o inesquecível do Festival de Woodstock.



O Festival que marcou uma época e uma geração. Estava-se em guerra (estamos sempre em guerra, até parece) mas havia quem gritasse que era melhor fazer amor do que fazer guerra, e partisse numa cruzada com flores no cabelo e guitarras e canções. Estiveram lá mais de 500.000 pessoas.
A lista dos cantores é enorme e difícil escolher um.

Por exemplo, a guitarra de Jimi Hendrix.



Ou a voz de Joan Baez "We Shall Overcome" (... we shall live in peace, some day) :

sábado, agosto 15, 2009

Boas Notícias


As «Boas Noticias» de hoje são da área da investigação médica, o que interessa a todos com certeza. Ter-se saúde é um desejo que acredito que todos partilhamos.
E encontrei logo duas!
Por um lado foi identificado o composto que mata células estaminais do cancro, células que podem ser responsáveis pelo crescimento de um tumor maligno e pela sua resistência à quimioterapia e radioterapia. Pareciam invencíveis mas descobriu-se um produto que as pode atacar.
Boa!
E ainda se encontrou um modo de tratar uma forma de cegueira congénita com bons resultados Pelo menos o que a notícia refere é que em 3 casos o tratamento resultou e esses jovens de 20 anos podem começar a ver.
Boas Notícias para o sábado, como eu gosto.


(em férias os fins-de-semana têm outro sabor...)




sexta-feira, agosto 14, 2009

Coisas simples

Ontem o Público trazia uma cronicazinha do Miguel Esteves Cardoso, escrita com bastante graça, falando de limonadas.
Dizia ele que tinha a ideia de que tinham desaparecido em Lisboa os locais onde se podia tomar uma limonada. Uma simples limonada. A bebida com apenas o sumo do limão, água, gelo e açúcar. Depois, quando se preparava para escrever sobre esse ‘desaparecimento’, tema em cheio para o calor que tem feito, lembrou-se de consultar a «Dona Internete», segundo a sua expressão brincalhona, e descobriu que afinal a antiga «Tendinha», junto ao tribunal da Boa Hora, onde se bebiam umas belíssimas limonadas, afinal ainda estava aberta e de boa saúde.
Contava-nos depois como é difícil encontrar por aí um sítio onde se possa tomar alguma coisa tão simples como uma
boa limonada.
Não posso concordar mais.

Se há coisa que me tire a sede é uma limonada. Até muitas vezes uma gotas de sumo de limão num copo de água já ajuda a sentir menos sede. Mas, contudo, a maioria das pessoas bebe bebidas engarrafadas, muitas vezes gaseificadas ou, mesmo que o não sejam, pelo menos com imensas drogas sintéticas, que lhe dão uma bonita cor e um bom aspecto mas, se tiram a sede na altura, pouco depois está-se na mesma ou pior…
E caro, é claro, que esses líquidos nas suas bonitas embalagens têm de ser bem pagos e dar lucro a quem os fabrica. Por outro lado quando se tem o atrevimento de pedir algo de simples mas que dê um pouco mais de trabalho do que usar um descapsulador, a maioria das vezes chocamos com uma expressão enfastiada ou nem entendem aquilo que pedimos.

Há uns tempos, numa tarde muito quente, entrei com uma amiga num café muito elegante e pedimos uns masagrans.

«O quê?!» escandalizou-se a menina que nos veio atender.

«Dois mazagrans, se faz favor.»

«Ah, isso não temos! Não quer um néctar de ****?»

«Não, queríamos dois mazagrans», teimámos nós.
«Mas não há!»

«Paciência. Nesse caso traga-nos duas bicas e dois copos de água gelada com duas rodelas de limão. Já agora umas pedras de gelo também.»

Quando voltou com o nosso pedido despejámos o café nos copos e juntámos o gelo. Estava feita a tal bebida exótica que o café não tinha…

E saiu mais barato, porque afinal só pagámos o café!


