domingo, maio 31, 2009

Cor no Pópulo

Júlio Resende

Uma música ao Domingo

Una, Dos y Tres

O que eu gostava desta cantiga e da voz rouca do Patxi Andion!!!

sábado, maio 30, 2009

Será assim que começa?

Quase no Dia da Criança, fica esta gracinha que pretende que as mulheres, desde esta idade, vão levando a água ao seu moinho...

Mas com jeitinho!

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As 'Boas Notícias' do fim de semana

Uma «Boa Notícia»:
Cannes, Festival do Cinema.
Uma curta-metragem portuguesa, chamada «Arena» ganhou o Grande Prémio da competição de curtas-metragens a Palma de Ouro da Curta Metragem.

Um realizador de 25 anos, ainda estudante de cinema no Conservatório. Afirma, João Salavisa, com graça: “os filmes portugueses estão condenados a serem descobertas dos festivais internacionais”. Pois é.





Outra «Boa Notícia»:
O Azul que é Verde
Uns jovens alunos de uma escola secundária em Queluz, criaram uma empresa.
É verdade!
Os miúdos criaram uma a empresa ligada à produção de biodiesel, e criaram um transformador de óleos usados para a produção de biocombustível
"Esta ideia surgiu mediante as necessidades que nós sentimos hoje em dia porque sempre que ficamos com o telemóvel descarregado ou o nosso aparelho de música descarregado temos sempre a necessidade de o voltar a carregar e isso não é possível se estivermos ao ar livre, o que nos obriga a dirigir a um ponto fixo de corrente"
Que tal?
Viva a nova geração!!!!!

sexta-feira, maio 29, 2009

Estes biscoitos são uma porcaria!

Anti-publicidade.
(mas falta a marca...)

Dois países

Tem sido notícia nos jornais, - evidentemente que sobretudo dos ingleses mas afinal por toda essa Europa e bastante referido em Portugal - o «escândalo» dos deputados e muitos dirigentes britânicos terem recebido subsídios diversos, como ajudas de custo para a habitação quando afinal já tinham local onde habitar em Londres, para viagens que não efectuaram ou foram particulares, etc, ou seja, encurtando razões, o grande escândalo que veio a lume de que despesas privadas dos deputados e ministros tenham sido pagas com dinheiro público. E nessa onda tem ido tudo, esquerda ou direita, ninguém ficou imune, (trabalhistas, conservadores, liberais) parece que era uma questão de ser «costume», de «todos fazerem». (*onde é que eu já ouvi isto?*)
E é mesmo escandaloso, imoral, ofensivo!
Portanto ‘rolam cabeças’, há ministros demitidos, o líder da Câmara dos Comuns foi ao ar, a coisa está feia. Muitas das pessoas que já tinham recebido dinheiro para obras em casa, são agora intimadas a devolver o que receberam.
É isto que me fez pegar no assunto, mesmo que não tenha nada a ver connosco – é questão interna do Reino Unido, não é? Mas a verdade é que assim que estas coisas começaram a ser conhecidas, o Primeiro-Ministro britânico veio pedir desculpa em nome de todos os Partidos, e até declarar que a «confiança dos britânicos na classe política precisa ser restituída "imediatamente" Ah, pois é!
É afinal por estas coisas que se vê o que é uma Democracia. O que se passou foi gravíssimo. Tão grave como o que se passa por cá onde o modelo é exactamente igual. Mas enquanto numa democracia já com muitos e muitos anos, se tomam medidas, os prevaricadores confessam os erros e indemnizam os contribuintes, e até o Primeiro-ministro pede desculpa em seu nome… o que vemos em Portugal?
Num caso assim, (que, como é público e notório, é o que se passa!) o Parlamento se fosse confrontado iria abrir um Inquérito, iria procurar «provas», iria recolher testemunhos que seriam contraditórios, depois ia para férias, depois teria coisas muito urgentes a tratar, depois voltava a abrir o inquérito, depois via que tinham desaparecido faltavam dossiers, depois haveria testemunhos importantes que estariam convenientemente ausentes, depois haveria outras coisas mais urgentes a tratar, e em seguida mais férias, e talvez eleições, e reabria-se o Inquérito, e havia acusações múltiplas, e… e…e… entretanto tudo prescrevia!!!
Quem não conhece esta novela?...
Sem dúvida que «a porcaria» é muito semelhante, mas uma democracia enraizada faz com que apesar de tudo o final seja menos indigno do que aquele a que estamos habituados. E resignados?...


quinta-feira, maio 28, 2009

28 de Maio é dia de parabéns!

Tenho 3 amigas que fazem anos hoje!
Bem, se aceitar essa conversa dos signos, então devem ter uns «ascendentes» muuuito diferentes porque não têm quase nada em comum (a não ser eu gostar delas...)
Para a Isabel, não vario e deixo as minhas papoilas do costume. São virtuais e nunca murcham:

Muitas felicidades, minha amiga!!!
................
Para a outra, tãããõ diferente, de quem eu costumo dizer que tem de ter raízes como todos nós, mas as suas raízes são aéreas, não se enfiam pela terra, hesito que flores lhe oferecer. Talvez ela goste desta...


Pelo menos as raízes são aquáticas.
:)
Parabéns!!!



(à terceira vou telefonar que ela nem sabe o que é isso de um blog...)

Um jogo

Quando eu era adolescente, [e mesmo mais tarde, ainda me lembro de brincar a isto na Faculdade] estava na moda um jogo de salão de que eu gostava bastante.
Era um jogo de grupo: um jogador saía da sala, ou afastava-se para não saber o que se estava a combinar, e escolhia-se alguém que ficava na ‘berlinda’, o alvo digamos assim. Claro que para resultar as pessoas tinham de ser amigos ou no mínimo conhecerem-se bastante bem!
Consistia depois em o jogador que não estava dentro do assunto descobrir quem se tinha escolhido para a berlinda, com perguntas do tipo «Se fosse uma cor, que cor seria?» ou «Se fosse um animal, que animal seria?», «Se fosse uma paisagem?», ou «um romance?», ou «uma comida?»… por aí fora. Permitiam-se todas as perguntas, e a dificuldade estava em dar respostas que de alguma forma correspondessem àquilo que se pensava do alvo escolhido.
Ainda hoje continuo a considerar que era bastante criativo apesar de poder ser um pouco maldoso, é claro. Ainda me dá vontade de rir lembrar certa vez, em que quem estava na berlinda era um colega nosso um tanto parvo, e quando foi perguntado «se fosse um animal?...» a resposta com um enorme ênfase, que outro colega deu foi: « Um asno!!!!» Desmanchámo-nos a rir! (excepto o 'asno', como se imagina)

