quinta-feira, janeiro 21, 2010

«Desencravar»

Muitas vezes as máquinas não andam, ou andam mal e devagar, não só por falta de óleo ou combustível, mas porque entrou uma pedrinha nas rodas da engrenagem e tudo aquilo, mesmo com boas intenções, encrava.
A situação da adopção em Portugal, parece ser das mais encravadas. Com tantos pedidos de adopção, tantas pessoas, que até conhecemos, decididas a receber na sua casa uma criança para a poderem educar e lhe dar aquilo a que tem direito pelo facto de ter nascido, e tantas instituições cheias a rebentar com crianças sem família ou com família que não se quer encarregar delas, não se entende que seja tão lento e complicado o processo de adopção.
Mas parece que alguma coisa começa a mexer.
Disse o Diário de Notícias, que de um ano para o outro houve um aumento de 76% quanto a adopções de crianças
Não é tanto quando podia parecer porque os números são pequenos, mas enfim quase se duplicou a resposta. Será que é porque as pessoas ‘adoptantes’ estão mais sensíveis?
Ou a maior sensibilização é antes dos técnicos e juristas que trabalham na área?
Eu inclino-me para a segunda hipótese, o que me leva a pensar que pode ser mesmo a pedra a sair da engrenagem....

8 comentários:

sem-nick disse...

é um assunto que me deixa sempre com dúvidas. sei de vários casos de pessoas desejosas de adoptar e que tiveram de esperar tantos anos que às tantas o desejo ia diminuindo (e elas ficando mais velhas e com menos paciência)
Entendo que não haja precipitações, mas numa criança um ano ou dois é uma vida!
Dá ideia que se pensa mais no interesse dos crescidos do que nos delas.

A Senhora disse...

O ruim é que normalmente as pessoas buscam uma criança bem pequena para se adotar. Daí que a coisa demora tanto, que uma criança que já poderia ter sido adotada fica ao canto na instituição. Os europeus ainda que não tem muito essa preocupação com idade. Muitos deles tem adotado crianças brasileiras, seja em que idade for. Entretanto, por aqui, parece que os pais vão a um supermercado com uma listinha para escolher um produto.

silvya disse...

Sim, Emiele. Eu também me inclino para a 2ª opinião. Há alguns anos, as exigências dos técnicos eram tais, que se tornava impossível a adopção por muito amor e carinho que os aspirantes a adoptantes tivessem para dar. Eu sou daquelas pessoas que acreditam que quando se dá carinho, amor e ternura, recebe o dobro. É a lei do retorno. Neste caso das coisas boas da vida.
Se tantos casais criaram os filhos, dois a dois e até mais no mesmo quarto, mas onde o amor e o carinho não faltavam, porque é que para se adoptar exigiam quartos virados para o sol, com x metros,etc. E sei do que falo com conhecimento de causa. Mas agora está um pouco diferente, felizmente.
Ainda ontem nas notícias , focaram o caso dos homossexuais poderem casar e não poderem adoptar, mas os não casados poderem adoptar...
Esquisito, não é?
Ainda para mais, ainda existe quem pense que a homossexualidade se pega, assim como o lesbianismo. Enfim .Santa ignorância.
De qualquer modo uma criança precisa realmente é de amor. Muito amor. E o resto é conversa...
abraço.
silvyaprata

kika disse...

Pois penso que as instituições não têm muito interesse em deixar que o processo de adopção seja facilitado dados ,os beneficios materiais ( sim que isto tambem é um negócio). O estado desembolsa cerca de 1000 euros por criança!
Daí se calhar estarem a facilitar, não digo eu!
Por sua vez os adoptantes apresentam-se com caras de anjos e
e são autenticos demonios!
Isso de adopção tem na verdade de ser um processo cuidado , pois nem tudo é amor e carinho como por aqui se deixa transparecer!
Conheço uma mãe de acolhimento que não tenho coragem para dizer o quanto manipulou e utilizou um menino de 8 anos.
Trata-se de uma sociopata!
Uma criança merece todo o respeito como todo e qq ser humano e mal por mal, salvo raras excepções e são muitas felizmente, prefiro ve-las nas instituições do Estado com todos os males que daí possam advir.
Ainda ontem mesmo ouvi as queixs de um adoptante cuja filha já tem dois filhos e o quanto arrependida está .E porquê? Tão só porque na cabeça dela criou expectativas de que essa rapariga viria a ser o amparo futuro dela e foi por isso que investiu . Agora quer cobrar, todo o amor e carinho... e a rapariga nem quer saber!
Nem sempre a adopção é feita por generosidade, mas sim para colmatar falhas pessoais, o que está errado!

Emiele disse...

Kika tens muita razão, as coisas não são a preto e branco, há quem deseje adoptar uma criança pelos mais generosos motivos e quem 'se aproveite' do sistema. Claro que é assim.
Mas também por isso é que existem tanta entrevista, visitas domiciliárias, assistentes sociais, psicólogos, juristas, tudo a decidir se a criança fica ou não fica bem.
E, claro que se podem enganar.
As decisões podem ser incorrectas de vez em quando. Mas as famílias 'de sangue' são sempre como devem ser?! É aí que eu acho que não se pode passar ao preto e branco. Há famílias que deviam ser apoiadas de modo a poderem criar os seus próprios filhos com dignidade e não retirá-los para um lar logo à primeira suspeita, mas a verdade é que esperar anos pela alegria de poder ter uma criança em sua casa não está bem. E sobretudo não está bem, porque a vida de uma criança passa muito depressa.
A evitar erros deveria então multiplicar-se as visitas, haver um acompanhamento cuidadoso dessas famílias adoptantes.
Senhora, essa da 'listinha' de supermercado faz rir mas olha que é muito verdadeiro...

Joaninha disse...

É um tema muito delicado.
A Sílvia diz uma coisa muito correcta: se em famílias «normais» se aceita que haja irmãos a partilhar espaços que podem não ser os ideais, porque raio um filho adoptivo tem de ter umas mordomias especiais - que não tem de certeza no Lar de Acolhimento para onde inicialmente foi!?!

josé palmeiro disse...

Emiéle, vais-me desculpar mas eu não vou comentar este, tão importante, escrito que aqui nos deixaste. Fá-lo-ei noutra ocasião, até porque é um assunto a que sou sensível e que me toca cá dentro.
As minhas desculpas, também aos meus companheiros e companheiras, mas confesso que ando muito atarefado e não lhes daria ou faria a conveniente companhia. São muitos anos, seguidos, agora os meus, depois os da minha mulher, ao todo 128, têm de convir que já são, alguns!!!

fj disse...

Bem visto sem nick. A dona do blog abre bem o assunto e depois faz uma boa analise ais ou menos exaustiva. Boa ZP, mas aguardamos a intervenção quando achares oportuno.Este assunto vem sempre a proposito