quarta-feira, setembro 30, 2009

A palavra à Mafaldinha

A Mafaldinha fez ontem anos (45?!?! incrível como o tempo passa) portanto hoje são só bonecos, não preciso dizer nada:

(claro, não se esqueçam de clicar em cima para poderem ler)

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terça-feira, setembro 29, 2009

No rescaldo

Bem, como tem acontecido muitas vezes cada vez mais, a maior vitória foi do P.A. «Partido da Abstenção».
E, como sempre, os demais partidos, todos à uma, trataram de menosprezar essa vitória. Que não senhor, o P.A. não ganhou, foi um mal-entendido, afinal as listas não estão actualizadas, por outro lado entraram muitos eleitores novos que nem sabiam que podiam votar, esteve bom tempo (se estivesse mau também servia...) os eleitores distraíram-se - a lista é grande.
OK, tudo isso é certo mas, a verdade pura e dura, é que houve eleições e a abstenção foi enorme. E vem aumentando. Nas legislativas de 75 a abstenção foi de pouco mais de 8%, alguém se lembra?...
Contudo alguma coisa tem de ser melhorada se queremos motivar eleitores. Soube ontem uma historieta verdadeira, passada com a minha «fada-do-lar»:
Desta vez ela queria votar.
Portanto, arranjou-se e dirigiu-se à Escola onde sempre o tinha feito. Ao chegar lá, perguntou ao sujeito que estava à porta orientando os ‘votantes’ mais despassarados, onde era a sua mesa de voto. Ele olhou para o cartão de eleitor e atira-lhe acusador e sobranceiro: «A senhora não votou nas europeias!!» Ela ficou estarrecida. Lá gaguejou que não, assustada e imaginando que haveria uma multa ou coisa assim... «Pois», respondeu o sujeito, «assim é que a gente as apanha!» Aflita, acaba por perceber que o seu local de voto tinha mudado, e já assim tinha sido nas eleições de Junho! O tipo mal encarado, lá se resolveu a informa-la onde era agora a sua mesa: num certo Clube Recreativo que ela não conhecia. «Não conhece?! Mas afinal vive aqui no Bairro?...» insiste, continuando o seu inquérito desagradável.

Bom, nervosa, viu-se livre dele, e lá procurou o outro local que achou com dificuldade. Era numa rua que, de facto ela não conhecia. Conta-me que ao chegar esteve quase a fugir, porque a dita «Sociedade» ficava num prédio assinalado com vários bêbados à porta (deviam estar a recrear-se) e, para chegar às salas de voto, precisava de subir por uma escada suja, velha e íngreme, feito bem difícil até para ela habituada a tarefas de esforço ...
Quando finalmente descobriu a sala correspondente ao seu número de eleitor, diz que a 'frase de recepção' de uma senhora, elemento da mesa, foi:
«A senhora não tem medo?»
Ela arregalou os olhos
«Medo???»
«Vem para aqui assim?! Com esse fio de ouro? É que neste bairro pode ser assaltada
Disse-me que teve a coragem de responder:
«Está enganada. Se calhar não conhece o meu bairro. Até já me assaltaram o carro, mas num bairro bem mais chic!»
São os chamados «espanta-eleitor»!

segunda-feira, setembro 28, 2009

... daqui a 15 dias há mais!

Le roi A campanha é mort acabou vive le roi! mas já aí vem outra!
Nem nos dá lá muito tempo para respirar.
Bem, isto começou com muita emoção, mas a verdade é que quanto ao final, essa coisa das sondagens veio tirar grande parte do suspence que são o sal e o açúcar das eleições. Quando já se «sabe» quem vai ganhar a coisa perde um tanto a emoção...
E desta vez as sondagens não erraram lá muito, só na abstenção.
Como sempre na noite das eleições ouvimos todas as forças contentes.
O PS contente porque ganhou, e ganhar é ganhar.
No PSD ouvi a Mª José Nogueira Pinto, contente, afirmar «Se isto foi uma derrota, não sei o que será uma vitória» (sic) não entendi muito bem qual era o raciocínio dela mas a frase foi essa.
O Bloco de Esquerda, contente porque subiu muito a votação e duplicou o número de deputados assim como a representação por distritos.
O CDS content(íssimo) porque teve a sua maior votação de sempre.
O PC contente porque também aumentou o número de eleitores no seu partido.
.......
Se eles estão todos felizes, mas que belas eleições.

domingo, setembro 27, 2009

Uma brincadeira

Isto não é exactamente um teste, mas...
Já ouviram falar na

Podem experimentar.


Escuso de avisar que só irá confirmar aquilo que já sabem...
E, também devem imaginar que o meu resultado foi este:



Que novidade!

Uma música ao Domingo

Já aqui publiquei esta canção que mesmo que tenha sessenta e tal anos ainda me deixa arrepiada.
Quem me tem acompanhado pode lembrar-se de que já por aqui passou, mas foi a que me apeteceu deixar hoje.






(nota, o vídeo foi substituído porque a Maria me chamou a atenção e mandou o vídeo certo; aquele que aqui deixei sem o ouvir não era cantado pelo Montand o que nesta caso faz muita diferença)

sábado, setembro 26, 2009

Boas Notícias

Vinha, muito discreta, na segunda página do Expresso no cantinho inferior direito.
Não consegui encontrar link.
Portanto vou transcrevê-la na íntegra com um sublinhado meu:

Os resultados são os melhores possíveis: foi testada uma vacina capaz de reduzir em 31,2 % o risco de infecção pelo vírus da SIDA. A proeza é da autoria de investigadores norte-americanos e tailandeses e foi revelada ontem ao mundo. A vacina - uma mistura de duas fórmulas antigas e ineficazes - tem sido testada desde Outubro de 2003 em mais de 16.000 voluntários em duas províncias da Tailândia.

O professor universitário de infecciologia, Meliço Silvestre, disse ao Expresso que "a ser certo é uma vitória para a humanidade em relação ao HIV". Antigo coordenador da Comissão Nacional da Luta contra a Sida explica que o Mundo pode estar de facto "perante uma coisa fantástica", pois "não há possibilidade nenhuma de controlar a SIDA com medicamentos"


Se esta não é uma Boa Notícia, :) então já não sei o que seja isso.
Bom Dia a todos!!!!

Boa iniciativa


Apesar do sábado de ser «o dia das boas notícias» esta não o é exactamente, (mas encontrei uma excelente que vem já a seguir) e até pode parecer publicidade do meu lado.
Mas vem numa enorme onda de saudosismo e tenho de a referir.
O Expresso está a editar uma colecção Clássicos da Humanidade que vou coleccionar custe o que custar.
Alguns desses livros tenho-os há dezenas e dezenas de anos, quando surgiram primeira vez. Tenho até ainda a Eneida com um autógrafo de João de Barros para mim! :)
Fazem parte da minha infância. Dos aspectos dourados da minha infância.
Mas infelizmente a grande maioria dos outros volumes fui-os perdendo.
É uma excelente ocasião para voltar a fazer a colecção. As grandes obras clássicas, «traduzidas» numa linguagem simples mas fazendo lembrar o estilo original, é uma ideia fantástica.
Aconselho a aproveitarem.