Ora agora a papinha já vem feita, e podemos brincar sozinhos (o que é muito menos giro!)
Mas, pronto, quem quiser ir aqui, pode saber «se fosse uma viagem, que viagem era?..
A mim deu-me «isto»:


Até está bem visto, excepto aquilo do musical (?!)
E vocês?....
( este post estava escrito e o teste que tinha escolhido era «se fosse um livro?» Entretanto a Saltapocinhas adiantou-se-me e escolheu o teste do livro para ela! Vim aqui refazer tudo, e então escolhi a viagem, o que também tem a sua graça...)

quarta-feira, maio 27, 2009

Burla Informática



Eu tinha a ideia de que algumas coisas só aconteciam aos outros.
Não a mim.
E, ‘não-a-mim’ porque eu era cuidadosa e não baixava nunca a guarda. Aliás tenho o pc bem protegido, muito cuidado com vírus, não abro emails desconhecidos, tenho passwords inventivas… tudo o que as normas mandam.
Já há muitos anos que tenho o acesso ao meu banco pela net. Prático. É como ter o multibanco na secretária, apenas não levanto dinheiro mas tenho acesso a tudo o resto sem ter de descer a escada nem esperar que a pessoa que está à minha frente pague a água, a luz, o telefone, o gás, carregue o telemóvel confirmando cada algarismo com uma lentidão exasperante. Como disse, há imensos anos que uso o sistema que tem rodado sobre esferas.
Anteontem à noite fui confirmar se já tinha entrado o meu ordenado, e estranhei o saldo. Alguma coisa não estava certa – era demasiado para o ordenado não ter entrado, mas de menos para já lá estar. Comecei a confirmar as parcelas, e tive um baque: dias antes estava registada uma transferência de 1.000 euros para um nome completamente desconhecido. Eu nem tinha feito, nem autorizado semelhante transferência!
Ontem, à abertura do Banco estava lá com uma cópia, que tinha imprimido, desse extracto. Mas ainda antes, tinha recapitulado os meus actos e ocorreu-me que há uns dias, quando quis entrar na minha página, ao escrever o código apareceu a resposta «código não aceite». Aquilo fez-me espécie, repeti a série de números e a mensagem continuava «código errado» mas surgiu uma janelinha onde pediam uns dados da matriz de confirmação. Escrevi-os e a página abriu.
Já adivinham, não é? Eu «ofereci a chave ao ladrão»!!! foi o que me explicaram no Banco. Uns dias atrás tinha recebido um mail um tanto estranho, mas era de um amigo e desta vez, descuidei-me e tentei abrir. Não consegui. O meu firewall defendeu-me valentemente, mas alguma coisa acabou por entrar. Quando mais tarde julgava que estava a abrir a página do Banco, estava a ver uma cópia perfeita, mas falsa. E foi aí que escrevi a senha e ainda por cima os dados da matriz!
Devo dizer que todo o pessoal daquele balcão me rodeou, consternado. Parece que nunca aquilo ali tinha acontecido. Ligaram para os serviços informáticos, para os serviços jurídicos, fecharam logo aquele acesso, e pediram-me que fosse fazer a queixa na Polícia para depois procederem contra essa pessoa desconhecida.
Imaginam a continuação. Primeiro a esquadra, onde também fui muito bem tratada, mas quando iam abrir o processo me aconselharam a ir directamente à Judiciária para ser mais rápido, porque o que eles iam fazer era enviar tudo aquilo para lá, e se eu fosse directamente era mais depressa.
OK. Fazia sentido, portanto lá fui rumo à Gomes Freire. Experiência nova, nunca tinha entrado aquela porta, mas fiquei bem impressionada. Para além de ter de passar por um detector como nos aeroportos, o que é natural, a recepcionista foi muito amável, fui atendida imediatamente por um inspector, jovem e muito simpático. Quando disse ao que ia, levantou os olhos ao céu «mais um caso!» e disse-me que têm sido imensos. Perdeu quase uma hora comigo, registou tudo o que disse apanhando o essencial, sem nada a mais, e o auto final que li e assinei estava impecável.
Claro está que devo dizer adeus àquele dinheiro. Isso não me disse ele, nem o Banco, mas foi fácil de entender.
O que se passou é que alguém deve ter aberto uma conta naquele nome, possivelmente falso, conseguiu durante um dia ou dois recolher o dinheiro de umas dezenas de tansos como eu, e fechou logo a conta. Agora onde estará?
Foi uma lição.
Cara. Caríssima. Mas uma lição que não esqueço.




terça-feira, maio 26, 2009

Imagens

O fim é inesperado, mas até ele é bonito, tão transparente e belo como os olhos deste bebé.

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Para não dizerem que só aqui deixo vídeos 'pesados'... :)

