sexta-feira, novembro 30, 2007

Quero um destes!

Já sei o que vai ser a minha prenda de Natal!
Uau!
E não deve dar chatices nenhumas, no fim é só desligar.


Dia de Greve

Hibernação

Há alturas onde invejo bastante os animais com capacidade de o fazer: hibernar!!!
E vou procurando encontrar umas fracas imitações.
Por um lado, tentar dormir o mais que posso, dar largas ao meu enorme desejo de sono, não só no período habitual que para mim é durante a noite (começo cedo e acabo cedo) mas até, enroscando-me no sofá, durante o dia.

Por outro, reduzir as minhas funções ao fundamental. Nenhuma actividade extra, só mesmo o «trivial», indispensável à vida.

Imagino-me a ficar num sofá, com uma manta a tapar-me, um livro dos ultra-leves à mão, o comando da TV perto mas só para ligar para a Fox ou Axn onde conheço as séries e sei que não fazem pensar 'aquilo é ver e pronto', comer só umas tigelas de sopa, e passar pelas brasas se e quando me apetecer – isto é que é cá um programa!
A minha alma de urso sente-se consolada.

E já aí vem o fim-de-semana para o fazer.



quinta-feira, novembro 29, 2007

E se de repente

um desconhecido lhe oferecesse flores? ao virar uma página encontrasse esta mensagem?


(clica em cima para poderes ler, se quiseres...)


Cimeira Europa-África



A gente sabe que entre a África e a Europa existe um mar. Chama-se Mediterrâneo.

Contudo, não seria necessário meter-se tanta água! Tem sido uma grande confusão, da qual o inefável ministro Luís Amado não saiu bem no retrato.
O facto é que a cimeira Europa-Africa é afinal um encontro entre duas organizações internacionais: A União Europeia e a União Africana. É portanto 'normal' que todos os países que pertencem a estas duas «Uniões» participem se quiserem.
Robert Mugabe, presidente há 27 anos do seu país, é o que se sabe, e o seu regime já foi classificado por todos nós como aquilo que é. Mas pertence à organização e dificilmente não seria convidado, a não ser que se pusesse logo no convite «é favor apresentar-se vestido com fato de cerimónia com regime democrático». E, bem sabemos que um convite nesses termos, enfim, cof… cof…, deixaria alguns outros convidados com tosse.
Depois temos a birra, do PM britânico.
Se entendo bem que se censure um governo como o do Zimbabué, e se lhe façam fortes e graves críticas, já não entendo nestas circunstâncias que ingerência é que a Grã-Bretanha pretende ter, que aquilo já não é uma colónia britânica. Sobretudo a mesma Grã-Bretanha, ralada com os direitos humanos em África, mas que mantêm as mais amistosas relações com países que, por exemplo, aplicam rigorosamente a Charia e condenam uma mulher violada a receber 200 chicotadas.
Direitos Humanos, Sr. Gordon Brown? Ou há moralidade...

O nosso ministro dos Estrangeiros anda a meter os pés pelas mãos; convida mas «seria melhor que não viesse». Ah, sim? Era uma sorte, é claro. Pode ser que ainda apanhe uma gripe, ou assim, e lá tenha de ficar de molho em casa…
Francamente! Cada tiro, cada melro.

Ontem não pude ir, talvez lá para Abril

«Acordei tarde» para o espectáculo que ontem o Cirque du Soleil deu no Pavilhão Atlântico.
Há pouco tempo deixei aqui um post com um vídeo sobre eles, e tinha sido pouco mais ou menos nessa altura que tinha «acordado» e, como é evidente, já não havia bilhetes. Uma coisa daquelas esgota, sabemos.
Contudo, como voltam de novo no ano que vem, em Abril, vou ver se estou atenta e o outro não vou perder.
OK, os bilhetes custam entre 25 e 95 euros. Não será barato, mas é muito mais barato do que um bilhete até ao Canadá. Se não aproveitamos estas coisas quando vêm até nós, é porque nem as merecemos, caramba!

Que maus !

Quem não é por mim…
Jardim acusa Tribunal Constitucional de "terrorismo de Estado"

Sem comentários.


O trabalho doméstico

É certo que se vai dando uns passos.
Quem tem memória e viveu una anitos, pode comparar: o trabalho doméstico é hoje mais partilhado sem dúvida. Pelo menos nos países ‘desenvolvidos’.

Mas uns noruegueses, decididos a estudar o caso mais a sério, fizeram um estudo que incluía 18 mil casais de 34 países – já é uma amostra interessante. Claro que, como seria de esperar, «nas sociedades onde as mulheres ocupam lugares de destaque há menos diferenças na distribuição de tarefas em casa, mas ainda assim ELAS continuam a trabalhar mais do que ELES»
De um modo geral, diz-nos esse estudo, 2/3 das tarefas domésticas ( cozinhar, lavar, arrumar ou fazer as compras ) são executadas por mulheres. Parece ser o seu destino.
Mas esta investigação
diz-nos também coisas que subvertem as ideias que poderíamos ter.
Por exemplo, será possível que os homens mexicanos participem mais em casa do que os noruegueses?!... Nas ideias de muita gente, incluindo a minha, o «macho latino» seria muito menos participativo do que o homem nórdico, mas afinal…

Aliás, para se ver como pensa o macho latino é ver os primeiros comentários, no Público, a este artigo!
Está lá tudo. :)



quarta-feira, novembro 28, 2007

Dizem

... que lá atrás brilha o sol.



Já o vi.

Hoje não.
Nem ontem.
Nem talvez amanhã.
(a foto é muito grande; é melhor não lhe clicarem, ou ainda acabam a pensar como eu que ELE não volta)

Frei Tomás

Tem humor, é certo mas nem sempre concordo com o que diz. Contudo, esta «opinião» de Manuel Serrão, está bem apanhada:
Faz o que eu digo, mas não faças o que eu faço é o lema do nosso governo.
Depois cita várias situações onde todos sabemos que as medidas são completamente diferentes se vistas do lado dos governados ou dos governantes.
«Dois exemplos flagrantes desta atitude absolutamente criticável do Estado a questão do salário mínimo para as empresas versus os aumentos à Função Pública e a questão da publicidade dos créditos do Estado em impostos versus a recusa em publicar as suas dívidas...»
Pois é.


Desenvolvimento

O chamado «desenvolvimento humano» é uma medida comparativa de riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade e outros factores .
Serve portanto para avaliar o desenvolvimento de um país.

Ora de 2000 a 2005
o índice de desenvolvimento humano de Portugal desceu , o que acontece pela primeira vez […] desde 1975.
Dizem-nos que «Portugal foi mesmo o único país da União Europeia e do conjunto da Europa onde esta tendência se registou nesse período»
Um recorde, heim?...
É o estudo que está mal feito, ou nós temos mesmo razão quando andamos pessimistas e desanimados?