quinta-feira, agosto 13, 2009

Caffeine



Eu iniciei-me nestas coisas da informática, e posteriormente da net, de certeza que mais tarde do que muita gente porque já não era nenhuma menina, mas reconheço que quando ‘entrei’ foi em força.
Lembro-me de como fiquei encantada com o ‘word’, - uau! escrever qualquer coisa e poder emendar o texto cinquenta vezes se quisesse sem ter de escrever tudo de novo! Algumas das minhas páginas quando só escrevia à mão ficavam quase ilegíveis no final, porque muitas vezes não estava para ‘passar tudo a limpo’ e ao emendar, riscava e escrevia por cima. Se emendava muitas vezes, o que é natural, às tantas aquilo parecia uma charada. [
Atenção, não quero dizer que o escrito à mão não seja mais pessoal, mais íntimo, não tenha mais calor, até gosto muito só que… é menos prático!]
Depois familiarizei-me com a net. Antes, quando tinha alguma dúvida sobre um assunto ia informar-me - ou num dicionário, num prontuário se era assunto de ortografia, ou numa enciclopédia, ou num manual da especialidade se fosse assunto que me desse para entender minimamente aquilo que esse manual dissesse, ou ia telefonava a alguém que soubesse do assunto, ou…
De qualquer modo isso era sempre um pouco demorado. Claro que, ‘demorado’ relativamente. Não achava demorado à época porque também não tinha termo de comparação, as pesquisas eram todas assim, nem conseguia imaginar que pudesse ser de outro modo, mas pelos padrões de hoje temos de pensar que para além do esforço também levava tempo. E mais do que isso, até me acontecia por vezes ter algumas dúvidas sobre questões que nem sabia exactamente onde procurar a resposta! Como nós sabemos, para iniciar uma pesquisa tem de se saber em que área se vai pesquisar, não é?

Depois conheci o
Google.
Sabemos que hoje até existe o verbo «googlar» para nos referirmos a esta pesquisa super rápida que consiste em escrever o que nos interessa, desde uma receita de culinária a um termo médico ou o nome de alguém e, num simples clic, termos um número enorme de soluções, um leque de respostas das mais elaboradas e científicas, às mais simplificadas e elementares. Para quem tem o pc sempre ligado, torna-se um gesto completamente automático perante qualquer dúvida googlar a resposta…
E agora chega a Caffeine!
Dizem que vai «melhorar a velocidade, relevância e exactidão nas buscas» o que é uma promessa formidável.

OK , parece que
ainda não se vão notar muitas diferenças.
Mas está no início e vai ainda melhorar.
É interessante sem dúvida.
Viva o Google!!!

Que ainda melhore mais, são os meus sinceros votos.



(e até porque nada nos impede nunca de escrever à mão e procurar esclarecer as dúvidas por outra forma, né?)


quarta-feira, agosto 12, 2009

Evolução dos costumes

É uma área da... (não sei se lhe posso chamar sociologia, se é muito pretensioso) enfim, do comportamento social que me fascina.
Um ponto importantíssimo é a linguagem verbal, é certo. A mudança, ao longo dos anos, do modo como nos exprimimos é interessantíssimo e uma área do conhecimento que, estando sempre por definição incompleta porque o tempo flui, é fascinante. Mas é também extremamente importante, e muito curioso para observar o comportamento, a linguagem não verbal, o modo como ao longo dos tempos vamos alterando a forma como exprimimos - por exemplo, os cumprimentos, despedidas, etc. Não estou a pensar em culturas diferentes, orientais ou africanas. Isso seria óbvio, o que acho interessante é a mudança na nossa Europa através dos anos.
Hoje em dia, por exemplo, tornou-se habitual o cumprimento através do beijo na cara. Não apenas às crianças, ou entre mulheres, o que já era ‘tradicional’, mas entre mulheres e homens mesmo que se vejam pela primeira vez e estejam a ser apresentados. Cumprimenta-se de beijinho. Beijinho na cara, atenção. Porque, por outro lado, desapareceu por completo o beijo na mão. Há cem anos era esse o habitual, não apenas do homem para a mulher, como das crianças para os adultos que respeitavam, pais, padrinhos… Passou completamente. Assim como deixei de ver o beijo na testa, também muito habitual há umas dezenas de anos da parte de um adulto para com uma criança ou adolescente. Como cumprimento hoje é raro.
Bem, mas fiquei a pensar em tudo isto, porque li há minutos um parágrafo muito engraçado.
A cena é de um livro da série «Roma Sub-Rosa» de que já em tempos aqui falei. Distraio-me bastante com esta colecção, uma espécie de ‘policiais’ passados na Roma antiga e que narram com imenso realismo o dia a dia romano nesses tempos. E a certa altura leio:

«Avancei e bati educadamente à porta com o lado do pé. Não houve resposta. Bati outra vez e esperei. Estava prestes a bater com os nós dos dedos, fosse pouco educado ou não, quando a porta se abriu.»