No país de Sarkozy

Foi na semana passada que li uma história que ficou aqui a rodar em seco na minha cabeça, e me deixou uma sensação estranha no estômago. Claro que como notícia, pode pensar-se que já passou. As notícias hoje em dia têm de ser diárias ou ficam logo o aspecto de ‘requentadas’. Tudo tem de ser de ‘última hora, tem de ser acabadinho de imprimir ou de chegar aos sites respectivos. Mas o que me deixou a pensar, não tem tanto a ver com a história em si, mas com o que simboliza.
A história conta-se em poucas linhas: pelas 4 e meia da tarde, à saída da escola, duas crianças de 6 e 9 anos, foram detidas e interrogadas pela polícia, acusadas do roubo do triciclo da bicicleta de outra criança. Para tornar a história ainda mais espantosa, para fazer esta difícil detenção foram destacados 6 polícias, que interrogaram os criminosos na esquadra durante duas horas! A acusação baseava-se na palavra da mãe do colega 'roubado', e no final o mais pequenino, apanhado à saída do infantário, segundo os polícias acabaria por “confessar” que tinha usado a bicicleta.
Não, não se passou em nenhum país exótico que não reconheça os direitos da criança, passou-se aqui na Europa, na democrática França. Enquanto o director da escola considera inadmissível aquele dispositivo policial, e o prenderem as crianças à frente da escola e dos seus colegas, a Polícia, pelo contrário, orgulhosamente afirma - tudo foi legal e de acordo com as normas e nem consegue entender porque se faz tanto espalhafato.
É certo que eu considero, e tenho aqui defendido muitas vezes, que se todos nós precisamos de ter valores e normas para vivermos em sociedade, para as crianças a compreensão e interiorização dessas regras são vitais e não devemos transigir com isso. A firmeza nesse campo ajuda a criança a crescer e a sentir-se mais segura. E se se porta mal, se faz uma maldade, se desobedece às regras que conhece, deverá ser chamada à atenção, e sofrer as consequências da dita ‘maldade’. Não sei se essa tal bicicleta era ou não deles (a mãe até veio negar a acusação, mas isso nem é o importante) o chocante é a desproporção do «crime» com o «castigo».
É tudo inacreditável. Primeiro, que a mãe da criança lesada se tenha dirigido logo à polícia, antes de ir à escola e procurar falar com os outros pais. Segundo, que a polícia, também sem falar primeiro com os adultos responsáveis por esses meninos, façam uma detenção pública e os levem para a esquadra. E, sobretudo, que sejam necessários 6 agentes para levarem consigo um pirralho de 6 anos e o primo de 9 ou 10… Seria porque eles espernearam muito? Lhes escapavam por entre as pernas? Choraram e lhes molhavam as fardas?
Muitas vezes nos inquietamos com a delinquência juvenil, facto grave. As causas são muitas e variadas, embora ela não seja muito frequente em jovens que frequentem normalmente uma escola e estejam integrados numa família, como parece ser esse caso. Mas a intervenção violenta da polícia, esta sim, é que é uma resposta que raramente se tem visto.
Dizer que fiquei chocada é pouco.
É certo que Sarkosy antes do cargo que ocupa foi Ministro do Interior e ficou tristemente célebre pela violência das suas respostas aos tumultos dessa época, e por se ter referido aos habitantes dos bairros periféricos como «escumalha». E agora quem manda é ele. Será que as forças policiais não controlando possíveis motins de adultos, se viram agora para as crianças onde podem obter melhores resultados? Mais um esforço e podem conseguir apanhar em flagrante o François com a mão na chupeta do Jeannot…

segunda-feira, maio 25, 2009

Ternura e paciência

Como muitas coisas que estão no youtube, nem damos por elas.
Estas imagens e a sua mensagem, encontrei-as no blog 100nada da Catarina (a mais antiga blogger do meu grupo de referência) que por sua vez o tinha encontrado no ContraFactos.
Dispensa palavras, limitem-se a ver:

NÃO

Igualdade.
Talvez, tal como a Liberdade («Ô Liberté, que de crimes on commet en ton nom !») também se vão cometendo alguns crimes em seu nome.
O que é afinal isso de «igualdade»? Eu acredito que seja um dos conceitos que mais manipulação tem sofrido, porque a maior parte das vezes se está a discutir noções completamente diferentes.
Este fim-de-semana o jornal i publicou um editorial, provocador, afirmando que A política social não serve para nada para além de outro artigo no mesmo sentido, igualmente provocatório, com o título De nada valem os sacrifícios ou todo o dinheiro que se investe na educação. Quem nasce pouco inteligente será sempre pouco inteligente.
O que fundamentava o primeiro texto era um estudo (?) livro (?) de um cientista inglês. Um especialista de ADN. E, pelo que entendi, produzia uma afirmação que qualquer especialista de ADN diria – e o ‘amigo banana’ também – ou seja que não há duas pessoas iguais. Não é novidade. Sabemos isso por bom senso e intuição e até o sabemos com mais fundamento desde que se começaram a usar as impressões digitais. Não há duas pessoas iguais, não nascem duas pessoas iguais.
Normal.
Quando eu disse que é um conceito que tem sido manipulado, estava a lembrar-me das mulheres que lutaram pela “igualdade” e se cansaram de ouvir que elas não eram iguais aos homens. Pois não. Isso entra pelos olhos dentro. Mas quando uma mulher descriminada luta pela tal *igualdade* não está a pensar em ser igual nem física nem psicologicamente, quer ser igual em termos de consideração, respeito, independência, justiça. Não queria ser uma cidadã de segunda, como o foi durante séculos.
Agora uns senhores, que talvez geneticamente se venha a descobrir que tiveram um bisavô nos SS (já que a genética é assim tão importante, e 'eles' andam por aí) descobrem de novo a pólvora seca: o destino está traçado e desta vez é nos genes. Os filhos de pais inteligentes serão inteligentes, o dos pouco dotados serão burros faça-se o que se fizer. Que bela selecção de raça! Claro que mais tarde se resolverá a questão do caso dos irmãos, onde um é genial e outro um pobre coitado. A solução dessa questão virá depois, calculo.
Neste caso só fiquei um tanto incomodada pelo relevo que este jornal deu ao assunto. Que o escritor o escrevesse, foi normal, assim se ganha dinheiro. Que haja quem o compre e aceite as teorias, é livre de o fazer em democracia podemos expressar as nossas opiniões. Este sublinhar da questão só o admito porque assim se podem vender mais jornais.
Poderíamos questionar que talvez seja melhor ser um pouco-inteligente instruído, do que um pouco-inteligente ignorante, isso pode fazer diferença. Mas apetece-me mais inquirir o que é isso de inteligência. Sabemos hoje que não há UMA inteligência mas sim várias. Conhecemos há muitos anos as inteligências múltiplas e recentemente considera-se que a Inteligência Emocional é a responsável pelo êxito, de quem tem sucesso. Afinal do que se está a falar?
ADN? Claro que com o ADN se transmitem muitas coisas, boas e más, mas com esse pesado fatalismo, que faria aceitar que uma criança traz o seu destino traçado à nascença, nem sei como esse tal senhor admite a evolução da raça humana.
O antropopiteco só podia gerar pequenos antropopitecos, não? Isso por mais que os mais velhos se esforçassem.

Não.
O erro de raciocínio é tão evidente que, cá para mim, tudo isto só serviu como manobra de aumentar a tiragem do jornal.

domingo, maio 24, 2009

E tem toda a razão!

O sotaque brasileiro é muito forte e temos de 'traduzir' algumas coisas, mas divirtam-se a ouvir a lista das tautologias que ele encontrou.
Ehehehehe!!!