Mil e quinhentos milhões!

São 1.500.000.000 € o que o Estado vai ganhar com as privatizações deste ano.
Já tenho dito várias vezes que não sou lá muito boa em grandes números. É como a astronomia, quando me falam de distâncias demasiado grandes ou planetas e sois gigantes, fico perdida.

Neste caso, também me parece tanto dinheiro que nem o imagino.
Mas acredito. Parece que 472 milhões de euros serão canalizados para a reduzir a dívida pública o que é muito certo porque devemos pagar o que se deve.
E quanto aos trocos?
Os 1.028.000.000 €? Vão ser gastos em quê?
É só uma curiosidade.

terça-feira, novembro 27, 2007

Para uma amiga que não gosta de fazer anos



Feliz dia 27!


(clica para ficar maiorzinho)

O criativo Webcedário

Ele está ali à direita.
Está na minha listazinha dos blogs preferidos mas, como ainda por cima é o último que aquilo é por ordem alfabética, passa-se muito tempo que não passo por lá.
Grande injustiça, que sempre gostei imenso da sua imaginação. Aquela malta, personaliza as letras com resultados espectaculares.
Ora, para quem nunca lá foi, fica esta amostra:
ou, por exemplo:

ou até:
A imaginação ao poder!
Grande Webcedário!!!


Resignação


Duas senhoras de meia 'alguma-idade', uma paragem de autocarro:

- Está um gelo!

- Horrível.
- O que custa mais é o vento que parece que nos arranca a roupa do corpo.
- E também estarmos aqui em pé, tempo sem fim…
- Nem sei porque é que não põem um abrigo, o passeio é bem largo.
- Tem razão. A paragem lá mais à frente até tem.
- Ora, vão lá agora gastar dinheiro. O nosso conforto não dá lucro.
- Isto está cada vez pior.
- Nem vai melhorar…
- «Eles» querem lá saber.
- Pois não. O que é que se há-de fazer?...

houve um encolher de ombros das duas. E eu nem me atrevi a meter-me. O que é que ia dizer?


Assaltos modernos

Leio por aí que mais uma Caixa Multibanco foi roubada.
Outra vez?!!!!
Parece ser o «ovo de Colombo». O tempo dos assaltos a bancos ‘já era’. Isto tem-se ido a aperfeiçoar…
No tempo do Jesse James assaltavam-se diligências que traziam o ouro para os Bancos.
Depois vieram os assaltos aos Bancos onde se guardava esse metal ou seu equivalente.
Mas assaltar um Banco tem bastantes riscos. Há gente, aquilo tem alarmes, pode haver respostas a tiro e alguém ainda se vai aleijar.
Não, o que ‘está a dar’ é levar a Caixa Multibanco. É que afinal aquilo não é mais do que um grande cofre, não é verdade? Com uma camioneta e uma grua, se for preciso mais força, e vai tudo. Limpinho e sem problemas.
Há por aí um sketch dos Gatos sobre isso:

As tempestades em copos de água

Já ando um tanto farta desta história dos magistrados e da administração pública.
Para o cidadão comum parece barulho a mais.
Ainda agora li que “inclusão dos juízes e magistrados do Ministério Público na proposta de lei de vínculos e carreiras da função pública
é uma afronta desnecessária". Livra!!!
Eu sei que os magistrados, pelo menos alguns, têm uma noção muito séria da sua função. Lembro-me uma vez, já há anos, onde num grupo de trabalho nos estávamos todos a apresentar enunciando a nossa formação – João, sociologia, Teresa, medicina, António, arquitectura, e quando se ouviu - Paulo, magistrado, houve uma pausa e toda a gente se entreolhou com alguma surpresa. Aquilo caiu mesmo mal, pelo tom em que tinha sido dito, e passámo-nos a referir a ele sempre pelo “senhor magistrado”

Mas esta discussão toda parece ir longe de mais. Claro que a magistratura se encaixa no 3º poder: o Executivo, o Legislativo e o os Tribunais. OK.
Mas também é verdade que para o homem da rua, comum mortal, há a ideia de que «tudo o que não é trabalho privado é porque é público» e arruma-se assim a sociedade civil e militar não civil.
O resto, se as carreiras são outras, etc, etc, pode estar muito certo, mas já chega.
Por outro lado mostra a que ponto tão baixo já desceu o conceito da AP.
– O senhor é funcionário?
– EU??? Por quem me toma?!!



segunda-feira, novembro 26, 2007

Traumas que não passam

Sábado passado, na festa de anos de uma amiga, começo a conversar com um amigo dela que eu não conhecia.
Já nem sei a propósito de quê, falamos de África.
Para mim, África é um foco de saudades. O meu temperamento claustrofóbico ainda recorda maravilhada os grandes espaços, as savanas imensas, os maravilhosos pôr-do-sol, tenho dentro da cabeça uma África romanceada que, mesmo que o seja, não quero apagar…
Quando, sorrindo, ia começar a dizer isto tudo, ele atira-me, secamente: - «Um pesadelo!»

Um choque, e tento entendê-lo.
Passaram mais de 30 anos, mas para o J. aquela palavra só lhe evoca a guerra. Em três pinceladas conta-me algumas coisas, e interrompo-o: chega, pronto, alto, já sei! E sabia, mas fiquei de novo a tremer.

Para temperar a crispação, intervenho então com as minhas recordações e encontramos uma plataforma. Ele sorri e diz que entende. Vivemos em países diferentes, sendo embora o mesmo. Conta-me que ainda hoje, tem um sonho recorrente, um pesadelo diabólico, que consiste em estar de novo a desembarcar lá e enquanto sonha pensa «Outra vez?! Mas eu já cá estive! De novo?!! Como é possível, meu Deus???»

Mas, generoso, acrescenta: Emiéle, tenho a certeza de que se a guerra tivesse sido no Tahiti, Maldivas, Bora-Bora, os locais mais paradisíacos do mundo, os sítios para onde todos gostaríamos de ir se tivéssemos dinheiro, eu sentia exactamente o mesmo. A «tua» África é uma coisa, a minha não tem nada a ver com isso, são imagens que não me abandonam e hão-de morrer comigo. Foi ali como seria noutro local.


São feridas, estas, que nunca cicatrizam!


