sábado, fevereiro 13, 2010

Música, num dia 13

Hoje é sábado, e como se sabe o dia de música no Pópulo é Domingo.
Mas a vantagem de ter um blog é que as regras somos nós que as fazemos...
Além de que todas as regras (aceitando que as haja) têm excepção, portanto hoje decidi deixar esta canção do Chico Buarque.
EU sei porquê, e sei que vem a propósito mesmo que não pareça. É um dia importante para mim. Tem muito a ver com afectos e com a situação aqui cantada de uma forma irónica.



Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
Minha nossa santa criatura
Chame, chame, chame lá
Chame, chame o ladrão, chame o ladrão

Acorda amor
Não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão de escada
Fazendo confusão, que aflição
São os homens
E eu aqui parado de pijama
Eu não gosto de passar vexame
Chame, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão

Se eu demorar uns meses
Convém, às vezes, você sofrer
Mas depois de um ano eu não vindo
Ponha a roupa de domingo
E pode me esquecer

Acorda amor
Que o bicho é brabo e não sossega
Se você corre o bicho pega
Se fica não sei não
Atenção
Não demora
Dia desses chega a sua hora
Não discuta à toa não reclame
Clame, chame lá, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão, chame o ladrão
(Não esqueça a escova, o sabonete e o violão)

9 comentários:

Joaninha disse...

Este é pessoalíssimo como se entende e «à clé» ou lá como queiras. De certo que tem muito mais sentido para ti do que para nós que é apenas uma bela canção. O acrescentares a data não é por acaso...

sem-nick disse...

Canção importantíssima, mas olha Emiéle que não terá muito sentido aos «menos de 30 anos»...

josé palmeiro disse...

Resta-me assinar, por baixo, o comentário da Joaninha.
Como da maior parte das canções do Chico, gosto imenso, quanto ao resto, fica contigo. Ainda bem que partilhaste, assim.

King disse...

É interessante, como te acompanho há anos, esta data diz-me qualquer coisa.
Nos outros nos escreveste uns posts muito giros e não desisto antes de os achar.
Vou procurar!!!

Maria disse...

Belíssima canção numa interpretação excelente - gostei de a ouvir por esse grupo que não conhecia. Só mesmo o Grande Chico Buarque e a sua "palavra" - para "falar" assim de um tema tão sério...

King disse...

Eu sou teimoso! (há quem diga casmurrro!) E ainda por cima hoje sendo sábado há mais tempo livre e deite-me às buscas, porque sabia que tinha lido uns posts muito giros.
Ora bem, o ano passada só encontrei neste dia esta imagem que não é inocente de certeza, mas não era bem isto que eu me lembrava. Recuei (gaita que tu escreves p'ra caraças!!!) e encontrei este post já o que queria. E ainda por cima este remete para um outro do antigo Pópulo...

Ora cá reconstitui eu tudo!
A história é esta.

Maria disse...

Eu calculava o teu "vem a propósito" mas, se não fosse o King, não iria tão longe...É uma belíssima história (testemunho de um tempo que não convém esquecer)de amor e coragem. Eu, também, conheço uma história semellhante mas, nessa, o casal casa na prisão - ambos foram presos pela pide. Outra - o namorado, mobilizado para a guerra colonial não foi autorizado pelo chefe do batalhão a vir casar à sua terra - os namorados casam por procuração e ela parte para a Madeira para acompanha-lo até ao "ultramar"...Por tudo isso, nunca esquecerei esse tempo a "preto e branco" - mas, Emiéle, na "foto" já se vislumbra uma cor no horizonte..;))

Maria disse...

Emiéle, jurava que tinha dito que a história estava muito bem contada, era um bom texto - vejo que não - fica agora dito .;))

josé palmeiro disse...

Volto, só para referir o BOM trabalho do King.
Estas coisas, são como diz a Zabelinha, algures nos comentários, "se há coisas que não podemos nem devemos perder, é a MEMÓRIA", ainda por cima, nestes tempos, tão obscuros, que vivemos.