segunda-feira, março 31, 2008

Era tão bom...

...se tivéssemos um lápis destes e pudéssemos desenhar também a nossa vida!
Fácil, não?
Questão de borracha.


Outra vez um Pópulo cor-de-rosa

Já uma vez o fiz e hoje apeteceu-me de novo: só falo de fait-divers!

Só chachadas!

É que de vez em quando apetece não falar das «outras chachadas» onde tropeçamos todos os dias…

Portanto, caríssimos amigos, hoje não falo de coisas sérias, ficam para amanhã, combinado?


Uma partidinha


Esta é o máximo!
Então o facto de uma coisa aparecer na Internet significa que é verdade?... Pois, pois...
Um desgraçado de um americano, sofreu uma partida incrível:
alguém publicou um anúncio em seu nome dizendo que se ia mudar e portanto oferecia todo o recheio da sua casa.
Quando ele deu conta tinha a casa esvaziada por uma praga de sujeitos que se recusavam a parar com o saque com a justificação de que
o anúncio tinha saído na net, e portanto tinham todo o direito de aproveitar aquela excelente oportunidade…
Se calhar o tal anúncio foi posto por alguém que estava de olho em qualquer coisa especial que o homem tinha, e lá pensou que se fossem muitos a aproveitar nem se notava o seu próprio roubo.
O espantoso é a insistência das pessoas mesmo depois de informadas que não era nada do que tinham lido nesse malfadado anúncio.

Pois é, uma desilusão! coisinhas tão jeitosas e de graça, taditos…


E porque não?

O critério é estranho, lá isso, mas…
Imagine-se que na Austrália, umas eleições municipais terminaram com um empate.

Exactamente: um empate!

A dita cidade devia ser muito pequenininha, porque a notícia diz que cada candidato teve 423 votos. Seria uma votação indirecta?
Isso não sabemos.

Seja como for, empataram.
E como não puderam ir a penaltis, tirou-se à sorte um nome de dentro de uma lata de lixo!
Podia ter sido também por moeda ao ar - cara ou coroa – mas esta da lata do lixo é simbólico à brava!

E se calhar, o critério nem é mau.

Especialização

Ficamos a saber, que na China (tinha de ser, passamos dos EUA para a China, está-se mesmo a ver a competição…) a Universidade de Estudos Estrangeiros de Guandong, deu como trabalho de casa a uns alunos, «planear o assalto a um banco».
Mas não é chegar lá e gritar ‘isto é um assalto’ e pronto.
Nã senhor!
Aquilo é trabalho de grupo, tem de ser uma equipa de seis pessoas com um líder, um arrombador de fechaduras, um condutor, dois assaltantes e um atirador.
E só têm sete minutos para executar a tarefa…

Beeem!

Os que passarem, que prémio terão? Podem ficar com o saque?


Há moralidade Comem todos

Então, «é assim»:
A partir do mês que vem os comboios têm de andar na linha.
Nas linhas.

Na linha.

Enfim,... têm de se portar bem!
Porque se continuam com palermices de se atrasarem,
vão ter que devolver o preço dos bilhetes em caso de atraso mesmo em viagens curtas, isto é, inferiores a uma hora. .
E mainada!!!
«
Também os atrasos superiores a uma hora, em viagens longas, darão direito ao reembolso do preço do bilhete»
Boa notícia.

Mas por outro lado os passageiros também se têm de portar bem: para além de pagar o bilhete, como é evidente, e não se porem a brincar com o sinal de alarme, o que já também se sabia, têm de ter cuidado e não porem os pés nos assentos, nem se pendurarem nas carruagens, nem fazerem barulho de forma a incomodar os outros.

Tá bem!

domingo, março 30, 2008

É só por isto

Não é que eu tenha preguiça, nã, nã...
Eu estou até muito activa (ninguém me pode ver, não é?...)
O rato é que ficou prisioneiro, e assim não posso escrever nada, tá visto.
Inté! Talvez mais lá para a tarde ele acorde!

Publicidade em 1929

Anda a 105 km à hora e gasta 11 litros aos 100.
Ena, ena....
E descapotável!

Um Caderno de Capa Castanha XXVI - o meu bairro

«Eu vivi os meus primeiros 13 anos na mesma casa. Depois os meus pais tiveram de se mudar para outra terra e desse bairro ficou-me apenas a recordação, mas é interessante que, anos depois, quando me casei procurei alugar uma casa na mesma zona!
Não era um bairro popular, seria um bairro de classe média para a época, os prédios já tinham sido habitados, creio eu, não fomos estrear as casas, mas eram ainda bastante novos.
A minha rua era muito sossegada, não tinha nenhum comércio, e nessa época eram raros os automóveis – poderiam passar uns táxis, mas nem os meus pais nem os seus vizinhos tinham carro próprio, portanto a rua parecia larga, apenas os passeios calcetados com as pedrinhas brancas habituais de Lisboa e a rua cinzenta escura de paralelepípedos de basalto. Eu passava bastante tempo à janela. Morávamos num rés-do-chão, muito alto, era impossível saltar para a rua – não que tal me tivesse alguma vez passado pela cabeça – mas suficientemente perto para apreciar tudo o que lá se passava. Alguns meninos brincavam na rua, faziam corridas de caricas, corriam atrás de gatos ou cães, brincavam às escondidas, enfiando-se nas escadas que tinham a porta mal fechada. As meninas não. Meninas bem educadas, iam com uma pessoa crescida até ao jardim público mais perto e aí encontravam outras meninas para brincar – jogos de roda, ao lenço, linda-falua, cinco cantinhos…
Isto enquanto era mais pequenina. Depois de começar a ir à escola, já andava sozinha, e gostava bastante de ser mandada às compras, que como disse eram sempre noutra rua que a minha não tinha comércio. Mas havia algumas lojas que me encantavam.
Numa esquina de uma rua um pouco mais distante, havia uma loja que era um misto de papelaria, alfarrabista, loja de brinquedos, venda de jornais e revistas, utilidades para a casa. Era numa esquina e tinha duas montras que faziam ângulo. O dono era uma figura inesquecível. Era muito grande, a mim parecia-me um gigante, mas a verdade é que era maior que qualquer dos meus familiares, tinha uma cabeleira que lhe chegava aos ombros e uma barba de profeta. Creio que também se vestia de um modo um pouco bizarro, com fatos muito antiquados, mas o que mais me espantava era a parte capilar, a enorme barba que se misturava com a cabeleira. Ele metia-me algum receio, mas o que lá vendia era tão atraente que, fascinada, tinha coragem de entrar. Foi lá que comprei uns apara-lápis que me encantavam, coisa nunca vista em feitio de coração, uns lápis amarelos com borrachinha na ponta, embora as borrachas que apagavam a sério metade para lápis metade para tinta não eram especialmente bonitas, aparos novos, e foi lá que comprei a caneta de aparo de que mais gostei, era triangular e portanto os dedos não escorregavam. Sempre adorei produtos de papelaria, o cheiro a papel, as caixinhas com etiquetas dos diversos produtos, embora naquela loja não estivessem particularmente bem arrumados. Dado a grande variedade de produtos que vendia, aquela loja parecia uma caverna do tesouro, as montras em vez de exporem os produtos estavam atafulhadas com tudo numa confusão medonha e nem sei como o Sr. Eumareira se entendia ali.
Ele não se chamava Eumareira, isso era o nome que estava na tabuleta, creio que era Eurico, qualquer-coisa (talvez Matos) Pereira, e das diversas sílabas construiu o nome e era assim que era conhecido.