Portugal «no seu melhor»

Não é notícia de primeira página, é certo, mas parece-me paradigmática do erro de certos raciocínios burocráticos.
Conta-se em duas palavras:
Uma escola do 1º ciclo foi remodelada. Muito bem. Situa-se em Viseu, zona do interior onde há grandes variações climáticas e conhecida por ser particularmente fria no Inverno. Essa remodelação “esqueceu-se” disso e não instalou aquecimento na escola. Muito mal.
Começa o frio e lá se lembram de que é necessário essas obras.
Mas, primeiro a burocracia é lenta e isso demora, além disso,
"para não perturbar o normal funcionamento das aulas a obra só decorre aos sábados" Exactamente «o normal funcionamento das aulas»! Porque aquelas cabecinhas pensadoras, consideram que as aulas funcionam normalmente ??? com os alunos e professores transidos de frio.
E as obras, é claro, decorrem ao sábado que Domingo é Dia do Senhor e não se pode trabalhar… Pelo que, com alguma sorte, lá para a Primavera devem ter salas aquecidas.

Quando vejo programas como o «Querido mudei a casa» onde em 48 horas se muda radicalmente um quarto, ou até uma casa, de uma ponta à outra, estas lentidões em certas obras confirmam que alguma coisa vai mal.
Aliás, neste caso, se perguntassem aos pais e professores, acredito que preferiam que a escola fechasse uma semana (o correspondente a 7 sábados ou seja a dois meses de obras) e todos pudessem trabalhar com conforto, do que este arrastar de situação.
Além de ser responsabilizado quem permitiu que acontecesse um ‘esquecimento’ destes!

O «Caderno» da AB

(em comentário a este post, escreveu a AB:)
Por acaso o Conde Redondo tem um enquadramento curioso. Hoje é palco de inúmeras manifestações de travestis e prostitutas de mistura com uma população envelhecida que convive magnificamente com tudo isso. Experimentem ir a uma das leitarias das transversais ou muito cedo ou ao cair da noite e vejam...Lá mais para baixo quase junto à R. de St. Marta vem o negócio das Sex shops com cartazes do mais divertido que há em termos de mitologia sexual. Mas no princípio do século passado a zona era considerada de "gaioleiros" (a construção era em gaiola uma estrutura de época) e os construtores, apelidados de acordo com a construção, instalavam ali as suas famílias de 2º, ou seja senhoras por conta, das quais tinham filhos que legitimavam. Apesar disso a separação das águas sociais continuava a não desaparecer com a legitimação e as senhoras lá se davam entre si mas parava por aí... A Gonçalves Crespo por acaso foi morada de gente de teatro, algumas coristas e gente de bastidores, costureiras de palco, por exemplo, ou até gente de claque. Era muito engraçada esta espécie de estratificação social à revelia da oficial...era a época dos "quartos independentes" uma forma de negócio que se por um lado servia os estudantes por outro mascarava outra realidade que tinha sido abolida por decreto, se não me engano de 62, que acabava com as casas de toleradas...
[…..]

E tudo isso com a proximidade de uma zona altamente aristocrática que era o Paço da Rainha....mas desandando lá se ia até S. Lázaro e daí a Almirante Reis e ao Intendente era um salto. Lá em baixo quase na esquina da R. de S. Lázaro com a Almirante Reis esteve um dos mais emblemáticos sítios do "bas-fond" lisboeta que dava pelo nome de Bolero. Tinha uma orquestra de ceguinhos e teve como porteiro uma das personagens mais curiosas de Lisboa. Chamava-se "Beringela", era amigo do Belarmino do filme do Fernando Lopes, foi guarda-costas do Salvação Barreto e fez "O recado" do Fonseca e Costa. Morreu há anos de gangrena, a boémia bebida até ao âmago, alimentado no refeitório da Tóbis ou no da RTP por amigos das noites e dos copos. Trazia às vezes consigo outro amigo o João Franco, rapaz fugido cedo á família, de um humor corrosivo e altamente inteligente e que é o boémio que mais casas de banho de cafés conhecia em Lisboa pelo simples facto de nelas dormir depois do fecho, a gabardina ou o casaco encostados ao assento dos sanitários. A alternativa era as "casas de corda" a última existente era ali ao Fala-Só, um prédio arte nova, lindíssimo, governada por um galego. E a Paula outra "casa de corda" onde de quando em vez também pernoitava o Pacheco. Não é só uma "Crónica dos dias tesos" é toda uma cidade que pulsava aos olhos de adolescentes para quem a palavra preconceito dizia pouco e para quem as rígidas regras familiares estavam em derrocada total. Já por volta dos anos 80 o Bolero voltou ao seu nome original "Duina Bar". Depois fechou definitivamente quando a esquerda se foi "jamaiquizar" como diria o EPC e hoje é uma loja de cintas e soutiens fatelas o que não deixa de ter a sua graça. Do Pinto, o gerente, o homem que fiava as ceias de bacalhau das madrugadas não sei nada e da Lurdinhas que deve ter iniciado vários dos meus amigos e que dizia "coitados, estão por aí sozinhos, querem é um ombro para dormir" depois de um depoimento para um filme do João César que se chamava "E que farei eu com este livro?" não mais ouvi falar...Mentira, vi-a uma vez à mesa de família de um amigo também já ido porque precisava de qualquer coisa e as noites eram solidárias.
AB

A Ciência e a Magia

Quando me falam em «coisas do outro mundo», histórias que entram no campo do ‘paranormal’ e que quando eu era muito nova e convencida me punham a rir e a considerar crendices tontas, hoje em dia mostro-me cautelosa e penso que talvez um dia venha a surgir uma resposta científica normal, para o que hoje nos parecem ou milagres ou vigarices.
Porque a evolução da ciência é maravilhosa.
No
Dia Nacional da Cultura Científica mostraram-se coisas que há 500 anos teriam levado os seus promotores a ter de dar explicações ao Santo Ofício e, possivelmente, terminado em cinzas numa fogueira.
Está a decorrer, de 23 a 28, a
Semana da Ciência e da Tecnologia. E o que lá mostram é maravilhoso. São 25 países e 35 instituições, que nos levam num “Carrossel da Ciência” para troca de experiências e saberes.
Portugal está representado por Aveiro (tinha de ser!) e Porto.

Apresentaram-se nesta Feira coisas maravilhosas e aproximou-se o conhecimento científico do público. Mostrou-se como “construir os seus próprios hologramas e experimentar esta área da óptica com materiais simples de arranjar e que não custam mais do que 50 cêntimos”, por exemplo, ou “a associação da física ao tango, a utilização da matemática para cobrir superfícies, encontrar o parceiro através do olfacto ou descodificar os sons dos sapos, e perceber que estes também mudam a sua “língua” de acordo com o país”, ou viu-se como “entrar num vulcão, assistir a peças de teatro onde o riso é provocado por experiências químicas, levar para casa uma pulseira com códigos genéticos ou conhecer o clima espacial a partir de um autocarro”.

Magia?

Ciência!


domingo, novembro 25, 2007

Mas que «arrumações»!?