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Uma música ao Domingo

Los Poetas Andaluces de Ahora




Balada para los poetas Andaluces de hoy


Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
Qué miran los poetas andaluces de ahora?
Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre, ¿pero donde están los hombres?
con ojos de hombre miran, ¿pero donde los hombres?
con pecho de hombre sienten, ¿pero donde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parecen que están solos.

Es que ya Andalucia se ha quedado sin nadie?
Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
Qué en los mares y campos andaluces no hay nadie?

No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
Quién mire al corazón sin muros del poeta?
Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?

Cantad alto. Oireis que oyen otros oidos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabreis que palpita otra sangre.

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo.
encerrado. su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres.

Rafael Alberti

sábado, maio 23, 2009

Agora é a informática

Para a «Boa notícia» de hoje tive alguma dificuldade.
Quero dizer, até encontrei várias, a dificuldade foi por um lado a escolha e por outro o não desejar repetir-me nos ‘temas’, digamos assim...

OK, acabei por escolher «dois-em-um». Quero eu dizer, duas histórias que estão interligadas pelo tema.
As duas são sobre informática.
a) Ficamos a saber que uns espanhóis inventaram um computador portátil que é alimentado por energia solar e fabricado com materiais biodegradáveis. Pesa perto de 700 gramas, «tem um ecrã de oito polegadas, rato táctil e uma capacidade de armazenamento de 1 GB, expansível a 64 GB; a bateria é alimentada com energia solar e pode ser carregada entre cinco a sete horas». Já que hoje a informática é a base de tanta coisa – de quase tudo, hoje em dia – tornar os computadores mais baratos e mais ecológicos é muito bom. Vamos ver quando podem ser comercializáveis.
b) A segunda notícia também é da área da informática mas é boa para a nossa moral de portugueses: houve uma empresa portuguesa que ganhou um prémio internacional de Tecnologias. Segundo li, os investigadores encontraram uma «solução unificada baseada em metodologias ágeis para responder a todo o ciclo de vida de implementação e gestão de aplicações de negócio Web», e o prémio é unanimemente considerado como a maior distinção da indústria.
Boa!

Para pensar

Um vídeo fabuloso!



Ficamos com um amargo de boca?
É normal. Mas estes abanões são úteis.


Não resisto

Bem sei que este vídeo passa aí em muitos blogs, mas fiquei tão consolada que não posso deixar de partilhar convosco o prazer que senti ao assistir àquela criatura a ouvir - ser obrigada a ouvir - umas verdades que tem conseguido ignorar.
As pessoas que têm sido enxovalhadas pela arrogância da MMG e têm sido insultadas sem poder responder porque ela lhes corta a palavra, devem neste momento ter um sorriso enorme...
Provar do próprio veneno é coisa que nem as cobras costumam sentir.



Eu sei que tenho um post para as «boas notícias» de hoje, mas olhem que esta podia fazer-lhe companhia.
Enfrentar a 'dona-da-estação' no seu reino é formidável!


sexta-feira, maio 22, 2009

"Ruído"

Estava ontem à tarde a tentar concentrar-me no trabalho que queria fazer e a ser constantemente distraída pelo som da música altíssima e das palavras de ordem que saíam do altifalante de um carro estacionado junto da rotunda perto da minha casa. Carro de um Partido concorrente às próximas eleições.
Nessa mesma praça, onde passa bastante trânsito e também peões, grandes outdoors publicitam a bondade de diversos partidos versus a maldade dos adversários. Para além disso, esta zona está invadida por galhardetes, bandeiras, bandeirinhas, faixas...
…e ainda não começaram os cartazes, que prevejo vão cobrir todos os muros e paredes, postes de candeeiros, troncos de árvores, tudo o que tenham alguma visibilidade.
Vá lá, que desde há algum tempo, algumas eleições atrás, deixei de ouvir os cortejos de automóveis a buzinar de bandeiras partidárias desfraldadas. Ou os militantes declararam estar fartos desse folclore, ou têm menos tempo, ou a gasolina está mais cara do que a sua bolsa comporta.
Tudo isto não é barato como sabemos.
Um outdoor é até muito caro, por aquilo que me informaram.
E resulta? Quero eu dizer, resulta para o fim em vista, angariar mais votos?
O meu mundo pode ser muito limitado – aceito que mo digam – mas honestamente dos meus conhecimentos não sei de ninguém que se tenha decidido votar em A ou em B, por encontrar mais bandeiras, mais cartazes, mais outdoors! Neste momento, até mesmo os debates na rádio ou tv não me parece que consigam alterar lá muito o voto de ninguém – aplaudem ou censuram aqueles que já estão antecipadamente convencidos. Mesmo quando o seu candidato (os que o têm) tem uma prestação infeliz no debate, dizem constrangidos «Que chatice! Não lhe correu bem!» e não me consta que pensem «Olha… ele não tinha razão. Concordei com o adversário, acho que afinal vou votar antes nele.» Ná. Foi pouca sorte, as perguntas vinham mal feitas, o adversário era muito sabido, aquilo correu-lhe mal. Mas lá razão ele tinha.
Depois há ainda os tempos de antena.
Na quase totalidade dos casos, todos nós sabemos antecipadamente o que cada Partido concorrente vai dizer. Poderíamos fazer um jogo de salão: gravar-se aquilo, ouvir-se sem som, e depois quem reconstituísse melhor o que tinham dito ganhava uma prenda. E olhem que devia haver muitos concorrentes a aproximarem-se…
Bom, o que queria dizer com este desabafo (para além da irritação que me causou o carro de som de ontem) era o incómodo que causa, no momento em que se anda a apertar o cinto fazendo-nos umas cinturinhas de vespa, as pessoas que nos vão representar em diversas instituições, ainda gastem dinheiro, e muito, com estas inutilidades que para além das agências publicitárias que estão encarregues destas propagandas, não beneficiam ninguém, nem acredito que desta forma aumentem a sua votação. Para mim é poluição sonora e visual.
Mas talvez eu ande com mau feitio.
Deve ser isso.



quinta-feira, maio 21, 2009

REDAXÃO

(Claro que deve pode ser um exercício que alguém se deu ao trabalho de imaginar para brincar connosco; contudo, recebi-o por fw com a indicação de que era um «texto verídico retirado de uma prova livre de Língua Portuguesa, realizada por um aluno do 9º ano»)
Cá vai:


'O PIPOL E A ESCOLA'

Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem Direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. Primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.
Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto Montanhoso? Ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? Ou cuantas estrofes tem um cuadrado? Ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?
E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os Lesiades''s, q é u m livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.
Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a Malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a Malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???
O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a Malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. Tarei a inzajerar?


