quinta-feira, junho 04, 2009

Obsessiva



Talvez não possa generalizar a toda a gente, mas acredito que uma grande percentagem das pessoas “normais” tem um toquezinho, uma sombra, do que se pode considerar patológico quando é em grande escala. Muitos de nós somos um tanto desconfiados (paranóicos?) outros muito meticulosos (obsessivos?) outros mudam bastante de humor (bipolares?) outros receiam muito envolvimentos afectivos (fóbicos?) … Falando de mim própria reconheço que sou o que talvez (?) se possa classificar como obsessiva.
Sei que é uma personagem um tanto exagerada e nunca me identificaria com ela, mas a Bree do «Donas de casa desesperadas» pode ter alguma coisinha em que me revejo. A mania do pormenor, o desejo de estar tudo impecável em seu redor, o desconforto com a trapalhice, com a confusão, não me é estranho. É certo que puxo as rédeas quando sinto que exagero, mas…
E, é interessante que quando atravesso momentos de alguma angústia ou desorientação interior é quando mais necessito de que as coisas ‘fora-de-mim’, o meu meio envolvente, estejam em ordem.
Li algures que, realmente, o arrumar gavetas ou fazer paciências ou puzzles, são formas de combater a ansiedade nalgumas pessoas. Quanto aos puzzles nem por isso, mas arrumar armários e gavetas ou fazer paciências, realmente alivia-me a tensão (devo ser das poucas pessoas que se perde uma 'paciência de computador' volta a recomeçar a mesma até a ganhar!)

Tenho tolerância com as casas dos outros, é claro. Contudo se numa visita a uma amiga vejo a cama por fazer, a cozinha cheia de louça suja, a mesinha da sala a abarrotar com objectos de outro sítio, tenho de me controlar para não começar a pôr tudo em ordem.
Na minha casa sou realmente um tanto (muito?) obsessiva. Não quero dizer que de vez em quando não mude tudo de sítio, e até fico contente com essas mudanças, mas mudar de sítio quer dizer que as coisas continuam a «ter sítio».
Contudo também acontece que de vez em quando arrumo demasiado bem! E é por isso que me deu para escrever o que fica aqui acima: há muito, muito tempo que considerava ter perdido um pequeno documento em que não tinha pensado durante anos mas que me seria útil para regularizar umas coisas importantes para mim. Não o achei. Tinha a certeza de que não o tinha deitado fora de propósito mas, como era uma folha pequena, podia ter ido junto com outras coisas. Desisti, tive muito trabalho para conseguir uma nova via, e quando a fui arrumar, tiro tudo da pasta… é lá estava o famoso papelinho numa mica apropriada.
Bolas!
Se calhar se estivesse à solta, tinha dado logo com ele. O que é demais, é demais.



28 comentários:

Joaninha disse...

Olha que já me fizeste rir!
Essa de refazeres a mesma paciência, sou franca, não sei de ninguém!!!! Já fazê-la é preciso... paciência. Mas voltar ao princípio?!

Teve piada essa do «excesso» de arrumação. Acontece! Mas, podemos pensar é que da outra vez nãp procuraste lá muito bem.

Para ser franca há uma espécie de «desleixo doméstico» que também me deixa desconfortável: a loiça suja (nem que se meta na máquina para depois se lavar) e a cama por fazer até muito tarde, não gosto nada na minha casa.

sem-nick disse...

Olha que só tu!!!!

tess disse...

A foto é formidável!! Mais expressivo é impossível.
:)))

fj disse...

Isso não será um pouco de ginecologia afetiva, uma doença de senhoras? São raros os homens que sublimam assim, e parece dar mais gozo (julgo eu, como desarrumo todos os dias, todo o dia ,ou sublimo sempre, ou ainda não encontrei o meu método ).

kika disse...

Nessa área, estou feliz comigo.
Tive uma amiga que na casa dela tudo brilhava,e não tinha empregada, ela propria fazia tudo. As visitas dela á minha casa constrangiam-me, porque tinha um olho de lince.Eu consideravas-a obcessiva.
Tenho uma irmã que vive muito bem no meio da barafunda, mas sei que é o desiquilibrio psicológico a reflectir-se .
Enfim não tenho paciência para refazer uma paciência ou para a repetição seja do que for, simplesmente desisto . Aliás não tenho paciência para tanta coisa, que sou bastante prejudicada por issso...Há quem diga que tenho de mudar, mas acho dificil, porque não tenho paciência para travar essa luta.
No meio está a virtude, não é??

