terça-feira, dezembro 09, 2008

De «bons conselhos» está o inferno cheio

Este artiguinho, lembra coisas que toda a gente sabe, mas não adiante muito essa coisa de «se saber». A gente sabe, e depois... Não é só de boas intenções que o inferno está cheio, de bons conselhos também. Interessava ser-se capaz de passar os conselhos à prática e aí é que a porca torce o rabo.
Estamos em plena época natalícia que é o paraíso dos comerciantes. Mesmo que durante o ano as vendas tenham estado mais ou menos paradas, ao chegar a esta altura tudo dispara que é uma maravilha...
Quer no campo alimentar – é a altura onde há grandes jantaradas, onde se come melhor mais caro do que o costume – quer no campo do vestuário – as pessoas aperaltam-se para os dias de festas, vestidos mais bonitos, quer no Natal quer no Reveillon – e sobretudo na compra de lembranças que já não é apenas para crianças da família com o era há umas dezenas de anos, mas sim para quase toda a gente: crianças em primeiro lugar, mas adultos também.
É uma bola de neve que tem vindo a crescer. Davam-se umas lembranças aos adultos da família, depois passou a ser também aos amigos, depois aos colegas de trabalho, depois aos conhecidos... e por aí fóra!

Bom, um especialista em saúde mental, deu uns bons conselhos aos pais – devem dar poucos presentes, escolher com cuidado, não oferecer tudo aquilo que os filhos desejam, e sublinha que nem sempre o brinquedo mais caro é o mais apreciado.
Também explica o que todos temos observado, que quando a oferta é muita, quase se perde o prazer de desembrulhar e apreciar cada coisa que se recebe.
Tudo muito bem e a fazer todo o sentido.
Mas a frase mais importante de todas é esta:
«Se os pais são gastadores e consumistas, mas depois dizem aos filhos que não podem ter mais prendas porque não têm dinheiro, a mensagem sai furada. Porque aquilo que as crianças vão seguir é o comportamento dos pais» Como quem diz «Bem prega Frei Tomás...» e isso tem uma força tremenda quando se trata de crianças. Quase tudo se resume a este importante conselho.

E depois uma pequena ‘anedota’.
Se virem com atenção, entre o título «Natal: cinco conselhos práticos para os pais -Especialista ensina a resistir aos apelos consumistas do Natal» e o corpo do texto do artigo, vem uma linhazinha de publicidade:



Pois é...

Cá vêm os Cartões de Crédito. «Mal parado»? Nããããõ! Que ideia!

9 comentários:

sem-nick disse...

Essa coisa das créditos é uma confusão do caraças!
A verdade é que as grandes dívidas por aquilo que vem a lume, são as que se fazem ao Banco quando da compra de casa. E isso é incontornável. A malta ou aluga uma casa ou a compra pagando o mesmo. Opta por comprar. (ah, ainda existe a escolha de viver em casa dos pais!)
E a amortização dessa compra é um ordenado inteiro de um casal!... Com a agravante de que durante largos anos não se paga a casa e apenas os juros. ora isso é que faz disparar o crédito.

É certo que se compram coisas dispensáveis só porque se gosta de ter e os amigos já têm. Mas isso tudo junto não é uma coisa do outro mundo. Quando falamos de «crédito mal parado» (ou seja que não é pago) é do «outro» que se fala!

AB disse...

Bem eu até percebo porque é que veio o "anúncio" ao Crédito.È que um conselho do mais elementar senso comum dado por um técnico de saúde mental tem forçosamente que ser mais caro.Haja paciencia!AB

Mary disse...

Não sabia quem era este senhor Vasco Catarino Soares, mas o Google já me explicou.
Realmente os tais 5 conselhos (fui fazer copy/past) são de uma grande profundidade:
1 -«Duas ou três prendas»
2 -«Esquecer a ideia de uma prenda para dois irmãos»
3 -«Explicar aos filhos porque se deve ter poucas prendas»
4 -«Dar o exemplo»
5 -«Brincar, brincar, brincar».

A AB tem razão. Alguém terá pago a este senhor por estas pérolas de sabedoria?... Como disse a Emiéle, a única séria é a 4ª, dar o exemplo. O resto são quase verdades de 'la Palice'

josé palmeiro disse...