Quando tinha 8/9 anos descobri que aquele senhor também ‘alugava’ os livros usados. Foi uma satisfação, com 10 tostões trazia um livro, depois de o ler levava-o lá e ele devolvia-me 5. Eu juntava outros 5 e trazia outro…A quantidade de coisas que li por esse sistema!...
Era de facto uma caverna do tesouro.»


Clara

Uma música ao Domingo

Vamos atravessar o Atlântico outra vez:

«Com açúcar com afecto...»
Uma canção de amor com a doçura do sotaque brasileiro.


sábado, março 29, 2008

Sem discussão possível

É que contra a fé não há ciência.
Mainada!

(cliquem na imagem se não conseguirem ler)

Recordar

Recordar é viver?
Não sei se recordar não seja “apenas” recordar, o que já é imenso.

Ontem fui ao 'meu' jantar anual com a malta da minha geração universitária. É um ritual que continuo a cumprir, apesar de também compreender os amigos que preferem não ir – e ainda são alguns – por lhes fazer impressão não apenas constatar o nosso óbvio envelhecimento, como a ausência de muitos que ao longo destes anos foram desaparecendo.
De qualquer modo, quem opta por lá ir vai no estado de espírito correcto, bem disposto, contente por rever nem que seja apenas uma vez por ano pessoas com quem se partilhou uma fase muito importante da nossa vida.
Claro que mudámos. Muitíssimo, é claro, fisicamente. Como sempre, as mulheres disfarçam um pouco melhor, todos engordámos, isso é verdade, mas não temos tanta barriga nem estamos carecas. E também mudámos um pouco psicologicamente apesar de o fundamental permanecer, porque faz parte da nossa personalidade.

E tivemos mesmo de mudar porque a própria vida e os nossos hábitos foram mudando. Tal como relembrou a Didas no post "Admirável Mundo Novo"
a minha (dela? nossa?) geração apanhou das maiores e radicais mudanças e isso tem implicações como é evidente.
Na mesa onde me sentei, às tantas circulou uma foto que fez soltar várias exclamações divertidas: era do baile de recepção ao caloiro na nossa faculdade. «Ih! Olha p’ra ti! Este não é fulano? Olha a ****!!!» e todos sorríamos divertidos enquanto a foto ia passando de mão em mão.
Pois era. Nesses anos a praxe era lá para Coimbra. Sabíamos que faziam por lá umas cerimónias mas a malta de Coimbra era diferente, vestiam-se de capa e batina, tinham uma certa hierarquia lá entre eles, enfim era um mundo especial.
Mas, cá em Lisboa, a moda era a ‘semana de recepção ao caloiro’ para integrar os recém-chegados, e fazia parte das festividades um baile. Nem toda a gente ia, é claro, mas era um momento alegre, onde se quebrava o gelo e sentíamos que éramos bem vindos àquele novo mundo.

Ninguém ontem se lembrou de fazer comparações, mas eu que tenho este feitio que já conhecem, vim para casa a pensar… Os defensores das ‘praxes’, vexatórias, trocistas, onde no melhor dos casos os caloiros são alegremente humilhados, explicam-me que é um modo de se integrarem, e que eles também passaram por isso e os ajudou a sentirem-se mais integrados. No meu tempo, a recepção era mesmo uma recepção. Mostrava-se à malta onde era o Bar, a «secção de folhas», quem eram os contínuos mais chatos, onde era a Associação de Estudantes, como se podiam orientar naquela casa nova. E terminava com uma festarola, com o tal baile, não a rigor é claro, mas onde ao som de umas músicas se podia realmente confraternizar, e de que maneira!...
Tempos diferentes.



A cadeira do poder tem cola

Só pode ser.
E cola daquela muuuita forte!
Nós conhecemos, para além do caso que sempre se evoca do Jardim, muitos dirigentes que, depois de assumirem um cargo, consideram que é um emprego para toda a vida e a verdade é que, com caciquismo ou não, o certo é que os seus eleitores os vão sistematicamente reelegendo, se calhar na perspectiva de que o que vier depois ainda pode ser pior… Ou não. Porque consegue que a sua gestão seja considerada a melhor pelos seus eleitores.
Mas, sinceramente, pensei que esses casos fossem aí uma meia dúzia, vá lá uma dúzia, mas que na generalidade das autarquias se fosse fazendo uma saudável rotação.
Erro.
Afinal a maioria, quase três quartos dos actuais presidentes de Câmara, está há 12 anos ou mais à frente das suas câmaras!
Dinossauros?
Huuummm…
É que esses desaparecerem há milhões de anos. Ou afinal o Parque Jurássico não era apenas um filme?

sexta-feira, março 28, 2008

Preso por ter cão…

Ele há coisas!?!
Então não querem lá ver:
Mais de três descafeinados por dia podem aumentar o risco de contrair uma doença cardíaca dizem eles.
Mas então não é a cafeína que faz mal?

Primeiro, fizeram um estudo com 187 pessoas. (que estranho número)
«Um terço da amostra bebia entre três e seis cafés por dia, outro terço bebia a mesma quantidade, mas de descafeinado e o outro grupo não bebia nem uma coisa, nem outra».
Tudo bem, apesar de um terço de 187 ser um raio de uma conta bizarra.

Depois «o estudo concluiu que o grupo que ingeriu descafeinado tinha mais 18% de gorduras no sangue.»

Ou seja, beber 3 a 6 cafés por dia não fazia mal nenhum, beber os descafeinados isso é que era perigosíssimo.

????

E a cafeína, no meio disto tudo?


Vantagens da fita-cola

Isto é que é uma campanha!

