sexta-feira, julho 17, 2009

Rabugices...

Mais uma vez venho rabujar contra uma atitude dos meus (nossos) concidadãos. Esta diz respeito ao modo com se usa os «ecopontos», coisinha que também é tema aqui recorrente.
Desencadeia este meu desabafo - mais um sobre este tema, que nunca mais tem fim! - uma troca de impressões ocorrida ontem, à beira de um desses ecopontos, aqui do meu bairro.
Quando me aproximei do «monumento» já ao longe se via um monte enorme de sacos de lixo, que quase tapava a estrutura dos 3 contentores do «ecoponto». Até abrandei pensando que aquilo estaria completamente cheio e teria de procurar o mais próximo para depositar o material que levava num saco.
Foi quando notei um senhor que, tendo passado por cima dessa barreira de lixo, estava com calma a meter em cada contendor próprio a embalagem ou o vidro ou o papel que lhe correspondia. Cheguei-me também e confirmei que dentro dos contentores havia imenso espaço, estavam semi-vazios apesar do aspecto ali em seu redor. Tratava-se apenas de em vez de querer meter o saco inteiro, fechado, pela entrada do ecoponto (o que era quase impossível porque as entradas são relativamente pequenas) tirar as embalagens uma a uma e enfiá-las na abertura. Fácil! O que aliás é o sistema que sempre uso.
Enquanto procedíamos a essa tarefa, que demorou poucos minutos, trocámos algumas palavras:
- «Já viu que porcaria?! Até é difícil chegarmos aqui perto!»
- «É que esta gente tem a mania de tratar isto como um contentor de lixo comum»
- «Não entendo! Fazem o mais difícil que é separar o lixo, e quando chegam aqui largam tudo no meio do passeio!»
Sorrimos um para o outro e cada um foi à sua vida.
E é isso que me custa a perceber. Até entendo que por ignorância, ou preguiça, não se separe o lixo. Não é coisa que dê muito trabalho, mas enfim... Mas o interessante é que ‘eles’ fazem-no. Depois disso, ainda têm de sair de casa, descer escadas, atravessar ruas, chegar ao pé do «ecoponto». Tudo isso demora tempo e dá alguma maçada.
Mas o final, o que dá sentido a esta acção que é colocar o material a reciclar dentro do contentor, isso não. Isso não fazem.
Porquê???
Quem gastou aquele tempo, incomoda-se por mais um minuto?
A verdade é que é uma atitude profundamente anti-cívica, que torna alguns ecopontos locais mal cheirosos, que atraem animais vadios e insectos de várias espécies, e dá um ar terceiromundista e miserável a muitos pontos da cidade.
Campanhas de civismo precisam-se!

14 comentários:

Joaninha disse...

Eu sei que é uma cruzada tua, mas pregas no deserto! Por todo o lado é como dizes. Agravado com o facto de a recolha dos depósitos dos ecopontos ser muito irregular, para não dizer outra coisa. Devia haver um levantamento dos locais que «enchem» mais depressa e fazerem uma segunda volta para os despejaram.

Sem querer ser antipática, mas o certo é que nos bairros mais chics (falo de Lisboa) é menos frequente ver os ecopontos a deitar por fora. Devem passar por lá mais vezes.

sem-nick disse...

OK, o tema de hoje parece insignificante mas diz bem do nosso civismo e educação.

Para além de que quem faz a recolha nem sempre é muito sensível. Vou contar o que vi exactamente esta semana: mesmo em frente da minha casa há um "vidrão", daqueles que aparecerem primeiro, redondos, verdes, para as garrafas. Aquilo enche depressa porque fica ao lado de uma pastelaria e um restaurante. Há uns dias, quando passei por lá, vi que estava cheio até acima e tinha ao lado duas grandes caixas de cartão com garrafas. Quando cheguei a casa ouvi o barulho da camioneta que recolhe essas coisas e cheguei à janela, reparando que despejaram o vidrão, olharam para os caixotes, falaram uns com os outros e deixaram-nos lá ficar... O que é que tinha custado já que ali estavam fazer o trabalho até ao fim?...

(Desculpa o lençol, mas a história veio mesmo no momento!)

Joaninha disse...

Só uma coisa, a imagem é muito suave. Tenho visto muuuuuuito pior. Os sacos a chegarem quase até acima!

Emiele disse...

Tens razão, Joaninha. E tem uma explicação. A foto é minha, ou seja fui à rua tirar a fotografia, mas queria provar a minha teoria e nos sítios onde o lixo cá fora era quase da minha altura, via-se nas aberturas que lá dentro também estava cheio... E aqui, se ampliarem a foto, nota-se que os «ecos» não estão cheios. Foi por isso que escolhi esta!
:)

King disse...

Tem piada o contraste entre a imagem que aparece quando clicamos onde diz «ecopontos» no texto e depois a que está no final. Um tão limpinho, e o outro...
Como dizes, este é um tema recorrente aqui. Volta não volta falas nisso, deve encanitar-te especialmente!
Por mim, a solução estava em colocarem ao lado um contentor de lixo vulgar!Mas numa cidade que tem recolha de lixo há 100 anos (talvez não, mas deve ser quase...) não se entende que se ande a deixar o lixo na rua.

kika disse...