Maria disse...

Pois eu sou do grupo dito "normal" com uma pitada QB de tudo o que mencionaste e mais uma boa dose de rebeldia o que me faz contrariar alguma tendência, bom, mas em relação a ti sou muito mais descontraída! Agora, loiça suja e roupa atirada para o chão (cá em casa são todos duma descontracção...) e ainda pisar o chão sujo, são coisas que não tolero. Sou muito mais o género de gastar energia em mudar a disposição dos móveis pintar paredes (neste caso uma pitada de esquizofrenia?), enfim, cada um com a sua mania ou com a sua terapia!
Emiéle, mas o que eu acho mesmo saudável é esta tua reflexão sobre ti própria!
(É meio caminho andado para a cura… ehehee)

josé palmeiro disse...

Estou muito na onda do FJ. Somos homens, que fazer?
Mas cá por casa, para animar tenho um pouco de ti e da Maria, mas, depois, os filhos, aqui incluo também a filha, são de uma descontrcção total e depois como há sempre alguém que arrume...
Eu, sou desarrumado, nas minhas coisas, e não gosto que as mudem de sítio.

zorro disse...

Há para aqui duas coisas, uma a arrumação, outra a limpeza, mas como falaste em 'loiça suja' fiquei um tanto baralhado.
Pelo que entendi tu «és mais» para a arrumação...
Davas jeito cá em casa.
Ali no quaro dos meus filhos... que tal?
:)

Emiele disse...

Só uma notazinha muito de passagem porque cheguei e vou já partir:
Eu não disse que tinha a casa a brilhar!!! Aliás para limpezas tenho uma «fada do lar» a quem pago para tratar disso, e um pouco de pó não me incomoda por aí além. Falo é das-coisas-nos-sítios e como quando está tudo em confusão isso me faz sentir desconfortável. Mas também não gosto nada de uma casa que parece um museu, Deus me livre. Uma casa tem de estar 'viva', usada digamos assim. Há uma conhecida minha que assim que vê uma beata num cinzeiro se levanta para a ir deitar fóra, mas não é o meu género.
E não direi que fazer a cama é a primeira coisa que faço de manhã, nem que ao levantar a mesa lave logo a loiça. Doente mas não tanto... :)

kika disse...

Se a cama não é a primeira coisa a fazer de manhã, fazes muito bem, os ácaros têm de ir dar uma volta.
Vim brincar um pouco contigo,pois aparentas ser uma pessoa bem equilibrada.

Fabulosa disse...

sim, também acho que todos nós temos as nossas pequenas manias, embora nalgumas pessoas sejam características da sua personalidade que sobressaem mais e noutras nem por isso.
normalmente as pessoas têm muita dificuldade em admitir obsessões, tipo "eu não sou obsessiva, só gosto de ter tudo arrumadinho, e depois?"

Maria disse...

Emiéle é bom mesmo que partas, porque senão estarias desde já contratada pelo Zorro e pensando bem, cá em casa fazias um "jeitão"...eheheh

( Agora a sério, eu percebi o teu ponto de vista e sinceramente gostaria de ter as coisas mais arrumadas,mas, cá em casa somos 5 pessoas e todos sofrem do mesmo e falta-me a tal "fada do Lar".)

Maria disse...

Será por isso que se mantém o caixote de lixo nos meus comentários?

fj disse...

ZP não s~ejas machista, falei em mim, não em nós. Assume-te. Continuo, persistentemente, a procurar a minha forma de sublimação.
À parte isso o gajo da foto é totalmente parvo, que mal faz um milimetro a mais ou a menos na relva ( alem de taticamente errado, dá ideias a outras pessoas ).

King disse...

Aqui a Fabulosa pôs mesmo o dedo na ferida: o que é raro é a gente aceitar a coisa. Tal como ela diz, afirma-se «eu não sou obsessiva, só gosto de ter tudo arrumadinho», é mesmo isso.
Ou as outras manias todas!
«Não sou ciumento, mas ela fez-lhe olhinos»
ou
«Não sou esquisita, mas a comida não presta»
ou
«Tenho até bom feitio, mas ele está sempre a picar-me»
ou....ou...

Esta 'aceitação' da mania da Emiéle até é saudável, acho eu.

(E já agora um fim-de-semana cá em casa a arrumar as nossas gavetas, pleeeease...)

Joaninha disse...