"O mundo precisa desta fita adesiva"

Orwell sabia muito


Porque será que não me admiro?
Ficamos a saber, se calhar por um acaso, que
a direcção da cadeia de supermercados alemã Lidl contratou, no ano passado, uma equipa de detectives para espiar as condutas dos seus funcionários, com o objectivo de analisar os seus comportamentos.
Calhou ser esta empresa, mas acredito que pudesse ser outra qualquer.
A justificação óbvia das câmaras que estão instaladas por todos os locais de comércio, é ‘para evitar os roubos’. Será uma medida que se poderá compreender, mesmo que desagradável. «Sorria, está a ser filmado» é um letreiro que vemos em muitíssimas lojas, e noutras nem aparece tal aviso.
Mas se filmam os clientes, é evidente que também filmam os empregados, não é?
Claro que, candidamente, os tipos que até contrataram detectives explicam que «o Lidl não tem como objectivo “espiar os funcionários mas sim detectar comportamentos errados”»
Pois claro.
E se os funcionários também contratassem detectives para conhecer os «comportamentos errados» dos patrões?...

E agora os juízes

Ontem foi a saúde, hoje a justiça.
Vimos ontem que, perante a lentidão com que se resolvem os casos onde um erro médico lesa um cidadão e a indemnização a que tem direito chega muito tarde ou até nunca chega, se está a pensar em generalizar um seguro que pague à pessoa prejudicada enquanto o tribunal decide a questão.
Mas isto é uma ‘bola-de-neve’.
Hoje sabemos que agora são os juízes que procuram o conforto de um seguro que os proteja da nova «Lei da Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado»
Trata-se do “direito de regresso”.
Acontece que o ministro considerou que ‘o Estado deve indemnizar os cidadãos devido à má conduta de um seu agente ou funcionário sempre que tenha agido por dolo ou com culpa grave’. Parece bem.
Mas como não vai ser o Estado a pagar, vai então «exigir ao agente, ou funcionário, que lhe devolva o valor que teve de suportar».

Portanto, eles põem as barbas de molho antes que ardam…

Está-me a parecer que as Seguradoras vão ficar tão ricas, mas tão ricas, que os seus lucros ficam a perder de vista.

quinta-feira, março 27, 2008

Mas o que é elas que "produzem"?...

A história deve ser verdadeira, mas até nem parece:
Há uma clínica em Espanha onde as Enfermeiras perdem prémio de produtividade se não usarem mini-saia
A sua porta-voz diz
que se sentem objectos decorativos como é natural.
E ainda são uns 30 euros, esse prémio!
Não é tanto o inacreditável abuso dos dirigentes dessa clínica que me espanta, é o associar a produtividade com a mini-saia!!!
Ficamos cá a pensar que doença se trata lá e, no caso de serem enfermeiros, (eu cá preferia) que fatiota é que está prevista…



E este tem IVA a 5%



Este domingo uma amiga contou-me que anda a gastar cerca de 30 contos em pão.
Família de um casal e dois filhos...

Títulos

Por acaso eu até segui (mais ou menos) o jogo.
E portanto, consegui descodificar o que se pretendia dizer, vendo logo que não era exactamente uma referência a uma Aljubarrota às avessas.
Mas quem ande mais a leste do mundo do futebol [e por acaso até existem esses fenómenos – pessoas que nem se lembram que o futebol existe] podia ser um tanto chocante saber que

Karagounis derrota Portugal

Mas que terra esta, a nossa, ‘derrotável’ por uma só pessoa….




Contagem decrescente para 2009



quarta-feira, março 26, 2008

Espelhos

Não sou uma coleccionadora.
Acho eu, porque não reuno muitos objectos semelhantes por prazer, para fazer colecção. Contudo, tenho gosto em me rodear de alguns. Na minha casa há bastantes relógios (tenho pelo menos um por divisão) muito bonitos para o meu gosto, mas isso fica para outra conversa. Hoje estava a pensar nos espelhos.
Também tenho muitos. Quase se podia dizer que era a tal ‘colecção’ mas não lhe chamo isso porque não têm nada de especial, umas molduras mais bonitas nuns, outros simplesmente funcionais, na maioria são apenas objectos decorativos.
Estive a reflectir nisso, porque trouxe mais um, pequenino, com uma moldura bonita, mas não sei bem onde o vou pendurar. Pensei: isto já é uma mania! Agora onde é que vais pôr isto?

O curioso é que raramente uso os espelhos para me ver neles. Claro está que, se lhes passo em frente, não desvio os olhos, mas não estão ali para eu me mirar. É porque acho bonito. São uma janelas pequeninas para “outro sítio”, para um mundo paralelo, igualzinho a este onde vivemos mas noutra dimensão.

Não sei se alguém ainda se lembra do Orfeu de Cocteau, quando o Orfeu/Jean Marais atravessava os espelhos para passar para o outro mundo? Bem sei que noutro registo temos a Alice que também ia ao outro lado, mas os «meus espelhos» são mais os do Cocteau, uma piscadela de olho para o outro lado ficando contudo na segurança que me dá «este lado de cá»…
Não sei se estou a racionalizar uma mania, um gosto como qualquer outro e que não faz mal a ninguém. É certo, acho que um espelho é um objecto bonito e um pouco mágico, e depois..?!

Seguro de responsabilidade civil

A moda é da América, mas sem dúvida que por cá onde a nossa justiça anda a passo de caracol, seria útil.
Propõe-se a
«A criação de um seguro de responsabilidade civil - obrigatório para todas as unidades de saúde, como no sector automóvel»
A ideia é que, por um lado existem erros médicos, como se sabe e é muitas vezes inevitável. Por outro, as vítimas desses erros, mesmo quando são óbvios e confirmadíssimos, levam anos até os tribunais decidirem a seu favor. Além de que muitas e muitas vezes a responsabilidade é empurrada de um especialista para outro e não se chega a uma conclusão.
Portanto propunha-se que os doentes tivessem sempre direito a uma indemnização desde que se prove que foram vítimas de falha médica, independentemente de se identificar ou não o responsável.

Pelo menos é mais justo.
E esse «seguro de responsabilidade civil» a que só as unidades privadas são obrigadas por lei deveria ser extensivo a todos os serviços de saúde.
Talvez assim existisse mais justiça.


«O telemóvel é sagrado, mas…»


É por estes sinais que me sinto velha.
Uma reportagem entre jovens por causa da famosa «história da professora, da aluna e do telemóvel», diz-nos que
O Telemóvel é sagrado, mas a violência é condenada
Sagrado?