É natural que os jornais virtuais tenham as suas notícias ‘arrumadas’ por temas.
Todos o fazem e ajuda o leitor a procurar e encontrar com mais facilidade notícias que o interessem mais particularmente.

Mas a página do
Google News tem muitas vezes uma arrumação original. A base é normal: Negócios, Ciência, Entretimento, Desporto, Saúde…. Natural.
Mas depois vem
o resto.
Desta vez encontramos em «Ciência» a notícia daquele desastre do autocarro com as crianças – o que é que terá de científico? – e em «Entretimento» ficamos a saber que há oito mil denúncias de agressões a mulheres. Olha que entretimento, heim?
Creio que daqui a pouco entre nessa secção que o nosso Presidente da República
"manda fazer mais bebés" .
Estará melhor colocado...



Uma música ao Domingo



Upa, neguinho na estrada
Upa, pra lá e pra cá

Virge, que coisa mais linda!

Upa, neguinho começando a andá
Começando a andá,
começando a andá

E já começa a apanhá

Cresce, neguinho e me abraça

Cresce e me ensina a cantá

Eu vim de tanta desgraça

Mas muito te posso ensiná

Capoeira, posso ensiná

Ziquizira, posso tirá

Valentia, posso emprestá

Mas liberdade só posso esperá

Patá tá tri Tri tri tri Trá trá trá

Um Caderno de Capa Castanha XXIII – Passeios na cidade

Eu sei, madrinha, que conhece muito bem a velha Lisboa, melhor que muita gente. Já tenho pensado se isso não tem a ver também com um outro estilo de vida...? «Claro que sim. Por um lado temos de dar o seu a seu dono, e como dizes eu conheço bem a “velha Lisboa” e já nem por isso tão bem as novas zonas ou as periféricas. E nota que por periféricas falo de zonas como por exemplo Chelas ou Olivais que foram bairros que nasceram ou se organizaram na forma actual, já eu era crescida. Em criança o mais longe que eu ia era ao Bairro da Encarnação onde viviam amigos dos meus pais, e à época era considerado um Bairro Social. Mas, sabes Clara ? creio que a responsabilidade deste meu conhecimento de Lisboa vem sobretudo do facto de ninguém da minha família ter automóvel, as voltas mais longas eram de eléctrico, mas andávamos quilómetros a pé. Andávamos por gosto, sem nos custar nada.
Está bem, quando a volta era demasiado grande para as minhas pernas pequeninas, queixava-me um bocadinho, mas não era nenhum drama...!
Olha, como exemplo de passeio que dava muitas vezes, lembro-me de ir da casa dos meus avós, junto da Fonte Luminosa da Alameda Afonso Henriques, até ao aeroporto. Ida e volta a pé. Saía pela mão do meu avô, depois do almoço, marchávamos até ao Areeiro, e depois seguíamos pela Avenida do Aeroporto ao longo das vivendas que íamos apreciando. Chegávamos ao aeroporto e ficávamos ali, sentados num banco a ver chegar os aviões. Hoje parece um entretém um pouco saloio, mas na altura era interessante. Nem me passava pela cabeça que algum dia ia entrar dentro de uma daquelas máquinas... Mas ida e volta, sempre a pé, eram uns bons quilómetros, até se levava farnel para o caminho porque chegávamos já perto da hora de jantar.
E também íamos passear mesmo aos bairros antigos, como um prazer. Quase sempre com o meu avô. Por exemplo, tomava-se um eléctrico até à Baixa, e depois íamos pelo Cais das Cebolas, via-se a Casa dos Bicos, e lá se seguia devagarinho em passeio, para Alfama. Íamos subindo, vendo as vistas, escadinhas, uns becos, subíamos até à Feira da Ladra e, se eu estivesse muito cansada lá se tomaria outro eléctrico para voltar para casa, mas olha que nem sempre!
E também se ia à Baixa a pé. Nem era nada demais. Da Alameda descia-se a Morais Soares toda, Martim Moniz, Praça da Figueira, Rossio, e íamos apreciando toda a grelha pombalina da zona da Baixa, rua a rua, aproveitando por vezes para pequenas compras, ou deixar alguma coisa a concertar. Subia-se a rua Garret, Largo de Camões, rua da Misericórdia, até ao Miradouro de S. Pedro de Alcântara e aí talvez de apanhássemos o eléctrico 24 para voltarmos à Praça do Chile. Ou, então, fazíamos a volta das Avenidas Novas.
Saindo de casa descia e subia a Alameda e ia até ao Arco do Cego, depois zona de Estefânia onde viviam os meus outros avós, onde parávamos para fazer visita e às vezes lanchar lá. Mas depois continuávamos a andar, serpenteando por aquelas ruas na zona da Maternidade, São Sebastião, e voltávamos Avenida da República fóra, devagarinho, saboreando o passeio, até ao Campo Pequeno, e depois o Bairro Social do Arco do Cego, uma zona ainda com hortas onde se ia construir a Igreja S. João de Deus, e de novo na Alameda.
Se conheço Lisboa? Assim, a pé, de passinhos curtos de sapatos nº 29, de mão dada com o meu avô, são recordações tão vivas que parece ter sido ainda hoje»
Clara


sábado, novembro 24, 2007

Estacionamento para todos os veículos

Uma história exemplar

Só conheci a história através da crónica de Nicolau Santos no Expresso, e a história parece, não direi uma fábula uma vez que essas são passadas com animais, mas qualquer coisa como um conto moral.
Porque o certo é que muitas vezes se desabafa amargamente, quando ouvimos alguns senhores, sobretudo aqueles que tratam da tal macroeconomia, falar das pessoas como números e opinar que se tem de cortar nos salários ou outras ideias dessas
«Sempre queria ver, se tu que estás aí a falar tivesses que viver com o dinheiro que achas que é muito demasiado pagar a um trabalhador!...»
Ora parece que alguém levou essas palavras à letra, fez a experiência e...
um patrão não conseguiu viver com o salário de um seu operário .
Foi na Itália, um empresário curioso, decidiu viver - ele e a mulher que recebeu o salário idêntico - um mês com aquilo que pagava aos seus trabalhadores. Não chegou. E imagino mesmo que ele nesse mês se restringiu às despesas básicas, tivesse andado de transporte público, não fosse jantar com amigos, nem frequentasse espectáculos especiais. Pelo que ele disse «o dinheiro acabou a 20» e, fazendo as contas, decidiu dar-lhes um aumento de 20%. Pensando bem, o aumento até devia ter sido de 30%, se o dinheiro lhe acabou a 20 ainda faltava um terço do mês… Contudo, quando se negoceiam aumentos de 3%, 4%, e se discute ferozmente até às décimas, ouvir falar de um patrão que aumenta 200 € em 1000, é impressionante!
E também é interessante o argumento desse senhor "
quero que eles estejam bem, para aumentar os meus lucros" explicando que quando vivem debaixo do stress da falta de dinheiro o seu trabalho tem pior qualidade.
Também penso que sim.
E é formidável ouvir um gestor dizê-lo!

