domingo, dezembro 06, 2009

Uma Música ao Domingo

A música deste Domingo não podia ser outra.
Quase quarenta anos depois da prisão, tortura e morte num estádio chileno, este cantor que foi um símbolo de resistência e liberdade, tem finalmente as honras devidas. Terá honras de funeral nacional na sua pátria, 3 dias com canto, música, dança e poesia.
Ele devia gostar.
Aqui, fica apenas a sua voz e uma canção:

9 comentários:

sem-nick disse...

Coisa de espantar, chegarmos aqui ao meio-dia e ninguém ainda disse nada!!!!
Ainda por cima um tema destes, que levanta tantas questões.
(não há dívida de que estes dias escurinhos e com um feriado próximo que fazem muitos de nós prolongar o fim de semana trazem muita sorna...

Claro que o Victor Jara ficou um símbolo. É dos tais que a morte física nãocontou ele era muito mais do que um corpo e uma voz era uma vontade.
VIVA!!!

André M. Palmeiro disse...

Os ecos da revolta
estarão sempre vivos
no coração e nas mãos
de quem luta!

Maria disse...

Justíssima homenagem, Emiéle, a Victor Jara o compositor, cantor , encenador de teatro e sobretudo o grande ser humano...Foi um acontecimento horrivel, que não nos podemos esquecer, infelizmente continua a acontecer e a América Latina é um barril de pólvora...Estavamos em vésperas da nossa revolução - fomos acompanhando, também, através das canções - lembram-se de um grupo chileno "Quilapayún" (?) na altura exilados em frança - Victor Jara tinha sido o seu director artístico - conheci-os, mais de perto, através de um amigo francês que os trouxe ao Festival Maré de Agosto na Ilha de santa Maria nos anos 80. Nesse festival ouvi-os cantar a canção - "El Soldado" composta por Victor Jara para o grupo e que ele nunca a cantou, o grupo falou em "estranheza" e como tivesse sido uma "promonição" Deixo, se não te importas, Emiéle um excerto e a ligação da página do grupo, de certeza conheces, donde tirei a letra...

"Soldado, no me dispares,
yo se que tu mano tiembla
(...)
¿Quién te puso las medallas?
¿Cuántas vidas te han costado?,
dime si es justo soldado,
con tanta sangre ¿quien gana?
Si tan injusto es matar,
por qué matar a tu hermano"

Victor Jara "El Soldado"
LP Quilapayun 3 de 1968
http://www.quilapayun.com/actividades/santiago-270809.html

cleopatra disse...

sim. é verdade. victor jara hoje e sempre.
quem tem um vislumbre de memória, jamais esquecerá o que fizeram ao poeta e revolucionário.
a mim, ficou-me sempre na memória as atrocidades que as forças de Pinochet, cometeram para com ele e para com todos que levantaram as vozes, os braços para gritar a todo o mundo e principalmente ao seu país escravizado as injustiças.
na sombra, dos EUA, muitas atrocidades foram abafadas, e cometidas ao seu abrigo.mas mesmo assim,não os conseguiram silenciar. no fundo como dizia o nosso querido Adriano C.Oliveira: a força da natureza nunca ninguém a venceu.
calaram a voz física de Jara, mas Ele, permanece vivo, em todos nós, como símbolo contra a ditadura e a opressão de um povo.
como sempre, tive um grato prazer em poder comentar se assim se pode dizer neste pedacinho tão bom. não me surge outro sinónimo.
creio que não voltarei aqui tão cedo, por motivos vários, um deles o uso do meu "nick", para comentários noutros lugares, noutros sítios.
voltarei, com certeza, com novo nome e até lá, ficarei a ler o seu blog, e a pensar.
entretanto e até lá um feliz natal.
cleopatra

fj disse...

Maria estava curiosamente a pensar em como se leva um exército a comportamentos destes, quando vi o teu comentário.Enriquece realmente este já de si rico post.

Maria disse...

Terá porventura outras gralhas mas esta é grave "premonição" e não como escrevi...
Obrigada, fj - eu sou uma mulher de fé - vou acreditar que estás a falar a sério:))
(de qualquer modo obrigada)

Miguel disse...

E eu, aqui, tenho que manifestar a minha total ignorância. Não faço a mínima ideia quem foi Victor Jara. Foi aqui a primeira vez que ouvi falar nele.

Quanto ao que se fez à sombra dos EUA, esta sim já é a minha área específica, penso que não vale a pena dissertar muito sobre isto. Crimes contra a humanidade sempre foram cometidos por todos, à sombra de qualquer chapéu. Ainda hoje, os fins justificam os meios, por muito democrático que seja o chapéu.

Por último, o exército. Como é que é possível? O ser humano é brutal, não nos esqueçamos disso. A nossa civilização, a custo, tem sabido criar as condições para que não venha ao de cima o lado mais animalesco do ser humano. Contudo, volta e meia, ele aparece. O caso mais paradigmático, para mim, foi o da ex-Jugoslávia.

Tudo é possível.

Num cenário extremo, se eu fosse soldado e me ameaçassem com fuzilamento e/ou fuzilarem a minha família por me recusar a acatar ordens, não sei o que faria...

Emiele disse...

Miguel, O caso do Victor Jara ficou como um símbolo das atrocidades do Pinochet. Era um músico, símbolo, um apoiante de Allende e de uma outra via para o Chile, e quando foi do golpe de Pinochet além de preso e morto, partiram-lhe as mãos para que nunca mais pudesse cantar.
O tipo de estúpida brutalidade que os nazis também fizerem e que acaba por recair sobre quem a pratica.

josé palmeiro disse...

No dia em que se fez o "funeral" de Victor Jara, cantou e encantou, em Faro, o Zeca Medeiros. Como não poderia deixar de acontecer, esse momento, foi lembrado no decorrer do espectáculo.
Que este acontecimento não sirva para o esquecer, mas sim para o lembrar, a cada dia e a cada hora.