quinta-feira, janeiro 31, 2008

Estereotipos

No sábado passado deixei aqui um vídeo que combatia o estereotipo de que todas as mulheres são umas tontas ao volante. Isso divertiu-me, mas tenho a consciência de que há nesta questão dos géneros uma fornada de estereótipos qual deles o mais forte.
Ora cá vêm mais dois deles, um para um lado e outro para o outro:

video


Quanto ao primeiro sou muito sensível, porque se há coisa que faço bem é pregar pregos, e nunca precisei de ajuda com um black-and-hacker! Haviam de me ver!!! Bem melhor que os homens da minha família (também não são grande coisa a esse nível :D )


Cusquices

Já me tinham falado deste endereço, mas foi a sempre prestável Saltapocinhas que me ajudou, enviando-mo há uns tempos num FW.
Trata-se de um Portal de Reclamações, o tal famoso
Livro Amarelo na Net . Fiquei fã.
Até o adicionei aos meus favoritos. Agora quando me quero distrair não jogo uma paciência, vou é ali um bocadinho para cuscar a vida alheia, ou antes os problemas alheios.

Porque encontramos ali de tudo!
Ficamos a saber do «mau funcionamento das portas do metro numa estação», ou a «alteração na Cabovisão das mensalidades e serviços sem avisar», ou «que o parque de estacionamento do novo Centro de Saúde de Paço d'Arcos não é lá grande coisa» ou os desabafos de um cidadão pelas «as obras no seu condomínio», ou que a TAP «parte [atenção é parte não é perde ] uma mala de um passageiro e nem liga nenhuma», e... por aí fora.

Sempre actualizado. De hora a hora cai mais uma queixa. Vai pingando sem parar, o que é interessante e significativo.

Hoje já sei que «há baratas nas instalações sanitárias do Antigo Espelho de Água», e que no Montijo, tal como eu própria constatei em Lisboa, «a passagem do Carrefour para Continente fez piorar muito o serviço».
São faits-divers? Lá isso… Mas a vida é feita destas coisinhas, e estou desejosa de experimentar deixar uma queixa naquele livro amarelo, coisinha fácil, que motivos há muitos.
É que é já a seguir! Só escolher - atrasos da Carris e falta de protecções nas paragens; a maioria das estações de metro sem elevadores para quem tenha dificuldade em descer escadas; atrasos sistemáticos na programação da TV; o exagero das chamadas de callcenters que até nos faz ser mal-educados para os pobres dos operadores que não têm culpa; supermercados que esgotam os seus produtos brancos e só repõem o stock depois de escoarem os outros que não venderam…
Bem vou escolher um com quem embirrar e estrear-me aqui no Livro Amarelo.
Mas depois vou continuar a lê-lo que é muito informativo!




Que pena

É evidente que demonstra sabedoria saber-se desistir quando se avaliam as probabilidades de sucesso e se confirma que são mínimas.
Mas é pena que
John Edwards tenha desistido

Claro que seria muitíssimo improvável que chegasse, não apenas a representar o seu Partido mas, sobretudo, chegasse à Presidência.
Contudo, por tudo o que tenho lido, seria com ele que o povo dos EUA ficaria melhor servido.

Muito bem.
Segue em frente Barack Obama e, pelos vistos, bem colocado.
Assim seja!


Os rankings e o segredo do sucesso

Este é um estudo de sociólogos do ISCTE, e terá de ter algum crédito. Tanto assim que teve honras de ser chamado à discussão no Parlamento.
A verdade é que ouvimos de vez em quando queixas de pais de crianças que não entram nas escolas que pretendiam com razões pouco claras. (Claro que estou a falar em zonas que conheço, na área de Lisboa, e sei que não é a generalidade)
Agora estes sociólogos, depois do seu estudo feito na periferia de Lisboa, vêm confirmar que "Há escolas que têm uma política sistemática de criar mecanismos selectivos voluntariamente" porque "Cada pai procura o melhor para os seus filhos e acaba por pressionar a escola a afastar os alunos com piores resultados, não necessariamente porque procura desvantagem para os outros, mas porque quer o melhor para o seu" concluíram.
Evidentemente que, no final do ano as que concordaram em aceitar meninos de famílias sem problemas, filhos de licenciados e com melhores condições, no final têm melhores resultados do que as que juntaram os ‘outros’, os meninos de meios desfavorecidos, filhos de emigrantes ou já com menor aproveitamento.
Venham agora falar dos rankings…

Nota - Não quero com isto dizer, simplistícamente, que os tais meninos de 'boas famílias' não possam ter problemas e muitas vezes grandes, também de abandono e pais ausentes por exemplo. Mas à partida é evidente que as condições de aprendizagem são diferentes.


quarta-feira, janeiro 30, 2008

Hoje é quase impossível falar de outra coisa

E contudo também não me sinto com capacidade para dizer nada de reflectido sobre o tema do momento.
Ontem soube a notícia pela rádio e só tive tempo de a deixar aqui, reduzida ao essencial, antes de abalar para outras actividades e estive o resto da noite muito ocupada sem ter tempo para reflectir nela.

Hoje, ao acordar, encontro a imprensa e a blogosfera que melhor conheço a abordar o tema sob todos os pontos de vista. Não o poderei fazer melhor.

Quase todos estão de acordo em que esta política de cortar a direito em coisas fundamentais como era a Saúde, sem ter o cuidado de verificar se havia alternativas para esses cortes e sobretudo sem explicar previamente o que se ia fazer o porquê, é um erro que se paga. E sobretudo quando esse tipo de política (???) vai bulir com o que de mais grave e irreversível nós temos – a nossa saúde.
Dantes estava bem? Não, não estava.
Há anos que se exigia uma volta no sector. Também é certo que desde o comentário de Cavaco, que pelo que dizem foi o que motivou o pedido de demissão do Ministro, até aos últimos e mediáticos casos pondo em causa o correcto funcionamento do INEM por exemplo, a derrocada tem sido imparável.
Mas não se pode esquecer que Correia de Campos era um ministro do governo Sócrates.
Não agia independente e por seu livre arbítrio, seguia orientações que eram definidas e apoiadas pelo governo onde estava inserido.
Pode ser que esse Governo tenha aprendido alguma coisa mas, a manter-se tudo como tem sido, não vejo motivos para que
Ana Jorge venha a seguir uma política muito diferente.
A verdade é que o Governo é o mesmo, e sobretudo o seu
Patrão é o mesmo.
Isto para dizer que se há alguma satisfação, porque este acto pode ser visto como o reconhecimento de que se tem ido por uma via errada, ela não pode ser muito grande.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Remodelação!!!!!