(estes são os velhinhos, claro; podem clicar na imagem para verem em grande)

sexta-feira, setembro 25, 2009

Sms e fardos de palha

Paulo Portas mandou um recado a 2.000 militantes (?) simpatizantes (?), enfim pessoas-de-quem-tinha-o-telemóvel: «Ajude-nos a ficar à frente do BE, do PCP. Nacionalizações, aumento de impostos e ataque às poupanças dão cabo da economia. Assim não se gera confiança nem emprego. O CDS tem de ser a terceira força!».
No final pedia para eles o reenviarem a mais 20 pessoas.
É a chamada campanha em pirâmide por telemóvel. Nada contra. Mas dá para imaginar se, de facto, este meio de publicidade resultará.
Eu não faço a menor ideia. Calculo que se recebesse uma mensagem desse tipo de qualquer dos partidos candidatos primeiro ficaria de boca aberta e depois não me ia fazer alterar um milímetro a minha intenção de voto.
Minto – acho que começava a embirrar com ele!
O meu telemóvel é meu, uso-o para aquilo que eu quiser e detesto quando é usado para publicidade, seja ela do que for. Se não sei de onde vem a mensagem até muitas vezes a apago sem chegar a ler. É certo que outros partidos também nos metem 'cartas' na caixa do correio, mas não é a mesma coisa. Afinal estamos habituados à publicidade nas caixas de correio, esta é que ainda não. Resultará? Define-se assim como um 'partido moderno' que em vez de carta manda sms?
Mas esta campanha tem batido tudo em histórias extraordinárias.
Houve a história da compra de votos numa eleição interna do PSD.
Houve a história das «escutas» ao Presidente, notícia que esteve de molho uns meses até ser atirada para a arena em período pré-eleitoral mas que afinal demonstrou ser um boomerang, atingiu quem a arremessou.
E temos ainda a famosa história do roubo dos fardos de palha

Ups!!!
Só mesmo em período eleitoral é que este fait-divers seria notícia, mas é impossível não ter vontade de rir ao saber que um candidato autárquico do CDS é 1) apanhado a roubar palha e ainda por cima 2) a outro candidato (a notícia não nos diz de que partido...)
O CDS bem afirma que agora «os criminosos têm mais direitos do que os polícias» O senhor devia estar a testar a teoria.




quinta-feira, setembro 24, 2009

Mudanças

A personalidade de cada um de nós é, como sabemos, única e felizmente diferente.
Não direi que somos todos tão diferentes como as nossas impressões digitais, mas decerto que somos (felizmente) :) bem diferentes uns dos outros.
Por exemplo, há quem deteste mudanças e quem as adore. Tenho uma prima que não consegue estar muito tempo em casa, só se sente feliz a viajar ou pelo menos na rua, e uma amiga que nem entende como é que eu goste de viajar, para ela é um sacrifício e nunca se afasta muito de casa… Eu sei que estes exemplos reais são extremos, mas são verdadeiros ! Há pessoas para quem a mudança as perturba porque é o desconhecido e ficam inseguras e, no oposto, quem fique sufocado quando o mundo à sua volta parece parado.

Mas o certo é que nem sempre se pode mudar de facto. Não estou a pensar em atitudes, é claro, essas podemos mudar mas em mudanças ‘materiais’. Muitos de nós, de vez em quando, ficamos fartos da nossa casa mas mudar de casa é difícil. Então, pegamos nos móveis e damos-lhes outra disposição! Ena! Afinal a sala parece maior, fica com mais luz, mais confortável, parece “outra”. Mudámos.
Já contei várias vezes aqui que o prédio em que vivo está a ser pintado. O senhorio decidiu pintá-lo de outra cor e agora quando chego à minha rua e olho para lá parece que mudei de casa e para uma mais nova. Viva!!!
Neste momento de campanha eleitoral, a tecla da mudança é batida por quase todos os concorrentes (embora nalguns casos se bata antes na tecla da estabilidade ) e claro com ideia de que se vai mudar para melhor…
Só que, cá dentro de mim, sinto bastante que a oscilação entre os grandes ‘do centro’ é como aqui no meu prédio: muda a pintura mas por baixo fica igual. O penta-partidarismo, como o Rui Tavares falou ontem na sua coluna do Público que existe na Alemanha e afinal não é muito diferente do nosso, ainda faz confusão a muita gente. Estaremos realmente condenados a esta fatalidade de um movimento pendular?
Não conseguiremos uma mudança maior do que a cor da pintura?

quarta-feira, setembro 23, 2009

Absolutismo



Nos últimos tempos os nossos ouvidos não podem mais com a palavra «absoluta».

Quando foram as últimas eleições o PS fez uma grande campanha jogando uma carta forte com o facto de muita gente por um lado estar farta dos dois últimos governos PSD (Santana Lopes e Durão Barroso) e por outro o segundo governo Guterres ter falhado, para passar a mensagem de que seria necessário uma maioria absoluta para governar.

Ora nós já tínhamos provado disso. Cavaco Silva tinha estado 4 anos em Belém com uma maioria absoluta. Para quem esteja um tanto esquecido os anos de 85 a 95 – o X, XI, e XII governos constitucionais – foram governos PSD e o último com essa desejada maioria. E antes disso, em 83, tivemos o Bloco Central, PSD mais PS, e ainda em 81 governaram PSD e CDS, isto para falar de coligações.
É que há muita gente que se gaba de ter boa memória mas afinal parece que há umas falhas.
Porque o «absoluto» de um partido só, rima com poder absoluto, e isso nunca foi saudável.*
É certo que, como lembrei, tem havido também coligações e por aí já há espaço para negociações, e as coisas podem ser um tanto diferentes apesar de, nesse caso, o que corre mal acaba sempre por «ser culpa do outro»... É ver, por exemplo, actualmente as palavras bonitas do Paulo Portas, como uma luz a atrair borboletas, pois se alguma vez ele fosse governo tudo seria um céu aberto, esquecendo convenientemente que o CDS já fez parte dos II, VI, VII, VIII, XV e XVI Governos constitucionais!
O certo é que se agita imenso o fantasma de que sem esse tal poder absoluto não se pode governar. É o TUDO ou NADA.
É lamentável. Parece querer dizer que quem ganhar as eleições é incapaz de negociar com a oposição as medidas que for tomando, e a oposição por seu lado também avisa já que não irá aceitar as propostas que lhe sejam feitas.
Com este modo de pensar realmente não se vai longe.
Se os nossos dirigentes são desta massa há motivo para ver as coisas feias, mas quero acreditar que isto são apenas palavras que se usam neste triste período em que vale tudo.
Desejo ardentemente ver-me já na semana que vem!

(*há o velho conceito que se o Poder corrompe, o Poder Absoluto corrompe absolutamente; se não é verdade até parece)

terça-feira, setembro 22, 2009

Os malditos 4 algarismos!