Eu uso telemóvel, dá-me jeito, aborrece-me se o esqueço ou se fica sem bateria e portanto inútil. Mas como cresci e vivi quase toda a minha vida sem ele, para mim é
um objecto.
Contudo, olho à minha volta e reparo que enquanto o meu está guardado na carteira, muitas pessoas que passam por mim o levam na mão ou até o têm pendurado ao pescoço de modo a estar permanentemente acessível.
Uma dependência. Uma droga.

É normal?
Essa coisa do «sagrado» faz-me pensar - que mais coisas sagradas existem?


Desemprego Emprego sempre garantido


Uma piada já muito velha, conta que um sujeito importante pediu a outro sujeito importante um emprego para o filho e foi-lhe respondido risonhamente que poderia começar de imediato como membro da direcção de uma sua empresa onde teria um bom ordenado sem grande trabalho. O pai disse que não era isso que queria, e o amigo propôs-lhe um outro lugar de consultor onde também quase não teria de lá ir e era bem remunerado. O pai insistiu, queria um sítio onde o filho tivesse mesmo de trabalhar e com um salário normal, e o amigo embaraçado teve de responder: Ah… isso é que não lhe consigo arranjar, a coisa está difícil.
A graça é velha mas parece actual quando olhamos para a nossa administração pública.
Por todo o lado se vê gente que estava como eventual a ser despedida, os serviços a reduzirem pessoal, quem sai não é substituído, as verbas com pessoal sofrem cortes drásticos, mas... por outro lado
duas pessoas, que eram quadros do Ministério da Economia, e faziam parte do Conselho da Autoridade da Concorrência, vão receber uma compensação financeira equivalente a dois terços do salário mensal durante dois anos
Esta compensaçãozinha é só de 8600 euros por mês. E estes senhores são elementos do Ministério da Economia, aonde seria normal que regressassem.
Mas estou convencida que se alguém pretendesse um lugar de base nesse Ministério, teria a porta fechada sem hesitação. É afinal na vida real a aplicação da tal anedota.

terça-feira, março 25, 2008

Prático!

Há muitos anos, quando vivi em Macau, descobri uma vez numa daquelas lojas que vendem tudo (lá chamavam-lhes «Quinquilharias» e afinal nós hoje chamamos-lhes com originalidade :D ... «lojas dos chineses»…) um chapéu muito engraçado.
Tratava-se de um chapéu com uma armação que se abria e ficava-se com um mini-chapéu-de-chuva preso à cabeça.
Uma maluquice, mas engraçado, sobretudo para os miúdos. Não nos molhava a cabeça e a cara mas…
A verdade é que ainda comprei um ou dois que até enviei como brincadeira para Portugal.
Ora venho agora a descobrir a bisneta dessa ideia, mas muito aperfeiçoada: Chama-se Nubrella. E é um “chapéu desdobrável que se fixa sobre os ombros e deixa ambas as mãos livres” como reza a sua publicidade.


A menina não vem de brinde com o chapéu!

Direitos de autor

Era de esperar.
Primeiro foram as músicas. Como se conseguia sacar músicas da net, as editoras discográficas partiram em guerra contra os donwloads, e a pirataria na net. A coisa ainda está em discussão, se a música é apenas para o próprio ouvir, parece que se aceita que se possa ir buscá-la à net…

Agora vêm os textos. Sabemos que o Google é a maior enciclopédia conhecida. Com paciência e dominando a técnica podemos lá encontrar completamente tudo! Portanto estava-se a adivinhar que os Editores querem o Google a pagar direitos de autor
Claro.
Pelo que leio, por enquanto são sobretudo os jornais que protestam, apesar de não entender, porque quando se vai procurar no Google é sobretudo para achar o site do jornal. E isso é grave?

Quanto à outra imprensa, tirar um livro inteiro da net e ainda por cima imprimi-lo não é barato nem rápido nem fácil. Além de que nunca fica tão bem, eu prefiro um livro «a sério». Só vale a pena se o preço do livro de papel for mesmo bastante caro, não é? Creio que aqui a bandeira dos «direitos de autor» serve um pouco para tapar a outra dos «direitos de editor».

Contudo, é certo que isto vai dar que falar.


Ingenuidade demais, ou desespero?

Se um de nós lesse «Gostaria de ganhar mais de 700 euros por semana na tranquilidade de sua casa colando etiquetas em envelopes e dobrando circulares para serem colocadas em envelopes?» ia acreditar?
E ainda por cima ia mandar dinheiro para o primeiro material de trabalho?

Este tipo de fraude só se entende que possa ter sucesso ou com pessoas muito inocentes ou a quem o problema do desemprego já aflija tanto que perdem a sua capacidade de discernimento.

Contudo (apesar de se dizer que o desemprego tem baixado – seria interessante analisar «à custa de quê» …) pelos vistos ainda há muitos tansos que caem nesta, pelo menos Direcção Geral do Consumidor avisa para se evitar esse erro.

A verdade é que o trabalho em casa é realmente aliciante, tem algum conforto, poupa-se em transportes e pode fazer-se ao ritmo de cada um.
Muito bem, mas não será deste tipo!
Dobrar circulares???? Pôr etiquetas em envelopes???....700 € :D

«Se não os podes vencer…



…junta-te a eles».

Era um famoso e bom conselho.
Parece que o «Público» reconhecendo a importância da blogosfera na informação – é certo que muitas das notícias ganham uma nova força e visibilidade quando aparecem aqui, no nosso mundo – decidiu criar uma espécie de nova secção, se assim se pode dizer.
Explicam-nos que - na edição on-line tem de ser - vai aparecer, «colocada exactamente por baixo da fotografia, em lugar de destaque, uma pequena caixa dará conta do que se está a escrever na blogosfera sobre aquela notícia em concreto»
A ideia é interessante, e com certeza vai fazer com que as notícias do Público sejam mais comentadas, é claro!



Ainda estou ao ralenti…

Esta pausa muito grande – estive longe da ‘vida de todos os dias’ de quarta a segunda – faz com que agora me seja difícil retomar os antigos hábitos. Assim um pouco como uma viagem à Lua, e agora sentir como estranhos os costumes da Terra
A verdade é que de propósito, para o descanso ser completo, nestes dias nem liguei os noticiários da TV, nem vi jornais.
Descubro que, enquanto estive «fora», houve cenas tristes como a história da aluna, a professora e o telemóvel ( história que parece que até abriu telejornais…), afinal tivemos o Dia do Pai mas como já estava mais ou menos de abalada nem falei nisso, o Tibet e a China continuam nas preocupações do Mundo, vemos que Bush continua triste com a sua guerra
porque já lá morreram 4000 soldados coisa que quando a iniciou não tinha pensado que pudesse acontecer, que o braço de ferro dos professores e da sua tutela não abranda , enfim, tudo como dantes.