Tarde demais para ser bom

No Domingo passado, quando escrevi aquele post sobre as visitas e comentários, para ilustrar uma frase fui procurar o link à weblog.
(Como todos aqui sabem o primeiro aluguer da minha assoalhada foi na weblog. Eu vinha de outro blog da mesma plataforma e gostava da weblog do tempo do Paulo Querido - era portuguesa e tinha algumas funcionalidades giras. Além disso o blog foi-me oferecido já montado e mobilado, uma ‘oferta irrecusável’. E nos primeiros tempos correu bem, mas quando a AEIOU tomou conta daquilo, todos sabemos como começou a falhar escandalosamente e, até eu que sou mocinha paciente e um pouco teimosa, acabei por desistir e entregar os pontos. Passei para aqui, onde nem pago renda e não há quebras, além dos comentários entrarem à primeira.)
Ora, enquanto morei na weblog uma das visitas diárias era à página que mostrava a nossa posição relativa, quais os blogs mais lidos e comentados por ali. A página da frente apresenta uma lista dos 25 mais visitados na véspera e, agora posso reconhecer um tanto envergonhada, que ansiava pelo dia em que visse o Pópulo entre os 25 maiores. Ia ser uma alegria.

Mas, nada.

Nem pó!

Aparecia entre os que mais escreviam, que nisso de escrever muito nunca houve pai para mim, e também não fazia muito má figura quanto a comentários, mas lá visitas havia sempre muitos, mas mesmo muitos, à minha frente…
Paciência. Foi um sonho não realizado, esse de ficar no pelotão dos 25 da frente.
Ora qual não é o meu espanto, quando anteontem vejo que, agora que já saí de lá há quase ano e meio, era o 5º mais visitado!!! Quê? Estará tudo doido?
Só posso imaginar que a debandada tenha sido tão grande, que agora até «os defuntos votam», ou seja a bitola baixou tanto que as visitas a um blog desactivado ultrapassam as dos poucos que ainda lá resistem.

Ele há coisas…
E eu que teria ficado tão feliz se isto fosse há dois anos!
Agora... pfff, quero lá saber!

Bons augúrios

Um Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, formado pela junção de 3 importantes instituições de investigação na área da saúde, pode ser uma excelente notícia.
Chama-se I3S, uma sigla pequenina ( itrezesse) mas que pode vir a ter um papel importante para todos nós.
Estes senhores vão estudar as doenças degenerativas, o cancro, as doenças metabólicas e as infecciosas e são altamente competentes em áreas como a genética, imunologia, neurociências, evolução, biologia estrutural e bioengenharia
Bem precisamos de competências e de que se trabalhe unido e não em competição e pequenos feudos como tantas vezes acontece.
Creio ser esta uma boa aposta!
(temos de acreditar em coisas boas, de vez em quando, não é? Ao menos que os cientistas se entendam)

Violência e armas

Foi notícia ontem, a morte de dois rapazes de 20 anos, no que foi sugerido como uma luta entre gangs , aqui, nos subúrbios de Lisboa. As notícias posteriores apresentam a história de outro modo, mais impressionante e chocante - afinal os tiros foram disparados por um miúdo de 16 anos e por problemas amorosos.
Impossível? Aconteceu. Tiros e mortes entre miúdos que ainda andam na escola!
Na véspera tinha lido que num jogo de futebol uns adeptos (???) loucos furiosos de um clube tinham lançado alguns “very-light” para o campo de futebol durante o jogo e antes disso um outro adepto tinha sido esfaqueado.
Dois casos, em pouquíssimo tempo, muito diferentes mas assustadores e que devem fazer pensar na facilidade com que se usam armas hoje em dia. Por um lado como se organizam estes bandos «
acusados de assaltarem à mão armada os miúdos que regressam da escola» e que depois se habituam à violência banalizando-a desta forma? Como se chegou a este ponto?
Por outro lado, como é possível entrar-se num Estádio com “very-lights” e com facas é coisa que não entendo.
No Estádio onde o meu filho costuma assistir aos jogos, a busca à entrada é de um rigor que nem na entrada de um avião hoje em dia. As sanduíches que leva de casa ainda passam, mas um pacotinho de sumo já não entra… (pacote, não é garrafa!) E, uma vez que teve a ingenuidade de levar uns binóculos para apreciar melhor o jogo, viu-se perante o dilema de ter de escolher entre entrar e ver o jogo ou ficar com eles... voltando para casa. Bem, ofereceu-os ao vigilante, está visto.
Fartei-me de refilar, que eles eram excelentes, de uma boa marca…

Isto para dizer que não consigo entender, se as normas são iguais como imagino, como raio é que entram lá facas e foguetes?...

E o «dono da casa», que deveria ser responsabilizado, limita-se a dizer: "É de lamentar que estas coisas aconteçam num jogo de futebol e que pessoas venham para um recinto desportivo com armas brancas."

De lamentar?!

Só?





A habitação

Tenho falado aqui quase todos os dias na subida preocupante de bens essenciais, como os da alimentação.
Preocupante, é claro, porque desacompanhada de subida correspondente dos salários.

E a habitação?
Que está hoje 3 vezes mais cara do que há 20 anos?
Nós ganhamos hoje 3 vezes o que ganhávamos há 20 anos?...

Que tenha aumentado desse modo só vejo o desemprego.


segunda-feira, janeiro 28, 2008

Arrumadinho

Nada de lixo, heim..?!



Olhem que conheço uns obsessivos que deviam gostar muito da ideia.


Quando há fumo...

É verdade que actualmente existem os «efeitos especiais» e existem máquinas de fazer fumo.
Também sei disso.
Contudo quando há fumo convém confirmar se por acaso não há lá algum fogo.
Por coincidência, até aqui os casos de corrupção que têm sido confirmados, eram nas áreas onde a tal «voz do povo» andava há que tempos a falar nisso.
Hoje o JN fala no que se passa com quem quer obter carta sem ter um exame lá muito rigoroso.

Podemos ler aqui, ou aqui como é que a coisa se pode passar.
Eu sei que não é por se ter carta que depois não se faz asneira. Mas, valha-me Deus, se mesmo os encartados com uma boa aprendizagem as fazem, imagine-se quem não a tem (boa aprendizagem, não falo da carta que, pelos vistos, é pode ser apenas uma questão de dinheiro).


