quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Novos mealheiros

Na segunda-feira passada, até um jornal de distribuição gratuita, trazia na página da frente em grandes letras e até como único título «Governo dá ‘prenda’ de 20 milhões a bebés na altura do nascimento»
Fazia parar quem passava só para reler bem aquilo. Aliás escrito ao modo sensacionalista de parte do nosso jornalismo, uma leitura possível seria que um bebé ao nascer receberia 20 milhões...!!! Claro essa era a parte suficiente para chamar a atenção, falar em 200 euros tinha menos impacto. Porque era disso que se tratava, uma proposta a abrir uma conta infantil (Conta Poupança-Futuro) com 200 euros a cem mil criança todos os anos.
Não estava mal. Pelo que percebi os pais das crianças não poderão mexer nesse dinheiro que vai sendo acumulado, e no caso dos meninos que terminarem a escolaridade obrigatória até têm majoração de juros.
Claro que 200 euros não é assim uma grande quantia e daqui a 10 anos quando terminarem a escolaridade ainda deve parecer uma quantia mais pequenina. Mas era uma ideia e simpática.
Só que ontem, a ler melhor os jornais é que entendi que «As contas-bebés vão servir para financiar o Estado, através da aquisição de títulos de dívida pública»
Aaaaaah!
Segundo a engraçada frase do jornal os Bebés portugueses vão poder emprestar dinheiro ao Estado, porque os pais dos bebés estão a adquirir títulos de “dívida” pública.
Ou seja, dá-se com uma mão e recolhe-se com a outra...

17 comentários:

silvya disse...

Pois, é Emiele. Tem razão.Só que na minha prespectiva nem sequer é dar. É um engodo para os "otários" pensarem que lhes vai sair a "sorte´grande", e zás. Quando dão por ela estão endividados até a medula.
Antigamente, os casais tinham muitos filhos, porque eles eram uma fonte de rendimentos quando chegassem a idade de trabalhar. Eram outros tempos. Mudaram , e hoje os pais não olham os filhos como fonte de riqueza, mas sim como fruto de amor e companheirismo.
Quanto ao Estado, o que é que ele dá? Nada. Preocupações, menos poder de compra, pior serviço de saúde, etc.
Que dizer mais, que já ninguém saiba?
haja alguém com alguma sensatez para acabar, com estes "benefícios",que não nos levam a nada.
silvyaprata

silvya disse...

volto de seguida, por um motivo: ao reler os comentários de ontém, estou recordada, desse poema dos passarinhos, coitadinhos, tão pequeninos, etc...
mas agora, tens razão, não era um poema, mas sim um texto, que vinha num desses livros, em que a menina chegava da escola muito feliz a contar a mãe, as benesses da sras, da mocidade portuguesa. e o texto que não era a gozar, tinha muitas semelhamças com o poema de ontém. obrigada, pela correcção.
bom resto de semana
silvyaprata

King disse...

Claro que a ideia era a de incentivo à natalidade que tanto se precisa. E esta de «dar» dinheiro põe logo as orelhas das pessoas espetadas.
Na minha opinião, o incentivo correcto era criarem creches decentes, em sítios onde desse jeito os pais, e a preços de acordo com a realidade.

King disse...

Eu sei que em muitas creches tipo IPSS, ligadas a misericórdias e coisas assim, o que se paga está de acordo com uma tabela elaborada segundo o IRS dos pais. E depois vagas?...
Quantas e quantas famílias se vêm obrigadas e deixar os filhos em infantários onde esses 200 euros não chegavam para nada.

sem-nick disse...

É das tais coisas, será melhor do que nada, mas não justifica nem os títulos, nem as expectativas que levantaram. É dinheiro congelado.

fj disse...

!BURRO! Tinha-me escapado a vertente dos títulos, embora fosse natural neste esquema.Autocrítica simplista
mas real, mesmo assim uma libertinagem despesista, suponho para os "problemas" tipo Medina Carreira. Miguel vai uma achega?

fj disse...

Parece-me que King é o que se aproxima mais do fundo do problema, embora o fim não fosse só aumento da natalidade, julgo. "Congelado " é que não sei se ficará sem nick...tanto dinheiro não me parece que se congele.
Quanto ao texto de ontem se for realmente de um livro escolar,e julgo que sim,ainda o torna mais importante, em especial porque era livro único, formatando os pequenos todos desde pequeninos.E há mais e melhor.

Helena Teixeira disse...

Pois,finos...a usarem as crianças...mal nascem já estão na engrenagem governamental...credo...
Os bébés mealheiros :(

Aproveito e deixo um convite: participe na Blogagem de Fevereiro do blogue www.aldeiadaminhavida.blogspot.com. O tema é: “O Carnaval e as suas Tradições”. Basta enviar um texto máximo 25 linhas e 1 foto para aminhaldeia@sapo.pt (+ título e link do respectivo blog) até dia 8 de Fevereiro. Participe. Haverá boa convivência e prémios (veja mais no blog da Aldeia)!

Jocas gordas
Lena

Joaninha disse...

Essa questão da natalidade e das creches que alguém levantou, é o busilis. A verdade é que realmente uma creche sai caro. Para todos - os dirigentes da creche, se querem cumprir à risca o número de educadores por criança, o espaço, etc, ou levam caro ou 'perdem' dinheiro; os pais que naturalmente dificilmente dão quase o smn para ter o seu filho no infantário. Posso ser sonsa mas até acho que os países que dão umas enormes licenças de maternidade é para se verem livres desse problema.
Agora esta ideia de abrirem uma conta ao bebé (e que não lhe vai servir para nada...) é muito interessante :)

Joaninha disse...

