terça-feira, novembro 17, 2009

Outros tempos...

O mundo - os nossos hábitos, o modo de pensar, as técnicas em que nos apoiamos tem mudado tanto e tão depressa nalgumas dezenas de anos que é irónico dizer-se «eu sou do tempo em que…» porque foi 'ontem'.
Há pouco, a tomar café com uma ex-colega e amiga, ela relembrou um dia em que ia atrasada para uma reunião importante apanhou um táxi enquanto pensava «que bom que era que existisse um telefone sem fios que me permitisse aqui do carro avisar que estou a chegar». Lembra-se de ter rido, a pensar na maluquice da ideia! Mas ela própria já «não é do tempo» onde para se telefonar para África só através da menina dos telefones, e era coisa que se fazia aí pelo Natal ou aniversários, porque era um acontecimento. E só foi há 50 anos…

Mas o modo de pensar também tem mudado muito. Quando eu era criança, o saber poupar era uma virtude muito gabada. A minha mãe tinha uma agenda (creio que havia umas chamadas «agenda do lar») onde todos os dias assentava o que tinha gasto. Tudo. No princípio do mês a renda, electricidade, água, etc. E cada dia registava o pão, o leite, o sabão, os carapaus, o carrinho de linhas, o bilhete de eléctrico, fosse o que fosse que tinha pago nesse dia. Fazia as contas ano fim do dia e o fim do mês. Sempre a conheci com essas agendas. Mas, o certo é que nessa época ser-se poupado era ‘in’.
O modelo actual faz passar a imagem de que é mesquinho andar a fazer contas. E como não se paga com dinheiro, usa-se um cartão, o dinheiro fica um tanto irreal. E então acumulam-se dívidas que nunca mais acabam! O exemplo desta
«família que deixou de controlar as contas, e as despesas passaram a controlar a família» é imaginado mas pode ser real. E é curioso que a consultora da DECO aconselha exactamente o modelo que usava a minha mãe, tomar nota de todas as despesas. Agora, com tantas tecnologias, ainda é mais fácil alguns controlos - até por internet se pode no final do dia verificar o extracto bancário e ver para onde foi o dinheiro. É engraçado a conclusão desta especialista: "As pessoas não têm ideia de quanto gastam. Ficam surpreendidas quando percebem que gastam mais do que recebem". E é mesmo. Ou não sendo esse extremo, estranhamos sempre como é que algumas despesas tão pequenas podem representar tanto apenas por serem repetidas...
E ainda há que haver cuidado com as compras. Pode ser bonito e barato, mas… se não precisamos para que é que se compra??? Porque nos faz sentir bem. É uma droga e… legal! Diz-se que as mulheres é que usam muito essa técnica, ir às compras quando estão em baixo. E é científico, chama-se dopamina. Ui!
Para combater isso aqui o conselho é que se use a área mais racional do cérebro.
Devia ser isso que fazia a minha mãe. :)

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26 comentários:

Joaninha disse...

Tenho mesmo de cá voltar mais tarde, que este post tem que se lhe diga.
A tal dopamina existe!!! «Eu encontrei-a» como na velha expressão. Tenho uma teoria sobre as 'lojas dos 300' ou as 'dos chineses' de hoje em dia - é que se pode dar aso ao vício de um modo barato. Sai-se de lá com um saco cheio por 4 ou 5 euros!!!

Joaninha disse...

Ah, e quanto e essas «Agendas do Lar» (até o nome é famoso!) também havia lá por casa. E tinham receitas e tudo!

Emiele disse...

Olá Joaninha!
O engraçado para mim, é que citei a minha mãe, mas era não era nada uma «dona-de-casa típica», muito pelo contrário. Entraria na categoria das intelectuais, não sabia coser nem se ralava com limpar o pó. Mas sempre a conheci a fazer contas todos os dias, e essa Agenda (talvez da editorial Século...) era uma das prendas de Natal. :)

Mary disse...

