terça-feira, maio 19, 2009

O estranho caso dos 15.000 desaparecidos

Não, não tem nada a ver com Perry Mason (que gostava muito de intitular as suas histórias como ‘casos’), nem com Ellery Queen, nem com Agatha Cristie...
Este é um caso português.
Actual.
Actualíssimo. Mete computadores, dados cruzados, muita informática. Vivemos na era da informática o que é excelente – sem ela aqui o meu blog nunca tinha visto a luz do dia. Não tenho nada contra a informática, como é evidente. Aliás parece dar muito jeito, e servir de justificação para imensa coisa.
Passo pelo meu banco para tratar de um assunto, e… o ‘sistema’ foi abaixo, vou ter de esperar ou voltar lá.
Vou a um departamento público pedir um documento e... ai, ai, era muito fácil, mas houve ali uma avaria na net, só depois.
Quem não conhece esses casos?
Só que alguns são mesmo espectaculares:
O IEFP tem os dados dos desempregados que actualmente existem. Bem, mais ou menos, uma vez que nem todos os verdadeiros desempregados constam dessas listas, por exemplo antes do ‘primeiro emprego’ não se está verdadeiramente desempregado porque não se está inscrito na Segurança Social, não é? Mas também não está a trabalhar! É assim a modos que uma espécie de limbo.
Além disso é interessante notar que o IEFP se, nem por isso arranja trabalho sobretudo no caso do «primeiro emprego», preocupa-se em enviar regularmente um postalzinho para confirmar que a pessoa que lá está inscrita, ainda não está a trabalhar. Bem, mas adiante que isto não interessa nada!
Acontece que sucedeu um percalço. Imagine-se que ao cruzar os dados com os da Segurança Social no processamento dos novos empregados, não se sabe muito bem como, caíram 150.000 nomes de novo no desemprego e o número obtido foi o dobro do que devia ser, passaram a ser mais mais 300.000 desempregados. E não se dava por isso. Ninguém reparava nessa coisa.
Ah, que disparate. Enganei-me. Nada disso, foi ao contrário, nessa tal actualização dos dados com a Segurança Social cerca de 150 mil desempregados passaram por engano para a lista dos empregados. Assim é que é.
Bem, de facto não passaria pela cabeça de ninguém que, se o engano fosse de molde a prejudicar as estatísticas oficiais do governo, não fosse corrigido num ápice, não é?
Mas assim, cof...cof... enquanto se desse pelo engano ou não, sempre durante algum tempo a coisa parecia mais composta.
Ora aqui está uma forma criativa do combate ao desemprego.
Combate-se por milagre. Não é bem como o da multiplicação dos pães, mas é aparentado.
Que maçada haver quem tope logo essas coisas.
Desmancha prazeres, é o que são!

21 comentários:

fj disse...

!!!Verdade seja que do iefp tenho a pior das impressões. Então com aquela flores a dirigir...
Mas ontem fui `cgd saber de um caso, e não tinha andado porque tinham trocado um sim por um não, ou vice versa, já nem sei.

Emiele disse...

Estás a ver?...Não tenho razão?
E daquela vez em que te responderam depois de teres tipo imenso trabalho em enviar um fax para a tmn (se não estou em erro) e quando foste protestar por aquilo não andar te responderam «nem sabe os faxes que nós não encontramos» ou coisa assim. Essa história nunca a esqueci, até porque era numa empresa que não era Estado.
A informática tem umas costas enooormes!

King disse...

Ganda magia!!!!
:)
Estava na dúvida se apanhavas esta história ou não. Antes do «modelo actual» de um post por dia - por acaso têm sido 2, mas para o caso tanto faz... - esta era uma notícia que não te escaparia, mas desta vez não sabia se era coisa que escolhesses.
Sabes que quando cheguei ao (espera, deixa-me ir contar) ao nono parágrafo, fiquei a achar que estavas totó, tinhas trocado tudo! Só quando continuei a ler vi que era uma ironia.
Por acaso, está muito bem visto a «inversão da história» porque realça muito bem que a desculpa é meio esfarrapada.

Joaninha disse...

Claro que já deram todas as explicações, foi o tal erro, e não era nada preciso o Sindicato dos Quadros vir dizer nada que eles davam conta do recado.
Pois...
Como dizes com muita graça, se fosse ao contrário?... se esse erro estragasse as contas que o Estado quer apresentar?

sem-nick disse...

Aconteceu-me como ao King, quando cheguei a essa parte fiquei admirado a pensar que não batia certo.
lol!
É verdade que assim se sublinha que o erro mesmo que «inocente» foi grave.

