domingo, julho 26, 2009

Uma música ao Domingo

Quando há uns 15 dias fiz um apelo, pedindo sugestões para esta rubrica, não pensei ter tantas respostas! Deixei aqui, na semana, passada uma delas, tenho guardada outra, e venho ‘iniciar’ hoje uma espécie de «sub-série» com umas ideias que uma leitora que nunca me comentou mas me costuma ler, me enviou para a caixa de correio.
Ela lembrou-se de uma série de músicas e canções muito representativas de épocas que já lá vão, mas foram bem importantes. Entre os cantores que me relembrou, está este: o Juca Chaves.
Era um rebelde. Um homem que protestava contra tudo o que achava mal, e por via disso teve de sair da sua terra, o Brasil, à época vivendo sob um regime bem autoritário, e vir para a Europa. Só que, não teve muito jeito na escolha que fez, porque vindo para cá – utilizando uma imagem também musical – virava o disco e tocava o mesmo! Se o regime dos coronéis era ditatorial, o de Salazar não o era menos. Mas nos anos 60 Juca Chaves ainda ‘partiu loiça’ e foi uma voz de oposição e de humor, ainda importante.
Mas é claro que não conseguiu ficar por cá muito tempo. Acabou por ir parar à Itália onde viveu muitos anos até regressar à sua Pátria.
Esta canção (não tem vídeo a acompanhar, infelizmente, os vídeos que encontrei não são com ele a cantar) é uma das que mais se associa a Juca Chaves: «Por quem sonha Ana Maria




(letra AQUI)

11 comentários:

sem-nick disse...

Que surpresa!!

Há que anos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ele tinha realmente muita graça e era refrescante.
E tinha esta voz doce como muitos cantores brasileiros.

Joaninha disse...

:)
Fui procurar outras cantigas de que me lembrava dele.
Lembram-se desta:

A honestidade a muitos já sumiu
e as consequências vêm sempre depois
por isso todo dia pra alegria do Brasil,
morre um ladrão e nascem dois,
morre um ladrão e nascem dois.

Sai um ministro, entra outro que promete
e o aposentado, coitado, se comove,
a espera dos 147 se decrete
mas na horta do pobre nunca chove
collor deu um golpe 69.

Enquanto os empresários, operários da cobiça
investem lá no norte, no norte da suiça
democracia é isto, é trabalhar contente pro caviar do nosso presidente
e pro meu, afinal também sou gente.

Enquanto o pacto não fica social
e a moral valendo mais do que dinheiro,
que importa se o cunhado é alagoano, não faz mal
ou se o meu carro a álcool é brasileiro,ou se o meu carro a álcool é brasileiro.

Nossos valores estão na contra-mão,
sequesrador vive melhor que marajá,
e sem licitaçao, só pra ajudar cunhado ou irmão
vou ser um diretor da LBA
se a imprensa descobrir eu vou pra cana e chorar!


Era formidável!

Joaninha disse...

Aquela do « caviar do nosso presidente
e pro meu, afinal também sou gente» foi uma piada que ficou.

josé palmeiro disse...

Assim é que nos aprecebemos, como o tempo passa...
Saudades, não daquele tempo mas, da força que ele fazia emergir e incomodar, os governantes de então. Esta "democracia" em que vivemos, está a necessitar de abanões assim, pois o revivalismo bacoco, em que vivemos, não leva a nada.

josé palmeiro disse...

Esqueci-me de referir a lembrança que a Joaninha deixou. Muito oportuna!!!

King disse...

Meu Deus!!!!
Como disse o Zé Palmeiro, como o tempo passa! Aquele grande nariz...
Realmente lá o Dr. Salazar também não o apreciava muita, aquilo era cá uma boca grande e sem papas na língua!

estrela-do-mar disse...

Se é do meu tempo não me lembro, mas estive a ver o link e percebo que deve ter sido bem giro.
E, olha que actua, infelizmente...

Mary disse...

Tchiiiii!
O que se foram lembrar!
:)

Maria disse...

Oh "Seu Juca" , "Juquinha", como ainda lhe gostam de chamar no Brasíl,
a piada do "Caviar" que a Joaninha referiu eu lembro-me, sim. Há uns anos vi-o no programa do Jõ Soares - de boa forma física e mantendo a sua "língua afiada" para a sátira política.

Emiele disse...

Boa noite a todos!
pois é Joaninha, havia outras cantigas até mais interessantes, mas com a voz dele só encontrei esta...
E é uma personagem que me fez recuar no tempo, e soube-me bem.
É isso Maria, esse Juquinha tem essa língua afiada que não perdeu!
Zé, a gente bem tenta abanar este senhores de hoje mas não está fácil... Também andamos a pagar o seu caviar.

A Senhora disse...

Deus do céu! Eu lembro dos meus pais cantando as sátiras dele! E depois, eu, quando o presidente era o João Figueiredo, ultimo da ditadura militar no Brasil.

bjs!