São as despesas pequenas que nos matam! O exemplo que se dá no 1º link que fazes «três euros num pequeno-almoço todos os dias fora de casa», por dia é aparentemente pouco (aparentemente! traduzido em escudos são 600$00) mas vezes os 20 dias úteis do mês são 50€. Cinquenta euros para o pequeno almoço?!!!
Porque com o facto de o euro ser mais forte que o escudo, diz-me «é só um euro» quando há 10 anos seriam mais 2oo escudos!
Uma grande confusão.
E, claro que também não ajuda a publicidade, e os próprios bancos com o «compre agora e pague depois»...

kika disse...

É mesquinho andar a fazer contas, dizes tu e bem! É que essa imagem passou de tal forma , que não se valoriza o dinheiro. As crianças a quem os pais educaram dessa forma, são hoje os super endividados, na maioria quadros superiores que continuam a querer tudo, a roupa de marca, o carro as ferias a casa bonita, enfim um sem numero de desejos que qualquer um de nós gostaria concretizar! E aí, entra o dinheiro fácil e se não custa a ganhar , não custa a gastar!
Os meus pais não me educaram assim e estou-lhes muito grata!

kika disse...

Vou confessar um pecado, faço um pouco a terapia do retalho, mas uso uma estratégia , compro onde, caso me arrependa , possa devolver, tipo Zara ou Corte Ingles. Eles nem sabem o bem social que estão a fazer... claro que com essa estratégia vendem imenso!

estrela-do-mar disse...

Fiquei com um sorriso ao ler o teu post, porque me lembrei de uma amiga que tem um truque divertidíssimo: v~e montras ou entra em lojas para apreciar as coisas e ver preços, como todos nós. E vemos coisas bem bonitas! Mas ela é das tais que «faz contas» portanto se não lhe faz falta não compra e depois à saída diz-me «Ena pai!!! Já viste que hoje poupei 200 ou 300 euros!» ou seja o preço das coisas que não comprou! Rimo-nos sempre com isso! mas a verdade é que ficamos mesmo com uma sensação de que se economizou! lol...

King disse...

em a sua graça este post pelas minhas contas vai em 8 comentários só de mulheres! É um post feminino???
Não faço ideia se as mulheres são mais consumidoras ou infectáveis por esse vírus que se medica com a dopamina :)
Mas, por aquilo que se leu nos links que deixaste, parece o famoso crédito mal parado, é «das famílias» ou seja nós temos a nossa quota parte :)
(nós, quero dizer género masculino, claro!)

cleopatra disse...

este é para ver e meditar com muita atenção.
por vezes, faço como a tal amiga da estrela do mar, entro, olho, divirto-me e saio de lá satisfeita.
outras vezes, quando estou mesmo na mó de baixa, e preciso de dar um "mimo" a mim mesma, como acontece com toda a gente, creio eu, entro numa loja de trezentos, e compro algo giro que me apeteça. nem que seja um simples gancho para o cabelo...
mas, como diz o King, e muito bem, não são só as mulheres que gastam dinheiro à toa. conheço muitos homens que não sabem gerir o mesmo e no entanto não se apercebem ou não querem e só olham para as despesas gerais, e não para as "particulares".
quanto a fazer contas, para mim, não dá.
assim que se troca uma simples nota, ela "voa", literalmente.
que saudades do Escudo.
até.
cleopatra

Joaninha disse...

Não King, por mim acho que as mulheres têm é a fama!!!! e talvez gastemos mais em coisinhas pequeninas, mas eu até acho que os homens vêm menos onde gastam. E como aqui se sublinhou mas a Emiéle deu o pontapé de saída, essa coisa dos cartões de crédito não veio ajudar nada. Vejo por exemplo muitos homens a pagar conta do restaurante com cartão - com um ar displicente estendem o cartão ao empregado que depois lhe traz a conta para assinar. E, naturalmente, também nem conferem a conta. Parecia que eram uns unhas de fome, né?...
E (de uma forma geral, não digo que não haja muitas excepções!) quem ainda faz algumas contas dos gastos de casa são as mulheres. Se calhar por isso, esse estereotipo da «Agenda do Lar» lol! Já se chamar Lar não é por acaso!!!

sem-nick disse...