Como era bom o tempo em que se punham os sapatinhos à chaminé e se ficava todo feliz com uns chocolatinhos, umas meias ou uma camisola, mais aconchegante.
Depois o exemplo e a lembrança constante do exemplo, é a melhor e mais eficaz medida, para não dizer a única. Saber como eu que o meu pai, deixou de ter Natal aos dez anos, quando foi para Lisboa TRABALHAR e se fez HOMEM, sózinho, é o maior e melhor dos ensinamentos.
Só que hoje, tudo é diferente e, sem ser tão radical, há exemplos que convém recordar.

RS disse...

O último é curioso.

Brincar? Quem com quem? As crianças sabem que querem brincar, isso ... E brincar como? Com quê? aí é que está o busílis... Nesse «com quê» vem os tais brinquedos.
Ele quererá dizer os pais brincarem com os filhos? Aí, alto e pára o baile que estou farto de dar para esse peditório! É a última mania, e responsável por imensa culpabilidade da parte dos pais. Não têm tempo para brincar com os filhos, e daí?...
Nos teus textos do «Era uma vez...» dizias que dantes os pais não andavam a brincar com os filhos, e parece-me bem mais sensato. As crianças são crianças e os adultos são adultos. Que de vez em quando um adulto brinque um pouquinho, é giro e descontrai, mas valha-me São Qaulquer-coisa, isso é uma excepção! Não deve fazer parte dos deveres dos pais «brincarem com os filhos».

Bom, talvez não fosse isso o que o homem quis dizer.

kika disse...

Cada um que gira a crise como achar melhor, acho uma estopada andar a dar presentes, pelo Natal.Infelizmente tenho de ir na onda...mas não gosto nada de receber tretas que não servem para nada, procuro dar algo de util.Mas todos aqueles que vão sentir a crise ou já a estão a sentir , vão contribuir para mudar um pouco este habito de consumo,só pelo consumo. Apenas as crianças deviam receber, e com peso conta e medida.Acho bem presentes em qq altura do ano, mas no Natal nao.Não deve ser esse o espirito da festa.

king disse...

É evidente que o Natal é cada vez mais comercial. Porque é que temos as ruas iluminadas? Porque os comerciantes pagam as iluminações... E porque há essa indústria onde até se enjoa de símbolos de Natal: toalhas de mesa, canecas, saca-rolhas, candeeiros, loiça, toalhas turcas, grrr... já viram bem o que para aí anda cheio de Pais-Natais e Bonecos de Neve????!!!!
Um super-enjoo.

Quanto às criancinhas já está tudo dito e redito. Cada um fará como achar melhor e aqueles conselhos (???) são completamente ridículos.

Joaninha disse...

Mas olhem lá, anda aqui a misturar-se coisas. O sem-nick diz que as grandes dívidas são as da compra de casa. também acho. Aliás é o que os estudos dizem.
Mas não sei se é a isso que se refere quem fala de «crédito malparado».
Eu, por mim, imagino que é mesmo dívidas 'evitáveis', e este exemplo do anúncio que vemos parece estar nesse caso. Ninguém pede 5.000, 6.000 ou até 10.000 € para comprar uma casa... a oferta do «experimente já, sem perguntas ou burocracias» só pode ser para coisas supérfluas.
Posso estar enganada, mas...
Cada vez mais somos perseguidos com ofertas de créditos como se aquilo fosse dinheiro que só se pgava quando nós quiséssemos. Não é que ache mal que se avise e até castigue quem use essas dinheiros, mas devia haver qualquer coisa que impedisse estas ofertas, nestes moldes enganadores.

Anónimo disse...

Boa Noite. Sou o autor do artigo que comentam. Gostei do post e dos comentários.
É certo que são verdades mais que sabidas. Eu já as conheço de longa data. Mas não tenho a certeza se realmente as pessoas as sentem como verdade. Pois na prática todos os natais a saga da presentalhada continua. Também não tenho pretenções que as pessoas façam o que eu digo. Não sou o salvador da pátria.
Ninguém me pagou 1 tostão para escrever tais "perolas". Escrevi por gosto e porque faz parte da minha profissão.
Quanto às linhas de publicidade não são da minha responsabilidade. O artigo foi escrito para a agencia LUSA e depois é disponibilizado por todos os meios de comunicação social. E depois cada um põe as linhas de publicidade que entende.

aliás, o sentido do artigo até é anti-crédito e anti-consumo.