E, como o FJ, tenho a maior das desconfianças dos senhores (de alguns) do IEPF. Às vezes penso que eles deviam ser pagos à peça, quero dizer, receber conforme os casos que conseguissem resolver.

Joaninha disse...

Esqueci-me de uma coisa, que tu não referes: as formações que lá fazem, e bem vistas as coisas são também um modo de mascarar os números do desemprego. Enquanto se está em formação, não se está desempregado, não é? Só que há formações que não lembra a um careca, tais como ensinar a procurar emprego, ou ensinar a fazer o currículo. Não nego que seja útil, mas...
Já imaginaram? «O que andas agora a aprender?» «Ando a aprender a procurar emprego» Isso dá trabalho sim ... aos formadores dessas coisas.

josé palmeiro disse...

Gostei, sobretudo do milagre da multiplicação dos pães ou, já agora com o milágre da Raínha Santa que trasformou pão em rosas. Isto até tem a ver com o socialismo que nos, (des)governa, refiro-me às rosas, claro. Quanto ao resto, a informática é que é a culpada, todos nós sabemos disso!!!
E os cursos, já me esquecia, magníficos, saem logo "professores doutores", à procura de emprego!!!

josé palmeiro disse...

Com tanto emprego e as trocas e beldrocas, até me esquecia de referir o "Mágico", a cartola e o coelho, sem esquecer as estrelinhas e sobretudo a líndíssima capa do Perry Mason, que saudades!!!

Anónimo disse...

Quanto não se passará, por aí que nunca chegaremos a saber.... apaga-se tudo e pronto`. Processos no tribunal... documentos notariais, etc etc e quando se sabe fazem-se umas alteraçõeszecas e ninguém percebe nada...Mas por outro lado vê se escapa alguém nos impostos( quando os rendimentos são declarados, claro) .Eles não sabem mais que fazer para nos enganarem. Deve haver por lá uns especialistas na matéria e se provávelmente bem pagos!Tal como o fj sempre tive a pior das impressões do IEFP , aquilo tem sido um sorvedouro de dinheiro, cujos resultados estão á vista, falta de formação para o emprego.As Novas Oportunidades são outra treta, vimos o velhinho de 85 anos com o diploma do 12º ano e nosso Primeiro todo feliz a felicitá-lo. É só rir!!!!

kika disse...

Fui rápida demais sou a anónima

kika disse...

É a estreia do só um?

estrela-do-mar disse...

Olá Emiéle! Eu sou dos que prefere este teu novo formato. Não é que não achasse piada a quando deixavas meia-dúzia de chamadas de atenção para várias coisas, mas assim um único post mais comprido permite lermos com mais atenção e comentar com mais tempo.

Esta é uma História das Arábias!!! Foi engraçado teres virado a história ao contrário para se ver melhor o estranho que seria e como se fosse ao contrário, a coisa nem demorava meia hora a ser detectada!
Claro que só sei o que vem na comunicação social, e portanto não sei se isto já se passou mais vezes, mas não me custa nadinha acreditar que sim. Afinal é tão fácil. E a responsabilidade é... do «sistema»
:)

raphael disse...

Olha, estou um bocado como a Kika. Vinha cá todos os dias dantes. Aliás continuo a vir quase, quase todos os dias! (Este blog tem mel e atrai quem passa por cá) Mas muitas vezes nem comentava que o tempo anda cada vez mais curto.

Assim com um ou dois - tens deixado dois muitas vezes - não há dificuldade em decidir onde vai cair o comentário. e como vez, eles até aumentaram!!!!

Quanto a este caso (tá bem visto o «caso» como nos livros do Perry Mason, mas ele como advogado tinha realmente sempre 'casos') foi o gato escondido com o rabo de fora...
Eu não estou dentro o IEFP e não sei se poderiam fazer muito mais, mas o cerro é que me parecem muito contentinhos com o que fazem, e como aqui todos disserem aquilo são bolas de sabão! Pufff...

raphael disse...

ai, ai, ai, ai...
(os comentários deviam ter um corrector ortográfico! no sapo têm!)
Queria dizer «E, como vês eles até aumentaram.»
Aquele 'vez' saiu torto.
E era parvo apagar o comentário por causa desse erro.

Emiele disse...

É curioso o que vocês disseram, raphael e estrela, porque de facto parece que os meus visitantes sentem-se mais à vontade quando encontram menos posts! Nestes últimos dias tenho mais comentários - como que ficam 'concentrados' :)
De resto, é claro que esta história tem todos os ingredientes para chamar a atenção... Eu só gozei um pouco, invertendo os termos ao quebrado divisor como na aritmética (que não é o meu forte)
Ehehehe!!!

zorro disse...