A lógica do lucro sector privado

Uma pessoa que não acredite no SNS, se puder, faz um Seguro de Saúde.
E digo ‘se puder’ em dois sentidos: se tiver dinheiro para isso e se tiver até certa idade a partir da qual as companhias já não fazem seguros.

A ADSE é uma espécie de seguro obrigatório. Se tem um contrato com a Função Pública, desconta para a ADSE. Com isso tem direito a receber uma pequena participação nos pagamentos que adiantadamente faz quando vai a uma consulta privada, uma participação nos medicamentos, assim como nos exames complementares de diagnóstico. Se necessitar de um internamento hospitalar ou um intervenção cirúrgica então será um utente do SNS como outro qualquer e irá para a fila como toda a gente.
Portanto, assim como os carros que têm mais acidentes vêm o seu seguro aumentado, a ADSE concluiu que os trabalhadores que se reformam devem adoecer mais, portanto tratou de lhes aumentar a carga do ‘seguro’.
Natural.
Pensavam que existia uma política social ou quê?

Uma entrevista que vai dar que falar

Os nossos semanários estão especializados em entrevistas bombásticas. Tem sido rara a semana onde ou no Sol ou no Expresso não há uma personalidade pública a dizer coisas chocantes no bom ou mau sentido.
Hoje temos no Expresso uma entrevista a um inspector-geral da Administração Interna, «juiz-desembargador que nos últimos dois anos tem observado e fiscalizado as polícias», que merece ser olhada com atenção..
Ele critica frontalmente as chefias por não controlarem o que considera «muita impertinência, muita intolerância e muita impaciência por parte da polícia». Vale a pena ler esta entrevista em papel, porque na versão virtual do Expresso falta muita coisa, mas podemos sublinhar a frase Alguns jovens oficiais da GNR encaram o cidadão como inimigo”. (só os 'jovens oficiais'? creio bem que os 'velhos oficiais' ainda são piores) Claro que também acrescenta: «Vamos dar prioridade às condições de trabalho. Ninguém consegue em condições execráveis ter uma relação fluida com o cidadão»
Pois é. Que as condições de trabalho sejam péssimas, acredito que sim. Que lhes falte tudo e seja exigido imenso, também aceito. Mas a cortesia no relacionamento com o cidadão não custa dinheiro e, apesar de haver excepções a aplaudir, o certo é que de uma forma geral a relação «da autoridade» com o vulgar cidadão se pauta a maioria das vezes por uma arrogância e autoritarismo que não beneficia a sua imagem e predispõe contra eles muita gente.
É tempo de se repensar tudo isso.

(atenção, já consegui o link; está AQUI )


sexta-feira, novembro 23, 2007

Este estudo foi encomendado por mim :)



Não foi, mas podia ter sido.
Informam-me que
Uma dose diária de café poderá ajudar a prevenir a doença de Alzheimer
BOA!!!

( o complicado é que como há sempre um estudo para dizer o contrário de um outro, o melhor é seguir o bom-senso e aquilo que o nosso organismo nos pede…)


Adeus Béjart

Na quarta-feira, ELE despediu-se.
Mas ficaram em nós as suas memórias.
Eu ia escrever as recordações que Maurice Béjard me levanta mas lembro-me de um post excelente, já um pouco antigo mas como vão ver, muito actual porque as memórias não passam. E eu partilho destas memórias:

Copiado directamente do blog «UM BIGO MEU»

6 de junho de 1968.
no coliseu dos recreios, a companhia de ballet XXe siècle apresentava o seu Romeu e Julieta. no fim do espectáculo, "o Coliseu vem abaixo. Os aplausos não cessam. (...) O público quer Béjart. Este aparece. Faz um sinal, levanta os braços, imperioso. Silêncio total. Com uma voz que se ouve em toda a sala: "Robert Kennedy foi assassinado... foi vítima da violência e do fascismo... (...) Como todos os que estão aqui esta noite, somos contra as ditaduras... peço um minuto de silêncio" (...) Durante 20 minutos a assistência aplaude freneticamente.", recorda o Diário de Lisboa, já em 1974. Umas horas depois, a PIDE ia buscar Béjart ao hotel. Meteu-o num carro blindado e deixou-o num pequeno posto fronteiriço espanhol, numa estrada deserta, às três da manhã. O caso foi abafado.

9 de junho de 1968
é publicada, em todos os jornais nacionais, a seguinte nota oficiosa:
"APROVEITAMENTE DE UM ESPECTÁCULO DE ARTE PARA FINS POLÍTICOS
Do Secretariado Nacional da Informação, recebemos a seguinte nota: Durante o espectáculo de uma companhia estrangeira, realizado em Lisboa na noite de 6 do corrente, foram dirigidas à juventude exortações derrotistas e tomadas de atitudes de especulação política inteiramente estranhas ao próprio espectáculo.
Perante a luta que temos de manter em defesa da integridade nacional, não pode consentir-se que uma companhia estrangeira aproveite abusivamente, um palco português para contrariar objectivos nacionais.
As autoridades foram, assim, forçadas a impedir a permanência em território português do súbdito estrangeiro responsável por aquele espectáculo."

abril de 1974
Logo após a revolução de Abril, Maurice Béjart dá a conhecer à Gulbenkian a sua vontade de voltar a Portugal.

6 a 8 de junho de 1974
Béjart regressa ao coliseu, onde apresenta Romeu e Julieta, o mesmo espectáculo de 1968.

1998
O coreógrafo belga traz Le Presbytère a Portugal.
Dois dias antes da estreia, Jorge Sampaio condecora Béjart com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

2002
Béjart regressa, com Sete Danças Gregas, Brel e Barbara e Bolero. Deixem-me que vos diga que... eu estava lá!

abril-maio de 2004
mais um regresso, ao coliseu.
e eu... vou lá estar. nesse dia, vou festejar. festejar o espectáculo. festejar os 50 anos de carreira do Béjart. e festejar os 30 do 25 de abril.




Quem disse?

Adivinhem:
"Dentro de dias, tomarei outras iniciativas para dar resposta ao angustiante problema do poder de compra, do crescimento e do emprego"
Não senhor, começa por S, mas não foi Sócrates, foi Sarkozy.
Diferentes?



Claro, um deles é socialista.