FJ, se fosse uma tesourinha de unhas é que era!
:)
Concordo muito com o King e a Fabulosa! O raro não é mania é a reconhecimento dela.

Maria disse...

fj, e limpar e polir o carro por dentro e por fora, com muito carinho, como observo alguns homens fazerem (não estou a ser feminista, talvez provocadora)), seria ou não, uma boa forma de sublimar?

(ponho-me, aqui, à conversa e depois,esqueço-me das minhas "obrigações" domésticas...)

fj disse...

Tesourinha ( porquê tanta ternura?)de unhas, se para unhas tudo bem, as próprias unhas impõem limites. Se para cortar relva o gajo é completamente tonto, mas se lhe dá gozo, porque não?

fj disse...

Maria e que tenho eu a ver com a mania das mulheres ( e de alguns homens, disseram-me) de limpar o carro? Seria a última dasminhas preocupações.
De resto e se for sublimação, pois cada um sublima como quer/pode.É ou não é?

Maria disse...

É sim senhor e desculpe "qualquer coisinha"!!!!
Como falou em "doença de senhoras" lembrei-me dessa "mania" de “alguns” homens (cá em casa quem lava o carro sou eu se, quero poupar uns trocos e contrariada).

Joaninha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
josé palmeiro disse...

Como o FJ, não me quer na sua onda, assumo-me: Não sou desarrumado, mas tenho a minha arrumação, o que vai contra a arrumação geral da casa. Cama, para mim, nunca era feita! Para quê fazê-la, se a vamos desfazer, quando a noite chega? Bem arejada, talvêz composta, mas nada mais.
Quanto ao "gajo" da tesoura, pelos vistos é cabeleireiro e o que mais me preocupa, é a posição.

Joaninha disse...

Muito bem visto Maria! É realmente a obsessão correspondente a algum excesso de limpeza ou arrumação da casa por algumas mulheres, a limpeza e arrumação do carro por alguns homens! Bravô!!

Aceito que NEM TODOS o façam assim como NEM TODAS são arrumadas...
O lixado é que no carro, digamos que o problema é dele(s), - as mulheres quando 'desarrumam' é no carro delas - mas em casa muitas vezes quem acaba por arrumar a confusão toda... é ela!

Emiele disse...

Esta coisa dos blogs tem umas facetas estranhas e misteriosas...
Para meu imenso espanto, desde que optei por escrever apenas um post por dia (vá lá... dois, muitas vezes) que aqui os comentários aumentaram, e até (coincidência, só pode ser...) até o número de visitas!!!
A malta que passa por cá e deixava um comentário, agora entra em conversa entre si, e está à vista o resultado. Juro que nunca tal pensei!

Quanto aqui ao meu amigo FJ e os carros, só posso dizer que quanto a «arrumação» o carro dele é como a casa. O porta-bagagens mete susto :)
Amigo Zé, imagino bem que a cama com as orelhas puxadas pode remediar, mas... Acredito que a tua mulher à capaz de achar mais simpático com tudo esticadinho como quando se faz de lavado. Mas de facto é capaz de ser um gene qualquer. Só que não sei se tem a ver com o género, se com a educação - desde crianças que fomos 'treinados' assim, não é?

Alex. disse...

Querida não te stresses, e se te stressares passa cá por casa e descontrola-te completamente.
Cada um tem as suas e tem-nas de pleno direito desde que não chateie a humanidade. Não te inibas, arruma tudo o que te apetecer

Saltapocinhas disse...

Arrumas objectos estranhos que aparecem fora do sítio?
tens de vir a minha casa!

(mas também sou assim um nadinha, digamos... arrumadinha!)

Emiele disse...

Alex, lá chatear os outros isso evito. (Claro que também o faço, quem não o faz...?) E, tadita, já me aguentaste uma ou outra neura...
Mas escrevi isto porque, pelo contrario, com estes exercícios de zen doméstico tenho conseguido arrumar-me mentalmente, e algumas coisas que tinha pendentes - há semanas ou há anos - estão finalmente a resolver-se. Com esforço, mas estão.

Saltapocinhas, eu estava certa de que eras um pouco como eu. Claro que quando me chamei 'obsessiva' estava a exagerar mas sinto conforto em ter as coisas em ordem, e portanto esforço-me por isso, quando e se tenho tempo.

fj disse...

Maria não há nada a "desculpar", caraça pá!ZP quero-te comigo em muitas coisas, só que sou arrumadíssimo.