E esta?!
Se hoje alguém chegasse junto de uma porta e lhe batesse com o pé, fosse de lado fosse com a ponta, arriscava-se a ouvir das boas. Mas há 2100 anos, a falta de educação era bater com os nós dos dedos…
Mudámos bastante, não?!!!!


Ai, ai, ai...



Tem estado um tempo magnífico para quem está de férias.
Quente, sereno, com poucas nuvens, sem vento.
Ontem os noticiários mostram-nos grandes chuvadas aqui ao lado, em Espanha.
Hoje abro a net e vejo o Google neste preparo!

Vão agoirar para longe, tá bem?!

terça-feira, agosto 11, 2009

«Isto é que vai uma crise»

Entre os numerosos resumos sobre a ‘História do Humor nas últimas décadas’ digamos assim, que o desaparecimento do Raul Solnado veio provocar nos diversos canais de tv, foi lembrada uma rábula dos «Agostinhos» Ivone Silve e Camilo de Oliveira que cantavam «Isto é que vai uma crise» lá para o início dos anos 80.
Portanto a crise é antiga. Quase 30 anos…
Claro que sabemos que a actual crise é grave e internacional. Muitos países andam aflitos e preocupados. Mas acredito que cada um enfrente esse problema de modo diferente.
Por mim preocupo-me com o que se passa cá.
Mais do que isso, se essa crise apanhasse todos, (mas todos! de um modo igual, por mais que tudo custasse, era como a tal expressão «ou há moralidade...»
Mas a verdade é que nem há moralidade nem comem todos. Continuam a comer só alguns.
Por exemplo, a TAP anda com dificuldade. Normal. Os chefes dizem aos sindicatos que «não estão reunidas condições para fazer revisões salariais». Entendemos. Mas se assim é como é que afinal tem dinheiro para comprar 42 novos automóveis novos para os senhores directores? Os que tinham não prestavam? Não podiam usar os seus, pessoais? É certo que não seria com aquilo que poupavam se não comprassem os tais 42 carritos que poderiam acertar os salários dos trabalhadores, mas ao menos davam o exemplo. Exemplo?... Saberão o que é?
Por outro lado, ficamos a saber que nós, contribuintes, pagamos dois milhões de euros por ano para garantir a segurança de 'altas figuras do Estado
Acho bem que as 'altas figuras' estejam seguras (aliás como toda a gente, já agora...) mas dois milhões não é muito dinheiro? Quando as Forças de Segurança, que nos devem 'segurar' a todos, se queixam de que lhes falta tudo?...

Complicada esta mecânica financeira.

segunda-feira, agosto 10, 2009

Bof….?!

Quem já viveu em França ou privou de perto com franceses sabe que há uma interjeição muito frequente, meio desdenhosa, que lhes pontua frequentemente a conversa.
BOF…! é muito difícil de traduzir, dizem-no a propósito de tudo e de nada, quando querem exprimir a impaciência a respeito de qualquer coisa. Nota-se bem em filmes franceses, quem esteja com atenção. Lembro-me de há uns anos quando passei uns meses em França e vivi o seu dia a dia estava sempre a ouvi-los dizer, e tenho presente certa vez numa fila onde me demorei mais uns segundos a dar um troco, um senhor atrás de mim, jovem, bem vestido, aparentemente de um bom meio cultural que me atirou com um “bof!” que foi quase como um estalo, a dizer “despacha-te, ó desgraçada, que empata que és”.

Ora bem. Ontem fui esperar o meu rapaz que voltou do seu Festival. Estação de camionetas cheia e eu, na dúvida, sem adivinhar a qual dos ‘cais’ é que a camioneta dele iria ‘aportar’. Dedico-me portanto com toda a atenção a ler os letreiros que indicam as chegadas e partidas e os pontos de origem das respectivas viagem. A camioneta onde ele vinha estava um pouco atrasada.
Ok. Preparei-me para ir tomar um café ao bar da estação e, já meio virada, deito um olhar ao letreiro e leio «Bof».
Bof?! A camioneta estava atrasada mas também não era questão para os próprios letreiros bufarem! Fiquei estupefacta. Virei-me para ver com atenção e de repente entendi!!!
Era uma questão ‘digital’.
Actualmente o alfabeto e os algarismos que aparecem nos quadrantes luminosos é tudo digital. É prático e lê-se muito bem, mas… De vez em quando falta uma perninha. A palavra torna-se outra.
Fez-se luz no meu espírito, quando depois do Bof, apareceu Vifgem. Porque o Bof ainda podia ter a interpretação que eu estava a dar mas vifgem não é nada. Ou seja, tinha caído uma perninha ao A.
Eles estavam apenas a desejar Boa Viagem.
Eureka!

