sexta-feira, novembro 20, 2009

Saber o futuro?...

Todos nós que usamos a net sabemos que ao abrir um site, desde a versão on line de um jornal, o contador de visitas do blog, ou o nosso gmail, nos aparece uma barrinha lateral polvilhada de anúncios. Certo. Faz parte da mecânica desta coisa, o acesso é grátis mas o dinheiro tem de vir de algum lado, portanto dos anunciantes.
Mas é curioso o estilo de alguns anúncios que vejo com frequência, e portanto imagino que haja quem utilize esses serviços ou tenha curiosidade e vá lá clicar. Por exemplo: Controla o teu namorado/a - Descobre onde e com quem está. Instala o localizador no telemóvel! Afinal isso existe, não é só nas séries americanas. Eu só penso que o (ou a) namorado que recorresse a um serviço desses, merecia mesmo apanhar com a pior notícia possível! Era bem feito.
Mas há outro género.
"Queres saber como é que estás daqui a 20 anos?" e para a gente entender bem o que significa "como é que estás" explicam então que o como se refere a ‘pobre’ ou ‘rico’. Nunca lá cliquei mas suspeito que se o fizesse me sugeriam um bom investimento nisto ou naquilo.
E essa margem dos 20 anos é formidável - também dá para saber como vai ser a nossa cara em 2019. Ui!
E há ainda melhor, um que nos pergunta se queremos saber quando vamos morrer, ou talvez de que forma é que morremos, já nem me lembro da pergunta porque nunca me deu tal sinistra curiosidade.
É que essa coisa de saber o que se pode passar no nosso futuro – aceitando por isso que ele esteja predestinado – é terrivelmente desagradável.
Está a passar agora na tv uma série chamada «FlashForward», um cruzamento de ficção científica com policial, que tenho visto sempre que posso. A ideia base é que, por um efeito misterioso, todas as pessoas do mundo puderam espreitar como seria o seu próprio futuro seis meses mais tarde, durante menos 3 minutos. E é muito assustador. Embora as notícias em muitos casos tivessem sido agradáveis, de um modo geral o saber que dentro de seis meses vai estar grávida, ou perdeu o emprego, ou mudou de casa, ou ganhou a lotaria, ou tem um namorado novo, faz com que tudo pareça estranho na actualidade. Melhorar agora a casa, se vai mudar? Esforçar-se no trabalho, se vai ser despedido? Namorar com este, sabendo que dentro de meses já não gosta dele?
É por isso que, mesmo para gozar, não clico nas propostas de vir a ser rica.
De outra forma ainda pode dar para sonhar, não é?
Dez anos?... Huumm…

15 comentários:

josé palmeiro disse...

Li com atenção o que escreveste e verifiquei os links, que deixaste.
Recuando um pouco, ou muito, pois eu já vou tendo algum, para recuar., esta é a forma actual da velha "cigana", que nos lia a "sina" e só te digo: "Menina, que lindo futuro tem à sua frente, mas cuidado, porque há uma mulher a atravessar-se no seu caminho...".
Belos, os tempos das FEIRAS em que essas previsoras do futuro se amontoavam pelas esquinas dos nossos burgos e nos liam a sina, a troco de cinco ou dez tostões!!!
Resta dizer, que dava sempre certo.

Joaninha disse...

É mesmo. Andamos abafados em publicidade (olha que se vires bem, quer ontem quer hoje foi afinal isso que abordaste!) e nem sempre lá muito bem conseguida.
Os dois exemplos que deste são mesmo isso. Também conheço essa do «rico ou pobre» e evidentemente que seremos ricos se seguirmos os seus conselhos - e entretanto vamos fornecendo os nossos contactos!!! E a outra, da maneira como vamos morrer é igual. Perguntam que hábitos de vida temos, aquelas coisas óbvias, como comemos, se fazemos exercício físico, toda essa coisa e depois se lhes mandarmos o nº de tm (tá bem tá bem!) dizem-nos que ainda vamos durar muito no caso de....
GRRRR!

Essa da nossa cara daqui a mais 20 anos, com franqueza também não é coisa que me agrade... Se fosse de um neto?!

Mary disse...

Conheço a série de que falas e está a ser interessante. Mas até lá se está a ver que nem tudo está predestinado. Se um casal teve 'visões' (como lá chamam) diferentes um deles está errado, não é?
De facto a gente nem sempre tem mão no que nos acontece, isso sabe-se, mas seria horrível saber a nossa vida com antecedência.
Olha, Zé Palmeiro, há uns anos a gente nem sabia o sexo do nosso filho a não ser no momento do nascimento. E não era mau, até aumentava a curiosidade :)

Joaninha disse...