Não deve estar a exagerar, ai não!

As generalizações são imprudentes


De vez em quando somos abalados por notícias que vêm na comunicação social, de que todos falam e, infelizmente, servem para generalizar – coisa que somos peritos em fazer, mesmo sabendo os erros que a generalização implica.
Uma das coisas que mais me impressiona, e que é vulgar hoje, é a ameaça quando algo é muito censurável e a ‘vítima’ se sente prejudicada, em vez de ameaçar «chamo a polícia», ou «levo-vos a Tribunal» ou «vou referir isto às autoridades», o que sai da boca, e é eficiente como ameaça, é «olhem que vou à televisão!». A televisão é o pelourinho. E ainda por cima é rápida, super-rápida até se cheira a escândalo. Claro que a ética jornalística obriga a que se oiça as duas partes, mas não é difícil valorizar mais o que uma das partes diz...
Nos últimos dias ficámos estarrecidos com a gravação de uma aula de uma professora, que diz coisas (‘grita’ coisas!) que custa acreditar terem sido proferidas por alguém com normal saúde mental – que essa senhora obviamente não têm. Associei quase irresistivelmente à outra cena triste do «dá-me já o telemóvel» onde a protagonista era uma aluna adolescente, filme que até no youtube andou. Para mim têm de ser casos excepcionais, quer um quer outro, mesmo que indiscutivelmente verdadeiros. Existem decerto bastantes alunos completamente indisciplinados e professores cuja avaliação de carácter nunca permitiria que exercessem a profissão. O complicado quando estas coisas aparecem em destaque na comunicação social é que de imediato se faz o clic para a generalização, do tipo «eles são assim». E não gosto disso.
É interessante que para mim, apesar de também chocada pela linguagem grosseira com que a senhora se referiu a pormenores da relação sexual (talvez por educação raramente digo palavrões e choca-me um pouco ouvi-los sobretudo se não for em desabafo) o que mais me indignou foram frases de ameaça do tipo «É que quem faz os testes sou eu!» seguido por «olhem bem para a minha cara: quem corrige os testes sou eu!» concluindo «tu nem sabes no que te meteste; sabes porquê? porque é comigo que vais ter de te haver [...] tu agora tens a ficha feita». E também me arrepiou ouvir gritar «a mãe daquela senhora é uma mal-educada sem nível nenhum!» e depois «que escolaridade tem a sua mãe? [...] a sua mãe para ter tantos estudos como eu devia estudar mais 10 anos! [...] ao pé de mim está um metro e setenta lá em baixo»
Tudo isto aos gritos. Não sei que doença mental terá a criatura, decerto não é normal.
Mas é lamentável, muito, muito lamentável, que se recorresse à comunicação social mas, provavelmente, pelos canais hierárquicos normais entre burocracia, inquéritos, processo disciplinar, inquirição de testemunhas, análise dos factos, reuniões várias, a coisa ia-se arrastando meses e meses até a senhora ser finalmente afastada e encaminhada para a consulta de saúde mental mais próxima.



(Doente mental?)


quarta-feira, maio 20, 2009

Profissões vistosas

Já pensaram que se um marciano sintonizasse lá a TV deles para as séries que por cá se vêem, imaginava que na Terra havia 3 profissões:

Polícias
(The Closer; Casos arquivados; Mentes Criminosas...)
Médicos
(House; Anatomia de Grey; Serviço de Urgência...)
Advogados
(Boston Legal; Ally McBeal; Na barra dos tribunais...)

É certo, havia também uns seres apagaditos que tinham de existir para que os outros tivessem que fazer.
Aí entravam os doentes (para ocupar os médicos) os malfeitores (para justificar os polícias) e uns clientes (para darem 'casos' aos advogados). E aí lá se via uma gama maior de ocupações.

Claro que se um polícia adoece, um advogado faz uma vigarice, e um médico é acusado em tribunal, fica tudo perfeito. Não é preciso mais nada!


Milhões e mais milhões

Para roubar que seja em grande!
A notícia que abriu o noticiário de domingo, é de se lhe tirar o chapéu:
Uma mulher tentou transferir dos EUA para Portugal 50 mil milhões de dólares . Cinquenta mil milhões de dólares!!!
Essa operação foi tentada em Lisboa, e se calhar foi isso que a perdeu. Talvez num Banco dos EUA a coisa causasse menos surpresa, que os valores com que lá se lida podem ser maiores do que os nossos do dia-a-dia. Mas, em Portugal, onde essa quantia representaria um quinto do PIB Português, é natural que o bancário a quem o papel da transferência foi apresentado, ficasse de boca aberta.
Azar da pobre vigarista.
Mas lá que impressiona, não há dúvidas.
Eu tenho de ser franca, um valor desses é inconcebível para mim. Imagino muito bem os milhares, mas quando se fala em milhões a minha imaginação não chega lá...
E li também que no Euromilhões da semana passada, um único apostador arrecadou o prémio de 15 milhões de euros o que, apesar de ser uma quantia impressionante, caberia várias vezes no bolso dessa senhora - que estava a tentar sacar 36 milhões numa primeira ‘tranche’ pelo que diz a notícia.
Como disse, quantias dessa dimensão são completamente inconcebíveis para mim.
Mas veio-me à memória uma história que li era ainda miúda, muito moralista, na linha de «os ricos têm imensos problemas, coitados, afinal é bem melhor não ter dinheiro» coisa que mesmo nessa altura não me convenceu muito. Tratava-se de um sujeito que era muito rico e como tivesse encontrado um pobre que o invejava, fez um acordo com ele: durante creio que um ano, o tal pobre teria de gastar mensalmente (ou talvez semanalmente, já não sei) uma grande quantia. Se o conseguisse fazer, no fim do prazo ganhava a aposta e nesse caso ficaria rico. Mas, como a história pregava essa moral do pobre-mas-alegre, claro que ao fim de algum tempo ele já não sabia o que fazer ao dinheiro, e perdeu a aposta.
Ora é claro que o dinheiro ajuda muito. Eu sei que só ele «não traz a felicidade» como se costuma dizer, mas ajuda. Pelo menos diminui a tensão diária de insegurança pelo futuro. O dinheiro não nos dá a saúde mas garante que em caso de doença se recebam os melhores cuidados possíveis. Tranquiliza-nos quanto à questão da falta de trabalho para nós e nossos filhos. Sossega-nos quanto à nossa velhice. Em suma, dá jeito…
Contudo quando se fala em tantos milhões (cinquenta mil milhões!) eu fico baralhada.
O que é demais é demais.