Ena, isto dá pano para mangas!!!
A kika chama a atenção para os putos e isso é mesmo importante. No meu tempo (ehehehe!!!) a gente raramente pedia fosse o que fosse. Quando muito fazia-se assim umas ... sugestões. Tipo «oh mãe, viste aquele brinquedo? que giro não é? eh pá, aquilo é que era!!!» e quando os pais diziam que não havia dinheiro, é porque nem valia a pena falar no assunto, quanto mais insistir.
Tenho ouvido muitas vezes, como se fosse uma gracinha, uma criança dizer ao pai ou à mãe como resposta ao «não tenho dinheiro» rapidamente «vai buscar ao multibanco!» E os pais riem-se muito da graça, sem lhes explicarem a sério que aquilo não é «uma torneira a deitar água» como dizia o António Silva.
Os meninos de hoje não tem a menor noção do valor do dinheiro, ou pior, mostram-se desdenhosos se os pais o não têm. Essa parte é feia...

jpf disse...

É muito interessante analisar a "folha modelo" com as despesas totais do mês!
Vejam a rubrica que diz "pessoal", aquilo não são 'despesas pessoais' meus caros, é o salário da criada, ou talvez mulher a dias...
E depois vestuário, calçado, e... despesas miúdas! devia ser os tais bilhetes de eléctrico, ou umas molas de roupa. Que giro analisar isto.

R. disse...

Nestes tempos de vacas magras têm-se multiplicado os conselhos de poupança, seja pela DECO, na TV, revistas, etc...

O que eu estranho nesses conselhos é que são TÃO BÁSICOS e TÃO ÓBVIOS que parece incrível ter que se explicar aquilo a alguém.

R.

Emiele disse...

Olá a todos!
Vou responder mais 'esmiuçadamente' mais para o fim do dia, mas queria chamar a atenção para o que disse o sem-nick e a Kika sobre os valores que transmitimos aos nossos filhos. Porque não são apenas os minhoquinhas pequenitos que acham que o multibanco «dá» dinheiro, muitos adolescentes ou até jovens adultos, apesar de saberem que ele só 'dá' o que já lá tiver entrado, parece que isso nem lhes passa pela cabeça.
Digo até jovens adultos, porque não é um nem dois casos que conheço, de rapazes e raparigas com 20 e muitos, com trabalho e até nem ganhando mal, vivem em casa dos pais como se o ter cama, comida e roupa lavada, fizesse parte do ar que respiram; nem lhes ocorre que quando tomam banho a água e o gás vai ser paga pelos pais, quando se sentam a jantar essa refeição foi paga pelos pais, quando se sentam no computador a electricidade (e muitas vezes a net) é paga pelos pais... Oiço-os convencidos da sua independência porque compram as suas roupas - mas não a de cama! - pagam a prestação do carro e a gasolina, pagam as suas refeições quando jantam fora, ou seja não pedem dinheiro aos pais e para eles isso é ser independente.
Faz-me confusão.

Zorro disse...

O R. do Gato tem toda a razão, mas a verdade é que parece necessário porque deve haver quem não saiba.
Nem é só a questão do famosos 'crédito mal parado' muitas vezes nem há crédito nenhum, pessoas que vivem do RSI ou com um salário mínimo nacional, e deviam ser ajudados por um serviço social qualquer, pare gerir o pouco que têm mas ainda fica «mais pouco» dado o modo como o gastam.
Esse exemplo da alimentação entra pelos olhos a dentro! Pessoas que até podem nem almoçar mas vão à pastelaria comer um galão e uma torrada ao pequeno almoço, quando com o que pagam dava para o pequeno almoço da semana toda! Que não sabem fazer sopa (ou não estão para isso) que muitas vezes se a roupa se rompe a deitam fora.
Há gente muito infeliz e frustrada, que aproveita os tempos livres para ir passear ao Centro Comercial, onde só aumentam a frustração ao ver os milhares de coisas que não podem ter, e não sabe dar um bom passeio a pé.
Realmente deixámos de saber gerir o nosso dinheiro, é um facto.

