segunda-feira, junho 30, 2008

Será o cúmulo da preguiça?

Ou respeito pelas ordens dadas?
Talvez lhe fosse dito para contornar a berma da estrada.
E vem a dúvida: o que está NA berma fará parte da dita?...


A impaciência

Não é lá grande conselheira.
Ando farta de o saber, mas isso não quer dizer que me consiga modificar quanto a esse aspecto. Já sei que o meu feitio é assim: perante qualquer novidade, preparo-me para a enfrentar e, enfim, de um modo geral consigo adaptar-me e agir ao princípio com os cuidados e atenção devidos à dita novidade.
O pior é quando penso que já estou preparada.

Por exemplo, já tenho conduzido em terras onde o trânsito se faz pela esquerda. Muito bem, os carros têm o volante à direita, as mudanças metem-se com a mão esquerda, é uma questão de hábito. E nos primeiros tempos, toda eu sou atenção, e a condução é impecável. Até ao dia onde acredito que já chega de atenção, já interiorizei tudo, e de repente vejo vir na minha direcção um camião gigantesco porque… eu ia na faixa dele!

Ou, começo a fazer uma difícil bricolage. A mão tem de estar muito segura, muito firme, e começo devagarinho com a maior das cautelas. Sai-me bem. Ao fim de meia hora aquilo já está quase pronto, já me sinto segura e farta de cautelas e acelero. Estrago tudo!

Vem isto a propósito, de andar já enjoada com o tempo que demoro a ficar completamente boa. Fui operada há um mês, e nos dias seguintes examinava-me com atenção a ver se sentia dores, se conseguia mexer a articulação, tudo com a maior das cautelas, como se fosse de cristal. Na primeira semana os passos eram devagarinho, mas isso achava natural. Cá está a tal coisa: estava a habituar-me à novidade.
Depois comecei a andar mais, a sair à rua, a fazer a tal fisioterapia. Melhor, mais confiança adquiri. De seguida experimentei subir e descer escadas e até conduzir um carro. Óptimo.
Mas então o que é que falta para isto estar completamente bem?!
Porque raio ainda não posso correr, nem sequer andar mais depressa sem sentir ainda «uma coisa» a travar-me, porque é que o meu organismo me manda esperar se é coisa que detesto?

Sou impaciente.
Ou pelo menos a minha paciência é boa mas com um limite baixinho, é o que é.

Mas porquê?



Há muito pouco tempo, houve para aí uma polémica por um actor, Pedro Lima creio eu, ter sido contratado para director de uma revista - a "Men´s Health".
A explicação que veio era de que não era necessário ser-se jornalista para isso, e a imagem dele atraía leitores (e, se calhar, leitoras!)

Hoje sabemos que a Marisa vai ser a directora do jornal «O Metro».

Fico com a mesma perplexidade. A mesma não, maior!

O Metro é um jornal gratuito.
Precisa de atrair mais leitores? E é por se saber que uma boa fadista é a sua directora que ele vai
vender distribuir-se mais?...
Têm de me explicar como se fosse muito burra, que é tal como me sinto.


Um final feliz

Terminou o Euro 2008.
É um momento de festa de futebol e de alegria em Espanha que não ganhava este título há 40 anos.
Hoje toda a imprensa, desportiva ou não, fala de futebol.

Alguém já disse, e creio que com razão, que estes ‘combates’ desportivos são uma espécie de sublimação de energia bélica. Os homens, que ‘precisam de lutar’, em vez de o fazerem num campo de batalha fazem-no por intermédio de um desporto. Portanto no final de cada jogo sentem que ganharam uma batalha, e como é natural, no final de um campeonato, ganharam uma guerra.

Mesmo que por vezes as reacções possam parecer excessivas, demasiadas, fazem sentido nesta perspectiva.

Agora, durante 4 anos, a Espanha é considerada o país europeu que sabe melhor jogar à bola, e é verdade.
Viu-se ontem – um jogo muito bonito, muito aberto, muito movimentado, onde se lutou muito bem e com alegria.

Ganharam muito bem, de um modo justo.

Um bom final!
Parabéns!

E os 9,8 vieram de onde?

Em eleições onde existe um só candidato, fica-se a pensar como é que não se atinge o pleno de 100% de votos.
???

Ainda terá havido ainda 9 em cada 100 eleitores que se deram ao trabalho de ir colocar um voto em branco?
As notícias não dizem o que faltou para o 100% mas dá-nos curiosidade.

Eu imagino que tivessem sido os próprios homens do regime a anular uns tantos votos para não se chegar a esse pleno quase caricatural.
Será?


domingo, junho 29, 2008

A ilha deserta


Muita gente sonha com isso: uma ilha deserta!
A ideia que nos vem é o máximo do sossego, e tal miragem aparece quando o stress sobe, se anda chateado com o patrão, os vizinhos, até com a família.
Aaaah, desaparecer numa ilha deserta...
Ora pelos vistos, um inglês que andava a dar a volta à Inglaterra por mar, naufragou e … foi dar a uma ilha, tal como nas histórias.
Era uma terra com 10 quilómetros quadrados, o que era bastante para as suas necessidades, e záz!, tomou conta dela onde vive sozinho numa cabana aí há uns 7 anos.
O engraçado, é que esta imaginativa criatura deve gostar de ser falada, de modo que decidiu «declarar a independência por Internet».
Daqui para a frente, aquilo vai ser um território com as suas leis, moeda própria, bandeira própria e selos próprios.
A gente fica a magicar. Se o homem é o único habitante de lá, para que raio quer a moeda? Vai pagar a si próprio o quê??? Quando for ao estrangeiro, à Inglaterra, terá de usar a moeda inglesa. Ainda a bandeira e as outras coisas podem realmente servir-lhe para brincar, mas essa coisa da moeda faz pensar.
Assim já não acho graça. Uma ilha deserta, para mim é mesmo deserta! A cabana pode ficar, mas Internet?!
Ná! Ele está a fazer uma batota descarada.

PS - Ainda por cima a ideia que nos sorri nessa tal 'ilha deserta' é que ela é sempre imaginada em climas bem quentes (há sempre uma palmeira...) mas no norte da Escócia? Brrrrr... que frio!


E isso é bom?!


Cavaco disse ao Papa que em Timor os bispos mandam mais que políticos

Foi dito como um ponto positivo?...

Talvez assim se explique o estado daquela terra.