Tá muito giro, o post.
É exactamente assim - deita-se mão de tudo e mais alguma coisa. estão 'inocentes' talvez. Mas é a tal coisa da mulher de César, além de inocente tem de o parecer. E não parece absolutamente nada.
Depois é o que aqui já disseram, essas «formações» são feitas por aquilo que parece de acordo com os «formadores» que arranjam e a quem querem dar trabalho (é o que parece) Não parece que seja de acordo com o que mais falta faz no mercado. Essa história patética do senhor de 80 e tal anos que tirou o 12º, pode ser simpática mas não adiantou absolutamente nada!

Maria disse...

Ontem quando ouvi a notícia também me lembrei da Emiéle,sabe-se lá porquê!!!!
Essa e outras "formas criativas" de mascarar os números reais do desemprego, infelizmente, não são exclusivas deste Governo; Bagão Félix ministro do trabalho do Governo Durão Barroso foi várias vezes acusado de o fazer à altura (talvez não tenham sido tantos, 15.0000 é obra…), agora, tem vindo a avisar os deputados do PSD para estarem alerta à "manipulação" dos números (talvez esteja a expurgar o seu pecado, como "convicto católico" assumido). Mas, os "erros" ou os "métodos", anteriormente conferidos, não invalidam a nossa indignação e repúdio (que todos aqui manifestaram) por tais práticas, digo eu, ou "erros" como os "autores" querem nos fazer acreditar.
A informática tem sido o “bode expiatório” de quem não quer, teimosamente, reconhecer que algo vai mal mesmo muito mal! Mas bendita informática que também serve para descobrir tais incongruências.
A comissão de trabalho do parlamento, reuniu-se hoje com o ministro Vieira da Silva para discutir/esclarecer o assunto, um simples “pedido de desculpas” é pouco, para quem está farto de tantas manigâncias.
Só uma nota - o conceito de desempregado está definido como sendo “o candidatado inscrito num Centro de Emprego, que não tendo trabalho, procura um emprego como trabalhador por conta de outrem, está imediatamente disponível e tem capacidade para o trabalho” informação tirada da página do IEFP sendo assim julgo que os que procuram o 1º emprego deveriam constar. Ainda me vou informar disso, senão o panorama é bem pior.

Emiele disse...

Obrigada Maria, tem graça e é bem giro teres-te lembrado de mim quando ouviste essa história. Já calculas o que me pode estimular a escrever aqui... :)
Em relação ao inefável Bagão, eu nem digo nada, que ele é um dos meus outros 'ódios de estimação', aquele ar seráfico de bom militante da obra-do-senhor, deixa-me sempre com pele de galinha. Mas como bem dizes, os erros de uns não desculpam os dos outros. Só é bom não esquecer os seus telhados de vidro.

Quanto a essa coisa, eu disse isso porque exactamente no Centro de Emprego onde está inscrito um meu familiar deram-lhe a entender isso - que só entrava na categoria de 'desempregado' após ter estado empregado. Como me dizes isso será que queriam referir-se ao subsídio de desemprego? O certo é que ele entendeu a coisa como aqui referi.

Emiele disse...

Meu Deus o último parágrafo da minha resposta ao comentário está tão mal escrita que até me envergonha.
Queria dizer que
a) Conheço uma pessoa que procura um 1º emprego, e está inscrito no Centro da sua residência
b) Desde a primeira vez que lá foi, que tem dito que não está bem desempregado está à procura de emprego.
c) Admito que ele próprio tenha entendido mal algo que lhe disseram, e se trate afinal do subsídio de desemprego, apesar de ele nem ter pensado nisso...

Maria disse...

Pois é Emiéle, só quem ainda não foi governo é que não terá "telhados de vidro" na "matéria"que falamos hoje.
Custa-me dizer isto, mas estou muito céptica e às vezes penso se ainda haverá gente na política, suficientemente convicta dos seus princípios e "ideais" (acho que está fora de moda) que, uma vez eleita, não se deixe levar pelos jogos de poder esquecendo a razão principal que a fez chegar lá e quem confiou nela. Não estou excluindo aqueles que gostaria de continuar acreditar na sua imunidade. Isto deve estar um pouco confuso e mal escrito, tem paciência e oxalá entendas, é mais um desabafo amargo...
Quanto à tua escrita eu tinha entendido, mas vou saber disso do emprego, infelizmente tenho um elemento da minha família desempregado e vá lá com frequência.
Boa noite!

Emiele disse...

Pois é Maria, também eu. Talvez por isso aborde aqui tantas vezes o assunto.