Bola de neve

Afinal a tal operação financeira que ficou descontrolada do famoso (agora) francês já vai em
Estou a escrever por extenso, porque creio que me perdia no meio de tantos zeros.
Só me consigo lembrar da história do aprendiz de feiticeiro…

A aparente contradição

É só aparente. Basta pensar um pouco para se ver o real motivo.
Quando se considerava que «gordura é formosura» era ainda no tempo onde para se ser gordo também se devia ter dinheiro. Os pobres comiam sopas de couves, um pouco de peixe, o pão mais grosseiro e trabalhavam muito, fisicamente.

Hoje são
«os homens, os mais velhos, os mais pobres e com mais baixos níveis de instrução os mais afectados pelo excesso de peso e a obesidade»
Os mais pobres? Exactamente. «A comida a que os mais pobres têm acesso é mais a barata e a mais calórica […] Os vegetais, iogurtes, fruta são alimentos que custam mais caro» assim como o tempo para fazer exercício não é lá muito para quem vive muito mal.
É certo que também se vê nesta investigação que esse aumento de peso acompanha quem é mais velho e aí, na reforma, já teriam tempo para o dito exercício físico, só que ao chegar a essa idade e sem hábitos nesse sentido é bem difícil iniciar-se uma actividade de lazer que implique exercício. É a idade de se jogar dominó.

Quanto ao cabaz de compras é muito fácil confirmar a diferença do que paga quem traga para casa sobretudo legumes, fruta, peixe, leite, e quem encha o saco com margarina, óleos, açucares, salsichas ou entrecosto.

Anda-se gordo mas e mal alimentado.

E para se fazer certas dietas tem de se ter uma base económica, para além, é certo, de mudar de mentalidade.

domingo, janeiro 27, 2008

Visitas

Volta não volta falo aqui neste assunto.
Até parece que tenho uma ideia-fixa. E se calhar…
Refiro-me aos comentários nos blogs. Para mim, blog que é blog tem caixa de comentários. É assim que penso, faz parte da interactividade desta «modalidade» podermos ser criticados e responder-se a essas críticas.
Claro que depois abre-se um campo imenso – a enorme maioria entre na qual me coloco, é visitado por um pequeno grupo de ‘internautas’ e comentado por um ainda mais reduzido número entre eles, e depois há umas estrelas de primeira grandeza, que ou porque são muito bons ou porque são conhecidos do público, têm milhões de visitas e listas enormes de comentários. E assim se avalia a popularidade de cada um…

Claro que temos os spams. Parece terem sido eles a causa da relativa falência da weblog, mas por aqui a coisa não é grave. De vez em quando aparece-nos, ‘revestido’ na forma de comentário, uma chamada para um blog que não conhecíamos e encontrou essa forma de se propagandear. Nada de grave. Costumo ir lá dar uma espreitadela como cortesia, e pronto.
Também acontece ter visitas de outros países. Brasil, sobretudo. Imagino que venham atrás de um boneco que encontraram no Google, depois acharam graça e deixam umas palavrinhas num post. Simpático. Ora há algumas semanas recebi uns comentários de uma blogger do Uruguai! E, surpresa, escrevendo em espanhol percebia-se que tinha entendido perfeitamente o tema do post que comentava. Era a Mónica de Cine…cuentos .
Como faço nesses casos fui visitá-la e fiquei de boca aberta com as suas caixas de comentários: os seus posts atingem 78 comentários, ou 44, ou 57, ou 60, ou 45, ou 58…, enfim é ir lá confirmar, que eu não minto! Claro que no meio há também outros com ‘apenas’ 8, ou 3, ou 6 ou até mesmo só 1, o que confirma que aqueles dos comentários são os mais interessantes.

Venho contar isto a pensar como o mundo é diferente - eu tenho um grupinho de visitantes quotidiano, certinho mas são os mesmos 4, 6, 5, um post que chegue aos 10 comentários, é um sucesso! Imaginar 50, ou 80 está fora da realidade. E depois gosto de analisar - o que é que atrai o desejo de comentar?...
Como outras pessoas que mantêm blogs têm dito, eu sei que é indefinível o que provoca o comentário. Muitas vezes escreve-se uma coisinha em dois minutos, de gozo, e cai tão bem em quem o lê que vêm logo contribuir com o seu humor. Aliás há essa convicção, são os posts ‘mais leves’ que são mais comentados. Mas não é lei. Também acontece abordar um tema sério, e também atrair visitas. Ou não.
Um mistério.
Mas já agora vou investigar o segredo da Mónica (Parece uma telenovela).
Já imaginaram aqui o Pópulo com 50 comentários? Punha uma pena de pavão no chapéu!


«A publicidade em 1929» II

Cá temos outro anúncio de época.
Que tal...?

Um Caderno de Capa Castanha XXI – O Carnaval – Domingo Magro


«Olá, Clarinha, estamos em plena época de Carnaval!»

Não é bem assim. O Carnaval é só para a semana que vem.

«Hoje em dia até parece. Em Portugal, sobretudo nos grandes centros, pensa-se em Carnaval no Sábado, Domingo e Terça-Feira Gorda. Mas quando eu era criança - e creio bem que na província ainda o é - o Entrudo preenchia 10 dias desde este fim-de-semana, a que se chama Sábado e Domingo Magros, e “continuava sempre a ser” Carnaval até à Quarta-feira da outra semana, a «Quarta-feira de cinzas».
Hoje, não acho grande graça ao Carnaval. E, para ser sincera, mesmo quando era criança tenho a recordação de que os meus pais e seus amigos não lhe davam uma grande importância. Lembro-me da minha avó me contar que as pessoas se vestiam com os dominós pretos e se cobriam de capuzes para ‘assaltarem’ as casas dos amigos, faziam partidas e grandes bailes de máscaras, quando ela era mais nova.
Mas no meu tempo, ou fosse pelo pós-guerra e as economias indispensáveis, ou porque tivesse passado de moda, não me recordo de festas das pessoas crescidas à minha volta.
Mas entre crianças, sim senhor! Como te contei, os preparativos começavam com antecedência. Tinha de ser, para se combinar que fato de máscara é que se ia costurar. Como já adivinhaste os fatos não se compravam feitos, não havia nenhum pronto-a-vestir desse tipo, é claro.
Quando eu era muito pequenina, a maior preocupação era que fosse um fato que me agasalhasse, engraçado mas quentinho. A minha recordação mais antiga está ligada a um fato de minhota. E esse “herdei-o” talvez da minha mãe; mas sentia-me muito feliz de saia vermelha muito rodada, blusa com bordados, xaile com flores, era diferente do habitual, era uma festa! E, como te disse, já neste sábado (chamado ‘magro’) nos mascarávamos e íamos passear para a rua ou fazer visitas aos nossos amigos. Era muito engraçado porque havia mais liberdade do que o costume e perdoavam-se alguns disparates com a desculpa de que «é Carnaval!» E essa sensação de se poder fazer asneiras sem castigo era óptima!!!

