quarta-feira, setembro 09, 2009

«Desemprego de longa duração»

Há o desemprego.
Sem qualificativo. Desejar-se trabalho, querer trabalho, ter vontade de trabalhar, mas aquele que se tinha entretanto acabou e não se encontra substituto. Ou, outra modalidade, faz-se uma formação tendo em vista exercer determinada actividade, mas nunca se vem a exerce-la nem essa nem nenhuma porque há mais candidatos do que vagas – quando as há. É verdade que existe uma crise internacional, um tsunami que varre tudo, apanha todos os países, e parece existir um triste consolo com a ideia de que «não somos só nós».
Estamos tristemente acompanhados na desgraça.
Contudo, os jovens universitários portugueses são mais afectados pelo desemprego de longa duração do que a média dos universitários desempregados nos restantes países da OCDE e aqui a coisa já não parece tão pacífica.
Porque o desemprego de longa duração é sempre terrível. É terrível para quem tem obrigações, uma família, filhos para criar. Não se pode viver de um crédito que não há e que, seja como for, se terá de pagar. Quem for apanhado pelo desemprego a meio da sua vida ‘útil’ desespera perante os compromissos que não poderá cumprir.
Mas a sombra que cai hoje em dia em cima dos jovens não é menos escura.
Terminar um curso, superior ou médio, que se fez muitas vezes com esforço e bastante competição, para depois dele concluído ficar de braços cruzados, por não haver onde aplicar os seus conhecimentos, é um desespero. E se no caso dos pais é grave não poder respeitar compromissos, no caso dos mais jovens é também grave não os poder assumir! Alugar uma casa, casar, ter um filho, como é possível com trabalhos que quando os há vão de um a três meses? Que projectos de vida se podem fazer?
«O desemprego de longa duração afecta 51 por cento dos desempregados portugueses com diploma universitário e idades entre os 25 e os 34 anos»
Assustador.
Ainda há poucos anos os pais aconselhavam os filhos adolescentes «tens que estudar, se queres ser alguém»; hoje que incentivos se lhes pode dar? Vemos que os mais dotados e cujos pais podem suportar esses encargos, fazem a sua licenciatura, o mestrado, o doutoramento.

Muito bem, e depois?

9 comentários:

kika disse...

Terminas com uma pergunta:
E depois?
Who knows? Não comento.
Sou pessimista

King disse...

É um desespero, Emiéle. Também olho em meu redor e conheço muitos casos (até cá na minha casa!!!) onde de vai acumulando diplomas para ocupar um tanto o tempo enquanto não aparece nada para fazer. Claro que se fica melhor preparado, mas será preciso tantos Doutores doutorados?...

sem-nick disse...

É verdade que é difícil ser optimista Kika.
É que sem incentivos nem apetece estudar... Para quê, perguntam eles.

Mary disse...

Mais uma vez deixo para depois um comentário mais completo.
Tenho muito que fazer e isto pede alguma reflexão, mas o essencial está assinalado.

josé palmeiro disse...

Este, é um escrito de uma realidade incrível que penso, afectara todos nós.
Pela amostra, não é difícil tirar esta conclusão e sempre com a amargura de ter que perguntar: E para quê?
Depois, enquanto uns têm que passar a vida nas escolas a tirar diplomas sobre diplomas, somos governado por "um", que se diz engenheiro da "Independente".
Mais não digo, estou enauseado!!!

fj disse...

Descrição verdadeira e tão terrivel.E não dá para dizer mais,

Joaninha disse...

Aparentemente já toda a gente sabe e conhece esta realidade mas não tiram conclusões nem se criam propostas.
Eu própria não sei.
Mas, tal como alguém disse (ou foste tu no post?), é muito mais do que falta de emprego para os jovens. Quando se objecta que não é assim tão mau porque sempre vão arranjando biscate aqui, recibo verde ali, contracto por dois meses, callcenter, o rao, a verdade é que não podem fazer projectos de vida.
Já me disseram que até para alugar casa os senhorios agora querem ver a cópia do IRS para confirmar se têm dinheiro para pagar a renda!!!!
E diz-se que baixa a natalidade. Pudera. Criar uma criança com quê?...

Emiele disse...

Olá, amigos!

Venho só quase de corrida, para agradecer os que passaram por aqui.
Um dia muito cansativo, não me deixou com 'pedalada' para responder como vocês merecem...
Talvez amanhã cedinho esteja com mais energia :)

Emiele disse...

Hoje com mais calma do que ontem à noite, respondo à Kika que de facto há motivos para pessimismo. A mim faz-me confusão algumas coisas com Portugal estar quase a bater o record de Centros Comerciais (o que deve ter sido excelente para a construção civil) mas isso são locais de venda, não é? Vender o quê e a quem? Se não se investe na indústria vamos vender o que se vai comprar lá fora e afinal e quase, quase tudo... E vender a quem, quando quando não se está a ganhar pouco, se está desempregado?...

Zé Palmeiro, percebo onde queres chegar mas o mal não está nas qualificações académicas dele, afinal a engenharia não ensina a governar, nem a arquitectura, nem a medicina, nem o direito. Poderia até não ter formação académica e ser um bom político.
Aliás se calhar é um «bom político» no mau sentido do termo...