quarta-feira, novembro 11, 2009

Mas que coisa!

Há um tema que nunca abordei aqui porque tem sido falado, e bastante bem, por tantos blogs conhecidos, que achei que não vinha contribuir em nada com a minha opinião. E como, ao contrário do caso da interrupção da gravidez, espero bem que nunca venha a ser tema de referendo – era o que faltava! – não senti que a minha opinião contribuísse para convencer ninguém.
Quero referir-me à questão do casamento dos homossexuais.
Confesso que quando a questão começou a surgir, fiz parte dos que pensaram «Ora! Agora que o casamento como instituição está a perder força e tanta gente opta por não se casar é que estes querem entrar nisso...?» mas rapidamente entendi que só se pode recusar uma coisa que se pode ter. Muitas mulheres hoje fazem parte dessa «maioria que é a abstenção» mas isso não invalida a importância da luta das sufragistas. Só depois de se ter conquistado o direito ao voto se pode escolher não o usar.
Mas, neste caso, o que me impressiona é a força que pode ter uma maioria (mesmo quando é uma maioria) em decidir sobre um aspecto da vida dos outros que não os afecta a eles minimamente. Já quando foi a despenalização do aborto se foram buscar não só argumentos que não tinham nada a ver com o que estava em causa e algumas mentiras, como até insinuavam que se estava a promover essa solução em vez de formas de controlo de gravidez. Como se essa não fosse sempre uma decisão traumática.
Desta vez parece que há quem pense que a legalização do casal homossexual vai beliscar os direitos dos outros casais. (??!!) Encontrei no Voz em Fuga um vídeo muito engraçado com um conselho fácil de seguir: «Se não acreditas no casamento entre pessoas do mesmo sexo, então não cases com alguém do mesmo sexo»
É que este é um caso onde o direito dos outros não implica absolutamente nada a perda de um direito nosso.
A Igreja não gosta? Também está no seu direito. Portanto, as pessoas do mesmo sexo não se poderão casar pelos ritos da Igreja. É justo. Mas perante a lei são iguais, ou seja não podem ser descriminados com base na orientação sexual. Ponto final.
Em que é que o casamento entre pessoas do mesmo sexo prejudica a sociedade?
Não vivemos numa sociedade teocrática como algumas do Islão, e bastante nos regozijamos com isso.
Então...?! :(


27 comentários:

méri disse...

Com estas coisas é que eu tomo consciência que já sou "antiga" :)
Lembro-me dos meus Pais falarem sobre o casamento "só" civil e de como foi a atitude da igreja católica.
Durante muitos anos ser casado "só" pelo civil foi visto por muitos (?) - se calhar não tantos como a igreja queria fazer crer - como uma situação irregular (seja lá isso o que for!)

Mary disse...

Não serei tão ‘antiga’ como a Méri mas a verdade é que do meu tempo para hoje muita coisa mudou estrondosamente. Sem falar nessa coisa da naturalidade com que se fala da tal orientação sexual – tema proibido há 40 anos – mas, como ela lembra, era uma altura em que casamento tinha de ser pela igreja, Com a consequência de que por causa da concordata depois não havia divórcio! Os que casavam pelo civil (como os meus pais) eram olhandos de banda por muita gente... E, coisa feia, a situação hoje tão normal que se chama a união de facto. Nunca por nunca, uma menina de boas famílias aceitaria tal coisa. Mesmo para quem não fosse religioso era uma falta de vergonha, viver como amante de um homem, só uma desavergonhada o faria....
.............
É hoje outro mundo. E esse respeito pelas opções de cada um só enobrece a sociedade em que se vive.

André M. Palmeiro disse...

Ligando com coisas que já comentei noutros blogs, não deixa de ser engraçada essa cruzada da igreja, quando ela própria, pelo menos até finais da década de 40 tendia a desvalorizar o casamento civil, não o colocando no mesmo pé de igualdade... Bem, e a proposta do PSD (apenas para salvaguardar a legalidade da questão!!!) que propõe uma ligeiríssima alteração terminológica... Ó meus senhores mas porque cargas d'água insistem em não chamar os bois pelos nomes?
Deve ser para não importunar o eterno descanso da sagrada instituição...

Joaninha disse...