Costuma-se dizer na que primeira todos caem, na segunda...
Bem, na segunda ainda podem cair os desprevenidos, mas espero que na terceira só mesmo os palermas.
...........
Há uns tempos contei aqui uma história (não consigo agora encontra-la para fazer o link) de um roubo descarado através das mensagens de telemóvel. A vítima em questão tinha um sistema de assinatura, portanto só pagava no final do mês, e quando veio a conta, descobriu que devia à tmn trezentos e muitos euros. Como as contas costumavam ser pequeníssimas porque até usava pouco o telemóvel, ficou estarrecido. Depois de muitas perguntas lá entendeu que tinha sido uma estranha mensagem à qual tinha respondido algo inóquo do tipo «quem é que fala?» que tinha activado o serviço sem o saber. A partir daí, tinham-lhe mandado à socapa centenas de sms de valor acrescentado, e no final do mês lá tinha aquela brutalidade de conta a pagar.
Esse meu post recebeu muitos comentários solidários, e fiquei a saber que havia por aí muitas vítimas inocentes tal como na história que contei.
Bem, no tal caso, decidiu-se alterar o sistema e aderir ao sistema de pré-pagamento, o cartão recarregável. E a coisa ficava controlada porque só se poderia levantar o dinheiro que existia no cartão.
Ora bem, afinal o raio pode cair duas vezes no mesmo lugar!
Como eu disse, era uma pessoa que não falava muito, e ainda por cima aderiu a um sistema onde não pagava sms, só chamadas. Mas, para nunca ficar desprevenido, de vez em quando lá deixava uns 15 € no carregamento do cartão sem, porém, confirmar os seus gastos porque sabia serem poucos.
Ora ontem recebe os detalhes do movimento e qual não é a sua surpresa quando verifica que de novo tinha umas 15 mensagens de valor acrescentado, de 2 € cada uma!!! Era um número 3456 – interessante !– que ele NUNCA tinha marcado nem pedido nada.
Volta de novo à tmn, e explicam-lhe que aquele é um número de download de toques. Ele tem a certeza de que nunca pediu aquilo, mas teve de enviar a mensagem «STOP» para desactivar, e a partir de agora é que fica seguro.
Mas... seguro quanto a este número. Ele pensa que deve fazer parte de um mailling de totós! Como da primeira vez tiveram aquele grande sucesso, agora é só passarem palavra. Para já pediu que barrassem todas as mensagens que viessem de números com 4 algarismos, mas já depois ainda encontrou uma outra ‘misteriosa’ com 5 algarismos (69697) que se apressou a responder ‘stop’.
Está agora a pensar em mudar de número de telemóvel.
Que praga!

Bem-vindo

Chega o Outono.
E que lindo dia esteve ontem...

(cliquem para ver em grande)


segunda-feira, setembro 21, 2009

Sondagens

Eu sei que é uma ciência. Ou pelo menos não será uma arte… A técnica das sondagens implica um bom domínio da matemática e creio que da sociologia. Uma ciência.
Mas o certo é que a meteorologia também o é, há muitos anos, creio que há muitíssimos mais do que aqueles em que se praticam as sondagens, e contudo o ser humano comum, se aceita levar guarda-chuva quando a previsão é de aguaceiros, não fica admirado se faz um sol radioso e limita-se a encolher os ombros. Lá falharam eles, resmunga no momento e não volta a pensar no assunto.
Mas as sondagens, como ainda se trata de brinquedo novo, emocionam mais. Mesmo que elas ainda sejam, segundo a definição dos ‘esmiuçadores’ aquela «actividade híbrida entre a contabilidade e a astrologia». Mesmo quem afirma que não leva a sério vai-se servindo disso para os seus argumentos.
Mas afinal, quando comparei com a meteorologia foi para benefício desta última. Não só é falível também como, apesar de tudo, os senhores que prevêem o tempo lidam com umas categorias físicas - pressões atmosféricas, temperatura, humidade - mensuráveis e rigorosas. Os senhores que prevêem o voto lidam com pessoas e palavras.
Sabemos como o espírito humano é enganador. Até para si próprio! Um inquérito feito por uma pessoa estranha é normal que receba todo o tipo de respostas, desde a verdadeira, à verdadeira-naquela-momento, à que se diz para-dizer-qualquer-coisa, à que se diz para imaginariamente agradar, à que se diz para contrariar… Claro que sabemos isso. E é certo que os especialistas, por precaução, fazem aqueles intervalos grandes, pelo sim, pelo não.
Mesmo com os ditos intervalos, lembremo-nos que nas últimas eleições estas previsões falharam claramente, os resultados estavam em franco desacordo com as sondagens.
Mas não serve de emenda.

E, contudo, a mesma sondagem pode ter efeitos opostos conforme a personalidade de cada um. Eu já assisti a três atitudes: 1) ah, o X está à frente? Então escuso de lá ir, já está garantido 2) oh, o X está à frente? Então vou votar nele, gosto de vencedores e ainda posso ter vantagens. 3) ai, o X vai à frente? Tenho mesmo de votar no Y, que o X não pode ganhar!

Ou seja, as influências podem ser tão mais variáveis como do que os ventos da atmosfera. E, como disserem no tal programa: «Credibilidade? Isto é uma sondagem


domingo, setembro 20, 2009

Uma música ao Domingo



Hoje é só música, sem palavras.



sábado, setembro 19, 2009

Alguém roubou o segredo

Mesmo aumentando a imagem, não se consegue saber...
Oh, que pena.
Ao menos que aproveite a quem o levou.



PS - Este sábado não preenchi o «Boas Notícias». Andei demasiado ocupada para as procurar, e sem busca não me caiu os olhos em cima de nenhuma. Portanto ficou apenas o humor, o que já não é mau...

sexta-feira, setembro 18, 2009

Outra «gate», esqueletos no armário ou lixo para debaixo do tapete

O PSD e os seus amigos acham que o timming é suspeito, estranham este escândalo ter aparecido agora no período de campanha eleitoral. E assim pode ser, mas temos de reconhecer que quando os escândalos atingiram o PS, o seu rival também aguardou o momento mais delicado para bater com força.
São políticas partidárias. E a verdade é que este caso, revelado pela
«Sábado», é delicado.
Trata-se apenas votos partidários, é certo. Podemos dizer que «fica tudo em casa», que são questões internas, que cada partido pode escolher as linhas com que se cose. Mas temos de reconhecer que é muito mais do que isso, que a própria dirigente do Partido condena "esse tipo de práticas" que diz "desconhecer". É certo que pode ser uma atitude de cautela, e só lhe fica bem, mas o facto de os dirigentes não terem repudiado de imediato tudo isto e até nem ameaçarem a revista com um processo de difamação dá a entender que pode haver mesmo fogo atrás deste fumo.
Parece ser evidente agora que a teimosia de MFL em defender António Preto anda a dar mau resultado, dizem que nas ovelhas esta cor tem má fama.

