quinta-feira, janeiro 07, 2010

Nos areópagos* internacionais

Como «o meu negócio nunca foram números» trocando a frase da famosa rábula do Jô Soares, fico muito baralhada quando exactamente os argumentos são todos à base de «números».
Uma contradição tão grande (grande em todos os sentidos!) deixa-me muito baralhada:
1º -
«Os países da União Europeia decidiram reduzir este ano para metade os aumentos salariais dos funcionários das instituições europeias.»
É coisa séria. Não é uma decisão que se tome de ânimo leve. É reduzir para METADE os aumentos esperados. E, é um caso interessante em que todos estiveram de acordo, todos à uma acharam que faziam muito bem e seria excelente para a economia.
É claro que se pode pensar (leigos, como eu) que ganhando menos certamente gastarão menos, comprarão menos produtos, e as empresas ganharão menos... Fica tudo mais poupadinho.

Porém a Comissão Europeia, também por unanimidade, decidiu levar a tribunal esses mesmo 27 países que tinham tomado tal decisão, porque ia contra a sua orientação
Que confusão.
E tudo sempre por unanimidade.
Possivelmente como estas coisas de Tribunais, mesmo internacionais, levam um tempo considerável a chegar a uma conclusão, quando vier a sentença já os aumentos foram normalizados porque entretanto já se passaram alguns anos.
Mas lá que faz confusão, isso faz.

* apeteceu-me escrever aéropago para se ver que sou uma moça letrada, além de que a palavra não se consegue levar a sério...


11 comentários:

sem-nick disse...

É mesmo verdade que o aéropago é logo termo que faz sorrir, lembrando os tipos muito bem falantes.
Pelo que entendo isto é tudo uma «coisa interna»: as 'reduções são dos funcionários das instituições europeias, não tem a ver com o maralhal... é uma lutazinha entre vips...

kika disse...

Aéropago como o sem-nick escreveu, fez-me lembrar assim os senhores que viajam vipemente, pagos por nós todos, e que afinal eles pretendem ser aumentados quando o povo dos paises que eles lideram vão ficar congelados e eu tambem!!
Há muita imoralidade nestas decisoes, como cá o Gov do BP escandalosamente pago and so on and so on!!!

fj disse...

É uma luta entre funcionários,ligados a instituições partidárias, efetivamente "escolhidos", efetivamente com bons niveis de remuneração. Mas a contradição, mais aparente do que real,tem a ver , julgo, com o "erro" de "prejudicar" os "nossos" funcionários. Os trabalhadores devem ser sugados até ao fim, exceto os nossos, tá-se mesmo a ver.Estou curioso com o desfecho, veremos...

fj disse...

PS: os americanos têm até uma expressão muito curiosa ..."they are bastards, but they are OUR bastards".Tem a ver com o maralhal,ainda que seja só para verem em profundidade.

fj disse...

Desculpem mas não se pode deixar de fora o girissimo boneco.

josé palmeiro disse...

Não posso comentar, sem me referir à ilustração. Assim refiro que o único que nunca sai do seu lugar é o que está, presumivelmente, a escrever os resultados obtidos por toda aquela sucessão de saltos e cambalhotas, que os outros vão dando, significativo.
Assinalar também o texto do FJ que para além de ir ao encontro com o que eu penso sobre o assunto, em causa, também teve a preocupação de cumprir o novo acordo ortográfico, coisa que eu ainda não me habituei a fazer.
Quanto ao resto, já todos sabemos que quem arca com tudo, são os que, por conta de outrém, trabalham..., e mais não digo, pois teria que ir muito mais além da Kika, que só refere o CEO do BP. (Será Banco de Portugal ou BP - combustíveis e demais energias)? É que nós é que pagamos, quer um quer os outros.

silvya disse...

que dizer, que já todos não tenham dito?
tirando a banda desenhada, deixem-me trata-la assim, o texto é crú, mas verdadeiro.
custa muito ver tanta desigualdade, tanta asfixia de valores, de ideias...e depois "aqueles" lá do alto,a berrar afirmações tolas, sempre a espera de ver o povo, que somos todos nós a sorrir. será que tanbém querem beijos e abraços?
o zé palmeiro, tem muita razão, mas eu hoje estou tão irritada, a sério, que nem consigo escrever o que realmente sinto e penso.
daí a minha vontade de exterminar alguém...( o gov.do banco de portugal) por exemplo.
como diziam os "anarcas", os ricos que paguem a crise! oh! santa ignorância. mas será que eles não sabiam, não sabem que quem paga e torna a pagar somos nós os pagadores por conta de outrém?
tirem-me deste filme, que já não o é, mas sim um pesadelo!
abraço.
silvya

Joaninha disse...

é raro, mas acontece - não passar por cá de manhã! Ou seja, as «inteligentes» conclusões que iria tirar (quando ainda ninguém tinha dito nada...) já não as posso dizer :)

Mas a verdade é que a notícia engana um pouco. Quando li, mais ou menos em diagonal, fiquei com a ideia de que seriam os «aumentos salariais dos funcionários» em geral, e pareceu-me o mais natural que é possível. Comecei a estranhar ao ver que a Comissão Europeia se opunha. OLÁ????!!!! Quéissso?!
Depois caí em mim ao ver que eram os funcionários já VIPS em si mesmos.
Ora assim já se entende tudo!

Emiele disse...

Escolhi o boneco a brincar, porque apesar daquela agitação toda, ... será que estão a fazer alguma coisa que se veja?....
:)

Muito obrigado pelas vossas visitas e comentários

Miguel disse...

Emiéle,

Isto já é um bocado "americanizado". Tudo legítimo e, provavelmente, tudo dentro e ao abrigo da lei. Porque não? São instituições diferentes...

Apenas uma correcção no que escreveste: eles não vão ganhar menos!!! Vão ganhar mais! Não vão é ganhar "tanto" como estava previsto. Logo, com inflação negativa ou marginalmente acima de zero, aumenta o poder de compra.

Quanto à crise e afins, estou algo cansado. Daqui a uns anos veremos mas algumas das soluções passariam, inevitavelmente, pelo crispar das relações internacionais e, de forma minimalista e sem grandes explicações adicionais, por cenários de guerra. Eventualmente aí chegaremos quando o nosso modo de vida for posto inequivocamente em causa... (guerra aberta ou induzida internamente através de guerras civis).

josé palmeiro disse...

Respondendo ao Miguel, diria simplesmente: Fala, quem sabe!
Concordo, em absoluto com o que alvitras, infelismente.