Uma música ao Domingo



Cartoon e Direitos Humanos

O X PortoCartoon, este ano sob o tema «Direitos Humanos» recebeu a participação de cartoonistas de 70 países com cerca de 2000 desenhos de mais de 500 artistas.


«Os desenhos patentes pretendem, através do humor, alertar para a contínua violação dos Direitos Humanos, em pleno séc. XXI e no ano em que se assinala o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos»

– disse o Director do Museu Nacional da Imprensa onde decorreu a exposição.

O Primeiro Prémio foi para Augusto Cid com "A Chama Olímpica".



«Uma boa visão é fundamental»

Desta vez esta 'publicidade' é actual (nem sempre ao Domingo me dá para voltar ao passado)
E quem é que pode negar que uma boa visão seja fundamental, heim...?



Se houver pedidos suficientes talvez consiga descobrir também uma boa visão cá para as meninas...


sábado, junho 28, 2008

Calor...

Chegou o Verão.
Em pleno! Este fim-de-semana anuncia-se, desde as primeiras horas de hoje, como bem quente! Dá-me a ideia que os meus vizinhos em peso, pelo que vejo da janela, de deslocam como um batalhão ao ataque das praias.
Também me apeteceria, mas o calor está tanto que, para já, o que mais me sorria era isto:

(imagem tirada daqui)

A questão dos exames

Está complicado.
Parece que se estão a estremar posições e tenho algumas dúvidas se com isto se defende o ensino.
Esta história dos exames fáceis ou difíceis, com boas ou más classificações, com provas verdadeiras ou ‘falseadas’ por demasiado generosas, e a acusação de que o Ministério da Educação está a pretender desesperadamente provar que o ensino subiu de qualidade uma vez que os examinandos passam nos exames, é uma história complicada. Quem vai ouvindo isto e aquilo, fica com a sensação amarga de que andamos a passear nos bastidores da ‘politiquice partidária’ e não se olha a sério para uma avaliação do ensino.

A escola faz-se para ensinar. Os professores ensinam, os alunos aprendem, e no final do ano lectivo avalia-se o estado dos conhecimentos.
Pode ser uma avaliação continuada, mais justa, ou um exame pontual como sempre se tem feito. Mas uma avaliação terá de existir sob pena de não se vir a conhecer o que de facto foi aprendido.

Nesta guerra professores-ministério, parece ter-se entrado numa fase estranha. Há quem pretenda que a avaliação final dos alunos está a ser demasiado tolerante, para se achar razões para concluir que a qualidade do ensino melhorou muito.

Será assim?

É certo que se conta a história de que a directora da DREN teria dado instruções para
excluir da correcção das provas «aqueles professores que têm repetidamente classificações muito distantes da média», aceitado aqui que a distância seja por cima, ou ‘traduzindo’ = professores mais exigentes.
Claro que toda a gente concordará que os “alunos têm direito a ter sucesso” como lá se diz e “honra o trabalho do professor o sucesso dos alunos”. Mas… sucesso é igual a saber, ou igual a passar?
Que os critérios devam ser uniformes, isso parece plenamente justo. E, se calhar, só respeitando ao máximo essas normas pode haver igualdade de critérios.
Por outro lado, não é exigindo exames difíceis que se promove o bom ensino, quando muito filtra-se melhor quem é digno de ser elite.
Creio que o foco da questão está voluntariamente deslocado para o modo de avaliação e não para aquilo que foi ensinado.
Um erro de pontaria, quanto a mim.




Receita para não recear a lei

Pronto.

O «ovo do Colombo»!

Primeiro
, usa-se o poder de que se dispõe, tal como o domínio dos ‘media’ para se ganhar as eleições, usando todos os meios.


Segundo
, depois delas estarem ganhas
arranja-se um projecto-lei sobre a imunidade penal das quatro figuras de Estado com mais poder – grupo em que se inclui , é claro.

Terceiro
, podemos ficar descansados que já ninguém nos apanha!


Voilá!

E viva a imunidade!

Parece «em casa de ferreiro...»



Parece mas não é.
Uma coisa é a instituição «Tribunal» que, dentro do «Três poderes», se integra no chamado Poder Judiciário, outra coisa é a vigilância policial que é tutelada pelo Ministério da Administração Interna, que se integra no Poder Executivo.

Mas como os Tribunais são para administrar Justiça, a gente associa logo ao policiamento. Aliás os arguidos vão acompanhados de polícia. A polícia existe nas instalações dos tribunais.
Então como é possível que
os tribunais se queixem tanto de insegurança nas suas instalações, ao ponto de se admitir levar à suspensão de julgamentos?
O tribunal de Santa Maria da Feira decidiu ontem suspender os julgamentos por falta de condições de segurança, mas o problema não é só lá.
Gaia, Vila Real, também tiveram episódios desagradáveis por falta de segurança, e possivelmente a coisa pode passar-se por vários outros Tribunais a funcionar em locais mais ou menos ‘improvisados’.
Por outro lado até que ponto numa altura em que a classe dos magistrados anda às turras com o «outro poder» queixando-se de perca de direitos adquiridos, este não é um pretexto para chamar a atenção para si…?

Huuummm....

Nunca nos deviam contar estas coisas…

Isto é uma chatice, eu perco-me com números muito altos.
E quanto aos euros, para além de um certo número de zeros, tenho de voltar a trocá-los por escudos…

Portanto, quando li que
em caso de vitória os 23 jogadores da Alemanha irão receber um prémio individual de 250 mil euros tive de voltar a respirar e traduzir:«cinquenta mil contos».
Mas, mesmo em caso de não ganharem a taça, ainda levam como prémio de consolação 150 mil euros cada um. (= trinta mil contos!)
Os espanhóis também têm a sua recompensa, em caso de vitória cada jogador vai receber 214 mil euros (é porque se calhar pensaram que em Espanha o custo de vida é um pouco mais barato)
Mas que coisa!
Devia ser proibido contar estas histórias. Vou olhar para o ecrã e ver os cifrões a correr.
Que gaita.


sexta-feira, junho 27, 2008

Roda, roda aos 5 cantinhos...

!?!?!?!?!?!?!?

O homem escreve?!

A minha alma está parva!
Aquele senhor de Gondomar, que só sabe falar aos berros, e anda a ser julgado por 27 crimes, diz que quando o caso acabar, vai escrever um livro!
Deve ter com que se ocupar na pacatez da cela, e há muitos exemplos, sobretudo na América, parece que é onde é aí que se escreve melhor. Há muuuito tempo.
Mas nunca imaginei que ele conseguisse alinhavar duas frases com jeito.

