sábado, julho 25, 2009

Boas notícias

Ficamos esta semana a saber que nós [portugueses] somos muito generosos.
É bom saber que somos «o segundo país do mundo com mais doações de órgãos por milhão de habitantes». Ou seja os portugueses são bons e generosos, há dadores mas...
Depois a porca torce o rabo, ou seja o aumento da recolha de órgãos esbarra muitas vezes nas limitações a nível dos recursos humanos e físicos.
A eterna e fatal falta de meios.
Mas considero boa notícia o facto de sermos o segundo país do mundo quanto a doadores.

A outra boa notícia da semana é que ganhámos a nossa primeira medalha de prata a matemática
É curioso ter-se conquistado «os melhores resultados de sempre nas Olimpíadas Internacionais de Matemática» quando na generalidade os resultados a esta disciplina são tão maus nas escolas.
Qual a explicação para o fenómeno?!!!




( daqui)

15 comentários:

josé palmeiro disse...

São, sem dúvida, duas excelentes notícias.
Razões e explicações para elas, não as encontro. Somos assim, e mais nada!

fj. oj 1 poco orgolhoso desta tirada , quase de madrugada. disse...

Um "conhecido sociologo alemão" já tem chanado a atenção para ligeiras diferenças sociais, creio mesmo que até falou em classes sociais (!).Exagero, claro, provavelmente por não ter direito a casar com uma qualquer com uma nobre, e teve que o fazer com uma tal jeny.
Contudo ,raramente acontece, mas esse gajo neste caso pode ter razão, os bons a matemática são os da sub classe a1,1 da chamada classe dominante ( a.1).Maus são da classe a.2, que são pobrezinhos, burros, não foram estudar para o acessivel s.jpão de brrito ( pronuncia correta, não pensem em erro ortografico. nuance da a.1 ), não aproveitaram explicadores para corrigir o deficite de intelig^ncia .genético,
natural 8como se explicará de outra forma que sjam classe dominada há séculos?
Mais,devem ser os da classe a.2.1.1 os tais dadores,sempre á procura da acumulação primitiva ( calão do tal sociólogo que, aliás, dizem-me que já morreu, embora os miltons friedmanzinhos o tenham quase ressuscitado.
Pronto como mete números e letras misteriosas isto é já uma explicação matemática dos fenómenos referidos, alem da discreta insinuação de que sou da classe A.1, subclasse "elite".Creio a questão encerrada.

DR. FJ, matemático e sociólogo disse...

Só falta explicar que os doadores são os da a.2, que só peensam em euros para a droga, e que ainda conseguirão doar 2 rins para continuar por algum tempo ( não muito)as suas porcas vidas.Deus sabe o que fez introdusindo estas difrenciações.

King disse...

(que raio, tinha escrito para aqui um grande comentário, à moda do FJ, com menos graça, é claro, e agora volto aqui e vejo que não entrou nada!! GRRRR)

pronto! A análise sociológica dom fj parece-me um pouco arrojada demais. Essa coisa da matemática não deve ter uma correlação tão intima com as ditas classes sociais, como ele diz. Afinal basta papel e lápis...
Imagino que a literatura e coisas dessas seja mais dependente da cultura do meio. e daí, talvez não.

A doação dos órgãos é bonito. Somos pobrezinhos, mas... Quem dá o que tem, e isso de órgãos todos temos, né?....

fj disse...

Claro que a explicação é resumida,pá, esquemática talvez, mas era para ver se percebias qualquer coisa!

Maria disse...

O fj. está "orgulhoso", aliás, "um pouco" - eu, estou muito - pela revelação da nossa generosidade
enquanto "dadores de órgãos" e ainda
pela referência ao Professor Linhares Furtado (na notícia do Público) - açoriano da Ilha de S.Miguel, o primeiro cirurgião português que há 40 anos fez o "1ºtransplante de rim de um dador vivo".
Quanto à "conquista" na matemática - não tenho muito conhecimento sobre as "Olimpíadas" para me pronunciar sobre o "fenómeno", o fj.avançou a sua "tese"- "análise" interessante sem dúvida mas, estou mais de acordo com que diz o King, aliás, durante a minha vida constatei que - havendo bons resultados escolares, entre os menos favorecidos, normalmente, esses incidiam mais nas ciências, ditas, "exactas".
Mas, com certeza, haverá estudos e pessoas que saberão dizer algo mais consistente sobre o assunto e, fico curiosa em saber.

A Senhora disse...

Eu vi esta notícia sobre doação! :) De certa forma, é o que acontece por aqui - existem os doadores, mas não existe recurso para conseguir o seu uso imediato.