A denúncia afirma que se angariam novos militantes, recrutados entre trabalhadores aflitos, com a promessa de que assim terão os seus contratos renovados, e até um dinheirinho de carteira, de 25 a 30 euros. Depois, no meio desta confusão de se meter os pés pelas mãos, algumas das pessoas acusadas de conhecer esta técnica, tão depressa dizem que já ouviram falar nisto há muitos anos (ai é????) como depois afirmam que uma das pessoas em causa não o faria porque «nem sequer tinha capacidade financeira para o fazer».
Ou seja, era mais uma questão financeira do que ética...
A verdade é que a comunicação social de bastante audiência se apossou do caso. Não se pode tapar os ouvidos e fechar os olhos. Quer a imprensa quer a tv andam a dar cobertura a esta história, tenha ela ou não já anos.
E, sinceramente, o que me impressiona aqui é que nestes casos a 'onda de choque' não vai abanar só o partido que está, por causa disto, debaixo destes holofotes. O mais certo é haver muita gente que dirá «a política é assim» ou «eles são todos os mesmos» ou seja a longo termo a classe política vai sofrer de novo.
Merecidamente?...
Mas a democracia parlamentar ainda é o regime mais correcto, não merece estes enxovalhos.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Útil para quem?

A semana passada uma grande amiga minha foi operada.
Operação delicada, à coluna, que felizmente correu bem mas deu para preocupar a família e os amigos. Eu acompanhei-a o mais que me foi possível, e estava no quarto do hospital quando a levaram para dar a anestesia, aí pelas 7 da noite. A operação ia durar cerca de duas horas pelo que, fazendo umas contas de cabeça, deviam ser perto das dez da noite quando devia estar a dar entrada no recobro. E era aí que ia ficar o resto da noite, em observação.

No dia seguinte contou-me que depois de instalada na cama tentou relaxar-se e dormir mas não o conseguia porque do outro lado da cortina que rodeava a cama ia grande galhofa, com pessoas a conversar alto, a contar piadas e rindo de gargalhada. Bem, é verdade que um clima de boa disposição é agradável e simpático num hospital para afastar ideias tristes, mas conversar alto junto da cama de uma recém operada não é recomendável. A minha amiga, que é pessoa educada, diz que ainda hesitou um pouco mas decidiu-se e pediu: «Desculpem, não se importam de falar mais baixo?». Com surpresa ouviu uma das vozes responder-lhe «Mas ainda é muito cedo!». Ficou estupefacta, e só lhe ocorreu responder «'Cedo' para quê»?!» Numa sala de recobro não deve haver horas para se baixar a voz, calcula-se.

É que há expressões que deviam ser repensadas.

Estou a lembrar-me do «voto útil».

Já o pratiquei, e mais de uma vez. Não é voto a favor de nada, é voto contra qualquer coisa. É o temor de que entre dois males um seja maior do que outro e portanto... mal-por-mal-antes-este-que-é-menos-mau. Não é um voto de convicção, é de medo.
Como disse, não atiro nenhuma pedra porque os meus telhados são de cristal fininho, confesso que já usei essa coisa do voto útil diversas vezes e fiquei muito aliviada quando verifiquei que com isso exorcizei o que temia mais.
Mas também já aconteceu (várias vezes até) que, afinal, a maioria pensava de um modo diferente de mim e quem ganhou foram “os tais” que eu temia. Nunca foi bom, é claro. Quase sempre se confirmou que havia razões para esses receios e, no movimento pendular que são os ciclos eleitorais, da próxima a oposição estava reforçada até ganhou com maior diferença.

E cá resistimos.
É por isso que estou cansada desse tal voto útil.

Para quem é útil?
Para o partido que o recebe, sem saber reconhecer que afinal aquilo é um engano? Para quem votou? Para o povo em geral?

Não. Claro que entendo as razões de quem mais uma vez vai votar útil, mas eu não.


Desta vez não.


quarta-feira, setembro 16, 2009

Rapidez de caracol




Estou a ver que este tema dá pano para mangas tema para muitos posts, e reparo que já rabujei, aqui e também aqui sobre o facto de algumas satisfações desta vida terem de vir temperadas com arrelias.
Então, vamos a factos:
(O que vou contar deve ter uma explicação, e se calhar muito simples, mas eu não a atinjo.)
Como já entenderam se deram uma olhadela aos links, trata-se ainda e de novo das obras do meu prédio. Começaram em início de Julho, e fiquei logo receosa que aquilo durasse muito tempo. Contudo, como não eram obras de grande engenharia, tratava-se apenas de lhe lavar a cara, ainda tive a esperança de que fosse coisa rápida e no final do mês estivesse tudo pronto. Afinal outros prédios da minha rua também foram pintados e a coisa não durou mais de um mês.
Mas não senhor, isto aqui como se costuma dizer não é para «se fazer» é para «se ir fazendo». Primeiro foi o aparato de montar os andaimes nas traseiras. Uma trabalheira, nem se imagina.
Depois, com os andaimes em pé, lá foram dar uma voltinha ao telhado, a ver as vistas. Andaram lá dois homens, para trás e para a frente mais de 15 dias. Quando se fartaram de passear pelo telhado foram então às traseiras - revestir de um isolamento e pintá-la. OK.
Entretanto eu fui para férias. Casa toda fechada, fechadíssima, para não entrarem nem ladrões nem pó.

Volto em início de Setembro, e está tudo na mesma. Não exactamente na mesma porque as traseiras já não têm andaimes. Desmancharam-nos. BOA!
Falta agora montá-los à frente.
Cá vêm os dois operários, a pôr esta coisa em pé.
Andam há mais de 15 dias num grande afã mas os andaimes ainda nem chegam ao primeiro andar. Bem, o afã não é grande, grande, para quem não é entendido vejo-os mais vezes parados a conversar do que de chave inglesa na mão, mas talvez estejam a analisar a maneira mais correcta de fixar os ferros. Já alguém me explicou, convictamente, que no Natal devemos ter o prédio pintado. Que o Menino Jesus o oiça.
Mas aquilo que me tem feito espécie são umas contas que me parecem fáceis, mas eu entendo pouco de finanças: para estas enormes obras estão destacados dois operários (pelo menos são sempre os mesmos dois que eu vejo) e alguém explicou que o senhorio não quer gastar muito. Mas quando eu andava na 3ª classe, se me dissessem para resolver o problema: «pagar a dois operários cinco meses de salário é mais ou menos do que pagar a dez operários um mês de salário?» eu diria à professora que o resultado era o mesmo.
Mas não. Pagar a 10 operários durante um mês deve ser muito mais caro. Só pode ser.
E isto vai andando a passo de caracol cansado.