Miguel disse...

Interessante post este. Uma amiga minha, que prezo muito e adoro, dizia-me há uns largos meses atrás horrorizada a olhar para uma folha de cálculo em Excel que era insolvente... Felizmente para ela, apenas no campo teórico.

Acho que tive também sorte na educação que me deram. A minha mãe, nem tanto o meu pai. O meu pai sempre foi mais do género chapa ganha chapa gasta e mais alguma coisa porque só se vive uma vez e é bom viver bem. Tudo controlado. Sem stress, acho. Com a minha mãe sempre foi diferente. Não havia, não havia. Coca-cola era quando o rei fazia anos, gelados só no verão, comer fora raramente, etc... Os transportes públicos e andar a pé eram os meios de transporte mais habituais, em Lisboa. E muito andei eu a pé para não ter que gastar 50$00 no bilhete. Roupas de marca - na nossa altura esse conceito não era tão "premente" - porque centros comerciais resumiam-se ao Apolo70, Imaviz e Alvalade lol. Mesmo assim, lembro-me que o barbeiro dava-me um sumol de ananás de borla, acho eu...

Quanto às despesas, a única pessoa que me lembro de usar esse caderninho era a minha avó. Até morrer, aos 94 anos. Eu, volta e meia, faço as minhas e fico horrorizado com o que gasto. Felizmente, com o meu percurso de vida tanto consigo viver com "bastante" como com pouco. E vivendo sem qualquer tipo de privação ainda dá para poupar cerca de 70% do que ganho. Detesto fazer compras e tendo a ser "racional" na hora de comprar. Mas, volta e meia, dá-me na "bolha" e lá vai um portátil, ou uma máquina fotográfica, ou um ramo de flores, o maior possível, para a mulher da minha vida, etc e tal.

A mãe de uma vizinha minha, cá em Portugal, suicidou-se há uns anos por causa de dívidas. A quantidade de cartões que tinha era inacreditável. Até que não aguentou mais. O cunhado de um amigo meu, casado e com dois filhos, atirou-se da ponte sobre o Tejo.

Não gosto da DECO. E acho risível o exemplo do pequeno-almoço. É que a poupança de 1100 Euros por ano não é líquida. Quanto é que custa tomá-lo em casa?! Enfim... E depois há outros aspectos a ter em conta.

Pronto Emiéle, isto dava para escrever muito mais mas estou com pressa lol.

Quanto às mulheres comprarem e comprarem. Acho bem. Se se pode, força! :p

André M. Palmeiro disse...

Era ontem mas podia ser hoje. O deslumbre do muito ter ofusca-nos partes do cérebro que d'antes tinham de estar bem iluminadas e não é preciso recuar assim tanto como bem o dizes.
Se eu, que tenho 35, recuar até finais da minha infância, alvores da adolescência, apercebo-me em comparação de como tantas e tantas coisas mudaram. Não será uma questão meramente económica,social ou cultural; alguns especialistas falam mesmo em partes do cérebro que foram reactivadas (ou activadas pela 1ªa vez) e outras cujo uso se tornou obsoleto.
se observarmos com atenção alguns sinais exteriores do comportamento juvenil, entendemos a ideia.
E o mais curioso é que o tão badalado conflito geracional, ele próprio, deixou de ser uma herança de pais para filhos. Diria, com recurso a uma figura de estilo, que quem se ausenta um mês do mundo contemporâneo nunca mais lhe agarra o passo...

Mary disse...

Afinal os homens vieram todos juntos! lol! Também estava a estranhar só haver comentários de mulheres? Não podia ser :)
Desta vez há um ponto com que não concordo com o Miguel, apesar de também pensar que a Deco... cof...cof...(bem prega frei Tomás)
É que primeiro esse exemplo do pequeno almoço, é um dos que eu própria também uso. É claro que em casa também se gasta o leite, o pão e a manteiga, mas com 1 litro de leite de 50 cêntimos fazes 4 galões, com um pão de forma do minipreço de outros 50, fazes uma dúzia de torradas, e 250 de manteiga custa 1,50€. É um dos casos o custo de uma refeição dá para quase uma semana. e o que eu dizia no 1º comentário e volto a repetir, é que é exactamente nas pequeninas despesas que a gente gasta sem reparar. Se faço um gasto de 50€ vejo logo que fico com muito menos dinheiro, mas se gastar 25 vezes a insignificância de 2 €... Nem se nota, mas!

estrela-do-mar disse...

