terça-feira, janeiro 26, 2010

Haverá algum estudo de mercado?

Eu tenho um pouco mania de que conheço bem Lisboa, o que é evidentemente um disparate: conheço bem os bairros onde moro ou morei, e razoavelmente bem os bairros onde trabalhei. Mas perco-me como uma palerma quando me aventuro para zonas fora dos meus ‘pontos de conforto’…
Isto para para dizer que não posso nem devo generalizar certas coisas que observo. Afinal observo, nesses tais pontos que podem não ser nada significativos.
Mas uma das coisas que me espanta é o crescimento de cabeleireiros. Quando eu era muito mais nova, havia uns importantes, de referência, e depois cada bairro tinha dois ou três para quem não se aventurava aos salões de maior aparato.
Simplesmente, agora abrem lojas de cabeleireiros como cogumelos (ia dizer como dantes abriam balcões de Bancos…)
No outro dia, ia pachorrentamente de autocarro e como não tinha nada para fazer a não ser sentir-me transportada, dei-me ao trabalho de contar. Tratava-se da Av João XXI, e entre o quarteirão que vai do Areeiro ao cruzamento com a de Roma em contei 10 cabeleireiros. Num quarteirão. Uns no 1º andar, outros directos para a rua, mas decerto que tinham freguesia ou não tinham porta aberta…
Isto vem confirmar o que eu julguei que fosse uma bizarria aqui do meu bairro. Porque também aqui, porta sim, porta não, abre um cabeleireiro….! Mesmo em frente da minha casa há um. Tem pouco tempo, creio que pouco mais de um ano. Vou lá quando me dá a preguiça de ficar de secador na mão, é mesmo só para lavar e secar porque não confio muito nas artes da menina. Da última vez que lá fui pareceu-me a casa mais vazia, tive medo de fazer perguntas, mas ela muito espevitada veio logo esclarecer «Eu agora estou a trabalhar sozinha!» «Ah, sim?» (que raio é que se diz?...) «Pois, eu e a minha sósia achamos melhor separarmo-nos; estamos amigas na mesma, mas ela passou ali para a rua debaixo, uma casa só dela!»
Ora se eu tinha contado 10 naquele pedacinho da João XXI, nas ruas que rodeiam o meu prédio devem existir umas 50! É porta sim, porta não. Não direi que as vejo vazias mas quando lá entro a ideia com que fico é que aquilo são clubes de conversa, em relação aos cabelos não vejo grande actividade.
Como é que estas empresas resistem?

11 comentários:

fj disse...

Curioso lembra o extremo oriente, mas julgo que os de cá estão mais ligados a uma cultura judaico cristã.

sem-nick disse...

Quando o fj lembra o extremo oriente, dá logo para associar ás 'lojas dos chineses' que vieram substituir as «dos 300». Também aparecem por todo o lado, mas aí entende-se porque a mercadoria é variadíssima e os preços muito baratos.
Essas proliferação de cabeleireiros, eu não tinha notado, mas olha que troquei opiniões com algumas colegas de trabalho que dizem que tens muita razão. Ultimamente aparecem por todo o lado. Coisa estranha...

fj disse...

Não é bem isso, sem- nick, demorei algum tempo a perceber...

Joaninha disse...

Tem a sua graça a tua alternância de temas: ou falas de coisas bem pesadas, ou saltas para o tema dos caracóis e madeixas...
Mas achei imensa graça o teres reparado neste 'fenómeno' porque também me tem intrigado. Vejo abrir (e depois rapidamente falirem) os tais «salões de cabeleireiro» muitas vezes vários na mesma rua. Eu vou aí uma vez por mês e sempre ao mesmo (ainda por cima é longe mas sou muito fiel...) e imagino que mais do que uma vez me fazia algum transtorno no orçamento. Se calhar é como dizes, são pequenos clubes de conversa. Mas, tem de facturar alguma coisa, não? É estranho.

Joaninha disse...

O fj diz que lhe lembra o Oriente por haver muitos lá? Não ficou muito claro.

josé palmeiro disse...

Só encontro uma explicação para o facto, que é a seguinte:
A quantidade de clientes não se reflecte no corte das tesouras ou no desgaste dos pentes e, mesmo quando isso acontece há sempre condições para, num ápice, se substituírem, logo, mais fácil justificar a falta de clientes, a fuga aos impostos e por aí fora. Enfim, com clientes como eu, não fazem grande negócio pois só lá vou de vez em quando e só para cortar...

kika disse...

Aqui tambem é a mesma coisa,muitos brasileiros, que aos cabelos juntam uns trapitos e sapatos altissimos,mas não se sustêm neles pois é vê-los fechar a cada dia!!
Quando o Brasil os atrair mais um pouco, ir-se-ão embora com certeza.
Mas eles são clientes deles proprios, eles brasileiros!
Os portugueses lá vão lutando mas quando fecham já devem estar no limite das dividas de arrendamento.
Tambem abrem muitas lojas de artesanato ao nivel da bijutaria!

Emiele disse...

Cada um terá a sua experiência, mas esta de que falo é tal como contei. Não são brasileiras, não senhor. São 'empresárias' portuguesas que abrem «um salão» num espaço mínimo, decorado a seu gosto o que escuso de comentar, e de facto lá entra uma senhora idosa de vez em quando. O que me custa a entender é como é que aquilo lhes pode dar lucro para pagarem impostos e sobreviverem... O exemplo do meu bairro é real, ainda não contei mas vemos que é de duas em duas portas...
Mistério.

silvya disse...

É um assunto a pensar, mas como vários o referiram é principalmente um salão de conversa.
Para uma mulher normal, é bom poder ir ao cabeleireiro arranjar-se, cuidar-se, sentir-se melhor, e muito importante, quando se tem a tal fidelização como referiu a KIKA,é um encontro de amigas e o mais importante de mulheres!
No salão pode conversar-se acerca de qualquer banalidade, desde que haja um entendimento entre aquela que corta e a que é sujeita ao dito.
Claro, que no meio disto proliferam as espeluncas, brasileiras, africanas e outras.
Quanto á cultura judaico-cristã, de que o fj, falou, lamento mas não percebi. Se calhar hoje estou "lerda". Mas ele fala muito nesse tema, aassim como nos chineses, vá-se lá saber porquê?
Não vou todos os dias, nem tão pouco todos os meses ao dito, pois como a joaninha muito bem observou, a minha carteira também se ressente. (aliás ressente-se com tudo).
No meu bairro eles também proliferam como baratas, mas agora é que despertei: lá está o fj. chineses= baratas.
Temos de rir com algo. E sim é verdade, abrem com facilidade e com a mesma facilidade fecham, porque não reúnem os requesitos, alvarás, licenças etc, para os manterem abertos. No meio de tudo isto, não nos podemos esquecer que muitas dessas pessoas estão ilegais. Daí ser mais difícil manter um emprego e como tal um negócio por mais simples que seja.
silvyaprata

Miguel disse...

Desde que dê para os gastos... E um cabeleireiro pode ser um espaço para muitas actividades!

Emiele disse...

Quando perguntei pelos 'estudos de mercado' foi exactamente por achar que são empresas abertas mesmo à balda. A menina que se separou da cabeleireira em frente da minha porta e foi abrir um salão 3 prédios à frente, parece-me mais uma birra do que outra coisa.

De resto, sinceramente não estava nada a pensar em brasileiras. Todos estes casos (as 10 da João XXI) são casas bem elegantes e não me parece nada de brasileiras a tentar fazer pela vida.
As 'outras actividades' de que fala o Miguel é que afinal pode ser bem visto. Não me tinha lembrado...