Bem, dado a garridice que eu tinha, mesmo pequenita, o mais importante era mesmo a toillete que ia vestir e já te vou contar. Para a semana logo falarei dos outros preparativos, porque a festa era nas matinés dos cinemas e íamos preparados para grandes batalhas.
Agora quanto aos fatos, era uma questão séria. Eu ia sonhando com isso desde o Natal, ou talvez até desde o anterior Carnaval…Quando cresci senti até que ponto os meus gostos eram… pouco imaginativos, mas o certo é que desejava vestir-me como uma figura das histórias: ou fada, ou princesa ou rainha, isso é que era!
Nesses anos, havia muito o costume dos fatos regionais. Hoje não vês assim tantas crianças vestidas de varina da Nazaré, ou ceifeira alentejana, ou noiva do Minho, ou ainda ultrapassando fronteiras, de holandesa com grande touca, ou um toucado de flores como na Europa Central. Naquela época era vulgar e esses fatos iam sendo emprestados entre amigos e familiares. Mas eu, para além de cigana (que só precisei de uma saia comprida colorida, uns lenços e umas jóias falsas) consegui o tal vestido de fada, costurado por uma prima da minha mãe, e foi maravilhoso! Senti-me lindíssima, uma fada quase a sério! Também sonhei vestir-me de «dama antiga» mas aí a coisa não correu tão bem porque eu imaginava-me com uma saia de balão, e uns atavios muito chics mas isso era mais complicado e tive de me contentar com uma dama-menos-antiga - saia comprida sim, uma blusa da bisavó, cabelo no alto da cabeça, um sinal desenhado a lápis na bochecha, mas não era a pompa com que sonhei…
Não interessa! O vestido de fada azul e os seus sapatos pintados a purpurina, isso foi um sonho realizado.»
Clara



(a mãe vestida de minhota)


Uma música ao Domingo

Já que tenho andado numa de revivalismo, umas vozes que marcaram uma viragem quando apareceram com tanto escândalo…

Imagine-se aqueles cabelos compridos, tanta provocação!




sábado, janeiro 26, 2008

Uma vingançazinha

Desculpem lá, mas não resisti.
É que somos tão bombardeados com piadinhas de diversos níveis - umas até com graça, outras muito forçadas... - sobre a péssima condução feminina, que soube-me muito bem encontrar outro lado da medalha.
OK, OK, estou preparadíssima para o que vão dizer, desde que é uma excepção num milhão, até que 'aquilo' é uma foto montagem.
E as piadinhas inversas, não são também muitas vezes "preparadas"...?!


Ora tomem e embrulhem!
(e loura!...)



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A emenda e o soneto, ou a culpa da informática

Pois 'é assim': Eu, com toda a franqueza, já tinha um palpite. Estas modernices, acabar-se com o papel, tudo digital, tudo online, tudo virtual e mais não sei quê, ia dar asneira. Parecia muito bonito, muito prático, «simplex» em suma. A ideia era que se passariam a marcar consultas dos Centros de Saúde para os Hospitais através de um belo sistema informático, nada de papeis, nada de credenciais.
Era esta a ideia. Mas pelos vistos a ideia fica no campo do ideal,
não consegue chegar à prática. Oooooh….
Acontece que os Centros de Saúde já tinham um sistema informático, como se sabe. Atrasados mas não tanto. E, o sistema,
Alert P1, que foi comprado pelo Ministério da Saúde a uma empresa privada por 7.000.000 de euros, é incompatível com esse já existente nos Centros.
Portanto o sistema instalado nos 436 Centros de saúde e nos 89 Hospitais do Serviço Nacional de Saúde afinal não funciona ou, pelo menos, não funciona como seria de esperar.
O responsável da tal empresa que embolsou os sete milhões de euros, tem a ‘lata’ de fazer notar os seus benefícios: “Até aqui os médicos dos centros de saúde faziam os pedidos de primeiras consultas da especialidade que ficam esquecidas numa gaveta. [ Ah sim…?] Com esta aplicação o médico sabe em tempo real o tempo médio de espera do doente, quantos doentes graves tem em lista de espera, quantos doentes não graves e qual o tempo máximo de espera”.
Portanto a grande diferença não é que se espere menos, é saber-se quanto tempo vamos esperar. Que bom!
Quanto à ligação entre Urgência e Internamento, diz o Sindicato dos Enfermeiros “Quando é necessário consultar os resultados dos exames e os dados do doente no internamento não é possível aceder aos que foram introduzidos na Urgência porque os dois sistemas são diferentes.
Então em que ficamos?
Em resumo, a dita aplicação para funcionar vai necessitar de «outras aplicações para fazer a transferência de dados». Etc, etc. Tudo através de uma empresa privada porque o Estado não vai gastar o seu dinheiro a criar esse modelo.
Prefere dá-lo aos outros.

