quarta-feira, junho 17, 2009

Persia Irão

Só tenho perguntas dúvidas e pouquíssimas respostas.
O que sei do médio-oriente é não apenas em “segunda mão” como muito confuso porque trata de valores que não são os meus. Aliás é sobretudo isto que me baralha. Porque afinal a História é sempre estudada «em segunda mão», nenhum de nós esteve na Batalha das Termópilas, andou nas caravelas, assistiu à Guerra das Duas Rosas, passou pela Revolução Francesa, viveu o início da Revolução Industrial. E aprendemos alguma coisa com o estudo da História e até temos opiniões. Mas isto porque os acontecimentos eram avaliados por uma bitola que nos era familiar.
Em relação ao Médio-Oriente, quanto à questão Israel-Palestina tenho a minha opinião, mais ou menos fundamentada. E também a tive quando foi a invasão do Iraque. Mas creio que porque um dos lados do conflito era ocidental e com valores como os meus. E agora nesta questão iraniana, também tenho a minha opinião uma vez que os Direitos Humanos têm de ser universais e, pelo que sei, foram muito atropelados naquele país.
E... tenho a sensação de que me faltam sobram dados. Mais uma vez, como tem acontecido com os últimos grandes acontecimentos, as coisas têm sido transmitidas em directo, desta vez até com a ajuda do twiter. Faltando a informação dos media credenciados, uma vez que os dirigentes iranianos não aceitaram o seu trabalho, estas informações de sites de candidatos ou de redes sociais têm um enorme peso. Ou seja, foi uma péssima jogada do Ahmadinejad.
Tenho a ideia maldosa de que se o Iraque não tivesse petróleo, ou se o Irão não tivesse petróleo e não andasse às voltas com o urânio enriquecido, não teria batido tão forte a falta de democracia. Afinal no Zimbabwe, o Mugabe ‘ganhou’ uma eleições de um modo perfeitamente semelhante, e o Mundo resmungou mas calou-se.
Mas não deixo de sentir como isto é impressionante:
Um milhão de pessoas nas ruas?
Mulheres a assumirem posições de contestação?
Uma teocracia a ser questionada?

A verdade é que ali as ‘instituições não-eleitas’ têm ali um peso tremendo. E isso custa a aceitar.
Afinal até no Estado do Vaticano o Papa é eleito pelos Bispos, não é?...



14 comentários:

fj disse...

De acordo com muito. Mas o que se tem passado agora revela um grau de liberdade que não calculava.Um dos principais males da história e´ estar sempre fora de si própria( e digamos a verdade nem sempre ser como gostariamos que tivesse sido, imperdoavel.
Mas a al jazeera cobre bem os acontecimentos, o al manar é pior, mais faccioso por ligado ao hezbola e mais preocupado co o líbano.Mas apanham-se bem na net,em geral.
Amanhã no instituto francês, 21 30. hã um colóquio sobre os estados maus, os do médio oriente, claro,promovido pelo monde diplomatique, o que dá certas garantias.Dentro do possivel há meios de informação que ajudam.Se pudesse ia lá, mais ou menos como se fez com tianamen, com aquilo ainda frequinho.

Emiele disse...

Lembrei-me bastante de tianamen exactamente porque lá, durante uns dias parecia que as autoridades não deram resposta. A Praça estava cheia e a gente assustada e admirada como não havia nenhuma intervenção. E quando veio foi o que se viu. Aqui também foi estranho como «deixaram» acontecer aquelas manifestações gigantescas, e estava receosa da resposta.
Mas ver como acaba tudo.
Parece que o tal Conselho dos Guardiões ou lá como se chama, já considerou a possibilidade de fazerem novas eleições. Ouvi na rádio.

King disse...

Ora aqui está um post «complicado» de comentar. Tenho de voltar aqui depois. Dá ideia de que achas que o facto de eles terem censurado a informação internacional foi um boomerang que se virou contra eles, não é?
A verdade é que com a net tudo isto ficou diferente.

Maria disse...

Estou como tu Emiéle, cheia de dúvidas e, mais qualquer coisa, desconhecimento (não faço ideia quem é o derrotado nem o seu programa, por exemplo) mas não invalida, o meu repúdio pela fraude eleitoral e a impressão que me faz, como dizes, as manifestações de protesto com mulheres, algo está a mudar....

Sim, as "faltas" de democracia com “petróleo” dão mais nas vistas; afinal o petróleo é combustível não é (mazinha e atrevida sou eu)?!

zorro disse...

Tal e qual Maria.
Não posso estar mais de acordo contigo e em grande medida com a Emiéle porque parece-me que é mesmo isso que ela quer dizer. Neste momento 'torce-se' por uma facção sem sabermos o que diz a outra, mas sobretudo porque a clara fraude eleitoral foi um grande erro.
Se calhar se não tivesse havida fraude até poderiam ainda ter ganho, ou perdido por pouco. Afinal a diferença foi de 2/3... Foi uma burrice completa a somar a essa outra de impedir os observadores internacionais. Estão agora a pagar a factura.
........
Espera-se que a violência não aumente. O facto de lá os Guardiões ponderarem novas eleições é importante.