Só dizer que vi apenas um episódio dessa série o que é chato porque depois não se entende nada! Quero ver se eles começam a repetir para apanhar o fio à meada.
Mas é claro que se sabemos que é ficção, a coisa é outra.... :)

fj disse...

Curioso nunca tinha relacionado mas eles têm razâo ( é raro mas pode acontecer, como se prova ).Aproxima-se mais daquelas Senhoras inicialmente oriundas do oriente e depois da europa central,que ganham honestamente a vida com estas atividades.

kika disse...

Pois, ali a Joaninha disse o essencial sobre essa publicidade, mais uma vez enganosa.
Esses dados são vendidos para estudos de mercado etc, etc e nós ainda ficamos mais expostos ao Big Brother!

King disse...

Essa de sonhar que fiquei rico, acontece. Enfim, 20 anos ainda se pode pensar que muita coisa mude.
Mas estou como tu, uma coisa é 'sonhar' outra querer adivinhar. Realmente nem com as ciganas (as-Senhoras-inicialmente-oriundas-do-oriente-e-depois-da-europa-central-que-ganham honestamente-a-vida-com-estas-actividades! lol fj!!!!!!).

Mas está bem visto, o post :)

Anónimo disse...

Poizé!
Não tinha pensado que fosse uma caça aos tm e emails, mas quase de certeza é! :(

shark disse...

Se alguém estiver interessado/a posso, por uma módica quantia, consultar o oráculo nas entranhas de um pato.

Professor Karimba

Joaninha disse...

Ehe, eh! Aprovo! Assado? A até de pode fazer com arroz :)

Emiele disse...

Olha O Shark a nadar nestas águas! Olá, olá!!

Mas esta coisa dos futuros está mesmo «a dar» reparem que o filme do Natal é o velhíssimo conto do Dickens, que refere como a visão do futuro pode mudar o presente e ... o próprio futuro!

sem-nick disse...

Nunca tinha pensado nisso. É claro. É claro que os anúncios ajudam a pagar os sites (até alguns blogs também aceitam os anúncios) e é claro que aquilo acaba por ser uma fonte para maillings e até listas de tm, tudo vantajoso para a própria publicidade!!!
Como é que não tinha junto as duas coisas?! Sou mesmo burro.

sem-nick disse...

Ah, essa coisa de saber o futuro, teria alguma graça, mas é como nessa série, mesmo com a certeza de que vai ser assim -e no flashforward já começa a haver dúvidas - depois ficamos sem saber o que fazer... É só esperar? Não pode!

Saltapocinhas disse...

Eu cliquei uma vez numa coisa do génro.
A certa altura pedem-te o n.º de telemóvel e ficas a pagar um balúrdio pelas "novidades"

Emiele disse...

Ontem acabei por não responder como desejava, e ainda apareceu a Saltapocinhas já tarde portanto respondo hoje:
Saltapocinhas, a ideia deve ser essa. Só com o anúncio não se chega lá mas é como as mensagens de tm pagas – assim que apanham um número estamos feitos! E o futuro imediato é o porta-moedas ficar mais leve!
Sem-nick – quanto à série vamos ver. Ainda não arrisco prognósticos. De resto se és burro em não te ter lembrado de que aquilo servia para maillings, estás acompanhado por mim e acredito que por mais gente!
Kharkinho, esse tipo de augúrios é chato para os bichos mas sempre dá algum lucro aos sacerdotes; mais do que ler as folhas de chá, que é fraquito como refeição...
King – sonhar acordada é comigo. Claro que quando isto anda pior tenho ‘pesadelos acordada’ o que é péssimo!
Kika, é tudo comércio afinal...
Fj – (eles são quem? Havia mais de uma hipotese, por isso fiquei na dúvida) O teu eufemismo é brilhante!!!
Joaninha – essa da minha cara com + 20 anos deixou-me sem pinga de sangue. Vade retro!!!!
Mary, a gente habitua-se a saber ou adivinhar mais um pouquinho (como essa do sexo do bebé) mas adivinhar com muito tempo de distância é estranho. Claro que na série são apenas uns meses...
Zé Palmeiro – foste tu que iniciaste os comentários com essa ideia da cigana e da sina. Mas olha que ainda há muitas. Tenho aqui na esquina da minha rua uma que assenta arraiais e me chama sempre que lá passo «Oh minha querida, deixe-me ver a sua mão que eu sei que é muito invejada!» Fico toda contente de ser digna de ser invejada, ena, ena!!!