O terrível Tribunal de Contas

É ele que nos vinga.
Agora é a vez da Saúde. Parece que o Ministério da Saúde andou a fazer umas falcatruas com as contas que apresentou
Não digo eu, quem diz é o Tribunal de Contas!
Só o que não se entende é, afinal, para que são tantos sacrifícios? Tem-se tomado medidas claramente impopulares para tornar «a Saúde» mais rentável. A desculpa que nos têm posto à frente do nariz é que como há pouco dinheiro, com estas medidas tudo fica melhor, e se está a fazer render aquilo que se tem.
Afinal, dizem-nos agora que «há dívidas acima do apurado e endividamento crescente dos hospitais» E, pior: «algumas das melhorias registadas resultam de mudanças no tratamento dos dados» o que traduzido quer dizer que é uma trafulhice.
Estamos todos interessados nas explicações!


Acidentes, desastres, tragédias

Não sei que nuvem negra tem pairado nos últimos tempos na nossa terra, porque começa a parecer uma maldição.
Todos os dias ao ligar ao rádio ou abrir o jornal, se nos depara com um novo grande desastre, que terá honras de abertura do Telejornal com pormenores detalhados.
São camionetas que se despenham cheias de passageiros, são explosões, derrocadas, acidentes nas estradas, em fábricas, em minas, eu nem sei que mais. (Nã... não vou fazer links para as notícias, todos sabemos do que falo e já chega!)
Não é por não se saber que as coisas não se passam, mas sinceramente que por último só me apetece NÃO SABER, como se com esse acto mágico, nada de mal se passasse.
Sei que não é assim, mas olhem que bem me apetece!


quinta-feira, novembro 22, 2007

Crianças e abusos

Que a violência, e mais ainda, o abuso sexual exercido sobre uma criança é um acto de uma gravidade inclassificável, creio ser consensual. Qualquer pessoa bem formada sente uma grande revolta e indignação quando tem conhecimento de situações onde tal se passou.
Contudo, essa indignação e o justo desejo de punição da pessoa maltratante, têm de ser correctamente equacionados.
Acontece que no afã de recolher provas, de ouvir testemunhos, de esclarecer dúvidas, certos agentes de Justiça acabam por conseguir “revitimizar” as crianças. Passaram por uns momentos terríveis e depois devem contá-los uma vez, e outra vez, e outra vez, a pessoas diferentes, em locais diferentes, em momentos diferentes.
Está a decorrer em Lisboa a «XI Conferência Regional Europeia sobre Abuso e Negligência de Crianças» onde se focou exactamente este aspecto, que muitas vezes não é valorizado.
"As crianças vítimas de violação são submetidas a repetidas entrevistas por parte das mais variadas instituições, feitas por profissionais que muitas vezes não levam em linha de conta a situação de sofrimento acrescido para a criança" explicou um especialista.
Em países que se preocupam a sério e encontram soluções para as suas preocupações, numa situação dessas a criança é interrogada apenas uma vez, numa Children’s House e essa entrevista pode ser visionada em simultâneo por um juiz, assistentes sociais, polícias e advogados.

Mais nada.

Escuso de relembrar o circo que na nossa terra se monta quando há indícios de um caso destes.
Não será a altura de aprendermos alguma coisa?

Curioso

É um fenómeno interessante ver como as pessoas funcionam muito melhor na oposição do que quando são Poder.
Todos sabemos o que é a mobilidade em Lisboa.
Péssima.
O PSD foi responsável pela sua Câmara durante bastante tempo, como sabemos.
Agora, quando já lá não está vai apresentar um «livro negro» da mobilidade na cidade
É interessante.
E gostamos que o PSD «pretenda contribuir para uma «solução geral» dos problemas de trânsito e mobilidade da capital» é bonito e fica-lhe bem.
Mas um pouco atrasado, não?...


Falta QUÊ?...

Ele há títulos de jornais estranhos, ou então é o pensamento dos senhores dirigentes que é estranho… Eu leio no JN:
Faltam desempregados para ensino especial A sério. Faltam desempregados. É o que vem lá escrito. Temos de arranjar, urgentemente, mais desempregados para cobrir essa carência...
Vamos ler a reportagem e realmente a confusão é enorme!

Primeiro – para se ensinar crianças com NEE é preciso como é óbvio uma preparação. Exactamente por serem crianças diferentes devem ter técnicas de ensino diferentes.

Segundo – Existem, infelizmente, muitas crianças com NEE. Nalguns casos o problema é relativamente leve e o seu professor consegue integrá-la com um apoio de um especialista, mas noutros a deficiência é tão severa que obriga a muito mais tempo de trabalho desse especialista.

Terceiro – ‘A procura é maior do que a oferta’ ou seja há bastantes mais crianças do que técnicos. E então sai esta pérola dos lábios do Senhor Secretário de Estado:
"Não existem professores desempregados com formação para apoiar crianças deficientes, razão pela qual estão a ser recrutados docentes sem experiência em Educação Especial" Repare-se que não disse (pelo menos o artigo não o refere) que vai investir na formação urgente de professores habilitados para o efeito. Não. Foi à «bolsa dos desempregados» à espera de lá encontrar professores especializados…
Surpresa! Não havia.
Bem, então foi à caça com o gato, e lá arranjou professores sem habilitações mas que… seriam supervisionados por aqueles que as tinham.

A verdade é que quando se decidiu – e bem – integrar as crianças com NEE no ensino regular, como sempre começou-se pelo fim. Primeiro, retiraram-se das Escolas de Ensino Especial que seriam segregadoras. Depois, é que se foi verificar se o ensino regular tinha condições para integrar esses meninos.
Não tinha.
O resultado está à vista.


As inspecções sempre servem!

Haja Deus!
Parece que a Provedoria de Justiça decidiu ir mesmo ver como estavam as coisas nos Serviços de Finanças. E, pelos vistos, as queixas que os cidadãos têm andado a fazer tinham a sua razão de ser.

