sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Guarda-chuvas

É um tema apropriado para esta época porque estamos a passar, não é?
É interessante que sendo um objecto de tanta utilidade não há quem goste dele. «Bolas, lá tive de voltar atrás por causa do raio do guarda-chuva!» é o que se ouve muitas vezes. Ou então «Olha! Lá perdi outra vez o guarda-chuva!»
Quando eu era pequenita era um objecto relativamente caro, cada um tinha o seu que durava bastante tempo. Os das senhoras chamavam-se ‘sombrinhas’ creio eu por se usarem também no Verão para proteger do sol, e tinham cores e bonecos, os dos homens eram invariavelmente pretos, muito sóbrios e com ar sólido. Como disse cada elemento da família tinha UM, e se por acaso se avariasse mandava-se arranjar. Havia casas especializadas nisso – nunca entendi porque é que também afiavam facas e tesouras… - e um ambulantes que tocavam uma gaita com uma música especial a avisar que vinha ali o amola-tesouras, que também consertava guarda-chuvas (e sombrinhas)
Mas, enfim, isso era quase no tempo em que os animais falavam, quando os objectos duravam, duravam, como as famosas pilhas. Agora, usamos, estraga-se, deita-se fóra e compramos um novo. E pronto.
Evidentemente que na proporção são muito mais baratos. Ninguém manda arranjar uma vareta quando com pouco mais compra um inteiro completamente novo… E cá em casa ultimamente eu tinha o costume despesista de se saía sem chapéu mas começava a chover, comprava um. Pronto.
Havia até amigos meus que faziam troça porque no suporte da entrada tinha para ali mais de uma dúzia de chapéus!!! Mas isto tudo foi antes das ventanias ferozes deste ano. Ontem dei-me conta de que tinha apenas 3 pobres exemplares no bengaleiro e dois deles em mau estado, todos tortos, vareta partida, etc. Taditos. Cá por mim acredito que a culpa não é só da ventania deste ano, alguns amigos descuidados levaram ‘emprestados’ e por lá ficaram. Mas, não podia ficar assim. Ontem, quando voltei para casa trazia mais uns 3 chapéus novos para ficarem «de reserva». :) Para gozo da minha vizinha que me viu chegar e perguntou se ia montar alguma loja de chapéus de chuva cá no prédio…
Engraçadinha!

12 comentários:

Miguel disse...

Bom dia Emiéle!

E bem referes essas personagens que entretanto desapareceram. Nós íamos sempre à janela, na escola, quando ele passava a pé, com a bicicleta ao lado, e a tocar aquela "flauta" tão característica. Anos 70, num bairro lisboeta.

A sustentação do nosso modelo assenta no consumo perpétuo, tendencialmente crescente, de bens e serviços. Está directamente relacionado com o crescimento económico. Muito do que hoje existe é feito para durar x tempo. O que dura toda a vida é muito mais caro, caríssimo. Olha o ouro ou os diamantes lol.

sem-nick disse...

Aqui está um tema apropriado!!!
E a quantidade dos desgraçados já todos partidos e rasgados que se vêm aí pelas ruas?
Mas tens toda a razão, é um objecto de que ninguém gosta, só as imagens antigas dos britânicos de chapéu de coco e umbrela enrolada!!

Mary disse...

Olha que ainda hoje se encontram senhoras de «sombrinhas». Nada parecido com o tempo das nossas mães e avós, mas j´tenho visto no verão umas senhoras um pouco mais idosas com o seu chapéu para o sol...

josé palmeiro disse...

Maravilhoso recuo no tempo.
Lembrei-me do "Espanhol", que tinha uma casa aberta, em Estremoz, e que era um artista no conserto dos ditos e das ditas, bem como a afiar as facas e as tesouras, que veriavam desde as de costura e de unhas, às da poda, da tosquia e as foices e demais utensílios agrícolas. Depois os ambulantes que para lá disso tudo, deitavam "pingos" nos tachos e nas panelas e "gatos", na loiça de barro..., Saudades....
Mais uma lembrança, uns célebres chocolates da "Regina" que davam pelo nome de "SOMBRINHAS", e que tinham uma pega de "baquelite", lembram-se?
Quanto aos de hoje, como tudo e como diz o Miguel, tudo é temporizado. A pena é que as pessoas os abandonam, no sítio onde deixaram de ter utilidade e assim aumentam a poluição e até a perigosidade. Sobre as perdas do mesmo, já falámos num outro escrito, há mais tempo.