(o blogger hoje anda marado e não consegui aceder à minha conta! ia optar por escrever como anónima quando esta coisa desbloqueou)

É curioso que vinha dizer mais coisa menos coisa aquilo que as «meris» disseram. Anda sou do tempo onde uma menina como deve ser casava de véu e grinalda e, mesmo que não fosse muito praticante, pela igreja. E nuuuuunca se «amancebaria» com o namorado, os pais morriam de desgosto.
Óbviamente que «não existiam» homossexuais! aquilo que se sabia era a caricatura que aparecia nas revistas do Parque Mayer, pelo que mesmo que tivéssemos amigos e amigas que o fossem nunca o sabíamos.
Hoje tudo mudou. Sabe-se que 10% da humanidade é assim. De todas as raças, de todas as idades. E nasceu a palavra 'homofobia' que era impensável há umas dezenas de anos. mas a verdade é que também há alguns séculos também se achava 'natural' a escravatura, não é? O mundo vai evoluindo.
E Portugal também, eu espero!

sem-nick disse...

Como vocês falam bastante aqui no casamento laico versus religioso, lembro-me bem quando no tempo da concordata havia quem fosse casar a Espanha exactamente para fugir a essa coisa de nunca se poder divorciar.
Imagino que haja casais gays que também vão agora casar aos países onde é legal, para fintarem as nossas leis...
Mas afinal, como diria o diácono Remédios «não havia nexexidade»!

Anónimo disse...

Está formidável!!!!!

«Se não acreditas no casamento entre pessoas do mesmo sexo, então não cases com alguém do mesmo sexo»

Mais palavras para quê?!

King disse...

Tinha estranhado um pouco que ainda não te tivesses manifestado...
De facto pouco mais há a dizer, e a tal frase humorística resume tudo. Afinal quem é que nos manda casar seja com quem for...? cada um que arranje a tal corda para se enforcar.

A Senhora disse...

Pois é! Até aqui anda esta discussão. E esta frase que deixou realmente diz tudo.
Aqui, casais do mesmo sexo tem conseguido até mesmo adotar crianças, então, por que nào conseguir casar?
Acho que o que conseguiram foi ter direitos iguais ao de um casamento. Mesmo assim, quando um consegue vira notícia de jornal.

beijinhos

kika disse...

Depois que descobri que temos nem um nem dois, mas cinco sexos, tornei-me mais tolerante com todas essas questões , cada um que seja o que quiser!!
A familia já está desestruturada, os filhos já não sabem a quem chamar pai ou mãe, agora vão conviver só com um sexo, alguns nunca saberão quem é o pai porque a mãe assim o quer , o caso dessa figura publica Solange!
Mas este problema social comparado com outros que estão aí a chegar, já nem interessam.
São minudências!!!!








































são minudências

cleopatra disse...

este tema dá muito que falar, mas não será melhor cada um ser o que quiser, se não for contra aquilo que sente?
não sou velha, nem sou adolescente. já passei por casamento civil e religioso, e cheguei a triste conclusão que é esta,quando um dos elementos quer "pular" fora, quando não "sabe", o que é ou o que quer de verdade, é muito fácil refugiar-se em silêncios e subterfúgios...
por isso cá vai a minha modesta opinião:que não façam referendo sobre o direito ao casamento dos homossexuais, bissexuais, e o mais que exista, por aí.
cada qual é, ou deverá ser livre para optar pelo qué é e principalmente por aquilo que o fará feliz.
se houver sinceridade entre todos os envolvidos, para quê negar-lhe o direito a ser felizes?
porquê serem os outros a ditar aquilo que cada um é ou deve ser em seu entender?
graças dou eu a mim própria, que tendo sido educada de forma clássica e tradicional, consegui dar a volta!
se sou feliz?
não sei! ou talvez saiba o que sou e não queira dizer. mas como disse
Florbela Espanca: e se alguém disser que foi feliz vida inteira é porque mente".
mas, tal como ela o importante é não desistir e não desesperar.
(escrevi tolamente, não?).
até logo
cleopatra

Alex disse...