Bof!


domingo, agosto 09, 2009

Uma música ao Domingo

Tenho aceitado (e agradecido!) várias sugestões dos amigos que por cá passam, em relação às músicas de Domingo.
Desta vez a música veio do José Palmeiro, mais de agradecer ainda porque ele também vai editando muitas músicas de que gosta, o que quer dizer que este poderia ter sido um post do Sesta, de que ele abdicou para mo oferecer.
E voltamos aos cantores portugueses.
'Brigada!

Podia ter sido «Uma Música ao Domingo»

... mas não vai ser.
Quando soube da partida do Raul Solnado, pensei deixar na minha «música de Domingo» a sua «Cantiga do Malmequer». Achei que encaixava nesta rubrica e era uma maneira de "falar" dele sem falar. Como já aqui expliquei renunciei a falar dos que partem, porque são tantos que o Pópulo parecia uma coluna de necrologia e não queria tal.
O «Malmequer» cumpria bem essa referência discreta.
Infelizmente não tenho o meu pc, era lá que tinha gravado o acesso ao site onde tenho as minhas músicas, e não consegui encontrar a cantiga noutro local onde pudesse copiar para aqui. Portanto deixo apenas a letra e espero que na vossa cabeça a completem com a tão conhecida música:

Português, ó malmequer
Em que terra foste semeado?
Português, ó malmequer
Cada vez andas mais desfolhado

Malmequer é branco, branco
Que outra cor querem que escolha
Se te querem ver bonito
Por que te arrancam as folhas?

Por muito humilde que sejas
Malmequer ó meu amigo
Lá vem o dia da espiga
Que tens honras de trigo

Refrão

Malmequer tens pouca flor
Mesmo assim és um valente
Antes ser dez réis de flor
Do que ser dez réis de gente

És uma flor do povo
Vem do povo a tua força
Estás bem agarrado à terra
Não há vento que te torça

Refrão

Malmequer ou bem-me-quer
És a flor mais desprezada
Uns com muito, outros com pouco
E a maioria sem nada

És branco da cor da paz
Mas seja lá por que for
Há para aí uns malmequeres
Que andam a mudar de cor

Refrão

Regam-te a seiva com esperança
Mesmo assim não és feliz
Há muitas ervas daninhas
Que te atacam a raiz

Malmequer se fores regado
Num dia de muito Sol
Cresce, cresce, cresce, cresce
Para seres um girassol

sábado, agosto 08, 2009

Boas Notícias

Yes, we can - dizia o Obama.
Sabia-se que ia ser difícil conseguir o que desejava, mas está a lutar por isso. A questão da Reforma da Saúde não vai ser nada fácil pelos vistos - ninguém pensou que o fosse - mas ele anda a tentar cumprir a promessa. E uma coisa importante conseguiu, restaurar a Esperança. Dizem que é a ‘última a morrer’ mas de vez em quando fica tão fraquinha que parece moribunda.
Sabemos bem isso!

Ora esta notícia que li e escolhi para hoje, não sei se será uma «Boa Notícia» de facto porque não faço ideia se é mesmo verdade ou apenas a expressão de um desejo:
O Brasil continuou a diminuir a pobreza e a desigualdade nas principais regiões metropolitanas.
Agora uma coisa é mesmo certa: É o renascer da Esperança.
Dizer que «Cerca de quatro milhões de brasileiros saíram da condição de pobreza nas regiões metropolitanas do país nos últimos sete anos apesar da crise mundial», é uma janela aberta para a Esperança.
Diz aquele economista que tal acontece devido
ao aumento do ritmo da expansão económica [...], à recuperação do emprego, elevação do salário mínimo e a programas de transferência de renda, nomeadamente o Bolsa-Família.

Atenção, isto é APESAR DA CRISE MUNDIAL, a famosa e terrível crise que tem servido para justificar tudo e mais alguma coisa.
Bem, mesmo que a notícia tenha sido 'trabalhada' e não seja exactamente assim que as coisas estejam, a janela aberta da esperança é uma Boa Notícia!

sexta-feira, agosto 07, 2009

A «prata da casa» ou «a galinha da minha vizinha»

