quinta-feira, outubro 02, 2008

A «FNAC»



A Fédération Nationale d'Achats pour Cadres, nasceu em França, em 1954, como uma cooperativa de compradores.
Uma cooperativa. Uma forma diferente e simpática de enfrentar o mercado.
Nessa altura era pequena, selectiva, um modo interessante de comprar livros.

Mas isso foi há mais de 50 anos.
Ela cresceu, cresceu, cresceu, como acontece nos contos infantis. Cresceu em todos os sentidos.
Começou a vender outras coisas que não apenas livros, e por outro lado saiu de França e espalhou-se por todo o mundo.

Cá em Portugal desde Fevereiro de 1998, tem sido um sucesso.
Já tem 11 lojas espalhadas por todo o país e diz-se até que
vai abrir dez novas lojas em Portugal até 2011
Uma das imagens de marca eram os seus preços baixos. Os livros lá eram 10% mais baratos o que é um importante incentivo.
Claro que havia quem criticasse, dissesse que aquilo era uma espécie de «supermercado da cultura», mas o certo é que terem vários produtos – livros, discos, DVDs – e os famosos preços baixos atraiam mesmo quem ia fazendo essa crítica.

Agora vem o balde de água fria.

Li ontem no Público que vai acabar com os descontos de 10% a tal sua imagem de marca a não ser para quem tenha o seu cartão.
Não é porque esteja a perder dinheiro pois, o que se pode ler acima é que, pelo contrário, o negócio vai de vento em poupa.
Parece uma questão de arrogância, o afirmar que uma vez que está implantada no mercado, já não precisa de se promover.
Espero bem que este acto desagradável e agressivo se torne um boomerang.
Porque hoje já as grandes livrarias também vendem discos e DVDs, e também têm cartões de ‘fidelização’.
Quem gosta dos supermercados continuará a frequentar a FNAC, mas imagino que este acto menos simpático fará reverter para as livrarias tradicionais mais compradores.


E eu até tenho o tal «cartão FNAC»....


18 comentários:

Miguel disse...

Bom, lá terá a ver com políticas de gestão. Não vou comentar muito porque não sei qual a origem da decisão. Contudo, em tempos de contracção do ciclo económico, há áreas que são penalizadas pelo consumidor e esta é, claramente, uma delas.

Independentemente de tudo, embora não tenha cartão FNAC, sou uma fervoroso adepto. Conhecemo-nos em França, em 1992, e, desde então, tem sido uma relação muito intensa... :p

Emiele disse...

Mas Miguel, pelo que se diz em diversas notícias eles até tiveram um lucro formidável e Portugal é das terras onde melhor se têm dado!!! Vão abrir mais lojas.
Porquê então estes 10%???
Olha, mais simpatia do que eu tinha no início era impossível ter-se. Porque também a conheci em França e ainda bem antes de 92 (por isso comecei por falar dos seus inícios tão simpáticos e cooperativos. Mas se calhar cresceu demais...

Emiele disse...

Eu já andava a embirra com uma coisa:
Quando ela nasceu por cá, tinha uns espaços muito simpáticos, com bancos estofados, onde se podia consultar comodamente os livros que queríamos. Até se podia ler o livro todo!
Havia um anúncio muito engraçado, onde se via um rapaz que lia, lia, lia, e depois aparecia a frase «Já agora podia comprar qualquer coisinha... » Engraçado e correspondia à verdade.

Entretanto esses espaços agradáveis onde se podia consultar as coisas bem instalados começaram a encolher, a encolher cada vez mais, e agora praticamente só se encontram nas secções infantis. Haverá um ou outro banco, mas nada que se compare aos primitivos sofás!!!!

fj disse...

Claro que é uma política de gestão, mas por isso,com os dados que temos,não devemos deixar de opinar. Eu que tambem tenho cartão não posso deixar de me admirar e de concordar com a taç "arrogância". Miguel no tipo de crise que atravessamos não seria exatamente de facilitar o acesso ao produto? Tanto mais que num periodo destes esta decisão vai mesmo beneficiar a concorrencia.Não podes explicar melhor a tua posição?

@na disse...

eu gosto da Fnac, mas confesso que para comprar livros ainda prefiro as "livrarias tradicionais"

king disse...

Este tema interessa-me muito e ontem também li a notícia de boca aberta. Notem que o argumento que lá usam é que descontos também a concorrência faz!!! Portanto,como outras livrarias e lojas fazem descontos, eles.. decidiram não o fazer!?!
Decidiram então valorizar os privilégios dos clientes-cartão.
De notar que o tal cartão é também uma espécie de cartão de crédito, com tudo o que isso implica.
Eu só falo por mim, mas olhem que vou passar a comprar mais na Worten, nas «velhas» e tradicionais livrarias, e até nos Carrefours, Jumbos, essas coisas todas. Porque não?

Mary disse...

Mary - plenamente de acordo com vocês. Até porque nas lojas mais modernas das livrarias «tradicionais» já existe um cantinho para se folhear livros e até cantinhos para o café!

Mary disse...

Todos já viram o vídeo da livraria Lello:

http://br.youtube.com/watch?v=pL5-1hveEz0

sem-nick disse...

Já experimentaram a Byblos, das Amoreiras?

Vejam AQUI por exemplo.
Aquilo é que é!!!!
Qual FNAC, qual carapuça!

Joaninha disse...

Mas o truque da FNAC é (pelo menos da zona de Lisboa, que eu conheço melhor) situar-se em Centros Comerciais o que facilita muito, quer pelos horários quer pelas pessoas que vão a outras compras e 'já agora' dão ali uma vista de olhos. E depois têm um acesso excelente - ou estacionamento à vontade, ou metro mesmo ali.
A Byblos, de que fala o sem-nick, tem um acesso tramado. Nem dá para estacionar, nem tem metro.