Falta de condições para um atendimento célere, poucos recursos humanos e mal preparados, desarticulação entre sistemas informáticos foi o que os inspectores encontraram, tal como o público se queixava.
É certo que tem havido algumas melhorias, sobretudo no uso da net para comunicações. A entrega do IRS é das mudanças mais vistosas e importantes, e o «selo do carro» também. Aliás até uma coisa tão comezinha como a compra de livros de «recibos verdes» que dantes implicava muita papelada, agora é bem mais fácil.
Contudo, só quem nunca precisa de ir a uma Repartição de Finanças é que não deparou com uma demora porque «o sistema informático está em baixo» ou têm uma máquina qualquer avariada.
E esse deveria ser um dos pontos prioritários – por favor actualizem o material dessas repartições, porque se há local onde deve haver dinheiro deveria ser exactamente nas Finanças…


quarta-feira, novembro 21, 2007

A Convenção fez 18 anos

Já atingiu a maioridade.
Todos os anos, desde que escrevo em blogs creio eu, que neste dia relembro que hoje é o Dia em que foi aprovada a
Convenção sobre os Direitos da Criança. Foi a 20 de Novembro de 1989. Portugal ratificou-a um ano depois, foi dos primeiros países a fazê-lo.
É uma Convenção, não se trata de uma série de ‘boas intenções’, aqui trata-se de um conjunto de leis, que os países que assinam se comprometem a cumprir.
Claro que …
Pode haver quem questione para que serve assinar e comprometer-se a cumprir quando sabemos à partida que tal não se vai fazer.
Aliás basta saber que TODOS os países do Mundo (com a irónica excepção dos Estados Unidos e Somália) a assinaram para se ver que o facto de prometer que se vai cumprir aquelas leis, não chega.
Mas é alguma coisa. Pelos menos promete-se que assim que houver condições, se vai cumprir.

Melhor que nada. (mas pouco...)




Ups!!! - (hoje, quinta 22, dou conta de que este post saiu com um dia de atraso; como é que me convenci que ontem tinha sido dia 20??? as minhas desculpas!)

Caro, mas não tanto

Como grande parte das donas de casa, eu faço as «compras do mês», como o nome indica, apenas uma-vez-por-mês e, desde há uns tempos que passei a aproveitar e mandar levar aquelas coisas todas a casa porque é um sossego. De recordar que nas ‘compras do mês’ entra tudo o que é «matéria pesada»: detergentes em pó e em líquido, amaciadores, lixívias, ceras, dezenas de pacotes de leite, arroz, massa, batatas, cebolas, garrafas de vinhos, azeites, refrescos, frascos e latas de conservas, enfim a artilharia pesada de uma casa, que é muito agradável receber na nossa cozinha sem acartar com essa tralha toda (bem basta depois ter de a arrumar!)
Ora acontece que ontem lá fui encher o meu carrinho de compras e, como de costume, à medida que a menina da caixa passa os produtos pelo leitor de barras ia confirmando o preço e dando uma olhadela para o total. Contudo, já mesmo no final, tive de trocar umas palavras com a outra sua colega encarregue do envio, e portanto desviei os olhos desse ecrãzinho. Quando voltei a olhar estava tudo já nas caixas, e a conta a ser impressa.

OK. Estendi o cartão para pagar enquanto via o total que me pareceu muito inflacionado. Mas, como nos últimos tempos vou sentindo tudo sempre mais caro, pensei para comigo – Livra! Desta vez é que foi cá um pulo!
E voltei para casa a matutar no caso.
Sento-me com calma e vou conferindo os produtos todos, sempre a bater certo e com preços “normais” até chegar a ‘ovos’ e ver que era a maior parcela daquela coluna – 38 euros e tal.
Quêêêêê??? Eu tinha comprado uma embalagem grande com duas dúzias de ovos mas, por mais caros que estivessem, não seria aquele preço. Vejo melhor e aquele produto tinha sido multiplicado por 12, eu seria a feliz compradora de 24 dúzias de ovos!!!

O que significava que a minha conta astronómica afinal era quase 40 euros menor…

Uff… *suspiro*

Passei à noite por lá, com o talão, e recebi o troco. Já respirei.


Dúvida



Dúvida séria:
O que se vai arranjar para distrair as gentes, no caso perdermos esta noite e não irmos ao Europeu?

É que o futebol tem sido excelente para animar malta.
Corre tudo mal, a vida é complicadíssima, há desemprego, o ensino anda aos tropeções, os serviços de saúde é o que se sabe, os tribunais funcionam com uma lentidão que perverte a justiça, as estradas são pistas de morte e caras, a cultura está relegada para um campo secundário, é difícil haver ânimo para encarar a nossa vida do dia a dia, mas…
O futebol era uma alegria!

Ao menos nalguma coisa éramos mesmo bons, só não ganhamos o Europeu por um niquinho. E agora? Se nem sequer lá formos…?
Nem quero pensar, mas espero que o senhor primeiro ministro tenha um plano de emergência previsto.


Qual é a vantagem?

Deve servir para alguma coisa, mas eu não estou a ver.
O fisco vai publicar na net a lista dos devedores que não tenham bens penhoráveis E depois…? O que se ganha com isso?
O Ministro da Justiça pensa que isso «ajuda a aliviar os tribunais». Lá isso…

E poupa-se papel, porque o suporte é virtual.

Mas se os devedores não podem mesmo pagar, não é pela vergonha de ser pública a sua dívida, que o irão fazer, penso eu.
Mas posso estar enganada.
Porque dizem que "Queremos diferenciar os incumpridores crónicos dos que tiveram um problema na vida e precisam e recuperar. Para estes haverá um sistema de apoio à reestruturação da sua situação financeira".
O que é esse apoio? Arranjam-lhe fundos para reestruturar a empresa? Arranjam-lhe trabalho?
Parece-me muito nebuloso.
Claro que não estava a pensar nos casos dos «espertos» que não têm bens porque os seus bens não estão em seu nome e sim em nome de familiares, nesses casos sim, talvez a tal lista sirva para alguma coisa.

França em pé de guerra

Não deve ser surpresa. Não é com vinagre que se apanham moscas.
Quem votou Sarkozy para ter 'estabilidade' ou 'segurança', apostou forte mas estava na cara que a política que ele defendia não iria trazer nada disso. Quando as pessoas se sentem ameaçadas na sua estabilidade económica ou nos seus projectos de futuro, reagem.
Portanto, estalam greves e mobilizações por todo o lado Não nos deve ser estranho, porque o cenário é conhecido cá no burgo – aumento da idade de reforma, redução do sector público.
E o certo é que tal como cá, sector público e privado olham-se com desconfiança Normal. Dividir para reinar, é uma norma muito conhecida e que funciona.
Contudo o certo é que as mobilizações têm sido grandes. «Não é provavelmente a mobilização que os sindicatos esperavam, mas é significativa» diz o próprio governo francês.
Vamos esperar para ver os episódios seguintes…

terça-feira, novembro 20, 2007

Exageros

Ontem de manhã passei pelo Campo Pequeno e como de costume dei uma olhadela ao relógio/termómetro que lá está. Marcava 6 graus. Brrrrr!
Pela hora do lanche voltei a passar pela mesma zona e, como isto já é hábito arreigado, dei nova olhadela: O relógio marcava 16 e 15 e a temperatura era de 17 graus.
Como já aqui tenho deixado escapar, eu vivi uns anos em Macau.
Clima duro, uma humidade elevadíssima que superava aquela que eu já conhecia de África, e temperaturas relativamente altas de Verão. E, nessa altura queixávamo-nos muito da humidade e também um pouco do exagero da estabilidade da temperatura. Aquilo era demais, estabilidade demais! Havia dias em que se ouvia na telefonia «temperatura máxima no dia de hoje 29 graus, temperatura mínima 28 graus». A sério. Chegava a haver amplitudes de um único grau em 24 horas!