Ah, é claro, há quem lhe faça isso.
Afinal a Carolina também tem aí um best-seller…
Pois.


A cortiça e o CO2

É certo que o estudo foi encomendado por uma parte interessada mas só vem dizer coisas que são verdades!
Viva a rolha de cortiça! Abaixo as tampinhas de plástico ou de alumínio.
Uma tampinha de plástico emite 10 vezes mais CO2 que uma rolha de cortiça, e se essa tampinha for de alumínio, as emissões chegam a ser 26 vezes superior.
E, inversamente, cada rolha de cortiça retém 6,4g de CO2, carbono que foi incorporado através do processo de fotossíntese.
E, além disso, a cortiça também pode
ser reciclada
Só vantagens, porque também além disso é bem mais bonita...


(co2 é o tal dióxido de carbono,
responsável pelo efeito estufa
Cuidado, não se pode brincar com isso.
)


Horário concentrado?!

A última moda quanto a horários de trabalho chama-se "horário concentrado".
Pode trabalhar-se durante 36 horas em 3 dias consecutivos, o que dá 12 horas cada dia, se for bem distribuído
Mas nem isso está garantido, porque pode até ser ‘mal distribuído’, nada obsta parece-me.
Com esta pirueta da tal «flexibilização horária» no novo Código do Trabalho, deixa de haver necessidade de horas extraordinárias, ou de trabalho extra.

Não, não são as horas que são extraordinárias, os horários todos é que passam a ser extraordinários!



Isso não se diz

…só se pensa.



«Um dos principais assessores de McCain disse que um novo atentado terrorista poderia ser vantajoso para a campanha do senador republicano».

É claro que o medo, e neste caso o terrorismo, ajudou bastante Bush.
Muitas das medidas tomadas foram-no devido ao estado de choque em que o país tinha ficado.
Seria espantoso que tal de novo acontecesse, mesmo que o sr. McCain o desejasse secretamente.
Secretamente.
Agora vem este senhor, ingenuamente, confessá-lo reconhecê-lo.
Shiu!

quinta-feira, junho 26, 2008

Directo ao ponto

Aqui está um anúncio oportuno.
Quem não queria este carrinho...?

As crianças e a TV - II

Ora bem, vou continuar a pensar um pouco nesta coisa dos malefícios e benefícios da tv e já agora vamos falar de bons e maus exemplos.
Disse ontem, à laia de provocação, que o televisor é um electrodoméstico. Claro que tem as suas diferenças do fogão, microondas, máquina de lavar, mas para mim considero que só nos fazia bem se o usássemos como qualquer destes. Acendemos o fogão quando queremos cozinhar ou liga-se a máquina se há roupa para lavar. Depois apaga-se/desliga-se. Também se devia ligar o televisor quando há alguma coisa de interesse para se ver. Acabado isso, voltamos a interessar-nos por todo o mundo à nossa volta.

Mas sabe-se que assim não é. Esse aparelho ocupa hoje o lugar ancestral da lareira, é em seu redor que nos sentamos, é em função dele que se dispõem os sofás, é a peça fundamental de uma casa. Quando acaba um programa que nos interessa, não se desliga, começa-se a fase do zaping, procurando desesperadamente algo que nos entretenha e maldizendo a nossa sorte quando não se encontra nada de jeito!
Aquele monstro é de facto um eficiente bloqueador de conversas e, se está ligado quando há visitas, chega-se ao cúmulo de se estar a olhar para lá em vez de conversar com os nossos amigos!
Este é o modelo. Dos adultos.
Agora transponham isto para a cabecinha em desenvolvimento de uma criança. Esse biberon electrónico, não implica o menor esforço, basta olhar e tudo vem até nós. Ora exactamente por isso não há a menor interacção, não há partilha, não existe «o outro». O movimento faz-se num sentido só, do ecrã para o observador.

Mas a infância é quando se aprende a viver em sociedade. Onde se descobre que há outros seres semelhantes a nós, com vontades, com quereres, com desejos, que podemos amar ou detestar, que nos podem ajudar ou prejudicar, e é com eles que vamos de ter de viver a nossa vida. E isso vai encontra-se no contacto directo com os outros, com os nossos pares.

Quando ontem critiquei a tv-babysitter foi, para além do mais, porque ela não pega ao colo, não cheira a nada, não é quente, não é macia, não dá beijinhos, não grita nem fala meiguinho. É uma máquina, e uma criança pequenina não precisa de máquinas, precisa de um adulto que sinta que cuida dela. Claro que ‘aceita’ a versão máquina se não tiver nada de melhor. E, mais grave ainda, até se pode habituar a ela. Mas fica lá uma lacuna, faltou o calor humano.

Depois, na criança já não tão pequena, vai faltar o convívio. É certo que durante o dia, na escola, esteve com meninos como ele. Mas aquilo foi na escola. Foi muito importante, tiveram recreios para brincadeiras colectivas, e aulas para trocarem experiências de conhecimentos. Mas debaixo do olho da educadora, não é? Quando é que se pode fazer asneiras por sua conta e risco? Quando se podem contar segredos aos amigos? Quando se pode imaginar uma brincadeira onde toda a nossa fantasia possa ser usada?
Essa partilha, é a semente da socialização. Descobrir que o outro é do nosso clube de futebol [ou não, e afinal até é um tipo giro], ir com a amiga para o quarto ver quem é que salta mais alto em cima do colchão, brincar «aos médicos» onde se contacta com o corpo do outro ao vivo, apanhar o amigo a fazer batota no jogo que jogamos e darmos-lhe um pontapé que até vê estrelas, mas é para saber! Porque brincar é afinal ensaiar a vida que se está a começar a viver e para isso vai ter de se fazer muitas tentativas e erros.
Ora a criança, ajuizadamente sentada frente ao ecrã, não beneficia de coisa nenhuma destas. A vida aparece-lhe embrulhada em papel celofane. Ela vê, mas não toca. Podem dizer que é muito estimulada, que aprende muito. Se calhar até é estimulada demais! Vai ter de apanhar muitos estímulos visuais e auditivos ao mesmo tempo, e depois irá impacientar-se se na sua vida quotidiana o ritmo não for esse.

Bem, e aqui já nem falo na publicidade de que a tv está cheia e que eles aprendem tão bem, dirigida certeiramente a crianças, estimulando o consumo de determinados alimentos e fazendo-os cobiçar os mais sofisticados brinquedos. Mais do que um erro, isso é quase um crime.