Teve graça a Cleópatra.
Realmente, ele voa!
Mas o conselho, que o R. acha óbvio e em certa medida é, de tomarmos nota de todas as despesas procura exactamente ver onde é que ele «poisou»... :)
Repara que o Miguel diz quanto às contas que "volta e meia, faço as minhas e fico horrorizado com o que gasto". E ele teve, por aquilo que conta (interessante comentário Miguel) uma educação com algum rigor.
E a verdade é que se reconstituirmos o que fizemos durante o dia temos de perceber quando abrimos o porta-moedas e o que comprámos. É impossível não nos lembrarmos se tivermos vontade.

Emiele disse...

Bem... tinha dito que voltava, mas vai ser difícil responder um a um aos comentários, até porque como de costume (e ainda bem!) vocês entraram em conversa!!!
Vou começar agora e continuar depois :)
Concordo muito com a Joaninha, e não é 'inocente' a dita Agenda se chamar «do Lar» e à época ser de facto usada pelas mulheres. Não consigo imaginar nem o meu pai, nem o meu avô a fazer as contas do dia e usarem a Agenda do Lar!!!
E também concordo com a Mary, que muitas vezes são as pequenas despesas que complicam tudo. Porque quanto às grandes tem-se a noção de que se está a fazer uma grande despesa, mas as de pouco euros repetidas muitas vezes... No fim do mês não se sabe para onde foi, e ele 'voou' como disse a Cleópatra.
André, as coisas têm mudado realmente muito, e é ainda mais no modo de pensar do que nos objectos. E eles já mudaram imenso, como no tal exemplo real, que citei, do telefone.
(Bem, ainda cá volto a responder ao Miguel, ao R.- bem vindo por cá - King, Zorro,sem-nick, jpr, etc.)

josé palmeiro disse...

Nem de propósito, este escrito assenta como uma luva, nos meus dias de ontem desde as 15h00 até ao momento em que estou aqui a escrever, tentando dar uma opinião, que não sei como vai ser.
Ora bem, com a mudança de casa, surgiram imensos problemas, que invariávelmente levam ao gasto de dinheiro. Assim ontem fui a Sevilha, ao Ikea, que é o mais à mão, 150km. comprar umas estantes para os livros cá de casa. Fizeram-se contas e chegou-se à conclusão que era a forma mais económica de resolver a situação, depois, apesar da Espanha, estar pior que nós, segundo os políticos, os combustíveis, lá, são mais em conta do que cá, diferencial que paga a viagem. Eram 20h30, já estavamos em casa com o material que hoje estive a montar. Depois o carro, que está em mês de inspecção, teve que ir à oficina fazer uma revisão e lá se gastaram mais uns Euros. Cabe aqui dizer, que não adianta estarmos a converter estes em Escudos, pois é moeda que já não existe, logo estar a fazer esses malabarismos de que se gasta x ou y, na moeda antiga, o que acontece é que se gastou a moeda que recebemos, nos ordenados, nas pensões ou nos subsídios, chama-se EURO e este é o primeiro engano. Mas há mais, como já alguém disse, os paradigmas mudaram e há que estar atento a isso a fim de não cair em tentação. Por fim, o fazer contas, é essêncial, com a agenda ou de qualquer outra forma, não esquecendo que as ofertas e o convite ao consumo são uma imensa tentação, que temos que, com ou sem dopamina, ser nós a resolver.
Nota: Também não gosto da DECO, transformou-se num centro de consumo, vergonhoso.

Saltapocinhas disse...

Eu detesto ir às compras, por isso essa tal de dopamina não quer nada comigo.
Ou melhor, ataca-me apenas quando entro em livrarias...