Mais uma vez a falta de civismo e educação, de que andamos pelos vistos todos fartos.
Todos não direi, porque na verdade são uma maioria, aqueles que não respeitam o espaço publico.As cidades mais pequenas , são mais limpas, onde as autarquias tambem são mais cuidadosas, e é na verdade um prazer entrar numa cidade , sem uma ponta de cigarro no chão.Cá em Portugal temos localidades assim, mas se nos passearmos pela Galiza aqui tão perto fica-se boquiaberto.
Contudo já li algures, que em algumas localidades abrem o lixo para ver se descobrem a quem pertence, mas aqui tive um homem a trabalhar em casa que me disse , não se dar a esse trabalho de separar os lixos mas queima os papeis na varanda, para que nunca venha a ser apanhado.Já viram o cúmulo?
Nem tive palavras tal foi o meu espanto
Tambem já desabafei!!!

estrela-do-mar disse...

Como a Kika já abriu o capítulo das nossas histórias, conto também a minha: na minha casa faz-se a separação, coisa fácil. Aliás o papel mesmo o de jornal já no tempo da minha mãe se aproveitava! e as garrafas também era hábito antigo, aproveitar-se, as embalagens é que é moderno (mas também a própria existência de 'embalagens' também é moderno, dantes as coisas vinham da mercearia em cartuchos de papel pardo :)))
Mas como disse eu separo os lixos e de vez em quando vou esvaziar os sacos nos ecopontos. mas a minha mulher a dias, muito prestável, diz-me sempre «deixe lá, não se incomode, como tenho de sair levo já os sacos».
Ora não é que descobri que ela os deixava ou no contentor do prédio, ou também ao lado dos ecopontos!!! Ia-me dando uma coisinha!

josé palmeiro disse...

Recorrente, sim! Mas de uma actualidade gritante.
Contráriamente ao que diz a Joaninha, ela que me perdoe, eu acho que não é "pregar no deserto". É certo que continua a haver muito quem não respeite as regras, isso é verdade, mas eu conto-vos uma situação que se passou comigo, aliás não sei se não terei já contado. As aberturas dos contentores de papel, aqui em Ponta Delgada, são horrorosas, entra um jornal e pouco mais, pois mais parecem caixas de correio. Um destes dias estava eu numa cruzada inglória a tentar coocar papelão lá dentro, sem o conseguir, quando aparece o carro do lixo. Ao verem-me com aquela dificuldade e perante os meus protestos, um dos funcionários, com uma solicitude extrema disse-me que esperasse um segundo e foi ao veículo buscar uma chave que abriu o contentor, depois disse: "Fique com ela e sempre que necessitar, use-a. Pois bem já serviu para mim e para outras pessoas que eu vejo nas mesmas dificuldades que eu tive. Temos, os que acreditam nestas coisas, de lutar, sem desistir, em fazer como deve ser feito. Pelo exemplo, chega-se lá. O caminho é longo e espinhoso, mas faz-se.

Joaninha disse...

Bem, realmente exagerei, com essa da pregação no deserto, :) mas a verdade é que me parece difícil de mudar hábitos e mentalidades.
Ontem a minha empregada vinha com uma história que nem entendi bem: diz-me que numa zona onde ela trabalha (no centro de Lisboa!)avisaram que só passavam a recolher os lixos 3 vezes por semana, aí 2ª, 4ª e 6ª!!! Como é um sítio onde há muitos restaurantes, ela diz que eles têm de ficar 3 dias ao fim de semana com os o lixo arrecadado. Poderá ser?...

josé palmeiro disse...

Joaninha, minha amiga, é evidente que te entendi e muito bem. Esta luta é como a do D. Quixote, todos nós sabemos, mas não podemos, nem devemos, dela abdicar.
Essa da contensão da recolha dos lixos é de arrepiar, bem basta quando os TRABALHADORES o decidem, pela greve, aí com inteira razão.

josé palmeiro disse...

Esqueci-me de referir.
QUem estiver em desacordo com as minhas ideias, expressas anteriormente, sugiro que calçe umas luvas e se pendure no estribo do veículo do lixo, só por uma hora, verá que tenho razão!!!

kika disse...

O caminho é longo e espinhoso, mas chega-se lá como diz o Zé Palmeiro.As nossas crianças estão a ser educadas , pelo menos nas escolas a respeitarem o planeta e é assim que deve ser, para que possam usufruir dele. Só que o exemplo dos adultos é genéricamente fraco!

Maria disse...

Só agora chego e vejo que não tenho muito mais a dizer senão que estou com a Emiéle e com os outros que também deram o seu testemunho e, já agora, acrescento que a par da educação para a reciclagem é também necessário investir-se mais no sentido de se produzir menos lixo. Também, às indústrias de bens de consumo (sobretudo alimentares)
dever-se-ia pedir/exigir mais atenção para o embalamento; faz-me imensa impressão a quantidade de esferovite (poliestireno) que se utiliza para embalar carnes peixes e enchidos, com certeza haverá alternativa ao uso desse material, poluente, haveria outros exemplos a dar...

Saltapocinhas disse...

É uma vergonha, há pessoas que nos envergonham como povo!