E eu com uma preguiça...



segunda-feira, março 24, 2008

O Mistério da Estrada de Colares

Ontem, uma vez que tinha prolongado o período de férias para hoje, decidi que esse prolongamento dava direito a fazer uma visita a uns amigos que moram para aquela zona, embora um pouco afastados – assim, depois da visita ainda regressava à casinha de férias, e com mais um dia, até elas pareciam maiores.
Tudo combinado, fomos lá almoçar e ainda ficámos no paleio até depois do lanche, quando acabou a emissão do Ben-Hur da Páscoa.
Muito animada e bem disposta, vou conduzindo até Sintra, e ao contornar o Palácio da Vila, descendo na direcção da Várzea, até comento, feliz: «Que bom! Tão pouco trânsito. Daqui a poucochinho estamos em casa!»
Esta foi a primeira parte.
De notar que não faço aquele percurso há alguns meses de modo que, quando no troço final da estrada vejo o sinal branco e vermelho de trânsito proibido, tive um baque! «Não acredito!!!» quase gritei «e agora???» Agora, foi voltar tudo para cima mas, já com escuro e poucas referências, e foi com surpresa que me voltei a ver de novo em frente do Palácio da Vila. «Bom, vou então pela Estrada Velha» decidi. Claro, se a Estrada Velha estivesse transitável o que não acontecia– também ela mostrava o malfadado sinal de trânsito proibido! Meia volta, sempre por estradas de sentido único, e de novo me encontro no Largo do Palácio. Entretanto, sendo noite de Domingo de Páscoa nem viva alma se via …
Um café a acabar de fechar as portas e ainda lá corro a pedir informações: «Desculpem, mas agora como é que se apanha a Estrada de Colares?! As duas vias mais directas estão cortadas, nem posso descer e ir ter à Várzea, nem posso ir pela Estrada Velha???!» Um rapaz simpático, condoído, ficou a pensar «Pois é…. Realmente vai ter de voltar tudo para trás. Para apanhar a estrada de Colares, volta para a Portela e vai em direcção a Lourel, é seguir as indicações»
Claro que nestas voltas e voltinhas tínhamos perdido mais de meia hora, o tal tempo que eu tinha considerado suficiente para chegar a casa…
Mas esta foi a parte boa.
Daí para a frente caímos num filme de suspence. Porque quando o rapaz inocentemente de me diz para ‘seguir as indicações’ devia pensar de boa fé que existiam indicações. Mas placas com indicações é coisa que não existe – as Câmaras devem gastar todo o dinheiro a fazer as rotundas e noutras placas com os dizeres ‘Conduza com Prudência’, ‘Limite máximo 50 Km’, ‘Conduza com segurança’. OK, eu conduzo com segurança, mas … conduzo ONDE? É que não se imagina as bifurcações que eu ia encontrando sem a menor indicação, e claro, escolhia sempre a má, só vendo o erro uns quilómetros depois quando finalmente via um nome de uma terra e podia consultar um mapa… Voltava então para trás, mas de novo encontrava cruzamentos anónimos onde se tinha de escolher por moeda ao ar… E à noite não há a quem perguntar. Fui inquirir a uma bomba de gasolina, mas as indicações eram tão confusas que só entendi que tinha de ir mais para trás, para a IC 19 e depois apanhar a IC 30, que eu nem sabia onde era. Ver de novo o mapa. Só que a realidade está cheia de terrinhas que nem vêm no mapa que tenho! E quanto a placas indicadoras… nem pó!
A noite cada vez mais escura, passo por algumas urbanizações com um mau ar que só visto (o jornal da véspera dizia que os habitantes da linha de Sintra decidiram andar armados…!) e nem páro! Indicações, nicles! Aparece indicado Lisboa – que não me interessa – ou Sintra Centro que também não serve porque foi dali que tinha partido!
Bem, por tentativa e erro
– tipo ‘se-o-caminho-da-esquerda-não-deu-vou-pelo-da-direita’ – lá encontro um nome conhecido, de seguida outro também me diz alguma coisa e, quase duas horas depois de andar num verdadeiro labirinto a sair vezes sem conta ao mesmo sítio, lá encontro a malfadada estrada para Colares.
Por favor senhores das Câmaras! Eu troco alegremente uma dúzia de rotundas por uma dúzia de placas de sinalização! Olhem que deve ficar mais barato e é bem mais útil!
(Sabem se um GPS indica ruas provisoriamente encerradas?…)

domingo, março 23, 2008

A Páscoa


Tenho de reconhecer que desde sempre, desde criança, a Páscoa é para mim apenas um período de férias.
Quando andava a estudar, era o final do segundo período, sinal de que só faltava mais um para o ano escolar acabar e muitas vezes esse último, cujo tamanho variava porque, como é sabido, a Páscoa tem a mania de dançar por esse calendário fora, era o mais difícil de ‘esfolar’. Ou não. Isso dependeu muito dos anos escolares.

Mas, tendo nascido numa família completamente ateia, e ainda por cima vivendo numa cidade onde certo tipo de tradições fica mais esbatido, o certo é que a Páscoa em si não «me diz nada». Não me recordo de haver presentes de Páscoa, (não havia de certeza, que isso não se esquece) não visitava os padrinhos como sei que era tradição no campo, e como festa religiosa era neutra.

É curioso porque o Natal também é uma festa religiosa e esse era uma grande festa!...
Não sei explicar este desinteresse familiar, só sei que fui contaminada por ele.
Assim, nunca dei nem recebi presentes nesta altura, vejo para aí uns ovos de chocolate, e outros cozidos enterrados nos folares, e anda um coelho não sei bem a que propósito, aos saltos no meio desta confusão.
É essa a única coisa que me deixa perplexa, como é que se mistura essa coisa do coelho com os ovos?... Tirando
umas fantasias mais ou menos atrevidas e pouco consentâneas com a solenidade da data, a verdade é que a minha imaginação não consegue cruzar o ovo e o coelho, só podendo admitir que venham de lugares diferentes para a felicidade dos nossos estômagos.
Ou nem isso?... O coelho da Páscoa, come-se? Huuummm...

Bem me parecia. Aquilo é de peluche.
Fofinho, etc e tal, mas sem substância.

É tal como a «minha Páscoa». Fofinha, agradável, - passeia-se, brinca-se, descansa-se, - mas mais nada.

De qualquer modo há uma tradição que só há pouco conheci e adoptei logo: a Páscoa ‘transborda’ para a segunda-feira.