terça-feira, maio 19, 2009

O estranho caso dos 15.000 desaparecidos

Não, não tem nada a ver com Perry Mason (que gostava muito de intitular as suas histórias como ‘casos’), nem com Ellery Queen, nem com Agatha Cristie...
Este é um caso português.
Actual.
Actualíssimo. Mete computadores, dados cruzados, muita informática. Vivemos na era da informática o que é excelente – sem ela aqui o meu blog nunca tinha visto a luz do dia. Não tenho nada contra a informática, como é evidente. Aliás parece dar muito jeito, e servir de justificação para imensa coisa.
Passo pelo meu banco para tratar de um assunto, e… o ‘sistema’ foi abaixo, vou ter de esperar ou voltar lá.
Vou a um departamento público pedir um documento e... ai, ai, era muito fácil, mas houve ali uma avaria na net, só depois.
Quem não conhece esses casos?
Só que alguns são mesmo espectaculares:
O IEFP tem os dados dos desempregados que actualmente existem. Bem, mais ou menos, uma vez que nem todos os verdadeiros desempregados constam dessas listas, por exemplo antes do ‘primeiro emprego’ não se está verdadeiramente desempregado porque não se está inscrito na Segurança Social, não é? Mas também não está a trabalhar! É assim a modos que uma espécie de limbo.
Além disso é interessante notar que o IEFP se, nem por isso arranja trabalho sobretudo no caso do «primeiro emprego», preocupa-se em enviar regularmente um postalzinho para confirmar que a pessoa que lá está inscrita, ainda não está a trabalhar. Bem, mas adiante que isto não interessa nada!
Acontece que sucedeu um percalço. Imagine-se que ao cruzar os dados com os da Segurança Social no processamento dos novos empregados, não se sabe muito bem como, caíram 150.000 nomes de novo no desemprego e o número obtido foi o dobro do que devia ser, passaram a ser mais mais 300.000 desempregados. E não se dava por isso. Ninguém reparava nessa coisa.
Ah, que disparate. Enganei-me. Nada disso, foi ao contrário, nessa tal actualização dos dados com a Segurança Social cerca de 150 mil desempregados passaram por engano para a lista dos empregados. Assim é que é.
Bem, de facto não passaria pela cabeça de ninguém que, se o engano fosse de molde a prejudicar as estatísticas oficiais do governo, não fosse corrigido num ápice, não é?
Mas assim, cof...cof... enquanto se desse pelo engano ou não, sempre durante algum tempo a coisa parecia mais composta.
Ora aqui está uma forma criativa do combate ao desemprego.
Combate-se por milagre. Não é bem como o da multiplicação dos pães, mas é aparentado.
Que maçada haver quem tope logo essas coisas.
Desmancha prazeres, é o que são!

segunda-feira, maio 18, 2009

Procura-se...



...uma bruxa boa. Muito boa. Com diploma e provas prestadas. Que saiba quebrar enguiços (aliás agora o que está na moda é o sobrenatural, as magias, de modo que devem estar a sair muitas da ‘academia de magia’, com notas altas e ainda a trabalhar a recibo verde)
É que, minhas gentes, quando se tem um azar, encolhe-se os ombros e pensa-se isso mesmo: «azar!», depois vem o segundo caso e já não se acha graça, «bolas! Não me falta nada...», vem depois o terceiro, o quarto, o quinto, o sexto, e já se começa a ter medo de sair da cama de manhã só de pensar: «o que vai ser desta vez?!»
Sei que me entendem porque toda a gente já passou por estas nuvens de chatices encadeadas. Sabemos muito bem, por experiência pessoal, que afinal aquilo que «é como as cerejas» são mesmo as chatices. Ao fim da segunda ou terceira consecutiva, entra-se em derrapagem e isto só muda quando mudar a lua ou coisa assim.
Bem, fui informar-me parece que a Lua Nova é Domingo que vem.
Vou esperar...

Sem fim

A coisa de que menos gosto nos filmes de terror, (de que não sou lá grande apreciadora...) é aquela parte, já no finzinho de tudo, quando o protagonista finalmente conseguiu vencer os monstros, os fantasmas, os seres de outro mundo, as abelhas assassinas, os robots - seja lá o que for – quando ele e a namorada se regozijam porque tudo está acabado, abraçam-se, abrem uma garrafa de vinho, festejam, partem em viagem, e... entretanto a câmara foca mais um mostrozinho que está escondido, ou outra abelha mortífera a pôr mais ovos, ou a chegada de uma nova nave. E, depois dessa imagem, lê-se «Fim» deixando-nos de novo no princípio.
Detesto!
Porque está certo que se roa as unhas durante um pedaço, enquanto o bem combate o mal, por piores e mais assustadoras que as coisas se apresentem. Pronto! Fim, end, rideau, fine, endem, quando termina, termina.
É injusto pensar-se que, afinal, tudo o que acabámos de ver foi para nada porque tudo em breve vai recomeçar.

...................
Bem, muitas vezes na minha vida e sobretudo na vida nacional, fico com essa sensação de mau gosto na boca que me dão esse tipo de filmes ou séries. Tenho passado por diversos momentos na minha vida onde é enorme a sensação de um «dejà vu», e penso de mim para mim ‘outra vez?!’.
Mas é sobretudo nas alturas pré e pós eleitorais que isto é mais forte. As entrevistas, os debates, os artigos de opinião, nada é novo, tudo tem um aspecto requentado.
E, de vez em quando, este meu feeling sentimento recebe uma confirmação.
Na sexta-feira passada estava a dar uma vista de olhos pelo «i» e encontrei um título:
«Trabalho - desde o primeiro governo de Cavaco que não era tão mau para os jovens». Cá está, quem é mais novo nem sabe, quem é mais velho esqueceu, mas os tempos do cavaquismo não foram bons, não senhora. E a conjuntura era bem outra! As vacas estavam muito mais gordas.
Mas nesse artigo, esbarrei com uma declaração que me deixou arrepiada. A propósito do facto de muita gente jovem estar a emigrar em busca de melhores condições de trabalho, o repórter entrevistou um rapaz a trabalhar em Inglaterra. E a dada altura ele afirma que está muito contente porque:
"Tenho um contrato permanente, ganho cinco vezes mais do que ganharia em Portugal e trabalho numa área em expansão: a cobrança de dívidas de clientes portugueses por abuso do cartão de crédito."
Como??? É considerado uma área em expansão (?!) a da cobrança de dívidas a portugueses que abusam do cartão de crédito?
E isto na Inglaterra?



domingo, maio 17, 2009

Domingo

... sem (muito) sol.
Mas com muito ar livre!


