terça-feira, junho 16, 2009

Iniciativa, precisa-se

Expliquei aqui que passei a última semana de férias na minha aldeia. Ela é pequenina e lá poucas coisas se passam dignas de registo, mas fica a poucos quilómetros de uma vila onde decorre a nossa «vida social». É aí que existe uma loja de que já aqui tenho falado muitas vezes pelos melhores motivos: a dona é de uma enorme simpatia e a loja tem coisas originais e de bom gosto por um preço acessível.
Ora bem, na mesma vilazinha, com bastante comércio, - Farmácia, Posto de Bombeiros com um atendimento a doentes que é quase um Centro de Saúde, um cabeleireiro que agora passou a Spa, restaurantes razoáveis e, naturalmente, lojas para quase tudo o que se pode precisar - abriu há uns tempos uma lojinha muito simpática.
Inicialmente era para substituir o quiosque de jornais cujo dono se reformara, mas não só, tinha outras legítimas ambições. Como o espaço era bom, para além dos escaparates com imensas revistas e jornais, tinhas mostruários com objectos para lembranças ou recordações, brinquedos simples, alguns DVDs e livros, coisas para a praia, e mais ao fundo mas ainda com boa luz, tinha uma pequena máquina de café e uma mesinha com cadeiras, onde quem quisesse se podia sentar a beber um café e a dar uma vista de olhos pelo jornal acabado de comprar. Ah, e também fazia lá carregamentos de telemóveis, actividade que lhe dava muita freguesia!
Para além disso, a cereja no bolo: tinha dois computadores ligados à net o que permitia contactos a quem não a tivesse em casa. Era rara a vez que eu lá não fosse que não estivesse alguém a utilizá-la, sobretudo estrangeiros em viagem. E, claro, a criançada ia para lá fazer jogos de computador. Para além disso tudo, o Sr. R. é também muito simpático, conversador, bem-disposto, e um sujeito educado.
Bem, o Sr. R. mudou a loja de sítio.
Agora dá para a praça e é ainda maior, têm até um canto com um plasma e uns sofás onde se pode ver tv, saboreando o tal cafezinho. Parecia tudo bem, mas… Ao mudar de um local para o outro, aceitou um contrato com a Cabo, ficando com TV, net, e telefone do mesmo fornecedor. Julgava que seria bom, mas a coisa não funcionou. Perdeu a net, nunca teve telefone e só ficou com aquilo que no seu caso menos interessava – a tv. E, apesar das suas reclamações repetidas diariamente durante o primeiro mês, nunca a coisa foi arranjada mas no final do mês mandaram a conta. Creio que essa primeira conta foi paga, entre grandes protestos e mais telefonemas. Mas a coisa continuou no segundo mês e aí ele decidiu não pagar uma conta de um bem que não tinha recebido.
Teve toda a minha solidariedade.
Onde já me parece que a coisa não está certa, é que tudo isto se passou antes do Natal, estamos quase a chegar às férias de Verão, e aquela loja continua sem a sua ligação à net e sem telefone. Confesso que a ligação à net me tem feito falta, porque era lá um dos sítios agradáveis para poisar. Mas… o telefone?! Uma empresa está quase um ano sem telefone?! Como já disse, acho o Sr. R. uma simpatia, mas não é lá grande comerciante. Que esperasse o primeiro mês faz todo o sentido. Mas no segundo mês era de escolher outro fornecedor e rescindir este contrato que não estava a ser cumprido. Tenho a certeza de que ele tem perdido dinheiro com esta falta de iniciativa – não apenas os utilizadores da net, que pagavam bem caro, como os pequeninos jogadores e aquilo que os seus pais, ao irem lá buscá-los, de certeza quer iam comprando…
Para se prosperar nos negócios ajuda ser simpático, mas não é tudo. A iniciativa faz falta!

16 comentários:

Joaninha disse...

Ora hoje sou a PRIMEIRA!!!