Cautelas óbvias

Quase todos os dias recebo emails a prevenir-me para não abrir outros emails perigosos.
Ora eu até sou inexperiente aqui nos caminhos da net e também penso que sou um tanto ingénua nalgumas coisas.

Mas apenas nalgumas coisas!

É evidente que o meu bom senso me aconselha a não abrir levianamente seja que email for que vier de um desconhecido, ou se o fizer usar de grandes cautelas. E sobretudo não abrir qualquer programa que vier em anexo.
Bom senso.

Por isso fico admirada quando ainda é necessário avisar
em relação a emails da Costa do Marfim onde decerto poucos de nós conhecerão lá gente, e sobretudo quem é que será tão inocente que se ponha a vender ou fazer negócios com pessoas que estando lá tão longe, peçam o envio prévio de uma «taxa bancária» para poderem transferir o dinheiro do pagamento.
Parece que existem.
Mas custa a acreditar que sejam tantos que se torne necessário emitir um aviso de propósito.


E agora vem os táxis

Esperava-se o quê?
Um aumento
entre os cinco e os 5,5 por cento”
... já daqui a pouco.


E o que vem já a seguir, é…?

quarta-feira, junho 25, 2008

Entrevista

Uma explicação

O formato que tenho usado aqui para o Pópulo não dá muito jeito para textos um pouco maiores. O que gosto é de escrever 2, 3, quando muito 4 parágrafos, abordando as coisas de um modo conciso. Sempre assim o fiz e é como penso que os posts aqui encaixam melhor.
É certo que já escrevi, pontualmente, um ou outro texto mais extenso mas com a sensação que estava a ‘transbordar’ do blog : )

Decidi-me a escrever agora algumas opiniões que tenho sobre educação e, mesmo repartindo o tema em muitos aspectos porque as facetas são imensas, o certo é que não vou conseguir ser tão sucinta como desejava.
Peço portanto que tenham paciência se começarem a sair daqui uns lençóis Vem hoje o primeiro e os outros irão surgindo conforme me sinta com tempo e vontade.

As crianças e a TV - I

Chamei ontem aqui a atenção para um estudo importante: dizia-se que 60% das Crianças e Jovens em Portugal, entre os 8 e os 18 anos, tem televisão no seu quarto, e como não estava contabilizado o número antes dos 8 anos, decerto que o valor total é bem maior. E naquela notícia citava-se o caso de um bebé que desde que nasceu que foi «embalado» pelas imagens e sons do tal pequeno ecrã.
Ora bem, a tv é um instrumento, afinal um electrodoméstico! Em si mesma, ela é neutra, nem boa nem má, não faz sentido hostilizar-se dramaticamente esse aparelho. Disse ontem que um pai sensato não deixa uma faca no cesto dos brinquedos do filho, mas não queria dizer que ele não lhe devia ensinar o modo correcto de a usar. Ensinar o seu uso é bom, deixá-lo usar como brinquedo é mau.

Há uns anos, tinha estado a falar com alguns pais sobre o comportamento dos filhos e dei alguns conselhos; na semana seguinte voltei ao mesmo local e encontrei uma das mães no corredor, que mal me cumprimentou se pôs a andar. Estranhei, perguntei-lhe se não ficava e respondeu logo «Não, porque hoje vai falar sobre a tv; a semana passada deu-me a volta à cabeça, e hoje não a quero ouvir. Vai dizer que não ponha a minha filha à frente da tv eu assim não consigo passar a roupa a ferro!» Claro que me ri, disse-lhe que então fosse andando mas, já agora, pensasse se a mãe dela e a avó não passavam a roupa a ferro?…

Quero deixar claro que não sou ‘anti-tv’. Nem podia, não é?
A pedra de toque quanto ao bom-senso que é bom existir sempre, está em exactamente não usar a tv como babysitter. Voltamos à analogia da faca. Mesmo uma criança pequena pode aprender a segurar uma faca pelo cabo, virar a lâmina como deve ser, afastar os dedos da zona de corte, e cortar uma fatia de pão. O adulto ao seu lado ajuda, aconselha, ensina. Ela não deve cortar nada antes de dominar a técnica, portanto é bom que o adulto esteja perto.
O que passa na tv também. Estar sentado ao lado de uma criança, assistir àquilo que ela está a ver, partilhar essa experiência, falarem sobre o assunto, ouvir a opinião dela, explicar o que for necessário, ver se tudo foi bem entendido, pode ser excelente. Através da tv, e o caso da Rua Sésamo foi um bom exemplo disto, uma criança pode aprender muito. Histórias sobre a vida animal que de outro modo não se podia saber, a graça de uma história de fadas em desenho animado, ou uma história da vida real, uma peça musical, viagens a sítios bonitos ou estranhos, tudo se pode ver na tv. E é bom, é enriquecedor.
Só que, para que seja de facto educativo e pedagógico, teve de ter existido anteriormente esse trabalho de acompanhar o visionamento dos programas, ou seja, exactamente o oposto da tv-babysitter! Nesta proposta, muito pelo contrário, vai obrigar-se o adulto a gastar muito do seu tempo a acompanhar o filho e a ensiná-lo a interpretar o que vê.
Se não tem tempo para isso, então santa paciência, será melhor esconder o comando! Qualquer criança tem de ser capaz de brincar e se entreter com a sua imaginação e os seus brinquedos. Muito vazia será a sua fantasia se assim não o for - e aliás hoje até se constroem brinquedos onde nem é preciso «fazer de conta», está lá tudo em miniatura, em cores lindas e não tóxicas, sem ângulos que possam magoar.
Ora a questão da tv no quarto, se bem que não veja nada contra em si mesmo, contraria esta primeira e importante regra. Ou o adulto vai para o quarto dela verem juntos os programas (mas não se adianta muito) ou então ela fica entregue a si mesma absorvendo tudo o que sai daquele ecrã sem o menor sentido crítico. Evidentemente que é importante algum bom-senso. O menino de 8, 9, 10 anos já sabe cortar o pão sem a mãe ao lado. Também terá capacidade para ver a tv desde que de vez em quando um dos pais dê uma olhadela para aquilo que se está a desenrolar. São normas. Pode dar algum trabalho aos pais, mas quem é que disse que educar um filho não dá trabalho?

o grande absurdo
(a imagem ficou pequena, têm de clicar para ver a graça)

Nas nuvens


Passa agora aí um novo (creio eu que é novo) anúncio, onde nós começamos por atravessar nuvens e nuvens, enquanto alguém nos vai lembrando que bom que é, não haver filas, nem engarrafamentos, nem esperas, temos a liberdade total. Que bom, que bom!
Basta para isso viajar pela TAP!
Claro que também é certo que os bilhetes na TAP estão mais caros desde a meia-noite desta terça-feira.
Enfim, a crise dos combustíveis chega a todos.