Alex disse...

Um milhão de pessoas nas ruas
Mulheres a assumirem posições de contestação
Uma teocracia a ser questionada
O peso das ‘instituições não-eleitas’

Com ou sem petroleo ou urânio
Está um assassino no poder apoiado por uma instituição fanática que não olha a meios "em nome do Islão"

Quanto ao Conselho do Guardiões, o que ouvi, é que admitiam a contagem parcial dos votos, seja lá o que isso for, mas novas eleições estariam fora de causa.

josé palmeiro disse...

Como é visível, estamos todos de acordo com a reflexão da Emiéle e com as achegas que foram chegando.
Isto da net, com todos os seus defeitos, tem esta virtude, todos opinam pelo que, com paciência, há sempre possibilidade de ter, das coisas, um conhecimento mais profundo e rápido. Assim, tudo muda.

King disse...

Alex, a Antena 1 no noticiário das 7 da manhã (foi aquele que ouvi) dizia isso, realmente. Que o tal «Conselho» propunha de imediato a recontagem das votos, mas também não excluía novas eleições.
Fiquei admirado, mas ouvi isso porque até comentei o facto.
Vou ver se encontro alguma referência.

Joaninha disse...

Nesta luta onde de um lado estão os bons e do outro os maus, também me sinto baralhada e sem saber se não serão todos maus...
Que exagero, não é? Talvez antes todos bons, ou todos assim-assim...
Repare-se que Moussavi durante muitos e muitos anos esteve de acordo com esta «teocracia»: foi primeiro ministro de 81 a 89! E os ayatolas estavam lá. Também foi Ministro dos Estrangeiros e pelo que li no Google é membro do Conselho Superior da Revolução Cultural (estes nomes...)
Isto para dizer que não me inspira uma confiança desmesurada.

Joaninha disse...

FJ - fui procurar o que aqui dizes e encontrei.
Está aqui:
Um debate sobre política internacional.

Tema: «Afeganistão, Paquistão, Irão e Líbano: mudanças pontuais ou de
fundo?»

Participantes: Carlos Santos Pereira e José Goulão (jornalistas)
Lugar: Institut Franco-Portugais http://www.ifp-lisboa.com/

É quinta às 9 e meia e deve ser bem interessante. Oxalá arranje tempo...

Emiele disse...

Alex, entendo muito bem o teu ponto de vista, e que deixaste expresso no teu blog
Concordo com muita coisa.
(apesar de não ser claro para mim se os jovens com menos de 30 anos ou as mulheres, por serem novos ou por serem mulheres, estão contra o regime que lá existe; há muitos jovens e mulheres conservadores e muita gente mais velha que até é progressista)
Aqui o sentido do meu post é uma queixa de que entendo mal o que lá se passa, na realidade. E falei no exemplo do Zimbabué para acentuar que ali nem sequer os valores (?) são religiosos, trata-se só de dinheiro e poder.

Mas muito longe de mim defender o actual poder.

Quanto à história das novas eleições, realmente ouvi no noticiário a que se refere o king, mas não encontrei referido em mais nenhum sítio. Pode ter sido engano ou má leitura da locutora... E, realmente a coisa não vai com recontagens.

fj disse...

Alex duas pequenas sugestões, l^a biblia, antigo testamento, v^e a al jazeera facilmente acessivel na net.
Obrigado pelo esforço, joaninha. tambem há o al manar mas esse mais sectário, por ser assumidamente voz do hezbolla, e estar mais preocupado com o l´bano.
Mas desconfio do teu tempo, vai surgir uma inundação, mais ou menos planeada, deixas queimar a comida, sabe-se lá.

ilha_man disse...

Pelo menos no Irão há,até se ver, a liberdade de as pessoas se manifestarem contra o que acham ser a usurpação de resultados eleitorais! Em 2000 num país que se diz dono da democracia houve tramóia parecida, ninguém foi para as ruas queixar-se e depois foram 8 anos do que se sabe....

Emiele disse...

Olá, Ilha_man!!! Ao tempo que não passavas por cá (ou deixavas sinal, afinal é o que se pode ver...)

Tens toda a razão. Aliás o primeiro dos comentários do fj quando diz que "o que se tem passado agora revela um grau de liberdade que não calculava" vai no sentido que tu dizes. Sendo tudo isto mau, o certo é que as pessoas se manifestaram e, apesar de tudo, não tem havido muitas vítimas. E note-se que há duas facções, e mesmo sem mais nada bastava os confrontos entre elas para a coisa se estragar.