segunda-feira, setembro 21, 2009

Sondagens

Eu sei que é uma ciência. Ou pelo menos não será uma arte… A técnica das sondagens implica um bom domínio da matemática e creio que da sociologia. Uma ciência.
Mas o certo é que a meteorologia também o é, há muitos anos, creio que há muitíssimos mais do que aqueles em que se praticam as sondagens, e contudo o ser humano comum, se aceita levar guarda-chuva quando a previsão é de aguaceiros, não fica admirado se faz um sol radioso e limita-se a encolher os ombros. Lá falharam eles, resmunga no momento e não volta a pensar no assunto.
Mas as sondagens, como ainda se trata de brinquedo novo, emocionam mais. Mesmo que elas ainda sejam, segundo a definição dos ‘esmiuçadores’ aquela «actividade híbrida entre a contabilidade e a astrologia». Mesmo quem afirma que não leva a sério vai-se servindo disso para os seus argumentos.
Mas afinal, quando comparei com a meteorologia foi para benefício desta última. Não só é falível também como, apesar de tudo, os senhores que prevêem o tempo lidam com umas categorias físicas - pressões atmosféricas, temperatura, humidade - mensuráveis e rigorosas. Os senhores que prevêem o voto lidam com pessoas e palavras.
Sabemos como o espírito humano é enganador. Até para si próprio! Um inquérito feito por uma pessoa estranha é normal que receba todo o tipo de respostas, desde a verdadeira, à verdadeira-naquela-momento, à que se diz para-dizer-qualquer-coisa, à que se diz para imaginariamente agradar, à que se diz para contrariar… Claro que sabemos isso. E é certo que os especialistas, por precaução, fazem aqueles intervalos grandes, pelo sim, pelo não.
Mesmo com os ditos intervalos, lembremo-nos que nas últimas eleições estas previsões falharam claramente, os resultados estavam em franco desacordo com as sondagens.
Mas não serve de emenda.

E, contudo, a mesma sondagem pode ter efeitos opostos conforme a personalidade de cada um. Eu já assisti a três atitudes: 1) ah, o X está à frente? Então escuso de lá ir, já está garantido 2) oh, o X está à frente? Então vou votar nele, gosto de vencedores e ainda posso ter vantagens. 3) ai, o X vai à frente? Tenho mesmo de votar no Y, que o X não pode ganhar!

Ou seja, as influências podem ser tão mais variáveis como do que os ventos da atmosfera. E, como disserem no tal programa: «Credibilidade? Isto é uma sondagem


25 comentários:

fj disse...

Uma arte cientifica, uma ciencia artistica, mas a melhor é mesmo essa que citas !Isto é uma sondagem!(! que diabo querem melhor !?

Emiele disse...

(esta gracinha sobre se «é uma arte ou uma ciência» é coisa que se calhar hoje não faz tanto sentido; quando eu e o fj andávamos na faculdade muitas das cadeiras que fazíamos começavam com os doutos mestres a perorar sobre se ela era uma arte ou uma ciência - foi por isso que escrevi assim e ele 'apanhou' a graça!)

kika disse...

É tão só uma sondagem como o fj diz com muita graça.
Uma "arte cientifica" se a olharmos como olhamos para um quadro de Nadir Afonso.
Matemática, estatisca sociologia , tudo numa salgalhada, na tentativa de seduzir alguns eleitores, e provavelmente conseguem .

Joaninha disse...

Seduzir e confundir, eu sei lá... Que sem a menor dúvida há por aí 'encomendas' de sondagens, é um facto. Que todas tentam passar uma imagem de isenção, também é certo.
E que os números são «usados» conforme dão jeito ninguém o nega!

A Senhora disse...

Isto me lembrou uma eleição aqui em SP. Estava tudo indicando para ganhar um determinado candidato de um partido conservador. Ganhou uma novata do PT, por pura revolta do povo, que já estava cansado de enrolação. Claro que demonstrou-se totalmente despreparada, mas mostrou também que as sondagens são meras sondagens... :)

Boa semana! :)

Joaninha disse...

....
Ah, e também que os Gatos estão a prestar um serviço público!
A brincar, a brincar, mas vão-nas dizendo!!!

Joaninha disse...