(o cordeirinho mealheiro é bem giro..... tadinho...)

Maria disse...

A notícia está pouco desenvolvida mas ao que parece - será um incentivo pouco eficaz - serve para tapar o sol com peneira - creches, sim, como bem diz o King e já agora emprego para os jovens candidatos a pais...Essa medida, até, poderá fazer com que algumas pessoas - porventura as de menos recursos - "levianamente" aumentem o agregado familiar, como já se tem visto a propósito RIS. Vamos aguardar...

kika disse...

Parece-me que todas as migalhas vão ser precisas, embora isto se trate duma especie de certificados de aforro, onde só estado pode mexer.. Até aqui, nem me pareceria muito mal.. se isto fosse em tempos normais,mas como acho que o mais provavel é entrarmos em bancarrota, fica tudo logo do lado de lá!
Acho que a Joaninha exagerou um pouco quanto aos paises que dão grandes licenças de maternidade, pois acho que ninguem pode substituir uma mãe numa relação com o filho, ás vezes parece-me um pouco o estar preso por ter cão e por o não ter!!
Oh Silvya, nós é que sustentamos o Estado,primeiro engordam eles e depois deixam uns restitos, para as conciencias , se é que a têm, ficarem mais sossegadas!
Acabei de ler um discurso do Dr. Fernando Nobre e fiquei assim!!!

josé palmeiro disse...

Parece que também vão abrir uma conta aos idosos, quando prefizerem os sessenta e cinco anos!
Para o ano que vem, vou ficar rico ou não pois parece que só quando morrermos eles farão efeito, para minorar a conta da funerária!!!
E não digo nada mais, para não me irritar. Estou farto de tanta invenção, tanta modernice tanto para a frente, que qualquer dia retornamos à Idade Média.

Emiele disse...

Só uma resposta à blogger Helena Teixeira que me convida a participar no seu blog com o tema “O Carnaval e as suas Tradições”
Obrigada pelo convite.
Vamos ver que inspirada estarei...
Na secção do «Era uma vez....» aqui no meu blog já falei do Carnaval de há umas décadas. O actual não me interessa assim muito, mas vou ver o que arranjo para colaborar.

Os outros comentadores vou responde-lhes à parte.

silvya disse...

ola kika. desculpa-me , mas eu não me devo ter explicado bem, será?
o que eu pensei ter ecrito, é que : "o estado não nos dá nada".
eles acenam com a cenoura, digamos assim, e depois quando a vamos buscar...zás.
puxam o cordel e le vai-se.
não devo ter estado muito inspirada, para me ter explicado tão mal.
boa noite.
silvyaprata

Miguel disse...

Li o artigo que é manifestamente escasso. É daquelas coisas, é mais populista que outra coisa qualquer. E sintomático dos tempos que correm apesar dos valores em causa serem irrisórios. Contudo, permitirá ao Estado financiar-se a um custo eventualmente mais reduzido após um ano negro para os comummente conhecidos Certificados de Aforro em que os resgates foram imensos e o saldo negativo (não sei os números em concreto mas foi o que retive na memória).

Aqui entramos noutro tipo de questões. Para fazer face aos actuais desafios com que o país se depara, vale tudo. A questão de fundo é mais do tipo para onde vamos?!

Hoje os mercados deram um tombo de gigante. Mini-crash algo assustador. Há muito tempo que não via nada assim e acompanhei uma parte da sessão já que aqui é feriado. E foi "brutal" a venda de títulos portugueses no mercado à vista. Quer no segmento accionista quer no obrigacionista. Tudo o que esteja, neste momento, ligado à Ibéria é para despachar. Os especuladores têm agora terreno firme para se deliciarem com mais uns bons milhões em pouco tempo. Os shorts sobre alguns papeis da nossa praça devem estar ao rubro!!!

Regressando a Portugal, a kika dramatiza com a bancarrota o que não me parece crível. Aí não chegaremos. Até porque os nossos indicadores, tenho que concordar com o T dos Santos, não são ainda "graves". Estão acima dos definidos no PEC mas nada de "assustador" quando comparados com os valores existentes ainda antes do surgimento do Euro para países como a Bélgica ou Itália, em termos de dívida pública e que se situava acima dos 100% do PIB.

Mas que a actual situação é complexa, sim. Sem dúvida. Estou curioso para ver qual a evolução futura. Um downgrade por parte das agências de rating e subsequente aumento dos encargos?! Agora sim, finalmente, podemos estar à beira de mudanças substanciais as quais poderão incluir muitas formas como por exemplo o povo na rua, a queda do governo e, porque não (não sei se estarei a dizer uma barbaridade), a constituição de um governo de iniciativa presidencial?! (tenho que estudar este assunto... se alguém aqui souber em que termos tal possa ocorrer, agradecia...).

Agora que os próximos tempos serão a doer, não tenho grandes dúvidas.

Ao pé disto tudo, esta história dos bébés é peanuts!

Um abraço a todos vós (nós). O futuro pertence-nos, onde quer que seja...

Saltapocinhas disse...

Se quisessem verdaddeiramente incentivar a natalidade abriam creches com fartura e davam incentivos às mães trabalhadoras (em forma de TEMPO e não de dinheiro)

Com "incentivos" assim, só nascem crianças de quem já não devia ter mais.