E, por curiosidade, quanto custa um anunciozito daqueles...?


Quer vir ao colo?


Ora bem, Vale de Azevedo declarou:
«Pelo meu pé não vou para Portugal»
Claro.

O caminho é comprido que eu sei lá, tem o mar ao meio, quilómetros e quilómetros.
Era cá uma maratona!
Só um grande atleta viria a pé.


O conselho é vir de avião.




De manhã é boa hora para acordar

Não sei.
Não sou professora.

Nunca soube muita matemática.

Até pode ser que as críticas que tenho lida sejam completamente injustas, e não fosse este ano que o exame fosse demasiado fácil, e sim nos outros anos demasiado difícil.

Contudo
mesmo que a senhora ministra «não tenha qualquer intervenção no processo de elaboração dos exames», o que acredito o certo é que tudo o que se passa no seu ministério, o bom e o mau, é da sua competência.

Também deveria acordar de manhã.


terça-feira, junho 24, 2008

Pois é!

Será este o felino da Maia???
Huummm...


O céu tecto é o limite

O fantástico é que se fosse contado à frente destes pais uma história sobre outros pais que pensassem colocar no cesto dos brinquedos dos filhos uma faca afiada, um frasco com veneno, ou os deixassem brincar numa varanda sem parapeito, eles ficariam completamente horrorizados.
Aquilo provocaria danos físicos, visíveis, mensuráveis de imediato.
Mas acham engraçado, instalar no tecto por cima do berço do filho um ecrã de plasma!

"Quando acorda e começa a choramingar, nós ligamos a televisão e ele fica entretido. E não precisamos de nos levantar da cama".

Não digo agora mais nada.

Os comentários seguem na próxima edição.

Birra entre grandes

O tema da próxima cimeira do G8 é a questão das emissões de gás com efeito de estufa.
É coisa muito séria. Não é uma questão interna de um ou dois países, é a sobrevivência da humanidade.

Mas implica também questões económicas. E não se pode mexer aí!
Pelos vistos avizinha-se um impasse porque
os Estados Unidos, o Japão, a China e a Índia andam a brincar ao braço-de-ferro. Os Estados Unidos só aceitam cortes nas emissões se a China e a Índia também o fizeram e estes não o querem fazer.
Estas sim, são mesmo armas de destruição massiva.
E não estão apontadas para um país, mas para todo o Mundo.

E depois ficamos neste regateio, como se fosse uma coisa menor?
Por acaso aqueles senhores são donos do mundo?



O leão

A notícia anda há uns dias aqui pelos jornais: grande susto, porque anda por aí um leão à solta.
Ai, ai, ai…

Mas a história, que tinha uns contornos estranhos, - como é isso de aparecer assim, sem mais nem menos um leão por aí?! – começa a desmanchar-se.
Exactamente ao contrário da velha gracinha da descrição de um animal com pata de leão, juba de leão, corpo de leão, pelo de leão, e uma peninha na cabeça que ninguém adivinha o que é até se confessar que ‘a peninha é para disfarçar’, neste caso, o bicho misterioso está «cheio de peninhas»! Aqui o disfarce é, ao contrário, o ter apetite de leão.
(??!)
Contudo alguma coisa se passa de estranho lá pela Maia, bem ampliado pela imaginação e receio da população.
A sugestão que agora nos aparece de que o animal
seja um cão vadio ou um javali também é um tanto estranha. Aparecem árvores com marcas de arranhões de garras. Desaparecem muitos cães vadios. Há fardos de palha desfeitos. Isso será obra de um cão? E que ele afugentou (ou comeu?!) os outros cães? Hum…
Misterioso. Muito misterioso…
Mas quase posso jurar que Alvalade não tem culpa nenhuma.



segunda-feira, junho 23, 2008

Somos todos homenzinhos verdes



Afinal era isso.
Eu achava que andavam por aí umas pessoas um tanto esquisitóides. Mas afinal somos todos.
Viemos de meteorito, foi o que foi.




Vamos comparar

Já se sabe que, se por um lado se diz que ‘números são números’, quando se quer afirmar qualquer coisa como «contra factos não há argumentos», também é verdade que os números em si dizem pouco se não forem interpretados, e nessa interpretação pode existir a manipulação que se quiser fazer.
Digo isto porque até num site do Ministério das Finanças, vem um "Estudo Comparado de Regimes de Emprego Público de países europeus" onde se confirma que, contra a opinião muito martelada pelos governos, e aceite sem grande contestação por muita gente, Portugal não é um país que tenha mais funcionários públicos do que a média de 10 países europeus. Sobretudo países dados como exemplo em muitas coisas Suécia, Irlanda, Finlândia, França, estão acima de nós nesse campo, o resto iguala-nos, e apenas Alemanha e Espanha têm percentagens mais baixas.
Quer isto dizer que quem anda a fazer mal o trabalho de casa, é o governo. Os vários, que esta questão é velhíssima. O que lhes competia fazer era a tal reforma da administração pública a sério, e ‘arrumar a casa’. Distribuir convenientemente as pessoas, estudar onde eventualmente possam estar a mais e colocá-las onde estão a fazer falta.
Mas esse trabalho continua por fazer.
É mais fácil simplesmente cortar, ou passar para o privado a responsabilidade que não se quer aceitar e manter a confusão.

Pst, oh Deus, olhe aqui!

No Zimbabwé, o líder da oposição, do Movimento para a Mudança Democrática, retirou-se da segunda volta das eleições presidenciais.
Declara que «não pode pedir aos eleitores que o apoiam que “arrisquem a sua vida” ao votarem».
Ele lá sabe.

França, Inglaterra, EUA, censuram a actuação de Mugabe (que acredita que "só Deus o tira do seu lugar" !!!) e apelam ao fim da violência
, mas se, de facto a oposição se retirar e não concorrer às eleições deixa de ser necessária a violência
Afinal sem oposição até é bem agradável proceder-se a umas «eleições», há logo a certeza do resultado, não é?