Normas frias

Não é pessoa que eu aprecie por aí além. Tenho o direito de ter as minhas embirrações, e uma delas é com a Isabel Stilwell. Nunca engracei com ela e, quando isso acontece com uma pessoa, reconheço que fico de pé atrás, com parti-pris em relação a seja o que for que essa pessoa diga.
Mas venho reconhecer que desta vez lhe dou razão. Escreveu no Destak (actualmente é directora do Destak, jornal de enorme divulgação!) um editorial com muita razão e… com um título provocatório «Governo promove crianças em leasing»
Seria impossível não o ler.
Compara com ironia mas bastante verdade o decreto que regula a situação das Famílias de Acolhimento, a «uma mega operação de leasing de crianças, mas em versão mesquinha».
Ao contrário do que poderia parecer ‘normal’ os candidatos a Família de Acolhimento não devem conhecer a família natural. Porquê?..
E ainda o ‘acolhimento’ deve ser preferencialmente exercido a título de actividade profissional exclusiva, o que por um lado torna ser «mãe de acolhimento» uma profissão, e por outro nega uma vida familiar «normal» a uma criança, pois hoje o normal é uma mãe trabalhar – note-se que não digo que fosse compatível com um trabalho demorado ou stressante, mas um part-time, ou até trabalho no domicílio, porque não? Até mesmo nas horas onde a criança está na escola…

O único aspecto onde concordo mais com a lei do que com a jornalista é no facto de estas famílias não poderem ser candidatas a adopção. Claro que poderá haver excepções, mas entregar em “acolhimento” uma criança a uma família que deseja uma adopção é uma crueldade para todos – então entregue-se a este casal a criança a adoptar, de vez.
Mas quanto ao ponto de que a Família de Acolhimento não deve conhecer a natural, só me faz recordar um episódio da série «A Juíza» que vi há muitos anos:
Havia um caso onde uma mãe não tinha casa de jeito para ter a sua filha e pelos vistos na América o sistema é semelhante ao nosso – a solução dos serviços sociais seria mandar a menina para outra família pagando a quem tomasse conta dela. Mas, contra tudo o que estava estabelecido, aquela juíza decidiu “entregar” a menina à sua tia, irmã da mãe, que tinha uma casa boa, os serviços sociais pagaram a tal prestação que pagariam se a criança fosse para uma família estranha e a mãe pôde ficar num quarto em casa da irmã mantendo o seu trabalho. O Estado não perdeu nada, e aquela família ficou unida.
Mas aquilo foi numa série, é claro!...


Há corrupção?...


Os nossos bastonários da Ordem dos Advogados têm-se ultimamente destacado por falarem muito e agitarem as águas. Não sei se foi o caso do último, mas já o Júdice enquanto lá esteve fez imenso barulho e o actual, António Marinho Pinto também entra a matar.
Deu uma entrevista à Antena 1, e diz por exemplo que "O Ministério Público é muito forte com os fracos e muito fraco com os fortes", coisa que deve cair mal no dito Ministério Público…
E mais: "Existe em Portugal uma criminalidade muito importante, do mais nocivo para o Estado e para a sociedade, e andam por aí alguns impunemente a exibir os benefícios e os lucros dessa criminalidade, sem haver mecanismos para lhes tocar. Alguns até ocupam cargos relevantes no aparelho de Estado português, ostensivamente"
Bem, está a ver-se que o procurador-geral da República, teve de ordenar a abertura de um inquérito
Mas a verdade é que o homem representa muitos advogados, (25 mil?)!
Vai ser uma luta interessante.


Parabéns Saltapocinhas


E esta, heim?...
Há sondagens simpáticas, Saltapocinhas, já viste esta:

Os professores são os profissionais em quem os portugueses mais confiam e também aqueles a quem confiariam mais poder no país
Bom, a pintura só fica com algumas manchas se virmos que foram comparados com militares e polícia, jornalistas, advogados e líderes religiosos. Beeeeem....

E o interessante é que a sondagem não foi apenas feita em Portugal, foi a nível mundial e só em África é que os chefes religiosos venceram.

Pois bem, critica-se, critica-se mas a imagem do professor ainda nos fica associada ao respeito.
Bonito!


Mas, pelo que diz ali o artigo, parece que em Portugal houve uma margem grande de gente que não confia mesmo em ninguém!
Cépticos!!!

PS- Depois do post escrito, é que vi que a Saltapocinhas já tinha dado por isto. Não faz mal, continuam os parabéns!




sexta-feira, janeiro 25, 2008

Só uma questão de gosto


Por cá temos muito.
Há para aí montes de escolas que era para serem ‘temporárias’ e portanto começaram a funcionar em pré-fabricados. Depois foram ficando, foram ficando, até serem velhas… Sempre, ou quase sempre, com mau aspecto.
Pois se era por pouco tempo... não valia a pena grande esforço de embelezamento.
A imagem de cima é de uma pequena escola de Amesterdão que também está a acolher alunos até a conclusão da escola nova. É feita de contendores, como se nota. Coisa mais elementar não se imagina, pior que os pré-fabricados!
Contudo, acredita-se que seja verdadeiramente temporário, e notem como foram compostos e decorados.


Tal como pensei, uma questão de gosto.


De novo a Itália

Aquele país só gosta de viver em instabilidade.
Mais uma vez (a última de quantas…?) se viveram dias complicados naquele país.
A moção de confiança foi inicialmente aprovada na Câmara dos Deputados e por uma boa maioria.
Mas..

Foi depois rejeitada pelo Senado!
Portanto, o governo italiano vai ao ar.

Como a Direita festejou esta queda do governo, bebendo champanhe nas bancadas, deve sentir-se bem confiante que vão saltar para o poleiro. Há ainda a possibilidade de vir um governo de transição que mude a lei eleitoral, mas mesmo sem isso, mais uma reviravolta e caem de novo desse poleiro. Porque a instabilidade é inevitável com este sistema....

É que, a quem não é italiano, faz alguma confusão estes dois organismos tão poderosos e antagónicos – A Câmara e o Senado.
Pelo que sabemos a «Constituição italiana de 1948 estabeleceu um parlamento bicameral, que consiste de uma Câmara dos Deputados (Camera dei Deputati) e de um Senado (Senato della Repubblica)», e pelos vistos até esta coisa mudar a Itália não vai ter sossego!
Não será a altura de mudar esta lei?... Ou os italianos apreciam mesmo esta montanha russa?

A moralização

Será desta? ...
Dizem que este ano
os serviços públicos que ultrapassarem os 180 dias no prazo de pagamento a fornecedores serão alvo de uma auditoria à qualidade da sua despesa e aos procedimentos de tesouraria .
Imagino que há muitos (a maioria?) que vão entrar em colapso!

Até agora, o atraso dos pagamentos a quem trabalha para o estado é conhecido e aceite como uma inevitabilidade.

Será que é desta que a coisa muda? Ou pretende-se apenas simplesmente deixar de fazer despesas?
De qualquer modo é uma boa máxima: viver de acordo com os rendimentos. Vamos lá ver…





Em grande e à francesa

Ou «quem vê caras não vê corações».