Joaninha disse...

Tiveste graça e oportunidade. De facto com o tempo de vento bravio que tem feito os guarda-chuvas mal se abrem partem-se logo.
Olha que já a aconteceu debaixo de chuva e ventania nem abrir o meu, porque achei que se ia virar num segundo e ficava na mesma... Assim ficava molhada mas ao menos não estragava o chapéu!

King disse...

Pois é. Havia os «amola tesouras e navalhas» que também punham varetas. Aliás há muito muito poucos, mas é das poucas profissões ambulantes que ainda se encontram. Acho que hoje é mesmo só para afiarem as coisas cortantes. O carro tinha uma roda grande de afiar...

Os chapéus já se sabe que é 'para perder'. Não há quem não tenha perdido um e de facto hoje são bastante mais em conta. Tem piada isso de te 'prevenires' comprando por atacado!!! lol!

silvya disse...

Ah! É verdade, eram os amoladores.
Era assim que se chamava, a esses homens que andavam com um carrinho e tocavam flauta.è engraçado, que quando se ouvia a flauta, os mais velhos diziam: vem aí chuva!
e na verdade ela chegava.
Com o tempo caíram em desuso.Mas de vez em quando lá vem um para nos fazer recordar a nossa infância.
Quanto aos chapéus de chuva, bem, não sou apologista deles e só uso em circunstâncias extremas.
Mas hoje nada é para durar muito tempo. É o usa e deita fora, como a chiclet.Lembram-se?
Quanto as sombrinhas, reporta-nos para o tempo das senhoras e dos senhores, que davam os seus passeios a tarde no Chiado`, como tão bem os descreveu Eça de Queiróz.Eu já não sou desse tempo...
São lembranças, que permanecem na memória e na imaginação.
é sempre bom recordar.
um bom fim de semana.
silvyaprata

kika disse...

Acho que ninguem gosta mesmo , mas este ano têm passeado imenso com os donos!!!
Um bom guarda chuva é caro , mas muito mais resistente ao vento.
Perdemo-los imenso e tambem são roubados com frequencia , pelos espertos que pegam num bom e deixam lá o chinês!

O Miguel bem sabe o que é para a vida e do que as mulheres tanto gostam, não deve ser só pelo brilho.....
Por aqui ainda passa um rapaz com essa maquina de rodas para afiar facas e etc, normalmente ao fim de semana em que as donas de casa estão mais presentes.
Acho-lhe graça mas a verdade é que os chineses com tudo barato, de usar e deitar fora.. lhe vão tirando clientes!

Achei graça ao que te disse a vizinha, pois uma empregada disse-ma assim:
Oh minha senhora para que quer tantas carteiras se só tem dois braços?
Ri-me tanto...

fj disse...

Lição do Miguel, mesmo numa interpretação superficial. Reencontrei amoladores num subúrbio, com espanto.E saudades.
Por mim sou defensor na teoria,na prática perdedor. Sombrinhas já só me lembro em Macau, usadas por na chineses em dias de sol forte.Os

portugueses habituados a "sois" mais fortes sempre de cabecinha ao leu.

josé palmeiro disse...

Não podes negar que és da cidade, FJ.
No Alentejo, os pastores, usavam uns enormes guarda-chuvas, se de Inverno e guarda-sóis, se de Verão, de pano azul de ganga. As sombrinhas, era vê-las nas "fêras", as raparigas "soltêras",sempre com a dita aberta.
A dita é a sombrinha, está bem de ver!!!

Emiele disse...

Tens razão, Zé Palmeiro, o fj está distraído. Mesmo no tempo dele ainda se viam senhoras com as tais «sombrinhas» de cores claras, que usavam para se tapar do sol. No campo (e ele também passava férias no campo) via-se imenso!
Aliás essa peça que eu creio ter sido inventada pelos chineses, realmente, como um «telhadinho portátil» creio que a ideia inicial era mesmo resguardar as pessoas importantes da força do sol.

Como tudo muda, heim?....

josé palmeiro disse...

Daí o chamar-se guarda-chuva, aos escudos contra os ataques de mísseis.