terça-feira, agosto 11, 2009

«Isto é que vai uma crise»

Entre os numerosos resumos sobre a ‘História do Humor nas últimas décadas’ digamos assim, que o desaparecimento do Raul Solnado veio provocar nos diversos canais de tv, foi lembrada uma rábula dos «Agostinhos» Ivone Silve e Camilo de Oliveira que cantavam «Isto é que vai uma crise» lá para o início dos anos 80.
Portanto a crise é antiga. Quase 30 anos…
Claro que sabemos que a actual crise é grave e internacional. Muitos países andam aflitos e preocupados. Mas acredito que cada um enfrente esse problema de modo diferente.
Por mim preocupo-me com o que se passa cá.
Mais do que isso, se essa crise apanhasse todos, (mas todos! de um modo igual, por mais que tudo custasse, era como a tal expressão «ou há moralidade...»
Mas a verdade é que nem há moralidade nem comem todos. Continuam a comer só alguns.
Por exemplo, a TAP anda com dificuldade. Normal. Os chefes dizem aos sindicatos que «não estão reunidas condições para fazer revisões salariais». Entendemos. Mas se assim é como é que afinal tem dinheiro para comprar 42 novos automóveis novos para os senhores directores? Os que tinham não prestavam? Não podiam usar os seus, pessoais? É certo que não seria com aquilo que poupavam se não comprassem os tais 42 carritos que poderiam acertar os salários dos trabalhadores, mas ao menos davam o exemplo. Exemplo?... Saberão o que é?
Por outro lado, ficamos a saber que nós, contribuintes, pagamos dois milhões de euros por ano para garantir a segurança de 'altas figuras do Estado
Acho bem que as 'altas figuras' estejam seguras (aliás como toda a gente, já agora...) mas dois milhões não é muito dinheiro? Quando as Forças de Segurança, que nos devem 'segurar' a todos, se queixam de que lhes falta tudo?...

Complicada esta mecânica financeira.

15 comentários:

Anónimo disse...

Sempre vivemos em crise, mas agora são muitos tipos de crise, que abomino: Valores , segurança, corrupção até dizer basta e sei lá que mais. Referes a TAP, mas o seu presidente aumentou-se para oitocentos mil euros e todas essas mordomias. Acho bem que façam greve afinal se é para estoirar, que seja logo duma vez.É que cansa viver assim!!! As companhias aéreas estão todas com problemas,
mas os presidentes destas grandes empresas julgam pensar que estão talvez no Dubai!!
e afinal estamos em Portugal...

kika disse...

Não é anónimo

Joaninha disse...

Tens toda a razão Kika.
Temos (têm eles!) comportamentos de 3º mundo com desejos de pertencer ao 1º.

Esta questão da divergência abissal dos salários, cada vez mais, e com a 'desculpa' esfarrapada de que sempre assim foi, e é assim que os outros fazem deixa-me estarrecida.
Tanto quanto sei na TAP até se ganha bem, digamos assim. Pelo menos em comparação com outros trabalhadores em Portugal. Mas isso não quer dizer que o seu presidente se possa aumentar em 800.000 euros e afirmar que não há aumentos para mais ninguém! Ou está mal para todos ou não está para ninguém. Assim como essa conversa dos extras (carros, despesas de representação, essas tretas todas) não consigo aceitar.

Joaninha disse...

É engraçado rever o schtech do «Isto é que vai uma crise!»
E é um bordão que ficou até hoje...

sem-nick disse...

Tem razão a Kika «cansa viver assim!»

Como eu entendo.
E a cara de pau deles todos!

estrela-do-mar disse...

Gostei do boneco das «engrenagens do dinheiro».
Afinal dolares, euros, iens, libras, marcos, a droga é a mesma.
Rodas da engrenagem que trituram quem se oponha.

josé palmeiro disse...

Essas duas notícias que referes, a da TAP e a da Segurança, das pessoas de estado, incomodaram-me, como a todos, pelos vistos.
É uma vergonha, carritos com cinco (5) anos, a necessitarem de substituição, operação que, segundo o porta voz da TAP, ainda vai diminuir os custos. Estou para ver se ele ainda consegue demonstrar que o auto-aumento do sr. Pinto também vai diminuir, nos custos. Já nada me admirava.
Depois a segurança, tantos... Onze para o Cavaco, sete para o Sócrates e mais uns quantos para todos os outros... , e nós a pagar.
Não falo mais, senão desboco aqui com palavras que não são, de todo, próprias para o lugar. Ontem, quando referiste o "bof", ainda, a custo, encontrei o "deixós pousar", se bem que o sentido que lhe dei, era muito mais vernáculo.
Amigos, estamos em FÉRIAS, gozêmo-las com o pouco que nos resta, com uma certeza, eles, como nós, vão todos morrer e depois, vão saber o que é ser igual, sem tirar nem pôr!

kika disse...

