terça-feira, dezembro 01, 2009

Magia desmistificada

A minha casita de férias não tem campainha, a porta tem um batente. Um batente daqueles que servem mesmo para bater à porta, truz, truz, truz.
Mas como antes de se chegar à porta de casa há o quintal(zinho), para não precisarem de bradar da rua como os meus vizinhos, coloquei ao lado da porta do quintal um sinozinho. Coisa primitiva e muito simples – tem um cordão preso ao badalo que passa por um buraquinho no muro e quem quer chamar puxa por esse fio e a sineta toca. Elementar. Mais primitivo não pode haver, mas funciona bem e não está sujeito a quebras de electricidade nem nada. Do melhor.
Nas últimas férias grandes certa vez, à noite, já depois do jantar, tocaram à sineta. Abro a porta mas estranhamente não vejo ninguém. Ainda pergunto «quem é?» - pergunta um pouco parva, porque o muro é baixinho e daria para ver quem quer que tivesse batido à porta e não se via ninguém. Mistério. Fecho a porta e volto a instalar-me no sofá. Mal me sentei e peguei no livro que estava a ler, de novo oiço a sininho. Mau! Volto a abrir a porta e a perguntar «quem é?!» já um tanto impressionada por não ver ninguém e a rua continuar a parecer deserta. Ainda espero um bocadinho, e desta vez atravesso o quintal para abrir a cancela mas, como esperava, não vejo vivalma. Ai, ai, ai… Mas que coisa!
(Claro que devo esclarecer que o meu era o único sino ali da rua)
Poucos dias depois a cena repete-se, tal e qual. Mas exactamente tal e qual. Já noite, toca o sino, vou à porta e não vejo ninguém. «Quem é?.... Quem é?!» digo feita parva, e nada. Penso numa partida de criança tipo ‘toca-a-campainha-e-foge’ o que não seria impossível porque se fugisse rua abaixo eu não a via ao abrir a porta, mas teria de ouvir os seus passo a fugir e não se ouvia nada. Confesso que a coisa já me estava a fazer impressão. Assim que fecho a porta o sino volta a tocar e então abro-a de repente para apanhar o brincalhão em flagrante, mas ... nada! A rua parecia completamente deserta. Venho cá fora, vejo um gato e já imagino o gato pendurado no cordão que faz tocar a campainha e a fugir mas ná, isso é uma cena de desenho animado. Desisto.
Pronto: era de noite. Via-se mal. Fantasmas não podiam deviam ser mas lá que a campainha tocava era verdade e que eu não via ninguém também era.
Acabaram as férias e agora só lá vou aos fins de semana.
Ontem vinha a chegar a casa ainda de dia quando oiço o sino. Aaaaah! Vou apanhar o fantasma e é já! Foi quando dei conta que, duas casas abaixo mas posto num sítio que não se via da minha, um vizinho tinha instalado um sinozinho exactamente igual ao meu!...
Fim do mistério.
Ufff...

23 comentários:

kika disse...

Já me ri com o teu pseudo poltergeist, pois afinal eram apenas visitas para o teu vizinho!!
Mas Émiele, num sitio isolado preocupares-te com quem te vai visitar sem ser convidado, é um pouco... não digo mainada! Tem cuidado!

A Senhora disse...

E eu pensando que fosse um garoto jogando pedrinhas no sino, ou um vento mais forte. :))

Conosco aconteceu de uma campainha elétrica. A diferença é que nunca descobrimos o que era, porque do jeito que ela tocava, de tempos em tempos, também emudeceu.

beijos

Joaninha disse...

A gente aos feriados chega aqui sempre um pouco mais tarde, mas o post entrou pontualmente ihihihi! é a vantagem, pelo que contaste, de poder ficar programado. A net é formidável!!!
E a tua história também!
Acredito piamente que foi tal e qual assim. Eu também estava a pensar num toca-e-foge mesmo que não se ouvisse os passos. Um puto habilidoso pode correr sem se ouvir.
Essa do gato a puxar o cordel, também não era de deitar fora. Era possível, imagino eu.
A descoberta da verdade apesar de mais óbvia, entende-se que não pensasses nisso. Se o vizinho não tinha nada até ao Verão e não se via da tua casa...
Mas teve muita graça!

mary disse...

A gente não acredita em bruxas mas... que as há... :)
Conheço várias histórias desse tipo que acabaram sem explicação. Ainda bem que a tua teve esse final feliz e cómico.

mary disse...