Chego à janela porque ouvi umas altas risadas de gente muito bem disposta e vejo passar um grupo numa conversa que não entendi porque é em alemão. Há poucos minutos tinha passado uma família espanhola. E ainda antes de me afastar desta janela dá para assistir às dificuldades em arrumar um carro num espaço pequeno de um automóvel com matrícula inglesa.
Estas são as cenas habituais no mês de férias na aldeia onde eu passo as minhas todos os anos. Se durante o resto do ano vão passando por aqui turistas, nesta altura isto parece sempre uma Torre de Babel, uma manta de retalhos de gente de muitos países da Europa. É divertido, colorido, animado.
E fico a pensar como isto é curioso e como a prata da casa parece menos brilhante do que a da casa alheia.
Esta gente, vem lá das suas terras, gasta uma pipa de massa em transportes, e depois toda contente vem aqui alugar por 15 dias ou até menos uma casinha igual à minha - e, pelo que sei, alugar bem cara!
E eu, quando vos contei no post do início do mês que vinha descansar, expliquei num tom meio resignado que ia ter de ficar por aqui, porque as finanças desta vez não davam para mais…

Afinal o AQUI é onde estes senhores, de países onde o salário mínimo é bem melhor que o nosso, vêm passar as férias deles.
E então faço um jogo.
Fecho os olhos e imagino que sou alemã, belga, suíça, holandesa.
Vou gozar as minhas férias.
Onde?…
Olha que sorte! À minha casa!!!!



(mesmo quando a erva do meu lado é mais viçosa...)

quinta-feira, agosto 06, 2009

Silly Season

Ou também lhe podemos chamar «estação parva».
Foram os ingleses que a baptizaram, mas a ideia pegou porque corresponde a uma realidade. Neste período do Verão as notícias são empastadas, enroladas, repetidas, desinteressantes. Enquanto noutra altura costumamos queixar-nos de que a novidade de um dia já não serve para ser notícia no dia seguinte, chegando a exageros absurdos, agora as notícias abrem dias e dias com a ‘gripá’ ou aquele horror do medicamento errado dados aos doentes oftalmológicos em Santa Maria. Importante, sem dúvida, mas que noutra altura do ano tinha deixado de ser novidade, destronada por outra mais recente.
É certo que como vêm aí as eleições sempre vamos assistindo à luta de wrestling entre o PS sem D e o PS com D. Cada um diz que o outro não tem nenhum programa de jeito, e parece gastarem mais espaço em combater o adversário do que em se promover a si próprios, mas enfim… E vem também baila a escolha dos candidatos, listas complicadas porque há que agradar a muita gente o que implica desagradar a outros. O PSD, conhecido pelos seus diversos ‘barões’ parece andar em polvorosa com críticas internas que rebentam em vários meios de comunicação
OK, é lá com eles, não temos nada com isso.
E há o José Eduardo Moniz que sai «triste» da TVI, mas é separação por mútuo acordo e a esposa fica.
E parece que o nível de segurança da nossa internet não é lá grande coisa (ai, ai, ai…)
E houve o caso do motorista que adormeceu ao volante do autocarro e provocou um grande acidente.
E li por aí que na Inglaterra umas super-formigas que chegaram da Ásia, provocam apagões.
E ainda há o futebol e a "volta".
E a Michelle Obama e a Carla Bruni foram eleitas (??) as mais elegantes.


E….

Pois é. Basta só ler títulos ou ouvir cinco minutos de noticiário. É a silly season.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Para além da idade