Mas olha só, aqui também temos coisa parecida e que nunca foi feito um estudo profundo. Mas uma criança, filha de comerciantes de pouco capital, sabe lidar com matemática como se brinca com bola - é brincadeira e faz isso a todo momento. Entretanto, para que ela vai precisar das outras coisas se o que importa é o capital?
Vi um feirante ensinando o filho pequeno a dar troco para uma freguesa - escola não ensina isso tão bem quanto a responsabilidade de estar perdendo dinheiro da familia (da familia!). E daí você caminha para as crianças que tem acesso aos jogos de azar, controlando-os, ou até mesmo ao tráfico de drogas, onde dinheiro e negociação pesada é o cotidiano.
É evidente que Portugal não representa nem sombra desse futuro nebuloso de uma criança criada dessa forma. Entretanto, ai se vê como matemática é fundamental e as outras generalidades escapam por entre os dedos, sem qualquer problema ou remorso.

bjs

josé palmeiro disse...

"A Senhora", deu a volta a isto e introduziu a resposta que eu procurava. Tens muita razão no que dizes. A Mariafaz aqui mensão de alguém que nasceu na rua onde moro e onde ainda vivem umas irmãs, para além da homenagem, em vida, o que
é de grande relevo, que a placa indicativa de que ali nasceu o Dr. Linhares Furtado, representa.

Joaninha disse...

Essa questão da matemática tem que se lhe diga. Eu cá acho que assim a modos que uma «bossa» da matemática como há da música. E claro que tem um tanto a ver com o meio onde somos criados e educados. Numa família de gente de letras ou de artes, a criança tem esse modelo desde que nasce, quase. Se for gente da ciência, pode estar mais à vontade na matemática.

Depois, como muito bem disse a senhora, a matemática está em tudo. Se um professor ou os pais chamarem a atenção, desde os degraus que subimos para entrar em casa, o número de divisões da casa onde vivemos, a quantidade dos nossos brinquedos (menos aqueles que estão estragados) os anos que temos, etc, uma criança desde pequena pode lidar com números ou seja, matemática.
Só que para muitos (e falo por mim) imagino logo um caderno de papel quadriculado e um lápis com borracha na ponta! :)

Saltapocinhas disse...

é uma questão que também coloco a mim mesma, não sei responder...

Emiele disse...

Beeeeem, o FJ estava inspirado! Ganda análise! Claro que os alunos dos colégios que vêm à cabeça dos rankings terão outras condições, mas não sei se isso é suficiente para explicar esse fenómeno, até porque pelo que li, a tal medalha de prata não foi para aí... Uma medalha foi para um aluno do Externato Ribadouro no Porto, e várias para alunos de Escolas Secundários, ensino oficial, portanto.
(mas estou a responder a sério, grande palermice, quando ele estava no gozo!)
O King também teve graça: pobrezinhos mas órgãos todos temos. Olaré!

Senhora, que bom começares a passar por cá! Evidentemente que tens toda a razão. Nesta coisa das «competências escolares» quando uma criança sente que aquilo que está a aprender tem uma utilidade imediata, tripica-lhe a motivação.
Maria, realmente os transplantes de orgãos é uma coisa tão recente na História e que agora já se encara com tanta naturalidade. Eu tenho a ideia de que nós temos até óptimos especialistas, assim lhes déssemos condições.
Saltapocinhas, devemos ter todos essa dúvida, não é? Apesar da gracinha do FJ deve ser aí do foro da «sociologia da educação» (???)

Emiele disse...

Já agora fui espreitar a posição do Externato Ribadouro nos rankings - vai da 9ª posição à 19ª. É bom. Mas não é o melhor. E os preços pelo que vi são os do ensino privado, não dá para todas as bolsas, mas qualquer Jardim de Infância leva até mais do que 220€.

sem-nick disse...

Olha que o boneco está bem imaginado. Dei por mim a fazer contas a ver quem estava no pódio...

Castanha Pilada disse...

A explicação do fenómeno é: Somos um povo muito eclético, tanto damos para a burrice como para a genialidade. Pronto.

snowgaze disse...

Olha, o bloglines não está a receber os updates do pópulo, agora tenho que me lembrar de vir cá, quando estava habituada a ter um lembrete automático :(

Queria acrescentar uma coisa importante em relação aos doadores. Há uns anos, em Portugal, passámos a ser todos doadores a não ser que nos registássemos como não doadores (não me lembro se este registo tem que ser oficial, ou se basta andar com um cartão na carteira a dizer "eu não sou doador de órgãos"). Assim é fácil ter muitos doadores, porque a maioria das pessoas, por desconhecimento, ou por outros motivos, não se vai registar como não doadora!