Ora exactamente, nem mais, nem menos.
Quando forem todos crescidos as birras passam; até lá que haja o bom senso de viver e deixar viver.

cleopatra disse...

ah!volto aqui num "pulinho", só para dizer uma coisa. li os comentários sobre as novas técnologias, e do que eu falava é de um fime que tem como titulo:
"O Homem Bicentenário". é com o Robin Williams, entre outros actores, e retrata uma geração futura em que os robots, são muito avaçados já, e este que é representado pelo actor referido, vai-se aperfeiçoando, ao longo dos anos,até atingir a dimensão humana. por amor à filha do ex patrão, que entretanto o "libertou" " de os servir, mas sempre a amou.
o filme é giro e achei o conceito interessante. diverte e dá para pensar e leva-nos mais ou menos ao tempo dos contos de fadas.
bj
até logo
cleópatra

Zorro disse...

Exactamente Alex!
(que foi feito dela? tinha-me habituado a vê-la por aqui....)
Vive e deixa viver!
Não me vão obrigar a casar com um gajo, pois não? Então, ora!

Zorro disse...

Aliás quanto a casamentos já cumpri a minha quota. Também comecei por estranhar que insistissem tanto nisso, quando a malta agora quer é um relacionamento mais solto. Mas o problema meu não é! E quando leio aquelas coisas lá no médio oriente onde até condenam à morte quem tem a desgraça de se identificar como gay, fico arrepiado a pensar nos meus amigos que o são e como é possível tal atitude.
Mas eles já me lembraram que à morte não seriam condenados, mas à cadeia sim senhor, e não foi assim há tantos, tantos anos! Porque raio não hão-de casar se ficam mais felizes?....

estrela-do-mar disse...

Este é um tema que no tpo de blog que é o Pópulo com os leitores que têm só pode ser consensual. Acho que foi por isso que nem o chegaste a abordar.
Afinal, cá por mim, penso que a felicidade não está de todo no casamento. Casamento pensado como um documento. Porque se pensarmos nisso como um estado, duas pessoas que gostam uma da outra e querem viver juntas, pode de facto trazer felicidade, why not? pelo menos no início (posso ser cínico, não?) e mais tarde até pode ser agradável porque estamos habituados, e uma companhia é bom.
........
O que quero dizer é que conheço de tudo: casados que o deixam de ser; casados que continuam a sê-lo; casados que mesmo estando casados enfernizam a vida um ao outro; casados que até vivem em harmonia; divorciados que voltam a casar; solteiros que se recusam a tal.... A variedade é tanta que não se pode generalizar.

Joaninha disse...

Mas estrela-do-mar, olha que cada vez menos encontras esses casos de casados há muitos anos que continuam contentes de o estar. O tempo de casamento é cada vez menor (daí o estranhar um pouco este desejo da malta gay)
Mas, olha que de bloggers aqui amigos e que eu costumo visitar já encontrei dois que pelo que disseram pertencem a essa classe rara - casados há muitos anos e felizes de o serem: a Saltapocinhas e o José Palmeiro. São há muitos nos porque os dois já são avós e tudo!!! (digo isto porque do resto do maralhal não tenho dados....)

Hipatia disse...

E depois de ler os comentários, fica, quanto a mim, a faltar uma coisa importante: o direito a casar garante, só por si, igualdade a níveis que tomamos como certos: por exemplo, ter direito a pensão de viuvez, a aceder a seguros de saúde ou uma assistência tipo ADSE ou SAMS na qualidade cônjuge, garantir herança sem ter de haver testamento (este pode ser sempre contestado) e até facilitar a contratação conjunta de créditos, como o crédito à habitação. A legislação sobre as uniões de facto actual não garante a 100% nenhum desses direitos para quem escolhe partilhar a vida. Estamos a falar de um contrato civil e a lei diz que ninguém pode ser discriminada em função do seu sexo na celebração de contratos. Na prática, há portugueses que são discriminados diariamente. Dai que nem sequer perceba porque se põe agora a questão do referendo.

fj disse...