Conheço-a há muitos anos. Não sei agora dizer quantos, mas há muitos, os suficientes para que a frase «está sempre na mesma» não seja uma simpática frase de cortesia, mas corresponda de facto ao espanto que sinto de cada vez que a vejo porque realmente esta senhora parece estar sempre na mesma!
Tem tido uma vida complicada, viveu a maior parte da sua vida em África, e ao regressar a sua qualidade de vida desceu de um modo impressionante. Viúva já há vários anos, e tendo sido sempre dona de casa, dos filhos agora casados e por sua vez com filhos não recebe lá muito auxílio, pelo que ela faz umas ginásticas complicadas com o rendimento que tem. Mas isto digo eu porque conheço «os bastidores», quem lhe seja apresentado pela primeira vez não sonha com nada disso, pelo contrário parece uma elegante 'tia da linha' onde até, de facto, vive...
Reencontrei-a há uns 15 dias de novo. O momento em que nos vimos era delicado, estávamos num quarto de hospital junto da cama de uma grande amiga, que aguardava uma operação melindrosa.
Já lá estavam umas três ou quatro pessoas fazendo a conversa habitual nessas ocasiões quando ela bateu à porta. Assim que entrou veio uma revoada de boa disposição! Vestia um conjunto vermelho papoila - uma mancha de cor alegre entre as cores hospitalares - o cabelo loiro bem penteado, discretamente maquilhada, óculos escuros que me disseram nunca tirar, um radioso sorriso.
Era uma figura vistosa que trazia, como enfeite do seu conjunto vermelho, um colar com um ornamento que parecia pesado e com um feitio original.
- «Oh tia, que pendente bonito, é de ouro?» - pergunta a minha amiga, lá da cama.
- «Não!!! É a tampa de um frasco
Podem imaginar as gargalhadas que rebentaram.
Ela fez questão em o tirar do pescoço, e explicar. A filha tinha chegado ao fim de um frasco de perfume que, segundo disse, até nem era nada bonito. O frasco, porque a tampa era bem gira. Portanto, antes de o deitar fora, aproveitou essa tampa e com toda a imaginação transformou-a numa bijouterie. Giríssima, fiquem sabendo. E passou a hora seguinte a dar-nos dicas sensacionais, tais como uma lojinha que conhecia onde se vendiam cosméticos «mais baratos que em Badajoz» segundo as suas palavras. E lá nos esteve a gabar, com um humor inigualável, as qualidades de um creme que levava baba de caracol. Do melhor!
Porque ela cuidava-se. Por exemplo, na cara aquela zona que fica entre o nariz e o lábio a que ela risonha chamava o «código de barras» porque nas mulheres com pele fina apanha umas rugas verticais, estava completamente disfarçada. A cara daquela senhora teria rugas mas de expressão, porque de tão risonha algumas marcas tinham de ficar.

Eu disse que ela tinha tido uma vida difícil, não disse?
Só me falta terminar com um pormenor: é que esta senhora tem oitenta e alguns anos!
De facto a idade de cada um não tem a ver com o bilhete de identidade!


terça-feira, agosto 04, 2009

Para que serve uma condenação?

Sempre me fez uma grande confusão, nas séries americanas que metem investigações policiais e advogados, quando um indivíduo preso é confrontado com provas sérias do seu crime e pede a ajuda de um advogado, o que o advogado sempre faz depois de ter falado com o seu cliente e confirmado que realmente é culpado, é «negociar» com a acusação. Creio que lhe chamam mesmo negociar, mas mesmo que o nome não seja esse é disso que se trata. O advogado pergunta «O que é que oferecem?» e depois põe-se a regatear «É pouco! Não aceitamos!» e muitas vezes os outros vão cochichar e voltam com outra proposta mais favorável!
Sei que da primeira vez que ouvi isso, já há anos, acreditei que havia um erro de tradução e apurei o ouvido a ver se percebia o que na verdade se estava a dizer. Parecia-me impossível esse regateio das penas ainda antes de chegar ao tribunal. Mas é mesmo assim.
A verdade é que a Justiça é afinal muito estranha.
Ontem abriram os noticiários da noite com a notícia de que o Presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino de Morais tinha sido condenado a pena de prisão por se ter confirmado quatro dos sete crime de que tinha sido acusado. Natural, nem sei porque tanto espalhafato: foi acusado, provaram os crimes, foi condenado. Simples.
Mas parece que não havia precedentes! Na nossa terra, mesmo quando há corrupção, depois... os acusados estão inocentes. É o costume. Segundo ouvimos é muito difícil de provar, e as coisas arquivam-se.
Desta vez a juíza achou que os crimes estavam provados, e proferiu a sentença adequada - com surpresa do arguido, por aquilo que lhe ouvimos dizer. Estava admiradíssimo por ter sido condenado, como se fosse coisa inadmissível, tal nunca lhe tivesse passado pela cabeça.
Mas o que é realmente inadmissível é que, como o senhor vai recorrer da sentença, ela ficará suspensa e, tudo indica, que ele se vai de novo candidatar à Presidência da SUA Câmara! E, se já ganhou quando estava acusado, (tal como a Fátima Felgueiras) não custa a crer que volte a ganhar.
E o que ouvimos ontem na TV é que não apenas pode vir a ganhar como mais ainda, pode cumprir esse mandato todo porque entre recursos, e mais recursos podem passar-se os quatro anos de um mandato! Ou seja, este senhor cujos delitos vieram a público em 2003, pode conseguir aguentar com estas voltas e reviravoltas durante 10 anos.
Será que entretanto isto não prescreve?
Ou as testemunhas durante estes anos podem morrer?
Ou talvez estes delitos deixem de o ser?…
E o dinheiro que este tipo de processos deve gastar, das contas do Estado, quer dizer dos nossos impostos?!