E eu entaipada em casa!!!

terça-feira, setembro 15, 2009

«O Palácio Encantado da Ventura»



Foi graças ao aviso do amigo
José Palmeiro, (alentejano mas açoriano por afinidade) que não o deixei passar.
A verdade é que, apesar de a rtp2 ser o canal de tv que vejo com mais frequência, mesmo assim não estou atenta a tudo o que por lá passa e acontece arrepender-me ter deixado escapar uma ou outra emissão que era importante ver. Não foi o que aconteceu este Domingo, depois das 10:30. Como estava prevenida, pude assistir ao filme «ANTHERO - O PALÁCIO DA VENTURA»

Um filme português. Um filme açoriano.
Isto no melhor dos sentidos. Dos Açores nos têm vindo grandes pensadores, escritores, actores, artistas plásticos, poetas, cantores, e até realizadores como se prova com este filme.
Reflectir sobre o que foi Antero de Quental, o seu pensamento, a sua vida, a sua obra, a sua morte, era uma grande empresa. A que José de Medeiros e uma bela equipa deitou mãos. Com sucesso inquestionável!
A fórmula encontrada foi inteligente: não vimos um «filme histórico-biográfico», nem foi uma fantasia, descobrimos um filme-dentro-do-filme, mostraram-nos como se constrói um filme os seus alicerces, os seus bastidores.
Vamos, durante hora e meia, acompanhando uma equipe de tv desde a análise do tema, a discussão de como se vai processar a filmagem, a escolha dos momentos e dos actores, a questão financeira, :) e vamos apreciando simultâneamente o ‘resultado’ das escolhas que vão sendo feitas. Antero aparece-nos através dos depoimentos dos seus amigos e conhecidos, recolhidos por alguém que lhe quer escrever a biografia, e também por aquilo que vai revelando de si mesmo pelos seus textos e poemas.
Antero, já o sabemos é uma personalidade riquíssima, com facetas que como notou António Sérgio no prefácio aos Sonetos, que vão do ‘luminoso’ ao ‘nocturno’ (hoje, talvez se lhe chamasse bipolar...) e isso perpassa em todo o filme. Paixões, verdadeiras paixões e não apenas no sentido amoroso, marcaram-lhe toda a vida. O homem que dá 7 minutos a Deus, durante uma tempestade, para que o fulminasse, mas que também escreve «Na mão de Deus, na sua mão direita / Descansou afinal meu coração»
....
E o filme de José de Medeiros consegue dar-nos essa riqueza, essa personalidade fascinante e dividida. Muito bem apoiada a realização por um grupo de actores que se sentia estarem ali de alma e coração, viverem os seus papeis intensamente - para além da sorte (?) do actor-Antero ser, fisicamente, igual à imagem do poeta!
Parabéns cinema.
Parabéns Açores.


PS - «Mas, excelentíssimo senhor, será possível viver sem ideias? – esta é que é a grande questão» (Antero na 'Questão Coimbrã')... e tão actual!


segunda-feira, setembro 14, 2009

Exemplo a seguir

Se há coisa que nós produzamos em abundância, é lixo.
Lixo, daquele mesmo «material», não estou a pensar noutros lixos que também se produz muito (e quando se aproximam momentos eleitorais então é um fartote...) desta vez refiro-me àquele que se deve deitar no caixote ou no contentor e muita gente atira também para o meio da rua.
É um desgosto olhar para as nossas ruas, sobretudo alguns bairros ou algumas zonas. Lembro-me de que uma vez fiz aqui um inventário das coisas que encontrei espalhadas no chão, no espaço de um quarteirão, em redor da minha casa e a variedade e abundância era enorme, daria para encher vários caixotes!... E mesmo quem, civicamente, o deita em caixotes ou ecopontos depois de separado, produz muito lixo. Sei-o bem por mim!
Ora este fim-de-semana li uma reportagem onde se explicava que na Dinamarca aproveitam o lixo para o transformar em energia
Dizem que são queimadas por hora 35 toneladas de lixo, obtendo assim energia «que permite abastecer 80 mil casas».
Fico a pensar que bom seria uma estação dessas aqui em Lisboa.
Só vantagens se pensarmos na imagem da pescadinha de rabo na boca – a cidade muito mais limpa, e talvez com essa fonte de energia se pudessem usar aqueles belos aspiradores de rua que já tenho visto por aí mas em número muuuuito reduzido.

E depois, acredito que numa terra limpinha já os munícipes passariam a ter alguma vergonha de a sujar.

(Um pormenor interessante desta reportagem é o que nos conta que os «monitores que controlam os processos de incineração, reciclagem e lavagem dos resíduos ficam sentados nas suas cadeiras, durante oito horas seguidas» o que parece uma violência - será mesmo assim? – mas depois têm ao lado uma uma cadeira de massagens; "Como passam tanto tempo sentados, temos o cuidado de colocar uma cadeira de massagens para que possam relaxar após os turnos".
Beeem....
)



domingo, setembro 13, 2009

Uma música ao Domingo

O Pópulo feito pelos seus leitores mais uma vez!

Desta vez foi a Maria que me enviou esta música do Chico, a belíssima canção «Roda Viva»

Obrigada, Maria!


sábado, setembro 12, 2009

Boas Notícias

Notícias destas são boas.
Quando tenho criticado que seja motivo de orgulho que a nossa terra ande por aí a bater records do Guiness quanto à quantidade de Centros Comerciais que vai abrindo (sabe-se quantos é que foram 'morrendo' entretanto?) é porque me parece que essa coisa de se investir tanto no comércio não nos leva longe.
Para mim, que talvez seja antiquada e de vistas curtas, deveríamos investir era em produzir alguma coisa. E não era competir porque tínhamos preços baixos por termos baixos salários uma vez que qualquer país do 3º mundo nos pode bater nesse aspecto. Era competir um um produto que possuíssemos em abundância, tal como o Sol.
E cá está:

Primeira central solar gigante para exportar electricidade nasce em Portugal

E diz a notícia:

A central de Moura ainda hoje é a terceira maior do mundo, mas a unidade que o grupo ora projecta terá uma dimensão 45 vezes superior em termos de potência instalada


B O A !!!!!!

sexta-feira, setembro 11, 2009

E neurónios, quantos teria? Dois?

Ia eu ontem a começar a descer as escadas do metro, quando quase choquei com um par. Um homem e uma mulher.
Já o seu aspecto era um tanto (como direi?) caricatural, talvez.
O homem era relativamente grande dando contudo um ar de atarracado. Barriga muito grande, transbordando para fora do cinto das calças. Camisa de um tom avermelhado com uns desenhos. Cabelo ensebado. Ela, miudinha, pequenita, (dava-lhe quase pela cintura), parecia toda cinzenta. A pele murcha, olhos pequenos, vestia uma espécie de bata e mostrava um ar meio admirado meio assustado.
Ele «explicava-lhe» qualquer coisa que não era fácil de entender, além do mais porque era daquelas pessoas que quando falam parece terem a boca cheia.
Abanando o indicador, muito espetado, dizia-lhe entre gafanhotos:
Vê se percebes!
É assim: há duas células a X e a Y. Todos os homens têm, mas as mulheres só têm uma, a X. É por isso que vocês são assim»

.....
E, evidentemente, que era por isso que ele era assim!
Pelo menos acredita nisso, ele era o melhor.
O segredo estava na tal célula.


quinta-feira, setembro 10, 2009

Um robot sensível...