Olha, a Senhora andou aqui no mesmo minuto que eu!!! :)
Esse exemplo que contas vem completamente ao encontro do que por aqui também sentimos. Há muito voto que é por pura revolta do povo, que já está cansado de enrolação.
Nem mais!

fj disse...

kika a frase não é minha, foi usada pelo RAPereira. Aquela de se passar dias a discutir se "eram" artes ou ciências ( vejam como isso é importante num caso de direito de sucessões...quando o que se quer é saber quanto é a herança ).( nunca me esquecerei dessas e daquela do Martinez que dizia que a idade média se carac(?)terizava pela "elevada mobilidade social ascendente pela "força de gerações sucessivas", e tantas outras agora, felizmente, inadmissiveis. Bela ideia a da nAfonso.
Seduzir em geral é para conduzir, mas a análise das consequências feita pela emiele é tambem muito gira.
Tambem acho que os ditos sobre gatos
e os protestos (Senhora e Joaninha)
devem estar bem certos. Já só falta teorizar se o voto util será uma arte ou uma ciência, e quem vai para lá.
Modestamente parece-me que esgotei.com brilho, os problemas das legislativas, aproveitando com minha inteligência sugestõesitas vossas.Mas se alguem ainda quiser dizer qualquer coisa mais (?Haverá?)tente, pode ser que consiga.

Mary disse...

Olá FJ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

É formidável vir depois de ti (e ainda por cima viste muito cedinho e tiveste tempo para voltar o que é duplamente excelente!)
De facto este post hoje está bem disposto, na senda dos Gatos que é o que nos vale para não vomitarmos já eleições - o que vale é que já falta pouco.
Essa coisa das sondagens é mesmo uma arma de dois gumes.
A Emiéle chama a atenção exactamente para que apontarem para determinado resultado tanto pode ser desmotivante («já têm os votos que cheguem não precisam do meu») como estimulante («agora é que é, mais um esforço»)
As leituras são muitas.
E se não são encomendadas, muitas parecem...

King disse...

Maravilhoso:
"elevada mobilidade social ascendente pela "força de gerações sucessivas"
lol!!!
:)

Na Idade Média???!!!
Eheheheh!!!
Ganda professor!!!!
(nem comento mais nada que ainda me estou a rir!)

fj disse...

Mary e king eu preveni, que é que disseram depois do que eu já disse? E melhor e com mais seriedade.
King sériamente há mais e melhor, mas não quero xatear. Felizmente absolutamente impossivel(julgo).Mas olhem que o Martinez ainda pontifica,se calhar ainda anda a contar as gerações...

shark disse...

Sou um zero à esquerda.
Nunca me sondaram...

josé palmeiro disse...

Não ligo às sondagens. É mais um engano, não pelas sondagens em si mesmas, mas por quem as faz e pelos critérios que se prendem com a sua execussão.
Devo, no entanto dizer que, à custa destas eleições já me ri mais que em trinta e cinco anos de democracia, e o culpado, é esse que aparece na ilustração do escrito.
Por tudo, já valeu o esforço e as lágrimas de riso. No dia 27, será a continuação da comédia, isto porque o epílogo, está longe, como nas telenovelas, está para durar...

Maria disse...

Chegada, só agora, aqui - leio a interessante reflexão da Emiéle sobre "Sondagens" e os vossos comentários e está,quase, tudo dito - assim de repente - veio-me à idéia o tempo em que me sentava com a família em frente ao televisor, durante horas, aguardando com algum nervosismo (faziam-se apostas) o resultado da contagem dos votos. Não perdoo às “sondagens” terem-me roubado aquele momento, quase único, resta-me os campeonatos de futebol - Europeu e mundial e se não falhar a nossa selecção.:)))

Emiele disse...

Ooooh, Shark, tadinho....
Sabes que a mim já me calhou essa coisa da «sondagem à boca das urnas»? Vinha a sair e derem-me um boletim igual ao outro e pediram que o preenchesse de um modo igual e o metesse na ranhura de uma caixa. Não sei se é sempre assim ,mas comigo foi.
Contudo, as outras, as telefónicas, também nunca fiz.
Hoje o programa da Sic «Opinião Pública» foi sobre as sondagens, e TODOS, mas mesmo todos os que responderam afirmaram que n
ao interessava nada e não mudava a opinião deles. Aliás maioritariamente estavam contra o Sócrates (só um o defendeu) e, curiosamente quem estava a ligar eram mais eleitores de direita, bastante abespinhados com o Bloco.
Nem de propósito, parecia que a sic tinha visto que este era o meu tema de hoje...

fj disse...

Maria há sempre tempo para o toto- -eleições. O meu boletim:
ps 35,4
psd 31,2
be 11,5
cdu 10,9
pp 6,9
outros: o resto, não consigo quantificar.
Quanto ao depois é que...

zorro disse...

Até concordo (ou espero que assim seja) com o 'totoeleição' do FJ, mas tem de tirar um pontozito a todos porque assim só dá uns 5% para a abstenção.
A não ser que a % seja dos votos, mesmo assim brancos, nulos, etc, parece-me que 5% continua a ser pouco. Eu próprio conheço várias pessoas que vão votar branco!