(por favor cliquem na foto)

Uma música ao Domingo





GALOPE

Las tierras, las tierras, las tierras de España,
las grandes, las solas, desiertas llanuras.

Galopa, caballo cuatralbo,

jinete del pueblo,
al sol y a la luna.

A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar!

A corazón suenan, resuenan, resuenan
las tierras de España en las herraduras.

Galopa, jinete del pueblo,
caballo cuatralbo,
caballo de espuma.

A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar!

Nadie, nadie, nadie, que enfrente no hay nadie;
que es nadie la muerte si va en tu montura.

Galopa, caballo cuatralbo,
jinete del pueblo,
que la tierra es tuya.

A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar!

Rafael Alberti (Capital de la Gloria, 1938)

sábado, maio 16, 2009

Bandeira azul

Esta pode ser a «boa notícia» desta semana, que uma lufada de auto-estima é coisa de valor!

Portugal foi considerado o segundo país da Europa em número de praias com «bandeira azul».
Cerca de 50% das nossas praias merecem bandeira azul.
Espanha, Grécia, Itália, países com um desenvolvimento em muita coisa à nossa frente, no caso das praias foram ultrapassadas! O único país que nos supera no referente a este aspecto é a Irlanda (mas palpita-me que as praias irlandesas sejam lindas mas não tenham a luminosidade e a temperatura da água das nossas...) e atenção que os critérios de atribuição da bandeira são exigentes, não se limitam a considerar-se uma praia bonita e limpa.
Têm a ver com 4 pontos
• qualidade da água,
• informação e educação ambiental,
• conservação do meio-ambiente local,
• segurança, serviços e infra-estruturas de apoio

E todos os anos estes pontos são avaliados – por isso algumas das praias foram «despromovidas».
Portanto é uma boa notícia. Que nos moraliza.
Assim os serviços de turismo a aproveitem bem!




Foto do Sharkinho (e merece ser aumentada!).


A propósito de Cannes

Está a decorrer o Festival de Cannes. Vai ser o último ano que decorre naquele local, o Palácio vai ser fechado para reforma.
Foi um pouco surpreendente saber que o filme de abertura - sempre importante e uma honra para o filme escolhido - foi um filme de animação, mas a 3 dimensões já se vê... Tinha de ter algo de diferente.
Vamos ver o que vai passar por lá e quem vai receber o prémio.

Nesse rescaldo, e para acabar de vez com a colecção de cartazes de filmes antigos que andava a passar a conta-gotas no Pópulo, despejo de uma vez só os que me restam:


sexta-feira, maio 15, 2009

Grandezas diferentes


Havia, já há muitos anos, na Rua do Carmo à direita de quem a sobe, uma charcutaria muito elegante e que vendia produtos muitos bons e muito caros.
Quando eu era criança lembro-me de ouvir contar uma historieta, sobre uma senhora que ao passar lá em frente viu expostas umas laranjas com muito bom aspecto, entrou e pediu se lhe pesavam 2$50 de laranjas (se não é esta quantia seria algo semelhante, normal na época em que se contava a história) ao que o caixeiro, muito sério, lhe respondeu «Peço desculpa, minha senhora, mas não vendemos as laranjas aos gomos»

Muitas vezes ao ver afixados certos preços, paro a confirmar se não há para ali um zero a mais e lembro-me dessa história. Há por aí preços de tal modo absurdos, que fico a pensar se estão a falar de uma unidade ou de uma dúzia… Mas, por outro lado, os senhores da publicidade que sabem imenso de psicologia descobriram como dar a volta à nossa cabeça, ou seja vender-as-laranjas-aos-gomos, sem o dizer expressamente.
Quem não tem visto anúncios do tipo «por apenas 10 € * pode comprar o carro xptl», por exemplo? E é verdade. Depois, no rodapé, em letras pequenininhas, vem a explicação do asterisco: «por dia». Ou, outra versão, no supermercado vemos morangos, nêsperas, cerejas a preços muito em conta, mas quando verificamos melhor, a fruta está em caixinhas de 250 gr e os preços correspondem a cada caixinha, ou seja 4 vezes mais do que aquilo que tínhamos julgado.
Bem pensado, não é? Dividir para reinar, ou pelo menos para confundir. Como quem espreita por um binóculo ao contrário.
Mas, mantendo a imagem do binóculo, também podemos olhar para as coisas pelo modo habitual de usar o binóculo: olhemos para o nosso ordenado, por exemplo. Não é grande coisa, se calhar. Mas a verba que escrevemos ao pagar o IRS corresponde ao ordenado anual, e…. ena pai! ao ano parece TANTO, milhares de euros!
Pois é.
A verdade é que, quer num caso quer noutro, não se está a olhar directamente a realidade.
Estamos a jogar com ordens de grandezas diferentes, e nem sempre se leva isso em conta.


O Bloco Lateral

O RAP, fala-nos do que acha sobre o Bloco Central e considera que «mais depressa faz sentido um governo de Bloco Lateral».
Bem visto.
Dêem lá uma espreitadela (ao RAP claro, não ao Bloco Central que já vimos que chegue...)


quinta-feira, maio 14, 2009

Informação, publicidade, eleições

Não é de hoje.
Já vem de muito longe a expressão popular «todo o burro come palha... a questão é saber dar-lha»
Ontem, o jornal «i» que chegou cheio de vontade de chamar a atenção e tem sempre umas vistosas primeiras páginas, dizia que José Sócrates contrata equipa de Obama para as legislativas
Seria boa ideia, mas não é o que parece.
Não é de tomar as palavras à letra, não vamos ter em Portugal os ministros norte-americanos. Ele contratou foi (segundo o jornal...) a empresa que tratou ‘da vertente online e multimédia da campanha’ de Obama. Não deve ser barata, mas o PS deve achar que vale a pena.