A Kika tem alguma razão. Pareces muito confiante em que só vais ter visitas simpáticas...
Tu lá sabes onde vives.
Pode ser que aí tenhas motivos para a confiança.

josé palmeiro disse...

E assim caem os mitos que construímos.
Sabi,já, tão bem ter um "fantasminha", não era?
Dizer à Joaninha, à Senhora e à Kika, Bom Dia!
Não sei como estará nos vossos quadrantes mas aqui no Algarve, está um SOL RADIOSO. Depois dizer à Joaninha que se nós chegamos tarde, a Bloger, também se atrazou, pois eu já cá estive e, nada.

sem-nick disse...

Um sol radioso???? Só mesmo no Algarve! Onde eu estou chove que se farta e está um friozinho que convida às gripes. De qualquer vogal!!!
Teve muita graça o post. Também estava a magicar o que raio poderia tocar ao sino sem se ver... Aparentemente o vento não deve chegar, os putos segundo a Emiéle estava fora de questão, e um bicho, gato ou cão, não era assim muito plausível...
Sobretudo por ser à noite. Imagino um gatito brincalhão, durante o dia, saltar para um fio pendurado e tentar agarrá-lo. :)

mary disse...

Gripes «de qualquer vogal»?! Boa sem-nick! A gripe a, a gripe e, a gripe i, a gripe o, e a gripe u!!!!!!
Bom Dia José Palmeiro e que inveja!

kika disse...

Ai Zé Palmeiro , que raiva , isso é lá coisa que se venha dizer no dia da Independencia!
O Algarve ainda é Portugal?
Aqui, um horror de mau tempo... Não é justo!

King disse...

Ehehehehe!!!!
Belo post!
Fica um sorriso para esta manhã de chuva.

(Palmeiro, não há direito! Andas a gozar aqui com a malta, ou quê?! Sol?????)

Anónimo disse...

Foi mesmo a historieta que me estava a apetecer neste feriado de chuva e onde só se fala da Cimeira Ibero-Americana. É importante mas já estou um tanto farto...!

Maria disse...

"....Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza..."

Uff...Estava difícil de desvendar o mistério - durante as férias de verão nunca teres reparado no sino da vizinha é - distracção ou não dares confiança nenhuma ao sino e à vizinha?!;)))
Emiéle, gosto muito quando e como escreves sobre o teu refúgio e "arredores" -elementos e sons tão fora do nosso quotidiano, lembrando outros tempos, vidas mais simples - é também isso que aprecio no meu "retiro" - da forma que escreves sente-se bem o teu apreço por tudo isso...Sabendo-te a viver na confusão de Lisboa é fácil perceber que estejas sempre inquieta por regressares aí, digo eu...
Quanto ao "mistério" acompanhei o relato tentando adivinhar o final mas não consegui.Só me lembrava do vento, mas, teria que ser vento forte, pouco provável no verão, porque no meu sítio quando faz vento a sineta também toca mas realmente de forma tão descompassada que se percebe a diferença...Vê-se logo que não é gente é vento com certeza;))

Emiele disse...

Olá!!!
Hoje passo por aqui outra vez agora, que tenho tempo.
Olha Maria, por um lado sou realmente distraída, mas a casa desse meu vizinho é depois de um cotovelo da rua, e nunca lhe passo á porta - costumo sempre ir para cima, em direcção ao largo. Por outro lado, conheço-o de facto mal. A família que lá vivia antes era muito simpática e sociável, mas este casal jovem que foi para lá viver é de poucas falas. E - sobretudo - a sineta só se vê quem está mesmo em frente da casa!!!
E tens razão, fujo para aqui sempre que posso, porque me sinto mesmo bem neste silêncio e neste verde.

Kika, há quem me diga que sou confiante demais, tens razão. Mas é o meu feitio e nunca me dei mal. A minha porta está fechada no trinco e para abrir o portão do quintal basta passar o braço por cima!

estrela-do-mar disse...

São bem giras essas sinetas e, como dizes, muito mais económicas e seguras. Em sítios onde há panes de electricidade (coisa quer acontece em aldeias pequeninas) é garantido que tocam sempre! A não ser que se parta o cordel, LOL!!!
E a história é cómica porque ficamos aqui a pensar o que raio fazia tocar o sino. Estava na dúvida entre o vento (mas realmente como aqui disserem tinha de ser grande ventania e se assim fosse tu pensavas nisso) e um animal. Essa do gato era muito possível. Em cordel pendurado é mesmo o tipo de coisas que os faz passarem-se!