Ao tempo que não acontecia. Eu dantes vinha sempre aqui estrear o «post do dia» e ultimamente quando aqui chego já vi que houve quem se adiantasse!

A gente já vai conhecendo mais ou menos bem a «tua aldeia»... É giro porque fui espreitar o link que deixaste - tchi... para o Afixe, imagine-se...!!! - e fiz as contas, já andas a escrever para a gente pelo menos há 4 anos. Digo pelo menos porque nem sei o tempo que estiveste ali no Afixe.

A historieta que contas é uma de muitas que conhecemos. Eu, por mim, acho que não é exactamente falta de iniciativa, é avaliar mal os ganhos e percas. Ele deve pensar que tem um telemóvel (tem, de certeza) e essa coisa da net é secundária.
Mas eu concordo, que mais não seja, daria uma imagem diferente. Alguém devia aconselhá-lo. Porque não tu?...

Emiele disse...

Olha que não é tão «secundário» como isso...
Ele cobra 1 euro por meia hora, e começa a contar sempre que entra numa outra meia hora. Já lá tenho pago 3 euros por uma hora e 10 minutos... O que quer dizer que se estiver sempre ocupado ( ainda por cima tem duas ligações) ao fim de um dia pode ter a net paga. Daí para a frente é sempre a somar. Pode ser quase tanto como o que ganha com a venda dos jornais!

fj disse...

O neo liberalismo chega a´s lojas da vilazita.

Ps: joaninha sff l^o meu pedido de desculpas, feito ainda ontem.

josé palmeiro disse...

Olha a Joaninha 1ª!
Bom ver-te aqui, tão cedo.
Quanto ao link, não conhecia, ainda por aqui não andava, mas lembro-me, já no Pópulo, teres falado dessa "casa".
Mas vamos ao conteúdo.
Como eu percebo o sr. R., e logo com quem ele se meteu, com essas trapaças que são as ofertas de uma sociedade de sucasso, sempre tudo mais barato que o que estava e depois, é o que se vê. Alvitro que o que ele está fazendo é deixar expirar a fidelização, alínea que consta daquelas letras miudinhas, que ninguém consegue ler, nem ninguém fala, mas lá que é um sufoco, isso é. No entanto permitiu-te a experiência de ficares uns dias, isolada deste mundo e deu-te o tema para o post com que hoje nos brindaste, que serve para alertar para as manigâncias, desonentas, dessas empresas, que nos desinquietam a alma e o sentido, por mensagens, por telefonemas e cartas a toda a hora, publicitando algo que não é.

Joaninha disse...

Zé Palmeiro, se não conhecias o Afixe, aproveita quando tiveres um tempinho livre, e depois daquele post se fores clicando para os que lhe estão perto apanhas a Emiéle e a Isabel em posts muito bons. Eu 'fidelizei-me' nessa ocasião.

FJ, já lá fui espreitar. Vou responder, mas com toda a franqueza não levei nada a mal! Era o que faltava.

sem-nick disse...

Que engraçado, segui o conselho da Joaninha e estive a explorar o Afixe. Mas o que se via era Emiéle, Isabel e Susana. Os outros...?!
A Emiéle já nessa altura, escrevia que se fartava. E bem!

Esta história faz-me lembrar outras parecidas.Pelo que contas o senhor até tem algum jeito para «montar os negócios» o mais complicado é mante-los a rodar bem.
Claro que o Palmeiro tem razão e ele pode ter sido apanhado num armadilha com eles fazem.Mas sendo uma coisa importante (dizes que lhe deve render tanto como a venda de jornais) devia haver um modo de resolver a coisa.

sem-nick disse...

... claro que isto sou eu a dar palpites! Se me visse numa dessas se calhar ainda ficava mais atarantado.
:)

King disse...

Se a Joaninha hoje foi a primeira eu sou quase o último contra o meu costume...
Mas de manhãzinha não deu para deixar aqui nada, estava um tanto atrasado. Ficou para a hora do almoço.