Farpas disse...

Bem eu vou contra quase todas as opiniões... a FNAC é dos sítios mais caros para se comprar. A única coisa que a FNAC tem de bom é a variedade de escolha, mas se formos escolher à FNAC e formos comprar a outro sítio qualquer conseguimos sempre poupar dinheiro. Sou mais adepto da FNAC para ir ver um concerto ou para ver a variedade, para comprar não...

Emiele disse...

Farpas, não me parece que vás «contra» as outras opiniões...
O que se diz é que em relação aos livros, de facto, até à data, se compravam lá por menos 10% do que era o preço 'aconselhado'. quanto aos discos nem sequer isso. E se agora, até retiram essa atracção passa a ser uma loja vulgar, apenas com muita variedade mas mais nada.
E em período de apertar o cinto, isso tem importância.

josé palmeiro disse...

Às horas a que aqui cheguei, só me dá para verificar que o Farpas, tem razão. É bom de constatar a diferença existente entre os que têm a FNAC e os que a não têm, como é o meu caso. Só quando vou ao Porto ou a Lisboa, é que tenho essa possibilidade, mas como é sempre, num vai vem constante, não dá para usufruir desses espaços, a não ser de fugida. Quanto aos preços, parecem-me iguais, senão piores que noutros locais, tem a vantagem da oferta, que é grande, mas, ponderadas as coisas, não compensa.
Agradeço ao "sem-nick", a informação sobre a BYblos, apesar de não ter estacionamento, conseguirei lá chegar, a pé.
De referir a explicação da Emiéle, sobre a origem da FNAC, lá em França, num tempo em que para nó, cá em Portugal, o mesmo significava: "Fábrica Nacional de Ar Condicionado".
Quanto às "cooperativas" e à volta que elas deram, António Sérgio, deve andar a dar voltas no tumulo. Que pena perderem-se estas referências..., sempre em desfavor do povão.

estrela-do-mar disse...

Só uma achega:
«No último ano, as vendas do Grupo terão atingido os 5 mil milhões de Euros, dos quais, cerca de 6% terão sido realizados em Portugal, o que leva o Presidente do Grupo, “Denis Olivennes” a considerar “que a aposta em Portugal constituiu "um dos melhores investimentos feitos pela FNAC", mesmo que contrariasse os estudos de mercado iniciais.»

Ah, sim?! Cinco mil milhões de euros?....

Miguel disse...

fj,

Tu estás a ver na óptica do consumidor e eu comentei na óptica da empresa. A notícia é clara. Tudo passa por uma reorientação estratégica onde o peso dos clientes sem cartão FNAC não é suficientemente importante para não apostar nos 250k fidelizados à "marca". E, pelo aumento dos "privilégios" aos detentores do cartão, o objectivo inconfesso é aumentar a base dos clientes com cartão para lhes espetar com tudo e mais alguma coisa...

Não sei se beneficia a concorrência. Quando estou em Portugal, tenho pouco tempo de permanência. Por esse motivo, compro tudo o que quero na FNAC independentemente do preço. Tal como eu, muitas pessoas não estão para se "chatear" e andar em tudo quanto é sítio para poupar 5 Euros.

estrela-do-mar, 5 mil milhões de euros é muito dinheiro mas em termos de resultados tudo depende da margem. E este negócio, sempre ouvi dizer, não é dos que dá mais... (não lhes conheço as contas pelo que não faço a mínima ideia se os lucros são grandes ou pequenos, apenas quero apontar a relatividade dos números. A TAP também aumentou brutalmente o volume de negócios e apresentou um prejuízo colossal).

josé palmeiro, as cooperativas. Confesso que é um assunto que me é caro. Tive a oportunidade de criar uma em Moçambique, dentro de uma empresa com 9.000 trabalhadores. Foi, por assim dizer, um hobby que me foi dado para me distrair um bocado dos números... Devido à nossa dimensão, conseguimos negociar grandes descontos e assim dar (vender com uma margem bruta de 10%) aos nossos trabalhadores todo um vasto conjunto de bens de primeira necessidade, a crédito e entre 30 a 50% mais baixo do que os preços do mercado. É uma questão de filosofia de vida, também empresarial, não pensar só e apenas nos tostões...

Emiele disse...

A gente percebe, Miguel, que quem está cá por pouco tempo, aquilo dê jeito independentemente do preço.
Mas coloca-te na óptica de quem cá vive sempre, e tem tempo para procurar o que quer.
Não será «andar por todo o lado», até pode estar também fidelizado a ... outra local. A Byblos que aqui falaram, é uma boa +roposta.
Cá por mim, gosto muito da Bulhosa ali na rotunda de Entre-Campos: é acolhedora, tem café, tem local para se ler, tem promoções, e passa-se lá umas horas quase sem se dar por isso. marco ali muitos encontros....

Saltapocinhas disse...

eu não tenho e nem quero ter.
detesto esses cartões de "fidelização", não sou fiel a essas coisas!

vou continuar a comprar os livros onde calha!!

Emiele disse...

Saltapocinhas, eu chamei «uma espécie de cartão de fidelização» mas não é exactamente. Quando fiquei com ele, foi durante uma promoção, nem tive de pagar nada e tinha alguns benefícios - ia a acumulando pontos por cada compra que fazia, e ao fim de uns tantos tinha um cheque para fazer mais comprar ou oferecer. Por outro lado podia fazer compras a crédito - nunca quis mas podia dar jeito, numa aflição.
O que não quer dizer que não comprasse também o que me apetecesse quando me apetecesse. Mas como ali era mais barato e as lojas estão muito à mão, realmente sempre fiz lá mais compras.