E assim prolongo as férias mais um dia.

Iupi!

sábado, março 22, 2008

Ganhar a vida

Há modos de falar que têm a sua época. O português é uma língua viva exactamente porque evolui, se modifica, há expressões que nascem e outras que caem em desuso.
Estava há pouco a ler um romance onde, a páginas tantas, alguém quer saber o que determinada pessoa faz e pergunta, naturalmente, «… e como é que ele ganha a vida?»

Nessa história, nesse português que as personagens falam, a questão é natural, e aliás a resposta dada de um modo duvidoso, dá-nos logo a entender que a pessoa em questão não é lá flor que se cheire…

Mas não é um modo de falar que se use muito, hoje em dia.
Nós, mais naturalmente, perguntamos «o que é que ele faz?», ou «onde está empregado?» ou «que formação tem?», ou «trabalha em quê?»
Ou seja centralizamos mais a questão na profissão, no trabalho, e não na Vida.
Na sociedade actual a Vida não se «ganha», é um bem que se recebe, que se aproveita, que se conserva, se possível com saúde, com alegria, com bem-estar e harmonia, com emoções, com enfado ou depressão, com cansaço, com tristeza, com energia… enfim, por aí a fora!

Mas a ideia de a ganhar, não é muito actual.

E afinal, porque não?
Porque a questão que está implícita na tal pergunta é de facto o que é que a pessoa faz. É certo que está latente a questão económica: vive de quê? Mas é interessante alargar o assunto - Que utilidade tem a sua existência?
Na altura em que a tal história se passava era comum viver-se «dos rendimentos», ou seja quem «ganhava a vida» teria de trabalhar para subsistir, ‘os outros’ herdavam-na (de bandeja de prata).
Não a ganhavam, será que a roubavam?
Não se pensava assim, mas….

Respostas automáticas

(mesmo antes de ter vindo para férias)
Chego a casa e encontro o meu filho entretido a ler.
Sabia que essa tarde ele tinha ido ao dentista e, interessada, quero saber:
-Então, o dentista?
(ele, de olhos postos no que estava a ler)

-Foi bom.
………….
Só olhou para mim e “acordou” quando me viu à gargalhada.
Devia ser a primeira vez que uma consulta daquelas tinha recebido tal classificação.
Foi bom!
(?!?)


sexta-feira, março 21, 2008

Gatos

... e esconderijos.

Estas férias, para além dos seus elementos habituais, a minha família viu-se alargada com um ‘pendura’.
O facto de se ter animais de estimação, tem muitas vantagens, no campo dos afectos, e alguns inconvenientes, no logístico. Eu já passei por isso e sei-o bem. Quando desejamos sair nem sempre o podemos levar connosco, e um «hotel» para bichos não sai barato. Portanto entendi bem a preocupação de uma prima minha em relação à sua gata e aceitei albergá-la durante estes dias de Páscoa para os donos poderem dar um passeiozinho.
Aliás nem era a primeira vez. Eu conhecia a Micas, porque já tínhamos ficado com ela, quando nos cabia na palma das mãos, coisinha alegre que fazia enormes correrias pelo corredor, derrapando no fim com grande estardalhaço, ou pretendendo com a sua patinha apanhar os bonecos que mexiam no ecrã da TV! Tinha sido uma boa companhia.
Mas tinha-me esquecido que se tinham passado 10 anos. Estranhei quando a minha prima insistiu que as rações da Micas vinham em saquinhos, um por dia e nunca lhe desse mais do que aquilo, que uma vez tinha ficado em casa do pai e ao voltar tinha engordado para o dobro do deu peso. Huuummm… Mas não estava preparada para, em vez da airosa Miquinhas, a tal das acrobacias, ver sair do seu transporte, uma gata pachorrenta que parecia uma lontra! Gooorda e, como tal, pachorrenta e calma.
Por outro lado, não se lembra de nós como é natural, e passa o tempo a ‘desaparecer’. A gente chama-a e não nos liga nenhuma...
Eu sei que os gatos são assim (tive dois e conheço-os bem) mas custa a habituar, pensamos mesmo que desapareceram de verdade, apesar de saber que a casa está fechada e que de cá não pode ter saído.
Portanto, nestes dias de férias de Páscoa, vim para o campo com passarinhos, rãs, ladrar de cães, cantar de galos, e um fantasma de gato em casa, que de certeza está cá mas dentro de que armário ou gaveta, debaixo de que cómoda, atrás de que sofá, isso é um mistério para o Ellery Queen.


De papel


Quando eu era pequenina, como muitas meninas da minha idade, adorava brincar com bonecas de papel. Nas papelarias comprava-se uma folha de cartolina que trazia desenhada uma boneca em pose, e diversos vestidos e adereços, que depois deviam ser habilidosamente recortados...
Claro que para isso era preciso alguma destreza. Um golpe mais desastrado de tesoura e lá se ia a manga do vestido ou sobretudo, o que era mais frequente porque eram zonas pequeninas, a alça que dobrada fazia segurar a peça ao corpo da boneca. Mas nada que um bocadinho de papel e cola não resolvesse…
As minhas amigas mais dotadas para as artes desenhavam elas os vestidos, e até as próprias bonecas, nanja eu que sempre fui uma nódoa nestas coisas… Mas era uma brincadeira muito popular, inocente, e estimulante da fantasia.
Descubro agora que ela pode ter ramificações imprevistas. Afinal, as bonecas da minha infância podem ter as caras e o aspecto de pessoas conhecidas, tais como por exemplo a
Marilyn Monroe. Como ? Marilyn Monroe?? E muitas outras figuras, até a Frida Khalo, imagine-se.
Estranho. É um sinal dos tempos, com certeza.
Mas imagino que se tivesse agora 8 anos ainda devia preferir recortar e fantasiar com casinhas como esta:


quinta-feira, março 20, 2008

Férias


O fim-de-semana passado voltei à minha casita de campo, minúscula mas confortável, onde já não ia há meses.
Tinha de tratar de uns assuntos e estive só lá um dia e meio mas deu-me p'rás saudades...

De modo que decidi aproveitar agora a Páscoa e fazer uns dias todos seguidos de descanso total. A verdade é que a qualidade desse descanso é realmente diferente.
Os meses que lá não fui chegaram para esquecer como é dormir em silêncio, silêncio de campo – dormi 9 horas sem parar!....
E então fiquei a pensar que quero mais.

Assim, venho «oficialmente comunicar» que o Pópulo fica agora de pousio.
Não direi que se passar pelo «cibercoiso» para comprar o jornal, ou tomar um café, e verificar que a net está livre, não aproveite e escreva qualquer coisita, mas não prometo nada, não quero compromissos…

Desejo que estes dias de Páscoa sejam tão bons para vocês como espero que venham a ser para mim.