Também já tive uma agenda dessas, mas desisti.
Quem as teve durante alguns anos foram os meus filhos, quando eram pequenitos. Ainda um dia destes achei no sótão a do meu filho!

E sim, as cfianças têm de ser ensinadas a dar o devido valor ao dinheiro.
Os meus filhos nunca diziam "compra", diziam sedmpre "tens dinheiro que chegue para me comprar?" e sempre que eu ou o pai dizíamos "não" (o que acontecia com alguma frequência) não havia nenhum drama, aceitavam pacatamente.

josé palmeiro disse...

Bom exemplo Raposinha, é esse um dos caminhos que deve ser trilhado, na educação das nossas crianças, e não só dos nossos filhos. Sei que o fazes, na tua vida profissional.

Emiele disse...

Queria responder hoje aos que faltavam mas ainda houve mais quem passasse por cá, quando eu julguei que tinha passado a «hora das visitas» :)
Sabes Saltapocinhas, quando escrevi o post nem estava muito a rever-me nele, porque por mim sou bastante ponderada e acho que sei gerir bem as minhas finanças. Comparo-me muito com um familiar que ganha mais do que eu e deve ter despesas idênticas, e contudo já tem acontecido oferecer-me para lhe emprestar algum, tão endividado anda sempre. E agenda como a da minha mãe não uso porque pago TUDO com o cartão multibanco, e quase todos os dias de manhã vejo aqui na net e extracto, portanto nunca tenho surpresas...
Amigo Zé, trazes para aqui um exemplo de consumo planeado, estás a ver? Ponderaram que por a gasolina ser mais barata valia a pena ir buscar os móveis longe. Mas muita gente (os do mau consumo) optam por comprar numa loja onde viram coisas que até lhes encheu o olho e lhes oferece o pagamento a crédito, ou na outra opção vão comprar onde parece mais barato mas sem se lembrar das despesas da deslocação.
Isto é porque os meus leitores é tudo gente im-pe-cá-vel! Eu sabia! :)
Miguel, também trazes um testemunho bem importante. Foi muito bom ler o que escreveste, porque se vê a força da educação recebida. Por outro lado é importante teres deixado também o outro lado da questão, as pessoas a quem uma situação de excesso de gastos leva ao fim. Terrível!

Miguel disse...

Mary,

Não discordo da abordagem mas a forma como é colocada na notícia é incorrecta. Para além disso, há outras componentes que não são quantificáveis. O aspecto social do acto de se tomar o pequeno-almoço fora. Dito de outro modo, para um solteirão como eu, o pequeno-almoço pode muito bem ser um pretexto para estar com alguém ou vários "alguéns" lol. Quero lá saber se em casa me sai mais barato...

Emiéle,

Reparei que como algumas, várias, palavras pelo que, por vezes, o que escrevo não tem sentido ou "perde-se". O exemplo das roupas de marca é que também não as tive porque não as pedia e também não queriam que eu competisse com os outros putos do colégio (todo "bem" em que eu andei).

Emiele disse...

Olá Miguel! Fica melhor com o esclarecimento mas não era indispensável. :)
De resto, entendo o que dizes na resposta à Mary, mas eu penso muito como ela neste assunto, apesar de concordar contigo na crítica ao modo como a coisa foi posta. Claro que o teu caso (ou o de muita gente como tu, que viva sozinha) é diferente, mas também estás muito longe da situação do tal colapso financeiro:) E, até pelo aspecto social, é que eu defendo muito - no caso de famílias ou casais - que se tome um pequeno almoço todos juntos, em casa, sentados a uma mesa. Um quarto de hora chega para isso, e afinal é o que muitas vezes se gasta na pastelaria - o tempo de chegar ao balcão apinhado, de o empregado nos atender, de aquilo que pedimos chegar a nós, o pedirmos a conta, o recebermos o troco!
Actualmente em Portugal tornou-se moda tomar o pequeno almoço na pastelaria, quase toda a gente o faz. Considero um erro, não apenas por ser realmente mais caro, mas porque faz começar o dia com stress.