De acordo, a publicidade é importante. Mesmo muito importante. Um candidato pode ter as melhores intenções, um programa de governo excelente, ideias fabulosas e concretizáveis, mas se tudo isso não chegar aos ouvidos e olhos do eleitorado, nunca vai receber nenhum voto nem poderá concretizar aquilo que até seria bom para a maioria das pessoas… Sei muito bem que essa parte do «passar a mensagem» de um modo eficiente, é importantíssimo. A chave do sucesso.
Contudo fica-se a pensar.
Há uns anos ficou célebre a frase «um bom publicitário pode vender tudo, de um sabonete a um presidente», e fosse ou não verdade (e claro que é!) a frase é importante porque nivela o dito presumível presidente ao sabonete. São valores diferentes? E depois? Interessa o resultado.

Ora o resultado é que «quem tem unhas é que toca guitarra» (hoje estou virada para as expressões populares!...) ou seja quem tem mais força, mais poder, mais dinheiro, vai obter melhores resultados, e tudo isto é um circulo vicioso que se perpetua. Já se sabe que com bons resultados eleitorais vai obter...mais força, mais poder, mais dinheiro!
Evidentemente que pode acontecer que quem tenha isso tudo (o dinheiro, a força, o poder) seja também quem melhor serve para gerir os nossos destinos. Talvez. Mas não posso deixar de sentir que algo está errado, que o jogo está ‘viciado’ à partida.
No caso português, os famosos partidos do Bloco Central serão sempre vencedores. E até podem ter, e têm muitas vezes, a 'coragem' de afirmar de forma trocista que os partidos mais pequenos - ou qualquer força fora da sua esfera de influência – podem falar de alto porque como jamais chegarão ao poder, nunca vão ser desafiados a provar se são ou não capazes de manter aquilo que propõem.

É uma falácia? Não sei. Mentira é capaz de não ser, mas é verdadeiramente um círculo vicioso.
E, sejamos realistas, Sócrates não é Obama!




Uma prenda de uma leitora


(clicar para aumentar o tamanho)



Uma minha visitante, a Maria, quando viu o meu post de Domingo passado, lembrou-se de que que tinha uma revista da época, «A Águia», com um desenho do pintor António Carneiro.
Teve a simpatia de mo enviar e assim chega hoje ao Pópulo uma prenda para todos - directamente da Maria.


Obrigada, Maria!

E muito apropriado. Se agora não precisamos de um D. Sebastião, nem sei quando precisaremos...


quarta-feira, maio 13, 2009

Preconceitos


video


Estão por todo o lado.
E são graves.
Conheço um jovem que ficou com medo de fazer uma festa a uma criança. Há uns tempos (quando se falava imenso de pedofilia) ao atravessar o Jardim da Estrela, um miúdo veio a correr e, a brincar, agarrou-se-lhe a uma perna. Ele sorriu e ia fazer-lhe uma festinha na cabeça, quando apareceu a avó em grande velocidade, agarrou no neto e fugiu aterrorizada.

Ele passou a olhar as crianças quase com medo.

[só uma nota - neste vídeo vê-se o preconceito mais difundido e conhecido - a descriminação racial; contudo propunha que fizéssemos o esforço de imaginar outras 'diferenças', também não aceites e que magoam do mesmo modo]




Sobre crianças (e não só)

[Ora vamos lá ver como é que vou conseguir entrelaçar três histórias sobre o mesmo tema]
Aqui há uma semana li um post que considerei muito sugestivo. A «Castanha Pilada» contava uma cena do seu dia a dia: tinha observado a relação entre uma mãe e o seu filho de 4 anos que brincava num jardim, e a tolerância e enlevo que aquela mãe mostrava em relação à criança
A nossa Castanha, perante o que viu diz: «Imaginei-o daqui a alguns anos, gordo, mimado e mal-educado, a ver televisão sentado no sofá», acrescentando que «há uns anos atrás, quando eu tinha aquela idade, éramos vários irmãos e partilhávamos um triciclo que fazíamos andar a força de pernas, agora um filho é uma coisa única e preciosa, que se cria à custa de muito sacrifício».

Bom, a outra história, diz respeito a uma conversa entre mim e o meu filho. Estávamos a apreciar uma espécie de ‘árvore genealógica’ de um ramo da família, e ele espanta-se «Mas como é? Aqui os trisavós tiveram 10 filhos, e só há descendência de dois?!!» Pois era. Vendo com atenção, os outros 8 tinham morrido ainda de berço, ou muito novos. Há cento e tal anos, sem vacinas, sem antibióticos, as doenças infantis eram fatais e a mortalidade infantil elevadíssima. E as famílias, mesmo tratando os filhos o melhor possível, sabiam que era um bem perecível, e portanto era normal terem muitos até como defesa da espécie.
E agora vinha lembrar uma notícia que li e ouvi, há poucos dias, sobre a dificuldade que muitos pais têm para pagar uma creche para os seus filhos
Porque nesta terra, onde a percentagem de mulheres que trabalha a tempo inteiro é uma das maiores da Europa, uma creche é vital para se poder ter uma família.

Ou seja – uma criança hoje, na Europa, tem muito melhores condições de vida material, tem muitíssimo mais saúde, tem roupa adequada, come como precisa, tem muitos brinquedos, mas para isso tem menos «tempo de pais» e menos regras, menos capacidade de aprender a frustração.
O exemplo da história de cima, da criança que brincava com uma mini-scooter movida a bateria que a mãe se encarregou de carregar em peso quando a brincadeira acabou, vemos por aí constantemente. São os lugares nos transportes públicos para "pessoas com crianças ao colo" mas que são ocupados só pelas crianças ficando a mãe em pé, são as mochilas com rodinhas para ser mais fácil levar e afinal quem carrega com elas são as avós, são meninos que não aceitam respeitar a sua vez, falam interrompendo todos e exigem uma atenção absoluta, são crianças que se sentem o centro do mundo, com uma arrogância e má educação que podem chocar quem vê e envergonhar um pouco os pais que, contudo, não conseguem evita-lo.
É que estas regras deveriam ser absorvidas gota a gota, na relação diária entre pais e filhos. Mas os pais de hoje, que só conseguem ter um único filho por razões económicas, sentem-se tão culpados daquilo que imaginam como ‘abandono’ que em contrapartida entregam-lhes as chaves do poder.
Sabem que é um erro.
E depois? Como o evitar?