Fácil.

Aliás tem-se feito uma boa ‘limpeza’: desde a primeira volta eleitoral, mais de 60 dirigentes da oposição foram mortos por esquadrões da morte, por outro lado a ajuda alimentar só era fornecida a quem apresentasse o cartão do partido de Mugabe, e milhares de possíveis eleitores da oposição foram expulsos das suas casas.
Se de facto não existir oposição a concorrer, nem eleitores que possam votar, nem é preciso mais violência – a limpeza está feita e o resultado garantido. Mas que bom!


Os maus pagadores

Vem agora à luz uma coisa que já se sabia há muito tempo:
As Clínicas privadas discriminam beneficiários da ADSE
Aliás quando se marca consulta, perguntam de imediato qual o sistema que se tem, o que é estranho, porque isso só seria importante no momento da regulação da conta. Para marcar a consulta não se vê a necessidade de saber se é particular ou tem sub-sistema de saúde… É um doente, ponto parágrafo.

Depois existe a ideia, bem divulgada, que a ADSE é um bónus, como quem diz ‘para além do salário tem direito ainda a esse seguro’, quando não é nada disso. A contribuição para a ADSE é obrigatória e descontada logo do salário, é um seguro compulsivo.
Claro que quem quiser pode depois fazer um outro seguro, privado, e ficar com dois, mas se juntasse aquilo que paga para a ADSE com o valor do segundo seguro este poderia ser bem melhor.
E depois vêm estas situações.
Como o Estado é mau pagador e os fornecedores de serviços demoram bastante a receber o que lhes é devido, quem se prejudica é
o mexilhão é o tal ‘beneficiário’ que não vê benefício nenhum.

Assim vai o nosso país.




domingo, junho 22, 2008

Publicidade dos anos 30

Mais um exemplo de uma imagem publicitária de outra época.
Não é bonito?



Abraços



Num anúncio de alguns canais da cabo, vê-se uma mulher que pede a um amigo «não me podias abraçar por um dia ou dois?» e segue-se um grande e profundo abraço.
É uma bela imagem.

O abraço é a comunicação mais profunda, mais terna, mais autêntica. Quando abraçamos encostamo-nos completamente ao outro, entregamo-nos. Podemos imaginar que abraçar é encostar os nossos corações.

O beijo é afectuoso, é bom, uma prova de ternura, de meiguice, não tenho nada contra, pelo contrário! Mas é mais ‘construído’. Ensina-se uma criança a dar um beijinho, mas não se ensina a agarra-se a nós, a pendurar-se ao nosso pescoço, a abraçar-nos. É instintivo.

Gostei que aquela imagem na tv me ajudasse a relembrar como é bom, como é reconfortante um abraço.

Relembro pessoas que gostaria de abraçar e já não posso, e decido abraçar mais aquelas de quem gosto.

O meu filho, a primeira ‘vitima’, arregalou os olhos «o que te deu?!» mas sorriu consolado.
Acredito que com um abraço profundo os corações começam a bater ao mesmo ritmo.


O sorriso

Estou fartinha do Congresso do PSD. Sempre achei enjoativo que os congressos partidários fossem noticiados como costumam ser. Pelo menos «os grandes», é claro.
A verdade é que quem está profundamente interessado (os respectivos militantes) tem decerto canais próprios para a sua informação, e quanto ao restante público deveria chegar um resumo com os principais factos. Para o resto sempre há tempos de antena…
E desta vez só não gramei com mais PSD porque os botões do meu comando de TV ajudam a que nem tenha de me levantar. (Bela invenção, essa!)
Mas uma coisa fixei:
Para meu espanto, conseguiram mostrar um sorriso na face sistematicamente sombria e dura da Dra. Manuela. Coisa nunca vista!

Bons conselheiros de imagem deve ter tido, só não sei se já virá a tempo.



Uma música ao Domingo





Le cœur bien au chaud
Les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant
Avec l'ami Jojo
Et avec l'ami Pierre
On allait boire nos vingt ans
Jojo se prenait pour Voltaire
Et Pierre pour Casanova
Et moi, moi qui étais le plus fier
Moi, moi je me prenais pour moi
Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...


Le cœur bien au chaud
Les yeux dans la bière
Chez la grosse Adrienne de Montalant
Avec l'ami Jojo
Et avec l'ami Pierre
On allait brûler nos vingt ans
Voltaire dansait comme un vicaire
Et Casanova n'osait pas
Et moi, moi qui restait le plus fier
Moi j'étais presque aussi saoul que moi
Et quand vers minuit passaient les notaires
Qui sortaient de l'hôtel des "Trois Faisans"
On leur montrait notre cul et nos bonnes manières
En leur chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...

Le cœur au repos
Les yeux bien sur terre
Au bar de l'hôtel des "Trois Faisans"
Avec maître Jojo
Et avec maître Pierre
Entre notaires on passe le temps
Jojo parle de Voltaire
Et Pierre de Casanova
Et moi, moi qui suis resté le plus fier
Moi, moi je parle encore de moi
Et c'est en sortant vers minuit Monsieur le Commissaire
Que tous les soirs de chez la Montalant
De jeunes "peigne-culs" nous montrent leur derrière
En nous chantant

Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient bête
Les bourgeois c'est comme les cochons
Plus ça devient vieux plus ça devient c...


Não é uma metáfora

…mas até parece!

O Sr. Joe Berardo é uma pessoa que parece querer imitar o Gulbenkian e deixar o seu nome associado à cultura.
É um propósito elegante.

Pelo menos começa por ter bastante dinheiro, o que ajuda a esse propósito.
Depois deveria ter bons conselheiros para essa função, e aí já às vezes a porca torce o rabo!
A última é que decidiu fazer um «jardim chinês». Enfim, porque não…
Mas para o fazer escolheu uma zona no Bombarral onde existiam uns sobreiros e como eles estavam a atrapalhar o conjunto (não há sobreiros na China…?) não houve cá hesitações
e lá se derrubam as árvores que estavam a empatar
Ah, o sobreiro é uma árvore protegida? E depois?
Se há multa, paga-se a multa para tudo ficar legal, pronto! Se há dinheiro é para isso.
E no local das árvores, seres vivos e, até no caso desta árvore, produtivos ‘plantam-se’ estátuas de pedra.

