terça-feira, junho 09, 2009

Falsos medos

Aqui há uns tempos escrevi um post lastimando-me de diversos e sucessivos azares por que andava a passar e pedindo o endereço de uma bruxa que me safasse do mau-olhado. Hoje estou quase a acreditar que, não exactamente uma das «Charmed» mas alguma ajudante anda a ler o Pópulo. Isto porque vários problemas pessoais que andavam ensarilhados, estão a desenrarilhar… (digo que deve ser só 'uma ajudante' porque as minhas dificuldades têm passado mas com esforço, não se têm resolvido à primeira, nem à segunda tentativa, têm sido quase sempre partos com forceps mas, enfim, tenho conseguido respostas a diversos problemas encravados há muito)
E vinha hoje contar –um tanto pela rama, não se assustem – como muitas vezes nós pelo menos eu construímos construo não exactamente “castelos no ar” mas “cadeias no ar”, ou seja prevejo dificuldades em casos que, quando os enfrento, afinal são muito simples.
Por exemplo:
Andava às voltas com um problema (pensava eu que dificílimo) há anos, muitos anos. Daquelas situações onde nem se sabe porque ponta da meada se vai pegar, e olhando relutantemente para a dita meada, na minha imaginação cheia de nós e pontas soltas, ia adiando o momento. Ia pensando para-o-mês-que-vem-trato-do-caso, chegava o tal mês-que-vem, e passava esse mês e vinha outro, e passava para o ano, e para o outro ano… e tudo por resolver.
O tipo de situação onde todos os meus amigos, sem excepção, me diziam «Mas que coisa! Como é que não despachas isso?!» ao que eu respondia «Claro que sim. Tem de ser. Mas só depois de…» e eram as férias, o Natal, saúde má, o aniversário de A, B ou C, outras férias, questões de família, eu sei lá! Como todos sabemos na nossa vida há sempre milhares de urgências, maiores ou menores, que justificam adiar uma acção que se receia vir a ser difícil ou dolorosa.
Acontece que um dia destes, na semana passada, acordei uma bela manhã, respirei fundo, e decidi «Tem de ser! O que for, será, e de hoje não passa!» e decidi pegar numa das pontas, aquela que me parecia mais difícil. Dirigi-me primeiro a um sítio, sem sucesso, depois experimentei outro, e ainda outro (eu disse lá em cima que não tinha sido à primeira, não disse?) mas da quarta vez BINGO!, resolveu-se tudo nessa própria manhã!!! Metade da dificuldade, que me parecia quase inultrapassável, resolveu-se numa manhã! No dia seguinte, com todo o meu gás, enfrentei a segunda parte, e – tal como na véspera– não consegui à primeira nem à segunda, mas consegui à terceira vez.
Ou seja, andei durante anos a arrastar um problema que se resolveu em duas manhãs de trabalho.
Acredita-se nisto?!
Uma coisa é ter sonhos irrealizáveis, mas o rigoroso oposto, e igualmente absurdo, é ter pesadelos irrealizáveis.

Que alívio acordar!



15 comentários:

fj disse...

He pá essa das cadeias no ar é mesmo boa, e é uma inovadora sugestão para depressivos do meu tipo. Imagina, uma boa guantansmo no ar: Que imagem!
D´mais ideias, sim?

Quanto ao resto foi de homem. Só que um verdadeiro homem teria feito isso no século passado. Mas foi bestial.

Emiele disse...

Tá bem, goza, goza, mas foi um alívio, sim senhor!!!
Claro que ainda faltam uns 'finalmentes' para ficar tudo bem, mas agora é o que se pode esperar.

Também me parece que és do tipo das «cadeias no ar» (a imagem vem de um daqueles 'pensamentos' que quando era adolescente escrevia num caderninho, por achar muito interessantes...) e de factono teu caso não se faz por menos de um guantanamo... E ao menos sentes alívio ao ver que não se concretiza? Eu imagino que deves pensar «não foi desta mas vai ser para a próxima».
:)

sem-nick disse...

BOOOOA!
Assim é que é!
E vais ver que durante uns tempos (não sou tão optimista que diga que é para sempre...) a roda começa a girar para as coisas baterem certo.
A gente sabe que é assim: vem tudo sempre às revoadas, o bem e o mal.
Agora é a «onda boa».

(vais ver que ainda recebes a massa que te roubaram!)

King disse...

:)

Ora aqui temos um post bem disposto para «terminar» a mini-semana!

(é que também eu vou de férias, kékepensas?!)

E tudo verdades! Sofro de mesmo mal, de antecipar as situações que prevejo serem más, e sofro antecipadamente.
Burrice, já se sabe.

estrela-do-mar disse...

