segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Excesso de cuidados


Correu por aí um FW há uns tempos, bastante engraçado e lembrando a vida nos anos 60, relembrando como é que afinal tínhamos resistido até hoje, brincando na rua, esfolando joelhos, comendo fruta da árvore cheia de pó, e tratados sem antibióticos à primeira dor que sentíssemos.
Lembrei-me disso por ter lido que as crianças sempre tiveram viroses, cerca de 85% até mas sem ralarem tanto os pais!
A verdade é que dantes havia muito menos vacinas para as doenças infantis, e cada um de nós tinha a sua dose de varicela, sarampo, tosse convulsa, papeira…. Era chato. Ficávamos de molho uns dias, se havia irmãos aquilo era tudo de enfiada, mas depois a coisa passava com um encolher de ombros natural dos pais: «doenças de crianças»…
Felizmente que isso é passado. A vacina foi um enorme passo em frente nas situações infantis que justamente preocupavam. Mas o interessante é que com o desaparecimento dessas ‘tradicionais’ ficou mais «espaço» para as ‘viroses’ que enchem as urgências dos hospitais…
O certo é que muitas vezes o próprio organismo vai criando as suas defesas. A criança que vive numa redoma asséptica, vai decerto reagir quando em contacto com a vida ‘natural’. Tanta porcaria que a gente metia na boca ou até comia, e depois lá se ouvia «olha que te vai fazer mal!». E muitas vezes fazia! Era cada corrida à casa de banho!... Mas fazia parte da infância, da experiência, da vida.
Há viroses? Pois há. Vamos prestar atenção mas não dramatizar.

9 comentários:

Joaninha disse...

É complicado tomar posição Emiéle. Também recebi vários desses FW, alguns muito engraçados em power-point com bonecos giríssimos. E no fundo a dizerem que o mundo era menos perigoso aqui há umas dezenas de anos.
Até é verdade. E as crianças menos gordas, e mais contidas e disciplinadas.
Mas a verdade é que se morria de coisas que hoje até têm tratamento fácil... É bom viver-se na actualidade. Mas de facto não entrar em pânico quando o nosso pingente tem uma ponta de febre!!!

Mary disse...

Eu cá acho que 'virose' é tudo. Afinal todas as doenças têm virus, creio. Só que alguns não se sabe que nome têm, ou ainda não têm nome.
Como em tudo, o bom-senso e a calma devia ser o mais importante. Os tais 3 dias que os pediatras mandam esperar tem a sua razão de ser!...

fj disse...

Achei o boneco girissimo. e tambem concordo com Joaninha.

kika disse...

O boneco é um apetite, e que saudades do baloiço!
Tal como a Joaninha prefiro a actualidade !
A verdade é que baixou, e muito a mortalidade infantil,no primeiro mundo.. claro, pois do outro lado , continua a ser uma tragédia!

josé palmeiro disse...

Começo por dizer que concordo e assino por baixo tudo o que afirmas.
Tive três filhos e, de momento tenho três netos o que me ajuda a concordar.
Ainda ontem a mais nova a Maria, caíu, lá no infantário e abriu um sobrolho, coisa que aconteceu com todos e todos se curaram.
Quanto aos vírus, "eles andam por aí" e o que é preciso ter atenção é com as mutações que vão apresentando. Atenção também às bactérias, que exigem um outro tratamento e que se podem tornar multi resistentes, pelos excessos de tratamento aos vírus.
O boneco, é uma ternura!!!
Ainda hoje vou aproveitar o Sol que por aqui faz e vou, andar de baloiço!!!

Bia disse...

Ainda ontem, em conversa com amigos falamos desse "excesso" de cuidados! Talvez se tenham perdido muitas das brincadeiras que para nós foram tão importantes...No entanto, concordo que muita coisa melhorou! Tudo tem o seu tempo!

Maria disse...

Pois, Emiéle, dos anos 60 para cá tanta coisa mudou no modo de vida das famílas - o artigo desenvolve bem a questão - são raros os casos em que mãe não trabalhe fora de casa - as crianças têm de ir para a creche e, como expica o pediatra, aí estão mais vulneráveis. Além do mais a necessidade que eles se curem depressa para a mãe/pai (quase sempre a mãe) regressar ao trabalho...Lembro-me quando criava os meus filhos a angústia que era faltar ao emprego e a culpa que eu sentia quando os levava para a creche sem estarem completamente curados (já sem correrem perigo de contagiar outros, claro)- a maior parte das vezes não tinha com quem os deixar - a minha mãe também trabalhava fora de casa. Mais tarde, quando nasceu o meu mais novo, já nos Açores, nasceu o mais novo e este então foi o que mais trabalho deu - sofreu de várias alergias - nessa altura a minha sogra já não tinha idade para ficar com uma criança doente - este mais novo, não foi fácil...;))
Os jovens pais, trabalhadores, vivem um tempo de grande pressão profissional e cada vez com menos apoios familiares, imagino que, também, este seja mais um motivo para lidarem mal com as doenças, "triviais", das crianças...

Saltapocinhas disse...

é o que eu sempre digo: excesso de limpeza faz mal!

Eu fartei-me de comer terra, talvez por isso não me lembro de há quantos anos não tomo num antibiótico!

Rui disse...

Pois.. Eu à parte da tosse convulsa fui um convulsivo praticante do desporto das vulgares doenças infantis até que um médico me causou uma hepatite por sobredosagem de medicamentos... ia morrendo de uma cura imaginem.
Ainda acredito que o ar puro, as corridas e as gargalhadas sinceras das crianças as vacinam contra muitas coisas que a ciência não pode e não saberá nunca.