Ainda ontem, em conversa com uma mãe cuja filha vai casar, mas que só agora começa a aceitar o futuro genro, tendo tido sempre muitas reservas em relação a ele devido “ao seu aspecto”, recordei que um bom vigarista tem de ter um bom aspecto.
Tal e qual.
Imagine-se que uma fraude monumental, um roubo de 5 mil milhões de euros, foi descoberta num Banco em França. E a pessoa que conseguiu a proeza, é um corretor, mocinho de 31 anos, expedito e desembaraçado. Com bom aspecto, decerto.
Cinco milhões de euros! Dizem que é o preço do nosso novo aeroporto e assim já se imagina melhor o tamanho do roubo…

Mas quanto a aspecto, ponho as mãos no fogo que seria impecável.
Aquela mãe com quem falei, chocada com o piercing do futuro genro – pelo que ouvi bom rapaz, trabalhador e com emprego estável, e muito bom feitio – talvez tivesse ficado satisfeita com o aspecto do tal corretor.


quinta-feira, janeiro 24, 2008

' A segurança do Cinto' de Segurança

Não há nada como um cinto para dar segurança.

Não só na estrada, tantos desastres que nos espreitam só por causa de um cinto...!

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Sustos

Na Suécia o alarme de suspeita de bomba traduziu-se num pacote com num vibrador
Em Lisboa, fechou-se uma estação do metro
por se ter visto um embrulho ‘suspeito’ ao lado de um lenço árabe e anunciou-se que se iria fazer explodir o dito.
Não consegui saber se o embrulho era explodível afinal, mas tudo não passou de um susto.
Se o lenço em causa fosse à minhota, duvido que o alarme fosse igual.


Coisas…


A minha unidose é melhor que a tua!

E pronto!
Cada qual tem a sua unidose e umas são boas, outras más. Parece que a história é mais ou menos assim:
Aí há uns dois anos, partiu-se numa cruzada que mereceu o aplauso de muita gente, contra certas empresas farmacêuticas e, para além da divulgação e incentivo ao uso dos medicamentos genéricos, decidiu-se levar a cabo uma solução de poupança de medicamentos que se usa em imensos países – um clínico receita a dose necessária a cada doente e é essa que é vendida e utilizada. Parecia simples.
Parecia… mas afinal não é nada.
Essa coisa da unidose tem muito que se lhe diga, uma vez que dois anos depois ainda se anda a estudar o caso. É a vitória do engonhanço.
«Logo que os estudos técnicos que garantam a segurança e a avaliação do novo sistema estejam concluídos, exigiremos a sua operacionalização» diz o PS. Lá quando é que os estudos estão prontos, ninguém se aventura a dizer…
Parece que todas as bancadas lá no Parlamento estão de acordo em que o sistema da unidose tem de ser implementado, mas cada um tem objecções diferentes. «Nós queremos a unidose, mas não é a unidose que os senhores querem», e mais nada!
Claro que entretanto nós vamos comprando caixas de 30 comprimidos para se usarem 5. Os mais poupados talvez desejem voltar a ter a mesma doença para aproveitarem as sobras.

Ora! Nem chegou a mil…

Também ele há gente mesmo mal intencionada (além de terem a mania das contagens!)
Dizem agora que os senhores da administração Bush mentiram 935 vezes no período dos dois anos anteriores à guerra no Iraque
Então e depois?...
Se queriam obter os seus fins, não se podiam pôr com esquisitices com os meios. Mas, aliás, também andam para aí a dizer que, de qualquer modo, a popularidade de um presidente, lá nos EUA nunca dura mais de dois mandatos. Fatal comó destino!!!
Talvez.
Contudo segundo o tal gráfico, há para aí uns desgraçados que mesmo na sua fase razoável andam bem abaixo da média geral, e outros que quase furam a base do gráfico…

Cliquem no gráfico

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Homenagem a Mário Alberto


No dia 28, no Teatro D. Maria vai realizar-se uma homenagem a Mário Alberto, promovida pela Barraca e Câmara de Lisboa.
Mário Alberto é conhecido em todo o meio teatral. Pintor, Cenógrafo, Figurinista, Homem do Teatro, do Cinema, da Televisão. Foi um dos fundadores da Barraca.
Informa-nos quem sabe que Mário Alberto é um dos últimos habitantes do Parque Mayer onde tem vivido, apesar de muito doente agora.
À homenagem, mais que justa, seria bom que muitos de nós se associassem.
Atenção, dia 28, às 18 horas, no D. Maria.

Testemunho de Gonsalves Preto:
"Nunca vi o Mário Alberto de gravata. Ele é o contrário do convencional do académico, do normalizado.
Na pintura, também. Ou, antes, na pintura, sobretudo Ele emerge do fulgor enorme da irreverência, da provocação, da inconformidade. É a sua forma de estar vivo. De ser ele.
E é, de resto, a sua forma de pintar. Surpreendente. Excessiva, às vezes. Incómoda, sempre. Intransigentemente imaginativa. Mágica, mas exacta. Direi mesmo, mágica porque exacta.
Rigorosa, na sua feroz e obsessiva vigilância das cores e das tonalidades que condicionam a realidade das realidades (objectos - e sujeitos reais) que ele pinta - muitas vezes representadas numa espécie de teatralidade monstruosa que se estiliza até à erudição (pictórica) sem nunca perder a raiz popular autêntica e telúrica, e que lhes confere uma inconfundível identidade e especificidade. Ele consegue esta alquimia.
Para Mário Alberto, irreverente e brilhante, pintar e existir é transgredir. Transgredir em deslumbramento. Transgredir, como quem, sendo temente a Deus, comesse em sexta-feira santa um chouriço de Lamego bem assado.
É pecado sim senhor! Mas Deus perdoa.
Vamos, mas é... regar isto com um bom tintol!
O padre Osório é que tem razão."


Não há nada como ser oposição!

Neste movimento pendular entre os dois maiores partidos portugueses que se vão sucedendo ao leme deste barco a meter água, é maravilhosos como têm os olhos abertos e montes de soluções para tudo, enquanto estão na oposição.
Por mais que o veja, admira-me sempre, a clarividência e espírito aberto que estes senhores têm quando não têm de decidir nada.

Vejam como o presidente do PSD anda ralado
com a recuperação de bairros sociais em Lisboa e Porto .
Coitado. Até dorme mal. (parece que não, já nos disse que dorme muito bem)
E a facto de a Câmara do Porto ser da sua cor e a de Lisboa o ter sido até há pouco não altera nada.
Ele diz que "
há acções que ultrapassam as competências das autarquias, como políticas de realojamento, saúde, promoção de emprego, combate ao tráfico de drogas e apoio à primeira infância e terceira idade".
Tal e qual.
Foi com isso que o PSD se preocupou quando esteve no governo.