Felizmente não sou assim.
...pelo menos imagino que não sou :)
Até por vezes tenho desiluções quando uma coisa se complica e eu estava a pensar que seria fácil.
Mas parabéns. tal como dizes, isto é por ondas, e agora deves estar a entrar numa «boa onda»

Afinal a lua mudou, não foi? Valeu a pena esperar.

estrela-do-mar disse...

Ups!!!
Como???? «desiluções»??? Onde raio fui buscar o ç?!

É desilusões é claro.
Ele há erros do caraças!

josé palmeiro disse...

Ia responder mas, um imprevisto, fez-me bortar a ideia. Volto mais tarde!!!

kika disse...

Um bom post para os ´pessimistas´ e não só. Poucos problemas existem que se resolvam com o tempo embora haja excepções, mas isso atribuo mais á sorte, seja lá o que for.
A verdade é que é preciso ir á luta e nada pior do que enterrar a cabeça na areia .
Oxalá essa onda permaneça uns tempos largos."Não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe" e acho que é sempre assim!

kika disse...

E o que eu aprendi hoje com o link que deixaste!!!

Mary disse...

Pois é.

O bom senso diz-nos aquilo que a Kika acabou de dizer: quando há uma chatice o melhor é acabar com ela, ou seja enfrenta-la.
Contudo há, de facto, algumas que a gente vai adiando. Como dizes, aparecem sempre outras «urgências mais urgentes» e vamos adiando...
Assim durante anos como dizes, já é um tanto demais, mas também não sabemos do que se tratava...
Mas é um texto que nos deixa com um sorriso, sim senhora.
E a pensar «Uffff...»!

Emiele disse...

É o que dizes Mary. De uma forma geral eu até sou do tipo «vamos lá acabar com isto depressa, já que tem de ser!»
Mas às vezes não é exactamente assim.
Este caso que referi ia mexer com sentimentos estranhíssimos que um psi talvez me explicasse. Recordava o desaparecimento da minha mãe, recordava outros momentos difíceis que passei, fazia vir ao de cima coisas que inconscientemente desejava manter na penumbra...
Mas, já passou, e tudo acabou em bem!

Maria disse...

Ah como eu te compreendo e fico feliz por estares a resolver o assunto!
Eu tenho uma certa tendência (com aqueles assuntos que mexem em coisas que gostaria de esquecer e vão causar sofrimento) para que isso me aconteça e quanto mais adio mais a coisa, aos meus olhos, parece o tal "castelo com grades". Eu, que até sou muito resoluta e amiga de enfrentar situações novas e muitas vezes ajudo a tratar de assuntos que a família e amigos têm dificuldade para o fazerem (parece um paradoxo não é?), deparo-me com o medo que falas e a sensação é de bloqueio total, causando angústia e isso para mim já é o “pesadelo” neste caso realizado! Uma vez, falando com um psicólogo sobre isso, foi-me explicado que essa "procrastinação" (evitar tarefas ou uma tarefa em especial) revelava, no meu caso, ansiedade e uma certa mania de "perfeccionismo" daí o medo de falhar. Estou a corrigir este comportamento, continuo a adiar pequenas tarefas, como arrumar gavetas, a isso chama-se: preguiça eheheh!!!

fj disse...

No meu caso claro!
No que fizeste foi sensacional,atendendo no que evocava.

josé palmeiro disse...

Cá estou eu, de novo.
Primeiro quero emendar um lapso cometido na primeira vez: Assim, em vez de "bortar", como se lê, deve ler-se, "abortar" pois só assim, faz sentido.
Vamos agora ao que escreveste.
Quantas e quantas vezes, nos acontecem, situações como as que contas. Depois, mais tarde, olhando de frente para as coisas e encarando-as, naturalmente, sem receios ou quaisquer outros traumas, as resolvemo de uma penada e nos sentimos leves, que nem "castelos no ar".
A Maria, que comenta com graça, fala em perguiça e, olha que eu, acredito.
Para todos um bom feriado e o outro, também. Digo-vos isto porque já não sei o que são feriados!

Emiele disse...

Bom dia Maria!

Sinto que entendeste muito bem o que eu quis dizer aqui. O FJ que e conhece e sabe ao que me referi, diz que foi sensacional te-lo conseguido, devido o que evocava. É que exactamente como 'adivinhaste' era uma coisa que me causava sofrimento pensar nela, e fazia essa política do adiamento sucessivo. Contudo, agora que a coisa está a correr, é cá um alívio!
Obrigada, FJ.Era uma coisa que não tinha uma «razão razoável», mas apertava-me o coração.