Imagina-se muito bem essa tua (aldeia? vila? pequena cidade?) com Bombeiros que também têm posto de atendimento de saúde, cabeleireiro - tipo spa, ena!!!! - restaurantes, supermercado, de certeza, etc...
O sr. R, com certeza não é do mesmo estofo da D. Graça e marido, por aquilo que tens contado dela (lembrava-me bem do outro post) mas lá terá as suas razões e olha que ter decidido não pagar por aquilo que não recebe, já é de homem. Porque o que nos mandam é pagar primeiro e protestar depois...!

josé palmeiro disse...

FJ, pelo que vejo és tão bom, nos negócios, quanto eu!

Emiele disse...

Bem, bem, bem...
Eu comecei por dizer que até gosto do senhor. É simpático, bem educado, tem humor, e tem gosto.
Mas (embora reconheça que não me tinha lembrado dessa coisa da fidelização) posso estar muito enganada mas deve haver forma de contornar isso. Pôr o telefone e a net em nome da mulher ou do filho..? Nesse caso não seria uma vigarice, era o 'pagamento' adequado.
Aliás há por lá mais sítios com acesso à net, (não muitos, mas pelo menos outro, num café) eu se fiquei calada aqueles dias foi mesmo por opção!
.......
Tem graça vocês andarem a espreitar o que escrevi no Afixe. Há taaaanto tempo! Já quase nem me lembro
:)

fj disse...

Eh pá esqueci-me de referir o talvez vendo. Fundamental.Ainda bem que não te lembraste de usar empreendorismo, palavra em principio inócua,mas agora simbolo do neo liberalismo.

Emiele disse...

FJ, detesto o empreendorismo. Há termos que me causam nervoso miudinho. Cá está um.

A foto também me pareceu um achado.
«Talvez»...
:)

Maria disse...

Este "post", mais uma vez, revela a tua atenção e sensibilidade para a dinâmica social (não encontro outra forma, melhor, de dizer), isto é, neste caso, a interacção comerciante com o "lugar" e os seus clientes e aí, talvez, fosses uma boa conselheira para o Sr. Rui. Realmente, mesmo atendendo ao facto que o j.Palmeiro alvitrou, é, no mínimo, estranha a passividade que o senhor R. aceita a situação, estará acomodado, ao ponto de não se esforçar mais um pouco ou faltarão mais algumas vozes a reclamar, enfim eu com o meu feitio (ou mania como diz a minha filha de me meter em tudo) e com a estima pelo espaço que aqui demonstras e a sua utilidade, iria de certeza explorar o assunto.
Gostei de ter tomado conhecimento com o "Afixe" e a "transparência" que, em ti reconheço, não foi um impulso meu nem "amor à 1ª. Vista"!

zorro disse...

Parece-me que já aqui tinha chamado a atenção para um «fenómeno» estranhíssimo. os comentários aqui no blog estão na razão inversa do número de posts!!! desde que passou a ser um ou dois por dia eles passaram a chegar quase aos 20 :) Hoje ainda está nos 14 mas o dia não acabou...

Eu lembro-me do post do Afixe, até lá deixei um comentário e tudo!! Conheço a casa da D. Graça e concordo contigo.
Aqui a tabacaria não estou a ver onde seja, mas se calhar chego lá. a gente anda pelos mesmos sítios
:)

King disse...

Realmente também não disse nada do «Talvez... vendo» e é fundamental!
lol!!!
Isso sim, é indecisão|
Bem pior que o sr. R.

Emiele disse...

Maria, para além de muito simpático, o teu comentário 'apanhou' muito bem o que eu senti. Mostraste uma grande empatia, porque foi exactamente o que me enervou um bocadito, essa passividade como muito bem lhe chamaste perante uma situação que até o prejudica (para além dos clientes)
Por exemplo essa coisa do telefone, faz com que eu não possa ligar-lhe a pedir para guardar um jornal, como às vezes fazia...