Tinha a sensação de que andava a escrever umas coisas muito ‘pesadas’ e dei uma olhadela aos meus últimos posts.
Certo.
Anteontem foi o analfabetismo que por aí anda, ontem o desemprego... Que blog chato.
Portanto hoje decidi dar uma vista de olhos por outros assuntos.
Achei muito engraçado a construção de um robot a quem os cientistas querem emprestar capacidades de «aprender, tal como uma criança». É também pequenino como uma criança (um metro de altura) tem uma cara e uns olhos grandes, tem tonco, braços e pernas articulados.
Claro que vou saltar por cima de uma consideração que se podia de imediato lembrar relacionando com o que escrevi ontem: se este robot pode passar a ser usado em hospitais para ajudar os doentes em fisioterapia ou ter autonomia suficiente para ajudar na lide doméstica e por ventura noutras tarefas, é claro que haverá menos humanos que venham a receber salários para efectuarem esses serviços, não é?
Mas o que queria hoje era brincar com esta ideia. Eu até aprecio a ficção científica e a ideia de um robozinho assim jeitoso agrada-me!
E achei particularmente graça a uma frase que lá vinha: “O nosso objectivo é compreender um fenómeno que é muito humano: a habilidade de cooperar, de entender o que outra pessoa quer que façamos
Cá para mim bato palmas ao robot quer o fizer.
É que da banda dos humanos essa capacidade de cooperar, de se colocar no lugar do outro, de entender o que o outro deseja de nós anda muito por baixo.
Huuummm..
Talvez os robots...?

quarta-feira, setembro 09, 2009

Extremos climatéricos:




Ontem um calor de derreter as pedras da calçada...

Hoje uma espantosa trovoada!

(que dura quase há uma hora, com uma chuva torrencial)


Quem se entende?


Será uma metáfora?.....

«Desemprego de longa duração»

Há o desemprego.
Sem qualificativo. Desejar-se trabalho, querer trabalho, ter vontade de trabalhar, mas aquele que se tinha entretanto acabou e não se encontra substituto. Ou, outra modalidade, faz-se uma formação tendo em vista exercer determinada actividade, mas nunca se vem a exerce-la nem essa nem nenhuma porque há mais candidatos do que vagas – quando as há. É verdade que existe uma crise internacional, um tsunami que varre tudo, apanha todos os países, e parece existir um triste consolo com a ideia de que «não somos só nós».
Estamos tristemente acompanhados na desgraça.
Contudo, os jovens universitários portugueses são mais afectados pelo desemprego de longa duração do que a média dos universitários desempregados nos restantes países da OCDE e aqui a coisa já não parece tão pacífica.
Porque o desemprego de longa duração é sempre terrível. É terrível para quem tem obrigações, uma família, filhos para criar. Não se pode viver de um crédito que não há e que, seja como for, se terá de pagar. Quem for apanhado pelo desemprego a meio da sua vida ‘útil’ desespera perante os compromissos que não poderá cumprir.
Mas a sombra que cai hoje em dia em cima dos jovens não é menos escura.
Terminar um curso, superior ou médio, que se fez muitas vezes com esforço e bastante competição, para depois dele concluído ficar de braços cruzados, por não haver onde aplicar os seus conhecimentos, é um desespero. E se no caso dos pais é grave não poder respeitar compromissos, no caso dos mais jovens é também grave não os poder assumir! Alugar uma casa, casar, ter um filho, como é possível com trabalhos que quando os há vão de um a três meses? Que projectos de vida se podem fazer?
«O desemprego de longa duração afecta 51 por cento dos desempregados portugueses com diploma universitário e idades entre os 25 e os 34 anos»
Assustador.
Ainda há poucos anos os pais aconselhavam os filhos adolescentes «tens que estudar, se queres ser alguém»; hoje que incentivos se lhes pode dar? Vemos que os mais dotados e cujos pais podem suportar esses encargos, fazem a sua licenciatura, o mestrado, o doutoramento.

Muito bem, e depois?

terça-feira, setembro 08, 2009

Saber ler

Ouvi por aí, ontem, que cerca de um milhão de portugueses é analfabeto.
Um milhão é 10% de nós todos. É impressionante.

Num flash-back afectivo e emocional, recordo que um dos momentos em que me senti mais feliz na minha vida, foi quando peguei num livro de histórias, dos que a minha mãe costumava ler para mim, e percebi que estava a ler o que lá estava, sabia o que aqueles sinais diziam. Parecia que voava. Foi há tanto tempo e a sensação ainda cá vive. Alegria, independência, felicidade. Tinha como que entrado num mundo mágico.
Nunca perdi essa sensação. Desde esse momento que para mim ler é como que mais um sentido. E até sinto que mais importante do que algum deles, o olfacto, por exemplo. Portanto desde pequenina que me parece que quem não sabe ler tem menos um sentido, uma espécie de deficiência, coitadito.
É certo que para amenizar as coisas se insiste em que esses números têm a ver com o facto de haver pessoas já velhinhas e vivendo em locais isolados, que ainda são de um tempo onde não se valorizava a escola. É aliás por muitos desses analfabetos serem já idosos e irem entretanto desaparecendo que se explica parte da descida do número de analfabetos em Portugal.
Não sei. Ainda encontro muitas vezes no supermercado pessoas que me pedem para ler algumas etiquetas porque não trouxeram os óculos. E pode ser verdade. Contudo muitas vezes essas pessoas que lêem vêem mal sem óculos, ao chegar à caixa fazem os seus trocos com as moedas mais pequeninas...
A História de Embrulhar Castanhas, de Domingo, vem ao encontro desta dúvida, afinal a cena passava-se com alguém ainda relativamente novo e com certeza autónomo em muita coisa.
Fico a pensar. E sobretudo, faz-me pensar mais no caso porque sei que há muito quem saiba assinar o nome, ou fazer contas simples, quem tenha tirado «a quarta classe» há um ror de anos, que possivelmente até nem entre na classe dos analfabetos, mas na prática seja um analfabeto funcional. Até pode conseguir ler, mas sabe interpretar aquilo que lê?
Sabemos que a fonte de informação e distracção mais geral é a tv, as informações são ditas e mostradas. Depois temos telenovelas faladas em português ou brasileiro o que dá o mesmo. E, de vez em quando, oiço pessoas a trocar argumentos sobre algumas situações utilizando até um vocabulário um pouco difícil. Paro admirada até entender que estão simplesmente a repetir palavra por palavra o que ouviram noutro local. A capacidade de análise do que se disse é mínima.
Lembro-me de quando andava na escola, a professora me mandar «dizer por palavras minhas» qualquer coisa que tivesse aprendido. Era um importante exercício.
Mas seja pela tal iliteracia, seja por aquilo que for, cada vez oiço menos dizer-se «por palavras nossas» seja o que for. Repete-se. E com as-palavras-dos-outros, o que não me parece bom sinal. Porque o analfabetismo não é só não saber escrever o seu nome. É não saber interpretar aquilo que lemos, nem o 'traduzir' para o nosso quotidiano. Eu posso estar a papaguear palavras complicadas e nem por isso sou mais erudita, nem tenho um vocabulário mais rico.
Afinal posso estar até a mostrar a tal iliteracia...


segunda-feira, setembro 07, 2009

«Cartão Vermelho»


O problema das «cadeias» aqui na blogosfera nunca é entrar nelas. Eu, por mim, quando me convidam para entrar num destes ‘jogos-de-roda’ estou sempre pronta! O problema é a saída, ou seja, a quem passar a bola!!! Até porque, muitas vezes, quem nos ocorre de imediato é a pessoa que nos convidou, ou outras que já responderam. Bem, cá venho eu, e depois vou enviar o convite aos do costume :)
O desafio veio da Castanha Pilada que pretende saber a quem é que eu daria «cartões vermelhos».
Ora bem, vou evitar o mais fácil e pôr de lado partidos e políticos. Isso era quase batota, e não sou como aquela menina que gosta tanto de ganhar que nem se importa de fazer batota. A minha lista vai ser de coisas que realmente detesto, mas é muito pessoal:

1 – Sítios fechados. Detesto. Salas sem janelas, túneis, caves, buracos, cavernas, se lá estiver muito tempo passo-me completamente! Nunca seria espeleóloga.