Até…


…breve ( ? )


quarta-feira, março 19, 2008

Apanhado

Mas então naquela casa não havia armários?...
Que descuido!

Decepção

Tinha lido no outro dia uma notícia espantosa. Quero eu dizer, espantosa não a notícia em si, mas a forma como era contada e a repercussão que tinha tido nas pessoas. E pensei logo uma série de coisas que comecei a rabiscar aqui.
Ontem, ao passar pela «Cabra de Serviço» reparo que a Teresa tinha agarrado a mesma história, e na mesma perspectiva. A história deveria reduzir-se a uma notícia pequena, meia dúzia de linhas: uma banda de música, com um concerto agendado, teve de adiar esse espectáculo devido a uma amigdalite do seu vocalista.
Chato.

Contudo o concerto "foi remarcado para o próximo dia 29 de Junho e os bilhetes serão válidos para esse espectáculo, a não ser que se pretenda a devolução do dinheiro".

Normal.

É fácil de imaginar, até porque todos nós já passámos por situações onde uma grande expectativa não se pôde realizar, a desilusão dos espectadores. Calcula-se que enorme, imagina-se que, como muitos deles eram adolescentes, aquilo lhes parecesse o fim do mundo, a maior desgraça possível. E isto porque é muito duro lidar com a frustração em todas as idades e quanto mais jovem mais difícil.
O acidente não devia valer mais do que uma notícia de jornal de algumas linhas.
Mas não. O que nos contam é que se assistiu a "um espectáculo deprimente com milhares de crianças a chorar e adolescentes a desmaiar em pleno recinto" o que já é demais. Mas, o que ainda é demais do demais [:D inventei agora este superlativo] é a reacção das mãezinhas que acompanharam as suas crias ao evento, e em vez de os ajudar a aceitar a frustração e ensinar a lição de que a vida por vezes tem desagradáveis surpresas, pelo contrário mostravam que tinham tanta dificuldade em lidar com a frustração como os seus filhos. “As crianças estão apavoradas, a chorar baba e ranho” declara uma delas, muitas outras afirmam que estão indignadas, em choque, insistindo em que algumas das crianças estavam ali desde há dois dias a marcar lugar!
Se assim foi está mal. Muito mal. Miúdos de 13 / 14 anos, a faltar às aulas, para assistir a um espectáculo, é um erro. Que eles o façam, é natural, estão “no seu papel” de adolescentes. Mas os acompanhantes, adultos, a colaborarem é que não.

Na minha opinião, aquela grande desilusão, que não nego que o tenha sido, era até uma excelente ocasião para um bom educador ter uma bela conversa com o seu filho e, partilhando o desencanto que o miúdo estava a sentir, fazer-lhe ver que era uma situação imprevisível (o vocalista não adoeceu porque quis) que se teria de aceitar e ainda tinha o consolo de não se perder tudo, apenas se adiava – porque ficavam com bilhetes para Junho.

Que situação pedagógica desaproveitada, porque os pais se mostraram tão imaturos e frustráveis como os seus filhos!!!

Os cartões

É uma praga.

A gente vai a qualquer lado, a uma perfumaria, uma sapataria, meter gasolina, comprar um electrodoméstico, para não falar em supermercados, e perguntam no momento do pagamento: «Não tem o nosso cartãozinho?»
No caso de não se ter o cartãozinho, é-nos explicado a falta que tal nos faz. Um “cartão de fidelização” é óptimo porque se continuarmos a comprar naquela loja, depois de lá ter gasto mil euros de compras temos a felicidade de receber um brinde maravilhoso no valor de um euro e meio.
Como muitos de nós temos bom feitio, e imaginamos que mal não faz, damos alguns dados e ficamos com mais um cartão a juntar à colecção. Se repararem bem, algumas carteiras andam redondas, com um enorme volume, não de dinheiro é claro, mas dos tais cartões.
Dizem-nos agora que nem se consegue saber quantos cartões desses circulam por aí. Parece serem muitos milhões, imagine-se!
Mas para quem os aceita de um modo descuidado e sem reflectir duas vezes vem agora um aviso: em certos casos «mesmos sem custo para o utilizador - e mesmo que este não o utilize - a soma dos créditos concedidos é contabilizada e enviada para o Banco de Portugal» O que pode vir a ter o resultado de se pretender um pequeno crédito no nosso banco mas, como entretanto se aderiu a vários cartões com determinado tecto de compras, mesmo que não se tenha usado nenhum desses cartões considera-se que o crédito está esgotado! Ui!
Eu não sabia isto, nunca me aconteceu e detesto cartões de crédito seja do que for mas, pensando bem, devo ter para ali dois ou três que encaixam nesse modelo.
É caso para se repensar bem no que se está a aceitar.


Com luvas de pelica

É curioso a diferença da reforma dos tribunais com as “outras reformas” que têm deixado o país em polvorosa – saúde e educação.
Esta, pelos vistos, vai ser feita com muita cautela, de um modo faseado, e procurando consensos e ouvir os interessados.
É porque aprenderam com os erros passados ou porque esta corporação mete mais respeito?
A verdade é que o Ministério da Justiça anda a preparar uma reforma, e dizem que ela é bem precisa, porque se há coisa que não funcione bem e seja de uma morosidade extraordinária é a nossa Justiça. Pelo menos é o que dizem todos os que a ela recorrem, não falo por experiência pessoal.
Ora bem, a imprensa já tem falado que vai haver uma reforma, vão extinguir-se mais de 200 comarcas, pensa-se em ‘reagrupamentos’, em circunscrições mais alargadas, etc.
Mas…

…tudo com calma!

