domingo, abril 19, 2009

Utopia – ‘Política Social’

Olhando não apenas para trás (para o nosso passado ‘antes do 25 de Abril’) como até olhando em redor, para outros países que consideramos desenvolvidos, podemos hoje verificar que uma das grandes melhorias do sistema em que vivemos está na nossa ‘política social’.
É certo que há quem se queixe de que paga bastantes impostos. Nunca se está completamente satisfeito, é evidente, mas quando sabemos que o dinheiro que se paga de impostos vai para as nossas maiores necessidades e para que todos tenhamos uma vida melhor, por mim, penso que assim está tudo bem.
A ver bem começa ainda «antes de nascermos». As crianças que nascem são desejadas, o planeamento familiar funciona em pleno e, no caso raro de uma falha, a IVG é uma operação rápida e sem custos. Contudo, é já muito invulgar, porque o planeamento é tão completo e há tantas facilidades para criar uma criança que, nunca é por motivos económicos que não se têm os filhos que se desejam ter. A grávida trabalha a meio tempo desde que sinta que é melhor para si, é seguida sem pagar nada no Centro de Saúde que mais lhe agradar e o parto, também sem qualquer custo, pode fazer-se onde agradar mais à família. O antigo «abono de família» foi tão aumentado que nada vai faltar ao recém nascido, e a mãe tem direito a ficar em casa cuidando do filho durante o seu primeiro ano de vida. Claro que o pai também acompanha o seu bebé, um mês ou mais, podendo inclusivamente aceitar ele parte da ‘licença de maternidade’ no caso de a mãe desejar voltar mais cedo ao trabalho.
Os pais que prefiram deixar o filho, do um aos três anos numa creche, até para facilitar o convívio com outras crianças, têm toda a facilidade porque existem pequenos agrupamentos em todos os bairros, com muito boas condições quer de instalações quer de qualificações de quem lá trabalha. Ficam plenamente descansados sabendo que os seus meninos estão bem entregues.
Durante a vida activa, no caso de uma doença súbita, um acidente, algo que desequilibre a estabilidade familiar, sabemos que podemos contar com o apoio, para além dos Serviços de Saúde, com especialistas de Serviço Social e Psicologia que estão disponíveis e prontos a ajudar de uma hora para a outra, ajudando a resolver, ou minorar, situações difíceis e que ultrapassem os recursos familiares.
No final da vida, o apoio que a sociedade dá é também excelente.
De uma forma geral, mesmo quando se é muito idoso, se ainda se está independente e lúcido, cada um permanece na sua própria casa onde é acompanhado por serviços de apoio que tratam das rotinas da casa e da alimentação, lhe fazem companhia, ajudam nos transportes, os acompanham a visitar família e amigos ou nas distracções preferidas. Quando a autonomia diminui muito, há pequenas residências para onde transportam as mobílias e recordações preferidas de cada um, em ambientes muito tranquilos com um acompanhamento discreto de enfermagem quando necessário, e se mantém uma boa qualidade de vida que a sociedade pretende que seja o melhor possível até final.

Não, o Estado não «substitui» a família nem os amigos, mas garante uma rede de suporte que permite viver com boa qualidade.

8 comentários:

King disse...

Estes teus posts também «abanam» como eu dizia que se devia fazer «à malta» ali no post de cima.
Parece um pouco que o modelo que utilizaste foi o das democracias lá do norte com uns retoques ainda a melhorar.
Digo isto porque pelo que me dizem, eles respeitam tanto, tanto, a individualidade de cada pessoa que se fica um nadinha solitário demais e neste teu mundo utópico tal não parece suceder. O que aqui imaginas é um «nórdico» mais quente, mais caloroso..
Sebe-se lá se um dia...

King disse...

Contudo, neste «momento do campeonato» pensar isto ainda é mais chocante do que seria há 10 ou 15 anos, porque se está muuito pior. Como se sabia Encerra um lar de idosos por semana em Portugal mas não abre outro, nem sequer por mês!
E devem ter lido ou ouvido ontem, que a resposta para essas necessidades está estimada em menos de 20% do que é estipulado por os organismos internacionais. Vinha no Público e vou ver se o acho.

josé palmeiro disse...

O King tem razão. Como era bom que assim fosse...
Quanto ao teu trabalho de adaptação de determinados modelos, já devidamente testados, mais não foi que transpô-los para um mundo que é o nosso e isso, só uma pessoa informada e sensível, como tu o demonstras ser, o poderia fazer com a qualidade que aqui tens demonstrado.
Que bom que era se assim fosse...

Mary disse...

Ir tão longe creio que só num mundo alternativo (viva a ficção cientifica) mas muitas das coisas poderia de facto estar mais ou menos assim.
As «creches nos bairros», porque não? se as Comissões de Moradores tivessem outras capacidades e poderes e ajudas do Estado (os tais impostos bem encaminhados) seria uma solução bem melhor. Creches pequeninas, quase familiares, muitas, dependendo das crianças existentes mas quase poderia haver uma por quarteirão. Com a burocracia reduzida ao mínimo, uma vigilância adequada que até poderia ser praticada por os próprios pais, a criança não saia do seu ambiente estava ali pertinho da sua casa - não precisava de perder tempo em transportes - dava uma voltinha até à mercearia da esquina, até ao jardinzinho do bairro, era um pequeno mundo à sua dimensão.
Nem parece muito difícil.

Mary disse...

Já a parte dos idosos é muito mais complicada, mas já tenho pensado que a verdade é que eles são os últimos a ser consultados sobre aquilo que desejam. Porque enquanto estão lúcidos têm muito a dizer!
Vejam a «Casa do Artista» foi planeada exactamente por actores que sabiam que iam envelhecer e precisavam de um local onde ficar.
por outro lado mesmo que saia caro.... e os tais aviões «jactos executivos» se anda a pensar comprar para levar os senhores do governo quando vão ao estrangeiro?... Isso é barato? quantos idosos se alojava com o preço de um jacto desses?...

fj disse...

Não era possivel entrar mais em detalhes, mas com as achegas de Mary fica ainda melhor.
Quanto ao King, pá, não sei melhor solitário là do que acompanhado cá.Dilema complicadopá. Estou cheio de esperanças na nova legislatura...

Castanha Pilada disse...

E isso é onde?

Emiele disse...

Olá a todos!!1
Olha Castanha Pilada «isto» é como disse com graça a Mary, é um Mundo Alternativo. É o Mundo que sonhámos no 25 de Abril.

Estes posts que tenho deixado cada Domingo representam o Futuro que se sonhou naqueles dias, quanto tudo parecia possível.
(a contrastar com os outros anos em que falei sempre do passado, como do presente nem quero falar... refugio-me nesta esperança falhada, no que não foi mas poderia ter sido, no mundo da Utopia)