2 – Baratas. Acredito que como qualquer ser tenham direito à vida, mas não ao pé de mim. Tenho um nojo que me vem das entranhas...

3 - «Mau perder». É claro que há muitos outros defeitos que podia ter escolhido, mas irrita-me muito quem nunca perde, que dá sempre uma pirueta para dizer que afinal estavam verdes nem lhe interessava ganhar.

4 – Comida que tenha cabeça. Passo a explicar: sou omnívora. Como de tudo e acho que tenho boa boca. Mas gosto que aquilo que está na travessa não me venha recordar que já esteve vivo, e as cabeças têm esse efeito. Ná!

5 – Insónias. Quero dizer, insónias a sério, horas e horas sem me chegar o sono. Lido mal com isso, mostrava-lhe o cartão vermelho.

6 – Telemóveis-dependentes. Pessoas que estão a conversar connosco e de minuto a minuto interrompem a conversa para atender o telemóvel, ficando em alegre cavaqueira com quem lhes ligou.

7 – Quem estaciona em segunda fila (ou terceira!) e se vai embora tratar da sua vida. Não tenho a menor tolerância para isso.

8 – Filmes de terror. Não gosto. Nem me imagino a pagar dinheiro para ficar aterrorizada.

9 – Falta de pontualidade sistemática. Uma coisa é um atraso imprevisível, outra a pessoa que não se rala nada em aparecer à hora combinada.

10 - Acidentes naturais dos que já senti – tremores de terra, cheias, furacões. Depois da primeira vez, nem gosto de pensar!

Bem, e agora a bola vai para a Saltapocinhas, o José Palmeiro, a eMe-a-eMe , o shark e a Fabulosa.

domingo, setembro 06, 2009

Uma música ao Domingo

Hoje mudo um pouco de registo, são os Bee Jees.
«To love somebody».


Quem se lembra?...


sábado, setembro 05, 2009

«Boas Notícias...» cof...cof...

Tenho de deixar isto com reticências, ou seja, não são MÁS notícias, é claro, mas...
A primeira que quero referir vem lá de longe.
Parece que no Governo do Irão aparece uma mulher Ministra
Pelo que li noutros sítios, é uma mulher conservadora. Tem de o ser, se como aqui diz anda de chador negro e sendo médica defende que os homens devem ser tratados por homens e as mulheres por mulheres. Bom, ela escolheu a especialidade de ginecologia para não haver dúvidas... A justificar a minha tosse quanto a ser uma ‘boa notícia’ é que também li que por outro lado tinha sido rejeitada uma mulher para a pasta da Segurança Social, assim como uma advogada para a Educação. Portanto elas vão entrando para o Governo mas, mesmo sendo obviamente do Partido Conservador desse governo, a verdade é que só aceitaram uma.
Mas entrou. Com estes «mas» todos, o certo é que num país de um fundamentalismo islâmico como aquele, aceita-se que uma mulher possa chefiar um ministério e da importância daquele.
É um passinho.
A segunda que quero referir, pelo contrário é de perto, muito, muito perto! De Lisboa, direi mesmo que de perto da minha casa! E também se justifica o cof...cof.. ou antes talvez um UFFF!!!!
E é para referir finalmente a abertura da ligação de duas estações de metro, um cruzamento de linhas que vem beneficiar muitos Lisboetas.
Parece inacreditável que levasse mais de meia dúzia de anos a fazer uma ligação entre 3 estações de metro. Afinal os primitivos ramais (Restauradores até Rotunda de onde partia para Sete Rios ou Entre Campos) levou quatro anos a construir e com as técnicas da época. Cinquenta anos depois leva-se seis anos para ligar 3 estações!!!
Bem, mas ultrapassando essa crítica, o certo é que é uma excelente notícia para os lisboetas que poupam muito tempo. Eu, pessoalmente, fiquei satisfeitíssima!

sexta-feira, setembro 04, 2009

Ainda a gripá

Só duas notícias que respiguei aqui e ali.
Por um lado, é interessante ouvir o presidente da Associação Portuguesa de Seguradoras informar-nos que a maioria dos seguros de saúde não cobrem as despesas ligadas à doença "gripe A" ou directamente ligadas à situação de pandemia
Explica bem explicado que, apesar de haver cerca de dois milhões de pessoas com seguro de saúde e a pagarem prémios, "quando se faz um seguro tem de se saber o risco, já que é sobre o risco que se calcula o prémio" portanto nós não nos podemos arriscar a apanhar uma doença que não faça parte da lista oficial, não é?
Aí nada a fazer. Devia chamar-se "de doença" para quem recorre a eles saber com o que conta e não "de saúde" que parece à primeira vista muito abrangente. Muito bem, ficamos informados.
Por o outro lado, em Espanha, o presidente da Ordem dos Médicos, declara alto e bom som que existem interesses económicos por detrás da criação de "uma epidemia de medo" [....] e que se está a criar "um alarme e uma angústia exagerada à volta da gripe A"
E a própria Ministra da Saúde de lá reconheceu que "talvez estejamos a exagerar um pouco à volta de uma doença que, segundo as informações que dispomos, não tem efeitos muito maiores do que a gripe sazonal".
Portanto voltamos ao mesmo
Haja cautela. Devemos manter hábitos de higiene. É sensato tossir ou espirrar com um lenço de papel à frente e inutilizá-lo depois. Devemos lavar bem e frequentemente as mãos. Apoiado.
Mas afinal são coisas que devemos fazer até com qualquer outra gripe ou mesmo uma forte constipação.
O pânico que tenho ouvido para aí parece-me quase uma outra doença, mas mental. Ainda ontem, uma conhecida minha dizia que nunca mais tinha passado por um Centro Comercial (aí, até concordo com ela, não lhe faz grande falta) e nem pensar em ir ao cinema, onde passa tanta gente.
Cal-ma!

quinta-feira, setembro 03, 2009

Diabinhos invisíveis

(Claro que têm de ser invisíveis, ou não eram diabinhos...)
Não é a primeira vez nem a segunda, [nem a terceira, quarta ou quinta] que venho aqui contar um ou outro fenómeno misterioso que se passa na minha casa. Não sei se me acontecem mais do que aos outros ou eu é que sou mais atreita a considerar algumas coisas como efeitos de magia. O que me costuma acontecer com alguma relativa frequência é desaparecerem coisas, que «estavam-mesmo-ali», esfalfo-me a procurar sem entender o que raio aconteceu, e quando elas já me chatearam o suficiente decidem aparecer no sítio menos esperado, a assobiar para o lado como se não fosse nada com elas. Estão a gozar comigo, só pode.
E, cá para mim, quem as ajuda nessas brincadeiras devem ser uns diabinhos um tanto maldosos traquinas apesar de considerar que também não o são muito ou essas tais coisas nunca mais vinham a aparecer.