Mas...
Nem oito nem oitenta.
Com uma diferença de meia dúzia de horas, no mesmo local, haver uma alteração de mais de 10 graus, é obra!!!
Imagino que se eu fosse de metal, não haveria grande problema, mas de pedra talvez começasse a rachar. O complicado é que sou mesmo é de carne e osso.
Ai, ai, ai... Oh São Pedro atine lá que a gente assim não aguenta.

Uns e outros

É notícia gorda na primeira página do DN, mas olhem que merece.
Os açorianos vivem com dificuldades. Sabemos isso. Nem é preciso lá ir para saber.
Têm a sorte de viver numa terra lindíssima, mas não se come, nem se veste, nem se paga à farmácia, ao merceeiro, ou ao senhorio com lindas paisagens, portanto a sua vida é complicada.
Todos? Nã…
Os presidentes das empresas públicas têm algumas mordomias, coitaditos.
Enquanto o
rendimento médio de cada açoriano é de 600 euros, o deles é de quase 5.000 euros. Ficamos a saber, por exemplo, que as "despesas de representação são abonadas aos administradores 14 vezes por ano, […] pelo exercício de funções de representatividade, que ocorrem, normalmente, num período de 11 meses por ano" .
Bem, mas ‘aquilo’ são uns trocozinhos com que estão a contar, não é? Se recebem um ordenado 14 vezes, porque é que não podem ter despesas também nesses dois meses ‘fantasmas’?...
É que se assim não for baixam logo o seu estilo de vida, estão a ver? Não é justo.

Mas, ironia aparte, há um número que fica a soar nas nossas cabeças: o rendimento médio de cada açoriano é de 600 euros.
Médio!
Palavras para quê?


Fazedores de medo

O Miguel Vale de Almeida tem um blog chamado «Os Tempos que Correm». Tenho-o ali arrumado na coluna da direita entre «os meus blogs de estimação» porque aprecio bastante o modo como, regra geral, apresenta as coisas. Nem sei bem porque é que quase nunca lá deixo um comentário – parece-me que faço alguma cerimónia, talvez… Sinto-me mais à vontade, mais 'em família', a comentar a meia dúzia que visito todos os dias e também me visitam a mim.
Mas o último post que escreveu, pareceu-me exactamente o eco do que eu sinto sobre um tema fundamental para mim e daquilo que sobre isso tenho reflectido.
Como o Medo pode ser uma arma tão mortífera, tão mortífera, que acaba por ser apoiado e aumentado pelas suas próprias vítimas.

Escreve ele:
[…] É também assim que as “reformas” actuais se impõem: primeiro gera-se o medo do futuro, com previsões catastrofistas matraqueadas todos os dias. Perante o medo as pessoas apenas desejam que não sejam elas as visadas pelas “reformas” e calam-se. Multiplicado por todas as pessoas, esta atitude leva a uma desmoralização generalizada, que redunda numa self-fulfiling prophecy: a ideia de que já ninguém está para isso e de que o mundo é mesmo assim, sem escolhas, sem alternativas, sem sequer se perguntar se é mesmo assim.
Não se reconhecem nesta visão?

E mais
[….]Um “bom” político hoje já não é a criatura vagamente populista que promete coisas boas, mesmo que incumpríveis; é antes a criatura que sabe assustar. Já repararam como o optimismo - ou sequer a promessa de que depois de alguns sacrifícios virá a compensação - desapareceu completamente do discurso político (uma vez mais, a todos os níveis) português?
Como não sei dizer melhor e de um modo mais sucinto, transcrevi apenas um pouco, por vergonha de lhe roubar o post todo.
Mas espero que vão atrás do link e completem lá a leitura daquilo que não copiei.

"Uma mensagem muito firme"

Óptimo.
Tudo está resolvido.
Com que então, Mugabe vai ouvir uma mensagem muito firme da UE?!
Ai, ai, ai!
Vão lá uns observadores, vêem tudo, e depois quando
o presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, cá chegar, "a UE terá que lhe dirigir uma mensagem muito firme e muito clara relativamente à forma como encara o desenvolvimento da situação no seu país".
Perante semelhante e terrível ameaça, é de prever que aquilo agora entre nos eixos.

A discriminação

Veio nos jornais, foi falada na blogosfera. É chocante, mas previsível, dadas as reticências e os tabus que esta terrível doença ainda projecta em muita gente.
História simples que se conta em duas palavras:
Um cozinheiro de um hotel adoeceu com tuberculose. Esteve um ano de baixa e regressou ao trabalho. Foi examinado pelo Médico de Trabalho que ficou a saber que ele era portador de HIV mas que, segundo a opinião do seu médico assistente, não representava qualquer perigo para os colegas e poderia retomar a actividade.
Com base nesse conhecimento confidencial, declarou-o "inapto definitivamente para a profissão de cozinheiro" e, é claro, que os patrões consideraram logo que isso seria um belo motivo de despedimento da empresa.
Passou-se há 7 anos. Com a velocidade habitual da nossa Justiça chega agora a julgamento e os senhores juízes dão razão ao patrão – tinha sido bem despedido, sim senhor.
E isto contra os pareceres de quem sabe: «Existem só três formas de transmissão do VIH: relações sexuais não protegidas, via endovenosa ou via materno-fetal. Se o despedimento é baseado no risco de transmissão de VIH, não há conhecimento científico que o sustente».
Não há conhecimento científico mas há ideias-feitas, não é?
E essas contagiam até os tribunais, e não são transmitidas apenas pelas 3 maneiras por que se propaga o HIV, ‘ideias-feitas’ é vírus perigoso que se propaga por todas as formas e para o qual não há vacina.



segunda-feira, novembro 19, 2007

Começou a chover

Já fazia falta.
Chegou a chuva!
E chegou logo cheia de pressa, como se quisesse compensar o atraso com o excesso. Pelo menos agora, onde estou chove desalmadamente!...
Realmente já se está prevenido das mudanças climáticas – acabaram em definitivo as velhinhas 4 estações, agora temos duas e ainda estamos com sorte por estarem ‘arrumadas’. Seria bem pior se sucedessem dias de muito frio e chuva aos dias de muito calor e de novo muito calor e de novo muito frio e chuva.
Ao menos assim sabemos que virá aí um Inverno muito comprido, até nos fazer suspirar pelo Verão.
Mas, por enquanto, até sabe bem este começo de chuva…
(mas não exagere!...)