Essas reformas são só para 2008, e de uma forma faseada, começam com «uma fase experimental em duas circunscrições judiciais, uma no interior e outra na litoral do país»

Muito bem.
Assim, à vista desarmada, parece uma reforma não apenas cautelosa como com tempo para ser explicada, o que tem faltado nos outros casos.
Terá a ver com a personalidade do ministro ou com o respeitinho pela corporação em causa?...

terça-feira, março 18, 2008

Aquecimento global

Um muito bom comentário

Ontem escrevi aqui um post, reconheço agora que à laia de brincadeira. Falava de uma história que tinha lido (ainda sobre os problemas no Tibet) sobre a questão da reencarnação.
O posts teve vários comentários mas um dos meus visitantes, que conhece a China e costuma ler a sua imprensa, deu a sua opinião. Uma opinião que considero muito. Com o seu primeiro comentário já ficámos mais esclarecidos, mas bastante mais tarde deixou aqui um outro que preferi puxá-lo para cima para mais gente o poder ler:


Uma primeira questão, na minha algo leviana opinião, a RPC já nada tem a ver com o comunismo, antes com o capitalismo selvagem extraordinariamente bem misturado com profundo nacionalismo e, fundamentalmente, julgo, com a interpretação oficial do confucionismo, divinizando a hierarquia, que, neste caso, encarna na lei (encarnação legalizada esta...). Mas é típico de países muito "duros" regularem tudo por lei, caindo-se nestas situações.
Ateia? Já o julguei, mas o que são, alem de ideologias, as religiões mesmo as "reveladas"? Éticas sociais? E não será a interpretação de Confúcio referida exactamente isso? Que teria sido a revolução cultural sem um cimento de ordem (tudo é relativo, claro) ? Como foi possível tanta ordem na mais profunda desordem? Teria sido o fim da China, ou quase, e não esta espécie de renascimento, para fugir a outra palavra (e não é que não tenha há anos, acreditado - ou desejado - a reencarnação, mal por mal se voltássemos já se toleraria melhor essa coisa, sempre inoportuna, da morte).
O China Daily só falou nos "riots" mas julgo que há uns tempos ignoraria tudo.
Só preparação para os jogos? Julgo que só, não.

A velhice

É hoje tema quer no JN, quer no DN.
Creio que o interesse foi despoletado mais uma vez pelo tal ‘eurobarómetro’ que mede tudo e quando dirige o seu foco numa determinada direcção as pessoas parece que ‘acordam’ para os problemas.

Esse tal inquérito que nos vem dizer que «29% de pessoas entre os europeus antevêem ser pouco provável precisarem de ajuda quando envelhecerem» informa também que a pergunta foi feita abrangendo todas as idades e a gente muito nova nem pensa no que vai ser quando envelhecer…
Mesmo assim, os outros 70% prevêem que virão a precisar dessa ajuda.

E em Portugal,
até se receia que os mais velhos venham a ser vítimas de maus tratos - note-se que a noção de maus tratos não implica apenas agressão, pode muito bem ser abandono, indiferença, ausência quando quando a presença é necessária.
Por outro lado, os cuidados profissionais, são caros. Muito caros para aquilo que se ganha na nossa terra. Se
apenas 31% dos europeus considera que a assistência a idosos está acessível a um custo razoável, e em Portugal como noutros países, quase metade das pessoas admite que serão elas a pagar futuras despesas, a aflição é ‘como o vai fazer’.
Dizem que muito poucos admitem a venda da sua casa para esse fim, mas a verdade é que mesmo que o façam, essa verba muitas vezes dará para uns 10 anos de vida. E depois?...

Ainda por cima
nós somos um dos países mais críticos em relação aos serviços prestados a idosos pelos lares e cá teremos as nossas razões.
O que fazer?

Eu conheço vários casos que foram desde esse internamento no Lar - o melhor que a família conseguiu - ao tratamento em casa por familiares com um sacrifício que só quem assiste pode avaliar, ao ficar na sua casa com o apoio de um profissional pago.
Todos difíceis.
Todos dolorosos.
E nós a pensarmos porque é que a «esperança de vida» aumentou tanto quando afinal é para uma vida sem esperança?


Não é um palhaço


Por acaso eu até nem aprecio palhaços.
Sei que estou em minoria, quase toda a gente lhes acha graça e é sempre uma das maiores atracções dos circos, mas nunca engracei com esses bonecos. Em criança faziam-me algum medo (creio que por serem caricaturas em carne e osso o que é bizarro e as crianças costumas rejeitar o que é estranho) e mesmo depois de ter crescido nunca vim a engraçar com eles, mantendo todo o respeito pelo seu trabalho.

Contudo, considera-se, e é normal, que chamar «palhaço» a uma pessoa que não tem essa profissão, é um insulto.

Houve uma pessoa que chamou essa palavra feia a outra e por isso foi condenado num tribunal.
Ora a pessoa assim ‘insultada’ tinha acabado de chamar “bastardo” e “filho da ****” ao insultante. Pelos vistos o tribunal que assim deliberou deve ter considerado que ser palhaço era uma coisa feia e ser
bastardo ou filho da ****, nem por isso.
Por mim acho muito bem, muitíssimo bem até, que quem escreve num jornal seja responsabilizado por aquilo que diz. Aliás quem escreve, ou quem fala na rádio, ou quem aparece na TV, seja quem for que use os média, deve saber bem o que diz e ter cuidado quando fornece dados ou informações que nem sempre estão correctos. Afinal são «opinion makers» e isso cria responsabilidades.
Sabemos que nem sempre há esse cuidado. Sabemos que depois vem um encolher de ombros quando se usa como argumento «mas vinha no jornal!» o que significa que nem sempre as reportagens têm o crédito que deveriam ter.

Contudo esta história é outra. Há uma pessoa conhecida pela sua linguagem completamente desbragada, que insulta quem muito bem entende, sistematicamente, quase sempre que abre a boca. Mas está protegido. Tem uma imunidade a que já de habituou há dezenas de anos. Nem lhe deve passar pela cabeça responder por aquilo que diz. Mas foi muito lesto em se sentir ofendido, com esse palavrão de «palhaço».

É que penso é que lhe tocaram num ponto sensível. Porque a frase final refere:
«O seu orçamento não tem fundo. Na Madeira não falta nada. Nem estradas, nem equipamentos, nem emprego. O Estado está em todo o lado. Para dar dinheiro, para controlar a oposição. Para acabar com o circo, não era preciso muito. Bastava obrigar Alberto João a viver com o que tem. Iam ver como os madeirenses deixavam de achar graça à palhaçada».
Isso foi um golpe certeiro. Não se podia deixar passar. Quem teve a ousadia de falar na nudez do rei, tem de ser punido.
Não, não lhe chamaria palhaço (mesmo sem os apreciar) porque os respeito.


segunda-feira, março 17, 2008

Raparigas, olhem para a altura dos namorados

E a gente a pensar que segundo a proverbial sabedoria popular no meio é que estava a virtude (diziam que ‘homem grande cabeça de pau’ e por outro lado ‘homem pequenino ou velhaco ou bailarino’ donde só os de meio tamanho se salvavam) mas afinal não é assim:
Quanto mais elevada a estatura de um homem, menos ciumento ele será.
E pronto!
Se se aproximar de gigante será de uma tolerância extrema, imagina-se.
O que a gente não sabe… mas aprende!


Ciumes daquilo? Pff....