A tal frase realmente diz tudo.
Mas não concordo que não exista teocracia.Existe, é ver as igrejas, sobretudo a católica a darem orientações de voto em todas as questões que lhes intressamTemos uma teocracia soft, branda. Mas reparem,em recuo permanente mas intervindo sempre no sentido da manutenção da situação .A intervenção na Polónia, parecendo que não tambem é profundamente teocrática,adaptando a sociedade á sua moral e "doutina social", pela violência se necessário ( Espanha, Chile ).Não podemos só olhar e comparar com o irão(s) temos tambem que olhar para dentro.Estou convencido de que as religiões monoteistas são sempre tendencialmente teocráticas.O que arrasta atitudes extremas para os outros lados, como seria de prever.

josé palmeiro disse...

Devo ser o mais velho, ou se o não fôr, não ando lá muito longe. Por isso, ri-me com as lembranças da "Méri", era mesmo assim, como eu me lembro de variadíssimos casos...
Quanto à actualidade, desdde que as crianças não sejam prejudicadas, nada me parece que se não possa fazer. O equilíbrio psicológico é que é importante manter e não desequilibrar.

Emiele disse...

Tens razão Hipatia, há esses pontos a ponderar que fazem diferir a união de facto do casamento. Esse é um vínculo especial do ponto de vista legal/económico e muito possivelmente é isso que faz mover as pessoas que desejam o casamento gay. Mas mostra que a sociedade precisa de ser melhorada em muitos aspectos, porque algumas dessas coisas seria de justiça abrangeram por exemplo irmãos idosos ou seja quem for que viva junto durante muito tempo, por vezes toda a vida, sem que exista um laço conjugal. Como se sabe isso acontece.
FJ, tens razão. A gente lembra-se das sharias e do Islão porque são mais radicais e violentos, mas existem ainda países católicos onde a obediência do Estado à Igreja salta aos olhos!!!
José Palmeiro, chamas a atenção para as crianças o que leva a discussão para outro ponto. É evidente que o seu equilíbrio psicológico é importante como lembras, mas não sei se passa por aí, pelo casamento ou não dos pais. Passa sim pela sua vivência diária, pela atenção que lhe é dada, por o sentir-se amada e desejada. Os pais podem ser ou não casados (deves lembrar-te quando eram «filhos de pai incógnito») e elas viveram muito felizes, ou também serem filhas de um matrimónio onde são espancadas, abandonadas, violadas, ignoradas. Os jornais mostram muitos casos desses.
É complicado.

Saltapocinhas disse...

roubaste-me o meu "post alinhavado", mas vou publicá-lo na mesma!

Concordo em género, número e grau...

Didas disse...

É mais ou menos isso que eu sinto. Isto é tão óbvio que nem me apeteceu ainda falar no assunto.

Emiele disse...

Acontece Saltapocinhas! Já me aconteceu a mim, e fui dizer ao teu post e escrevi na mesma, tal como estás a fazer!!! É um bom sinal, que pensamos o mesmo (e bem, é claro!)
............
Olá Alex! Não nos temos visto nem nos nossos blogs, mas não tenho andado famosa. Gripá e tudo, não me tem faltado nada. Tenho de procurar ver-te. Beijinhos.

Emiele disse...

Ups! Nem vi a Didas! Já agora volto a abrir a caixa para me auto-felicitar, porque se já somos 3 a pensar o mesmo, é um bom sinal. Também achava tão óbvio que andava a saltar o tema, mas hoje foi... :)

josé palmeiro disse...

O meu comentário desapareceu!
Voltei para ver e nada. Está bem, fica melhor assim, pode ser que, num outro dia qualquer, volte para falar no tema, eu que sou o mais velho, ou por lá ando perto.

Emiele disse...

Não, Zé palmeiro, a contar do último que fizeste está lá um sexto com o teu nome. Até te tinha respondido. Só se escreveste ainda mais qualquer coisa...

josé palmeiro disse...

Emiéle, esta caixa de comentários, está uma bagunça. Tem espaços, imensos, em branco e eu nem vi o meu nem a tua resposta. Agora já a li e concordo contigo, a cem por cento. Aliás, era essa a minha perspectiva, só que a não soube completar. Obrigado pela ajuda.
Casos desses, na minha já assinalável existência, conheco-os bem.
Já agora, deixar aqui uma memória, em honra de um HOMEM a que a morte de uma filha de tenra idade, deitou por terra, levando-o ao suicídio. Refiro-me ao Robert Enka. que descanse em Paz, ele que era uma Boa Alma.