De resto o palmeiro tem razão - o melhor destas eleições está a ser o que os Gatos dizem!!!
Tenho chorado a rir.

sem-nick disse...

Está fabuloso: «actividade híbrida entre a contabilidade e a astrologia»
Cá por mim, quem mais vai atrás das sondagens são os próprios políticos!!!!

Maria disse...

Fj é capaz de estar muito próximo do resultado. Eu não sou capaz de avançar, nestas eleições, um "boletim" e temo surpresas.

King disse...

FJ, acho o intervalo entre «os dois grandes» muito elevado.
Estou a ver mais um 32 e o outro 33,5...

Emiele disse...

Também acho, King. De um ou de outro.

Algumas coisas não consigo entender:
O Marcelo Rebelo de Sousa diz descaradamente que o PS ganhar estas eleições é adiar um resultado, porque dentro de pouco ele vai cair e aí vem o PSD.
Ou seja, está a ameaçar (ia dizer chantagear...) anunciando que se o PS não tiver uma maioria absoluta (previsível) o PSD vai fazer tudo para derrubar o governo para ir depois para lá.
Devo estar particularmente obtusa, mas não entendo que a inversa não seja verdadeira: se o PSD ganhar, então pelos mesmos motivos também só lá vai estar 2 anos – pelas palavras de MRS – porque então será o PS que lhe vai infernizar a vida...
Assim vai Portugal!

sem-nick disse...

Ehehehe!! Achei graça quando li os comentários com mais tempo, o Shark dizer que é um "zero à esquerda", quer dizer que é um bom algarismo à direita?! Do que vejo lá no blog, não me cheira... :)

O que dizes aqui já em cima (se entretanto não entrar outro comentário...) estás a querer dizer que é previsível que nenhum deles tenha maioria absoluta, não é? O "previsível" é isso? Nem é preciso a sabedoria das sondagens para prever isso. Mas esta campanha tem sido uma desgraça. Agora o Cavaco vem demitir o outro, mas continua a deitar para depois das eleições os esclarecimentos. Não sei a quem isso possa beneficiar - se atiraram com a acha para a fogueira agora havia que apagar o lume.
Estou super farto do "bloco central!".

Miguel disse...

Infelizmente, não estou a acompanhar estas eleições. Nem vou votar, uma vez mais e com alguma pena lol. Sou extremista na hora de votar pelo simples facto de não acreditar em maiorias absolutas ou de entender que os minoritários devem ter alguma força que permita balancear o exercício do poder (absoluto). Por isso, apenas vou ouvindo que este ou aquele vai à frente.

O meu pai "profissional", o meu guru e com quem muito aprendi e tive a sorte de trabalhar com ele no início da minha carreira, uma espécie de tutor que tanta falta faz a quem inicia uma carreira, vai ser eleito deputado nestas eleições. É a materialização de um sonho antigo, a contragosto da mulher, e o culminar de uma longa carreira profissional como gestor e administrador de várias empresas. Só por ele, tenho alguma curiosidade.

Quanto ao desfecho, tenho dúvidas sobre quem sairá vencedor nestas eleições. Estou mesmo tentado a dizer que venha o diabo e escolha, apesar do meu guru... De todo o modo, um governo minoritário, em particular se for do PS, a não ser que consiga constituir uma coligação que permita a estabilidade, dificilmente cumprirá a legislatura até ao fim. A não ser que o cenário seja tão mau que ninguém queira constituir governo. E o que aí vem, parece-me, não será um futuro particularmente agradável para quem for governo. Por outro lado, alguma instabilidade política pode ser que seja o melhor caminho para uma renovação a sério e profunda no panorama político português, enterrando os intermináveis sucedâneos do cavaquismo e do guterrismo.

Emiele disse...

Tens toda a razão, Miguel. Quanto mais «absoluta» for a maioria mais «absoluto» é o poder. E poderes absolutos...
Por outro lado se for' apenas' uma maioria vai obrigar a cedências nalguns pontos de modo a obter a maioria necessária a deixar passar as leis. E até me parece benéfico.
......
De facto esse risco de que o PS pode não conseguir cumprir a legislatura existe, mas... não vejo porque é que não vai existir também para o PSD a não ser que faça logo uma coligação com o CDS. É que se assim não for os partidos à sua esquerda ultrapassam-no muito.

josé palmeiro disse...

Mais um dado para baralhar, Fernando Lima/Aníbal Silva. Que dupla! E agora? Como é Manela?
Lindo o Portas às uvas! Só as não pisou, p'ra não sujar o pézinho...