Mas desta vez o mistério é outro, não tem a ver com desaparecimentos à Luís de Matos.
Agora que voltei de férias, trouxe um sacão enorme com roupa para lavar. Aqui tenho máquina, e é muitíssimo mais fácil essa operação do que lá. Quando recolhi tudo o que havia lá por casa, supostamente sujo, para trazer para Lisboa, também passei pela cozinha, é evidente. Havia por lá panos da louça e um avental.
Devo agora dar duas informações para se poderem espantar com a história – a primeira é que durante o mês nunca tinha trocado de avental porque sempre que olhava para ele o achava limpo, a segunda é que o dito avental é aos quadradinhos amarelos e brancos, ou seja de umas cores que não ‘escondem’ o sujo.
Ora muito bem. Esperem, falta uma terceira informação, é que ele nunca esteve ali para ‘enfeitar’ ou decorar a cozinha, eu usava-o! Bem, mas voltando ao que queria contar: dá-se o caso de que as minhas teeshirts parecem terem um íman para atrair nódoas, quando estou de férias. Visto uma de manhãzinha, depois do banho, tudo o puro do asseio eu e a camisola bem lavadinhas, mas a meio do dia aquilo já está salpicada de nódoas, e quase sempre acabo por vestir duas por dia. Azar, penso eu, ou distracção o que também acontece. Mas juro, juro mesmo, que quando vou cozinhar ponho sempre o avental. Sempre. Ou a lavar a loiça. Ou se prevejo que vou fazer alguma coisa que suje utilizo o abençoado avental.
E aqui é que vem o mistério: o belo avental, amarelo e branco aos quadradinhos, usado o mês todo, quando o pus para lavar teria uns salpiquinhos que nem se viam. Quase poderia afirmar que estava limpo. E as pobres das minhas teeshirts, essas pareciam daquele anúncios para vender detergentes onde se suja uma peça com variadas nódoas para depois mostrar que bem que ficam depois de usado o detergente que se está a publicitar.
Se penso nos diabinhos ou alguma força mágica, é que deve ser isso que lhes dá gozo. Atrás da tampa de um tacho, ou espreitando pela greta de uma gaveta, decidem: «Ela veio aqui num instante só mecher o arroz de tomate e volta já para a sala de estar? Deixa cá atirar com uns salpicos de tomate para ver o efeito», ou «Já acabaram de almoçar e vieram só deixar aqui os pratos? Bóra aí, fazer saltar o resto do molho!», ou até «Vai levar os cafezinhos no tabuleiro? E que tal saltar um pinguinho de café?...»
Evidentemente que o avental está do lado deles e também goza. Não tem qualquer piada os diabinhos sujá-lo, afinal ele está ali para isso...
Mas desta vez levaram a coisa longe demais, e deixaram o rabito de fora, que não é normal a peça de vestuário que se usa para protecção estar quase impecável, e as que seriam suposto proteger estarem naquele estado!

Tenho de arranjar uma ratoeiras, ou ‘diabeiras’ talvez, para pôr fim a este gozo.

quarta-feira, setembro 02, 2009

Porquê «inveja»?

Um artigozito que li no «i» diz que a inveja vai ajudar a poupar energia
Li aquilo com alguma curiosidade. Como é? Poupo energia se for invejosa? Que tipo de energia? Estranhei, porque pensava que ficando mais calma e descontraída guardaria a minha energia para outras coisas que valessem a pena e se me entregasse à inveja pelo contrário ficava mais desgastada.
Beeem. Não é o que estava a pensar, assim à primeira vista.
A palavra está definitivamente mal usada.
O que queriam dizer está mais na linha da ‘competição’ e mesmo assim é um tanto discutível. O exemplo que dão ali, de se evitar deitar para lavar uma toalha turca que se usou uma só vez, parece um tanto rebuscado. É claro que podemos ser mais poupados em tudo. Mas também é certo que o estímulo para o gasto é enorme e constante, e se se controlasse esse tal estímulo que recebemos contantemente, aí sim, acredito que se poupasse energia e dinheiro.
É evidente que vivemos em grupos sociais e temos tendência a fazer o que o nosso grupo faz. E a publicidade bem o sabe. Por algum motivo os nossos filhos querem coisas «porque todos os colegas ou amigos têm». E a outro nível, também nós funcionamos um tanto assim.
Lembro-me muito bem que quando apareceu a tvcabo, recebia semana sim, semana não, um telefonema dos senhores a explicarem-me os benefícios que teria com a adesão a esse serviço. E eu, educada mas muito firmemente a recusar. Num desses insistentes telefonemas, o vendedor, já enervado, ‘arruma-me’ com este argumento «Mas, oh minha senhora, estive aqui a verificar e no seu prédio só a senhora é que ainda não aderiu!» e eu revendo mentalmente todos os meus vizinhos, pensei de mim para mim «Ena, que sorte a deles», mas mantive a recusa. E o rapaz, «Mas pode dizer-me quais os motivos por não a querer?» ao que respondi antes de desligar «Posso. Simplesmente motivos económicos».
Ora para mim, nem me parece que seja essa tal ‘inveja’ que implique algum vez a diminuição do gasto de energia, apesar de aceitar que se se tornar moda poupar energia, isso possa de facto influenciar o seu consumo. Mas o que pode fazer diminuir o consumo é o preço que temos de pagar por ela.
Ai sim. A porca torce o rabo.

terça-feira, setembro 01, 2009

De volta a casa

Olá e Adeus!

Hoje ando num rodopio, e a passagem por aqui é só para respeitar os hábitos.
Quando escrevi o título ia dizer «de volta à rotina», mas achei que seria uma espécie de queixume, porque afinal era uma grande mentira.
Se há adjectivo que não serve para esta semana - pequenina, para a coisa ir de mansinho! - é rotineira! Há tanta coisa que deixei «para-depois-de-férias» e que agora não se pode adiar nem mais um minuto, para além das outras coisas que se tem de fazer «porque-é-Setembro», e ainda pôr em andamento a máquina dessas tais 'rotinas' que esteve parada estes 30 dias, que estas 3ª, 4ª, 5ª e 6ª vão ter de esticar!!!!
Nada de rotina!
De qualquer modo é uma semana pequenina, para não mergulhar de chofre na água fria da piscina da realidade de todos os dias.
Porque este mês de férias foi mesmo um parêntesis, um período onde o tempo teve uma qualidade diferente, chegava para tudo porque nada era urgente. O que pode haver de urgente numas férias...?
Bem.
Tenho agora as 'urgências' todas para resolver, ai, ai, ai...

O meu portátil (como os vossos, com certeza) tem um íconzinho, que avisa se a bateria está carregada ou quase descarregada, e previne quando está em risco de desligar. Em fins de Julho eu sentia-me com o meu sinal pessoal a piscar em alarme «atenção, atenção, atenção, liga-te que isto está quase a falhar!!!» mas hoje, posso ler como lá no monitor: «plano de energia actual: Equilibrado»
Não me posso é esquecer de ir verificando de vez em quando o seu nível.