A segurança… privada

Dizem-nos que a legislação que regula a segurança privada vai ser alterada este ano, a fim de criminalizar o seu exercício ilegal.
Boa ideia.
É que esta conversa de «segurança» tem muito que se lhe diga.
Segurança para quem?...
Diria o bom senso que a segurança do cidadão comum e inocente deveria ser efectuada pelos serviços que existem para isso: as polícias.
A elas podem pedir-se contas, podem (ou devem) ser controladas, podem e devem estar ao serviço de todos, defendendo-nos dos malfeitores.

Mas os “privados”?..
Estão às ordens de quem lhes paga como é natural. Portanto a minha natural dúvida – são segurança, sim, mas de quem ?...


Guardar dinheiro?


Quando se lê que os portugueses ainda têm 41 milhões de contos ficamos animaditos. É alguma massa, assim olhando para ela toda junta… Onde é que a temos?
Trata-se de dinheiro “velho”, ainda em escudos, que não foi devolvido. Comecei a pensar onde é que teria metido essa massa, que me dava jeito. Para confessar tudo, eu sou das que cometeu esse pecado – tenho ali uma nota de cem paus a servir de marcador de livro. Enfim, aquilo são 50 cêntimos, e vai-me lembrando como era o ‘outro’ dinheiro antes do euro.
Contudo parece-me estranho porque 41 milhões é bastante dinheiro… Nós somos 10 milhões é verdade mas nesse número entram crianças e adolescentes que não vão fazer essas colecções, e numa família de 4 ou 5 pessoas é natural que tenha ficado apenas uma dessas notazinhas de recordação, como referi no meu caso.
Mas guardar uma nota de 5 contos já me parece estranho, que isso era dinheiro, para não falar nas de 10 onde parece que faltam mais de 600 mil. É estranho.
Sei que o dinheiro se tem desvalorizado muito, já lá vai o tempo em que o Igrejas Caeiro cantava que «uma nota de quinhentos não se pode deitar fora», mas guardar notas tão altas como colecção acho pouco normal.
Enfim, nem sempre se entende o que se passa na cabeça de cada um…

terça-feira, janeiro 22, 2008

E agora qualquer coisa de diferente:

Isto é que é uma equipa!

video


Jeitosos, heim...? Sem parar de trabalhar!

Dinheiro em queda


Não percebo muito de números e quando se referem a «mercados», «bolsa» coisas dessas é bem pior do que falarem em chinês ou grego que dessas línguas ainda sei umas palavras! É uma “língua desconhecida” completamente.
Mas não deixo de pensar que o facto da imprensa desta manhã insistir tanto em que ontem foi um «dia negro» na bolsa de Lisboa, que
existiu um mini-crash, com uma queda superior à sofrida nos atentados do 11 de Setembro e sem paralelo desde 1998 não é bom.
Não é bom para os investidores - coisa que não sou como se deixou perceber - mas não pode ser bom para ninguém.
É um mau sinal.
Como repito a minha ignorância destes assuntos, só desejo que seja passageiro. Será?

Mas as crianças os velhinhos, Senhor…

Todos aprendemos de cor os versos da conhecidíssima poesia de João de Deus Augusto Gil*,
«Que quem já é pecador /sofra tormentos, enfim! /Mas as crianças, Senhor, / porque lhes dais tanta dor?!... / Porque padecem assim?!... » estando implícito que «quem já é pecador», paciência, se andar para aí a sofrer é por causa dos seus pecados.
A verdade é que eu estando na primeira linha na defesa das crianças que, de facto, são frequentemente vítimas sem nenhuns meios de defesa se não houver quem se interponha e faça vale os seus direitos, também me preocupa muito outra faixa sofredora e que também tem dificuldade em ouvir os seus direitos – os muito velhos.
Hoje anda por aí um conceito que era novo há uns tempos – a quarta idade. Porque a tal 3ª, a que começa ‘oficialmente’ aos 65 anda muito vivaça, e – dependendo de cada caso como é evidente – muitas vezes uma pessoa entre os 65 e 70 e tal ainda está muito válida, activa, enérgica, e com as suas capacidades a funcionarem muito bem. Na 4ª idade as coisas já assim não são. E a nossa sociedade anda num ponto de ruptura: as famílias não têm capacidades para cuidarem dessas pessoas no ambiente familiar como era há cem anos, e não há resposta de qualidade e acessível economicamente para serem cuidados em locais onde se sintam bem.
Hoje o DN trás duas reportagens sobre os maus tratos a idosos que têm aumentado de um modo escandaloso, e o modo como alguns 'lares' os tratam a poder de sedativos também nos deixa arrepiados.
Infelizmente tenho conhecido bem o tema de que se está a falar. Muitos dos lares, até quando estão bem apetrechados, têm falta de pessoal suficiente, talvez por serem os salários o que mais encarece essas estruturas.
Este é um tema incómodo.Porque enquanto para o problema das crianças se pode pensar em «famílias de acolhimento», em «adopções», em diversas soluções de modo a garantir uma vida mais feliz a quem a merece, no caso de um velhinho que muitas vezes tem de ser tratado a nível de higiene e alimentação como uma criança, essas alternativas são impossíveis. Mas quem lhes acode?
Atenção, até de um pondo de vista egocêntrico, é importante tomarem-se medidas. Notem bem que com o aumento de esperança de vida esse pode ser o cenário para cada um de nós dentro de uns anos…
Muito a sério.