Mas o final, com a solução de o sino ser outro, é inesperado :) E, se calhar ouvias pouco, não só por o teu vizinho o ter há pouco tempo, mas se calhar porque recebia poucas visitas, não é?...
:)

fj disse...

Não sei se deram pela ausência, mas tive um convite de Srª Dª Nereida Galhardo para passar um fim de semana comprido com ela, o que fiz de bom grado, depois de me certificar do plantel do Real Madrid par jogar com o Barcelona. Como o plantel me foi favorável, lá fui, e já estou de volta, um pouco cansado é verdade.
Queria também dizer que, pautando-se este blog por elevados padrões éticos, e de respeito uns pelos outros, torna-se impossível traduzir para português o que gv escreveu em chinês. Comentários tão grosseiros e mal intencionados, questionando a nossa honra, não me atrevo a dizer-vos. Considerem-se pois soesmente insultados, e reajam como entenderem.
Sobre o tema de hoje só me faz recordar que, um pouco mais novo, fui presidente do clube dos bate à porta, cargo de que orgulhava, e me conferiu estatuto entre os putos, e o qual desempenhei com eficácia, a julgar pela avaliação da vizinhança.

mary disse...

Claro que se tinha dado aqui pela ausência, FJ! O motivo não estava claro, mas já se sabe que a tua presença faz falta aqui ao Pópulo. :)
Essa coisa do chinês deixa-nos de olhos em bico como é evidente. E quando não se sabe o que nos dizem imagina-se sempre o pior, mas neste caso nem por isso. O blog da GV é demasiado erudito para que se pense que ela diz disparates...
...........
O «Clube do Bate às Portas» deve fazer parte do curriculum da maioria dos putos desta terra. Acho que o meu irmão também tinha essa coroa, do que foge mais depressa! :))))

mary disse...

(só uma coisa: este blog está com manias ou é do blogger?! a gente escreve e não entra ou pelo menos não se vê, e quando julgamos que desapareceu e nos preparamos para clicar de novo, lá está o comentário à nossa espera! que raio!?)

gv disse...

obrigada mary por acreditares na minha integridade moral e intelectual... espero não te desiludir nunca.
as provocações do fj só podem ser influência malévola das nereidas com que passa fins de semana.

Emiele disse...

Olá Boa noite a todos!!! :)
Esta história é verdade, verdadinha. Passou-se assim tal e qual, até com aquilo de maluquice que me passou pela cabeça. Acontece que as outras casas da minha rua, têm (quase) todas o quintal atrás, pelo que quem quer bater à porta fá-lo com a aldraba normal, tipo «mãozinha de ferro». No meu caso é que se tem de passar pelo
quintal até chegar a casa...
De resto essa coisa dos assaltos, nem me passa pela cabeça, para além de que não tenho lá nada que valha a pena a um gatuno levar. O que lá está tem exclusivamente valor sentimental, e os sentimentos na feira da ladra não chegam a valer nada :)

Emiele disse...

Pssst!
Quanto ao fim de semana madrileno do fj, parece-me muito bem. E essa menina que é uma linguinha de prata (o que dizia do ex-namorado parece que era forte...) desejo que seja mais cautelosa quanto aos feitos do nosso comentador de estimação. E que ele e o irmão da Mary eram do Clube do Bate à Porta, não me admira. Seria o mesmo?....
GV, a gente sabe que quando se ignora o que nos estão a dizer há logo a presunção de que estão a dizer coisas feias. É um característica humana, acho eu, o esperar o pior dos outros. E o fj é muito engraçadinho, ainda lhe cai um dentinho e depois paga uma pipa de massa no dentista - bem feito!

fj disse...

Mary o teu irmão era Presidente? Eu era, assim como um cavaco pequenina;
n-ao foi em madrid, sim no Porto, onde ela está provisóriamente;
Nereida é NNNNNereida e não nnnnereida;não vos contei que esta semana andei apaixonado pela Lena Coelho da Triumph, e tinha que me liv
rar dessa verdadeira obsessão,não em madrid, estúpida, não sou assim tão estúpido mesmo sabendo que ele jogou,em Barcelona com o tgv nunca fiando,de qualquer maneita há coisas onde sou comprovadamente melhor do que ele, embora o contrário tambem seja verfafe, msd é mais com os pés...
não comento o metal da lingua dela; gv, pois, pois, então escreve lá aquilo em português, se és homem.

Saltapocinhas disse...

Ufa mesmo!
Que isto de ter fantasmas em casa (ou à porta de casa) deve ser uma chatice!!

Emiele disse...

Eu cá já levantava o sobrolho... :) Mas kéisto?!