Nascemos e morremos todos de igual modo, mas no intervalo... é bem diferente não é Zé ?

A Senhora disse...

Quando os próprios políticos começarem a aumentar seus próprios salários, aí é absurdamente preocupante. Mais preocupante ainda é alguém querer ser político para ter essas regalias e, portanto, ninguém faz nada para mudar isso - na verdade é o objetivo de vida, o sonho de muitas pessoas.
Vira uma roda-viva, mas que não sai do lugar. Só se afunda ainda mais.
E, olhe só - nem estou a falar de TAP ou Portugal!
De repente a dita "globalização" nos mostra que o homem, qualquer que seja o país ou cultura, é "mais igual" do que poderíamos imaginar.

josé palmeiro disse...

Kika, amiga, como eu sei que no intervalo, a coisa é diferente, tão diferente.
Só que, neste momento, estou tão, mas tão, indignado, que não me dá para dizer o que sinto, pelas palavras que me apetecia fazê-lo.
Senhora, mas os políticos, estão constantemente a aumentar-se, ou não?
O descaramento chega ao ponto de, serem eleitos para o lugar e manterem a sua residência numa outra qualquer cidade, para ganharem ajudas de custo, por estarem deslocados. Isto sem se falar nas mordomias que um cargo governamental, por mais "rasco" que seja, oferece!!!

Maria disse...

42 automóveis para 42 directores (?) talvez um diector por avião, não?!
A indignação é (quase) geral! Aguentar... Até quando?

fj disse...

Imagem magnífica. Kika e Maria comentários excelentes,o intervalo e as contas muito giras ( comentários só superados pelos muito inteligentes da minha rnova amiga joaninha ).Isso dos carros, deixemos a(s) casa(s), deve provir dos contratos, iniciais com as firmas (só?)e, se calhar, ainda revertem para os actuais okupas, futuros donos, com indemnização para as ditas. Aliás se repararem bem, são quase sempre as mesmas ( só diferem quando são veículos aprendidos em muito bom estado ). Porque isto de 5 anos , mesmo cuidados arrasa qualquer passat ou audi como é do conhecimento geral ( até de algumas mulheres, vejam só ).Aliás, desculpem o arrazoado, até estou convencido que, mesmo só por demagogia, até prestigiaria mais andarem em vulgares carritos,particularmente no caso do ministro da administração interna, por natureza imóvel, usando os aviões para deslocações maiores ( para norte de cascais ou para sul de Setúbal, já se compreende melhor ). A sério, agora, acho assim, de forma que ( menos a sério ) até quando for ministro pelo be reivindicarei um carocha, ou um joaninha se só secretário de estado ).Esperemos por Setembro.
Senhora obrigado pela globalização, especialmente para quem vê isto nos nossos(?)países, em que conhecemos bem o reverso.

A Senhora disse...

Na minha opinião, a partir do momento que se assume um cargo de alto executivo, ou de político, mudam-se todas as regras - passa a valer a cultura japonesa.
Uma pisadinha de bola já é o suficiente para o cara renunciar ou meter um tiro na cabeça.
Mas daí que ninguém vai querer pegar a "batata quente".
Ah, sim! Vão começar a oferecer benefícios maiores para valer a pena. E cada vez maiores, a cada suicidio ou renúncia. E depois, tantos e tantos benefícios, que nem vai ser necessário "pisar na bola".
Droga... Meu plano era perfeito! :)

mary disse...

A gente sabe.
A gente vai sabendo e adivinhando que a «engrenagem» é esta.
Mas...

A verdade é que sempre que se soma 2 mais 2 e dá 22 ou coisa assim sentimos que estamos a ser vigarizados.
Entretanto a TAP entrou em greve. Pois é...

Emiele disse...

Bom dia amigos!

Olhando para aqui até dá ideia de que quase não sei falar de mais nada - desigualdades, ricos mais ricos, classe média evaporada, pobres mais pobres... Disco rachado?.. Mas a verdade é que apesar de existirem imensas outras coisas para falar, a gente baralha dá de novo e tudo vem dar a este ponto. Com uma outra visão da sociedade, com crise ou sem ela a nossa vida era mais justa.

E por outro lado como escrevo estes posts antecipadamente há coisas que ou eram faladas em cima do acontecimento e perdem um pouco o impacto. Quando ouvi aquela história de que podia haver mães que levavam de propósito os filhos doentes com uma gripe contagiosa ao infantário como «vingança», até imaginei que era uma má interpretação do que se tinha dito. Não acreditei. Que não se quisesse usar a máscara, aceitei como parvoíce por aquilo poder ser incómodo, mas contaminar de propósito...?!
E afinal, isso pode ser acontecido, esse intenção. Mas custa acreditar.

E pronto, hoje volto a uma post mais leve, que afinal estamos de férias, não é?...