* só agora à noite (depois das 20 horas ) voltei a reler este post e os respectivos comentários. Evidentemente que o erro foi de palmatória, justificável pela pressa com que hoje preenchi a minha “quota” de posts - já tardíssimo e tendo as ideias na cabeça mas sem tempo para reflectir em mais nada. Agradeço a correcção do poeta Augusto Gil, a quem não pretendi ofuscar o brilho e desejo muitas reedições do Luar de Janeiro :D

segunda-feira, janeiro 21, 2008

«Conta-me como foi»

Ontem o episódio da série «Conta-me como foi» parece ter sido escolhido de propósito.
Já aqui falei muitas vezes dessa série que tem sido de aplaudir. Teve um intervalo mas quando recomeçou foi nos mesmos moldes e num horário muito razoável.
Sendo uma obra de ficção, pretende ser ‘leve’, basta a história ser contada na primeira pessoa por uma criança de 8 anos, traquina e ingénua, para se prestar a cenas engraçadas e de brincadeira. Em todos os episódios há o cuidado de introduzir uma cena de humor.
Mas impressionou-me que ontem se falasse do caso do filho mais velho da família protagonista, que sendo estudante de direito, através da namorada começa a tomar consciência das actividades de contestação que se passam na Academia e a ficar cada vez mais envolvido nessa contestação.
A namorada, filha de gente de importância no regime, é rapariga decidida e informada, e ‘arrasta-o’ a ir levar uns comunicados a uma assembleia de estudantes em Coimbra, só que no caminho são interceptados pela PIDE e presos.
Como a série é “leve” apesar de rigorosa, neste caso o pai da moça interfere com um telefonema ao ministro ela é solta rapidamente e, por insistência dela junto do pai, também se consegue que o jovem saia ao fim de 48 horas. Ficou com um enorme susto e uma lição inesquecível pelo que se observa da sua expressão nas últimas imagens que se viram.
Mas quando comecei por dizer que o ter ido para o ar exactamente ontem foi uma coincidência, é que hoje, 21 de Janeiro, faz 43 anos que se deu uma das maiores rusgas e detenções no meio universitário.
A 21 de Janeiro de 1965 foram presos dezenas de estudantes, desde jovens quase finalistas e miúdos dos liceus, sob a acusação de que estavam a pôr em perigo a Segurança do Estado. Não saíram ao fim de 48 horas como no «Conta-me como foi». Estiveram em diversas cadeias durante muito tempo. Sofreram interrogatórios duríssimos. Estiveram sem dormir, sem verem a família, incomunicáveis, muito tempo.
Faz hoje anos.
E há ainda que
m não o esqueça. É bom não ser esquecido.

O que se decide à mesa

É certo que está nos nossos hábitos: uma refeição é um acto social. É das acções indispensáveis à vida que se pratica em público.
Mas sempre considerei interessante reparar naquilo que se resolve à mesa!
É cada vez mais moda por exemplo “os pequenos-almoços de trabalho”.
Uma pessoa Um político não usa o pequeno almoço como parte da sua actividade normal da manhã, misturada entre o duche e a escolha das peúgas, não senhor, aquele é um momento para discutir assuntos importantes, importantíssimos até, mas que não couberam na agenda diária. E, é certo que isso dá uma visão bem dinâmica e atarefada dos seus intervenientes que têm de usar essa migalhinhas do seu dia para resolver o que necessita de resolução.
Os jornais informam-nos que o senhor primeiro-ministro vai jantar, em São Bento, com
o procurador-geral da República, o ex-bastonário da Ordem dos Advogados, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o ministro da Justiça Deve ser para finalmente resolverem o problema da Justiça em Portugal.
Oxalá o jantar esteja bom para os inspirarem, porque até agora devem andar a passar fome que os progressos nessa área não se vêm a olho nu.
Possivelmente depois de uns copos de um tinto seleccionado as coisas apareçam com umas cores mais bonitas e inspiradas.Oxalá!


Pois é!

Essa é que essa...



E ainda...

domingo, janeiro 20, 2008

Uma música ao Domingo

Sem palavras



Livros


Aos Domingos tenho deixado aqui, desde há uns tempos, um post da categoria “Era uma vez…” a que tem correspondido a «série» do tal Caderno de Capa Castanha que tem referido recordações com dezenas de anos.
Mas hoje, venho contar uma experiência que ‘encaixa’ na categoria não sendo de modo nenhum uma das histórias do Caderno.
Nos últimos tempos tenho andado a ajudar uma prima que está a desmanchar a casa que foi dos seus pais. É uma tarefa dura. Dura sob vários aspectos – implica relembrar uma vida, ou várias vidas até, inventar soluções porque tem de se dar destino às coisas e corta o coração deitá-las fora, mas o certo é que também é materialmente impossível guardar nas nossas casas, já bem cheias, o que existia na casa dos nosso pais.

Mas o que tem sido mais complicado é tratar da biblioteca.
Filha, neta, bisneta de intelectuais, ela herdou aquela biblioteca com mais de 5.000 volumes. É um deslumbramento mas... tinha de ser orientada para outro lado, que no fim do mês tinha de entregar a casa. Temos portanto passado horas e horas e horas rodeadas por livros, a tentar ‘peneirar’ aquilo tudo – a grande maioria irá para uma biblioteca pública que aceitou aquele espólio, contudo também existem ali muitos livros a que se pretende dar outro destino. Temos livros, dezenas, centenas delas, com autógrafos dos seus autores. Como o avô também foi um escritor, encontramos livros com dedicatória de uma quantidade imensa de outros escritores. Esses foram postos de lado, porque faz alguma impressão não os guardar… Por outro lado, também lá existem exemplares muito antigos, edições do século XIX, primeiras edições, e a minha prima quer ouvir a opinião de um especialista sobre o valor real daqueles volumes.
Ora bem, o que eu queria sublinhar (e por isso creio que este post se situa bem no «Era uma vez…») era o facto de para o meu tio o livro ser um objecto de amor.
Por um lado, aqueles milhares de exemplares tinham sido todos catalogados e cada livro tinha uma ficha. Infelizmente (muito infelizmente!!!) na última mudança tinha-se chamado uma empresa ‘especializada’ que os tinha tirado das prateleiras de qualquer modo, e voltado a colocar depois também a trouxe-mouxe, de modo que o trabalho que ele teve não serviu para nada…
Mas, o mais interessante, é que todos, ou quase todos, os livros tinham uma capa. Os mais recentes tinham capas transparentes, estavam protegidos mas conseguia-se facilmente ver que obra era, contudo os mais antigos estavam forrados com um papel que se comprava para esse efeito, mas era opaco. Embora muitos deles tivessem o nome escrito à mão na lombada, para se conseguir ver a data tinha de se remover esse forro. Calculam o trabalho que nós tivemos…? Um por um…?!

Contudo o que eu pretendia sublinhar era o cuidado, quase o carinho, com que os livros eram olhados. Milhares. Muitos milhares mesmo. Porém, cada um com a sua ficha, cada um encapado para se proteger dos possíveis estragos. Era realmente uma época diferente. Uma época onde havia mais tempo. Onde se considerava prioridade conservar um livro em bom estado. Mesmo que nas prateleiras existissem mais cinco mil…



(Aquilino Ribeiro, oferece o Romance da Raposa)