Acredito que venha a ficar muito bonito.
Mas não o podiam fazer noutro sítio?
Quando digo que até parece uma metáfora é que a cortiça é levezinha e a pedra muito pesada.
Um caso onde a força da pedra venceu.
A força bruta?
A força do dinheiro?



*Atenção, como complemento, vão ler o primeiro comentário que aqui entrou; vale a pena!

sábado, junho 21, 2008

Olá Verão!



Esta coisa do Verão

Hoje é o dia maior do ano.
Maior, enfim é força de expressão, ele tem as tais 24 horas aí não se mexe, mas temos muito mais luz do Sol.

Aliás o Sol veio em força, como lhe competia. Somos uns queixinhas, agora andamos a achar que há sol a mais…!
Eu gosto muito de luz (não tanto assim de excesso de calor, é claro…) e até um dos poucos senões que vejo em viver num país nórdico, é sobretudo a existência de tantos meses sombrios. Portanto gosto destes dias, e vamos aproveitar o de hoje com esta luz toda que daqui para a frente ela começa a minguar…
Bom, mas o que queria contar é que é curioso como se reduz o Verão à imagem de praia e de férias. Ponto.
Quando andei a procurar uma imagem que simbolizasse o Verão, fui encontrando dezenas e dezenas de fotos de praia, mar, guarda-sol, ondas, surf, ilhas exóticas, todo o manancial de umas férias de luxo, e tive dificuldade em encontrar uma imagem calma de Verão.

Porque o Verão são 3 meses.
E não podem ser 3 meses de férias, portanto é bem mais do que isso…
Era essa imagem de calor, da Natureza em paz, de força telúrica, do apogeu que em certa medida o Verão é para mim que eu buscava.
Creio que afinal a encontrei na imagem que deixo no post aqui em cima.
(e aqui fica por pirraça outra que NÃO é de praia!)



Obrigada Méri!

A quem não entende porque gosto desta coisa da blogosfera, venho contar mais uma história:
Há muito tempo comecei a receber comentários de uma pessoa que assinava Méri.
O comentário vinha só com o nome, porque ela ainda não tinha blog. Eu apreciava o que ela me dizia, era alguém com pontos de vista parecidos com os meus, e como gracinha até tínhamos em comum acordar cedo, e ela era das primeiras pessoas a comentar aqui, de manhãzinha : )
Um dia, nem me lembro já porquê, trocámos uns emails e ficamos a conhecermo-nos melhor. Tempos depois, ela que tinha sido obrigada a estar parada por motivos de saúde, dedicou-se a trabalhos de agulha, e criou um blog chamado exactamente
Agulhas onde partilha connosco as suas habilidades.
E o nome já aparece nos meus comentários a azul!

Aí o ano passado, gostei muito de uma bolsa de senhora que ela mostrou lá no blog e fizemos um negócio. Comprei (quase que simbolicamente) essa peça. Aqui estou eu com ela! Mais se estreitaram as nossas relações.

Mas a «cereja do bolo» foi agora. Andei um tanto diminuída com isto da porcaria do menisco partido. Chateada, neura, e partilhei com vocês essa fase.
A Méri, para além de uns emails carinhosos, disse que me mandaria uma prendazinha.

Chegou ontem à minha porta, trazida pelo correio:
Um porta-chaves, bordado por ela, com a «minha imagem de Emiéle».
Maior ternura não pode haver.

E não hei-de gostar da blogosfera?!


Efeito dominó


Robin dos bosques?

O primeiro ministro declara em Bruxelas que vai propor uma Taxa Robin dos Bosques: a ideia base é subir os impostos às petrolíferas e aplicar a verba obtida em apoio social.
Parece que a Itália já «aprovou a aplicação do imposto especial sobre as petrolíferas para financiar programas de assistência social a famílias afectadas pelo aumento dos preços dos combustíveis e dos bens alimentares».

Creio porém que José Sócrates terá de se apressar, porque a escalada das subidas não pára:

Um exemplo:
Os preços dos transportes públicos vão aumentar a 1 de Julho e este é o segundo aumento deste ano. Como atenuante, não aumentam os passes sociais – que já aumentaram em Janeiro, como sabemos – mas, para quem não tenha passe, o aumento é quase de 6%. …….
E já agora podemos saber o que entende por «apoio social»?
Dado o que se tem visto nos últimos anos cuidei que desconhecia o conceito.


Humor


Falar de humor a sério? Não há pachorra, não é? Vamos ver o que consigo fazer.
Quase toda a gente considera que tem sentido de humor. O que é, é que ele é diferente de pessoa para pessoa… Há a graça mais básica, elementar, que se compreende no momento mas a que nem toda a gente adere; há outra mais requintada, elaborada, que mete trocadilhos ou conhecimentos especiais; há a piada-disparate, tipo non sense, que pode cobrir horizontalmente várias camadas sociais; há a graça tão rebuscada que deixa dúvidas sobre o seu sentido; há… eu sei lá, milhentas variedades e formas de humor.
Apesar de se dizer que é uma forma de inteligência, e eu também concordo que um bom humorista é por definição um tipo inteligente, não é pacífico inferir o oposto: lá por não se ter sentido de humor não quer dizer que se seja menos inteligente. Tem outra forma de inteligência, mais nada!
Eu tenho a sorte de ter vivido sempre rodeada de pessoas com muito humor. Já a minha mãe tinha um espírito de humor tão subtil que muita gente se interrogava se ela estava a falar a sério ou não, coisinha que a deixava deliciada, é claro! Portanto desde pequenina que fui criada entre risos e muita ironia, e prefiro para meus amigos pessoas com sentido de humor. Aliás se forem ver, na lista dos blogs que tenho ali como preferidos, a grande parte são de bloggers com bastante graça, mesmo quando às vezes falam de coisas sérias. Diziam os romanos que sabiam destas coisas que "ridendo castigat mores", não é?
Mas uma coisa que me deixa sempre desconcertada, é quando tenho de explicar uma piada. Não apenas a graça em si se volatiliza, como nos sentimos um tanto ridículos. Claro que isso acontece, até já aconteceu aqui no Pópulo – eu dizer algo como ironia e alguém vir corrigir-me explicando muito sério que estou enganada, não é nada aquilo. Oh, céus!!!
Desta vez o raio caiu num blog que eu só descobri há pouco tempo, mas logo da primeira vez que lá fui achei tão interessante um post que o coloquei no «quadro de honra» ali na coluna do lado, no Vale a Pena Ler. Chama-se Sacrifícios e ainda continua ali ao lado.
Visito este blog de vez em quando, e continuo a encontrar alguns posts que me agradam muito. Um deles chama-se ‘rebuscadamente’
C3H5(NO3)3 (para não dizer nitroglicerina que tinha menos piada) e conta-nos das peripécias da sua filha em plena idade de birra, e da tolerância que ele e a mãe vão tendo para conseguir paz em casa.
O escrito, pleno de humor, reúne todas as possibilidades de birra, e o modo como de manhã à noite estes pais as vão resolvendo, ou seja… cedendo à criança que noutros posts já mostrou não ser sempre a pestinha que aqui aparece. Eu achei muita graça, e uma espécie de inventário das diversas formas de ‘chantagem’ que encontramos na bagagem de uma pirralha destas.
Ora, espanto dos espantos, não apenas alguns leitores do blog levaram a história (apesar do título!) a sério e desataram a dar conselhos sobre a forma de educar, como até uma colega blogger, pessoa que anda há muito por aqui e tenho por atilada, dedicou um post seu a censurar o despautério deste pai. Onde é que já se viu vir ‘gabar-se’ das birras da sua filha?!
Pronto.
Cá temos a tal situação de se ter de explicar a anedota. Valha-me Deus!

sexta-feira, junho 20, 2008

Volta a casa II

Bem, este post é uma «sequela» do que escrevi ontem. Posso, não é? Não são só os filmes de êxito que fazem continuações – e muitas vezes piores que os originais…
Mas, ainda dentro do tema de muitas Lisboas, dentro da mesma Lisboa, e que Lisboa não são só prédios altos e cimento, estava ontem à tarde à conversa com quem veio ver o jogo cá a casa (cof… cof… não falemos disso, chega de coisas tristes) debruçada na minha janela das traseiras. E eu refilava contra a floresta de antenas de TV que se notam nos telhados, reclamando que actualmente com a TV por cabo mais de 90% daqueles horrores poderiam desaparecer! É que me roubavam o bocadinho de vista que tenho para o rio. Estava aborrecida. Se eu mandasse obrigava a tirar aquilo tudo, já enferrujadas muitas delas!
Depois alguém disse «pois, mas já viste a sorte de ainda veres uma nesguinha de rio!» e eu, queixosa, que era só uma nesguinha, e era nas traseiras, o que eu gostava é que fosse a vista da sala. Pois… :) (e um fatinho à marinheira..?)

A seguir comentávamos que sorte eu tenho, porque o ‘miolo’ do meu quarteirão ainda está cheiinho de quintais que por sua vez têm montes de árvores.
Aqui de cima vê-se uma mancha verde, polvilhada de bolinhas cor de laranja – são as ditas. Limoeiros, também os há e cheiram bem, mas os limões não se vêem tão bem.

Depois, neste verde toda devem existir montes de ninhos porque de manhã é uma chilreada enorme.
Muito bonito.

Mas porque raio tenho eu uma casa às avessas?!
Devia habitar nas traseiras e passar a cozinha para a zona da frente onde só vejo prédios e esvoaçam os malditos pombos.
Tá mal!

Mas… que bem que estou na minha casa. Mesmo sem o elevador!!!!

Um pequeno passo

É das doenças mais assustadoras que existem.
Para os casos graves não se consegue a cura, e reza-se para que, a existir, seja detectado o mais precocemente possível o que permite assim conseguir as situações de ‘sucesso’ médico.
Tão grave e assustadora é a doença, que não sendo a primeira causa de morte, nenhum de nós pode dizer que não perdeu um familiar ou um amigo por culpa dela e, nalguns casos, parece uma praga, olhamos à nossa volta e vemos dois, três, quatro amigos que de repente já cá não estão sempre por culpa dessa doença fatal.
O medo que se sente é tanto que se tornou socialmente aceite não dizer o seu nome, como que a esconjurar
(o-que-não-tem-nome-não-existe, percebem…?) Dizem: «faleceu de doença prolongada», mesmo quando ela não foi nada prolongada!
Encontrar-se a sua cura, é um desejo que se tornou uma banalidade. As ‘misses’ nas entrevistas para provarem que além de bonitas são inteligentes, dizem muitas vezes quando lhes perguntam que sonhos têm que desejam «a paz mundial e a curo do cancro»

Bem, um passo foi dado.

Informaram-nos que desta vez
um caso de melanoma mortal foi tratado por células imunitárias com sucesso .
Não foi já uma situação de ‘prevenção’, ou de uma cirurgia quando ele estava ainda muito no começo. Não. Era alguém que iria morrer em breve. E a verdade é que «os médicos colheram o seu sangue, extraíram daí certas células do sistema imunitário, multiplicaram-nas no laboratório e injectaram-lhas de volta. Dois meses mais tarde, as metástases tinham totalmente desaparecido»

Aconteceu. Era um melanoma.
Passaram 3 anos e a pessoa continua de saúde.

Não dará para embandeirar em arco, mas é um passo, um passo muito importante que nos pode fazer acreditar que se vai conseguir a cura do cancro.

Gastar com a saúde

Dizem que as despesas dos portugueses com a saúde representam a percentagem mais elevada entre os 27 países da União Europeia.
Eu sei que a expressão é essa, «gastar com a saúde», mas a verdade é que a gente gasta é com a doença.
Falar em ‘gastar com a saúde’ é simpático, e creio que a expressão existe por existir um Ministério da Saúde, ou Centros de Saúde. Mas nos casos do Ministério, ou dos Centros, a referência a Saúde está correcta, porque o que se pretende é deixar as pessoas de boa saúde e até, se possível, nem as deixar adoecer! Se tudo fosse como deve ser, uma pessoa deveria frequentar um Centro de Saúde regularmente para confirmar que tudo estava em ordem e não deixar que se adoecesse… Como se faz (quem o faz!) com o dentista. Prevenir.
E, paralelamente, numa família as despesas com a saúde deveriam referir-se àquilo que se gastasse com um melhor estilo de vida: melhor alimentação, bom exercício físico, prevenir situações de stress, viver num local sem poluição. Não era?
Isso é que deviam ser as «despesas com a saúde».

Porque o que nós temos são despesas com a doença.
E aí o nosso recorde é triste: Os portugueses são os que reservam a percentagem mais elevada do seu orçamento para as despesas com saúde
Seremos mais doentes do que os outros todos?
Não, o que temos é uma pior resposta e portanto mesmo que nos empenhemos, temos de encontrar a resposta nas nossas carteiras.


saúde