quarta-feira, novembro 26, 2008

Conversas

Não sou pessoa de ter uma vida social assim lá muito animada, mas enfim, ainda tenho uma meia dúzia de amigos com quem volta não volta me encontro.
Há poucos dias, o «encontro» foi festivo, uma amiga fez anos e decidiu comemorar com alguma pompa e circunstância, reservando umas cinco mesas redondas de um restaurante onde encaixou uns 50 amigos. No meu grupo de 10, tirando uma amiga mesmo íntima, sentavam-se mais 3 ‘conhecidas’ e os respectivos maridos, mais um ‘desconhecido’ e havia um lugar vazio de alguém que se baldou à ultima hora...
As conversas, como era inevitável, andavam à volta dos momento sociais ou políticos. A propósito sei já lá de quê, falou-se do «Magalhães».
Estranhamente, porque é um ponto onde costuma haver divergências, havia algum consenso sobre a vantagem de as crianças possuírem esse artefacto. Aí, não houve discussão. E também houve um consenso risonho em relação ao facto de, em determinada escola, os putos terem posado para a foto, de pc em frente e o senhor P.M. rodeado de criancinhas, mas logo a seguir os ditos terem sido guardados. Marketing...

Mas quando alguém da mesa afirmou que esta conversa toda de que o Magalhães era um computador português e nos estavam a «vender» a ideia de que a concepção era nossa, era uma vigarice, uma das comensais saltou na cadeira. Não senhor! Isso era a pura das verdades, é um pc português e quem diz o contrário mente.

Ainda tentei entrar na discussão, apesar de saber pouco, mas tinha lido alguma informação que me dizia que a motherboard é fabricada em Taiwan, o disco fabricado na Coreia do Sul, o sistema operativo é windows xp home, o ambiente de trabalho norueguês, afinal o que é português será a caixa... A defensora contra-atacava afirmando que isso é assim com tudo. Com a globalização, tudo é fabricado em peças lá no 3º mundo e depois monta-se e passa a ser de quem faz essa montagem. E queria dar exemplos.
Por um lado eu entendo a ideia dela. Alguma coisa do que disse é verdade, muitas vezes estamos a comprar um electrodoméstico marca tal, muito ‘alemão’ ou muito ‘sueco’, e foi fabricado nos antípodas...
Mas como alguém da mesa lhe respondeu (quando se conseguiu fazer ouvir, o que não foi fácil) era quase como se os carros que saíssem da Autoeuropa, não fossem já Volkswagens e, como eram montados em Portugal, se passassem a chamar Caravela e seriam considerados automóveis portugueses. Eu também me lembrei de dizer, que o IKEA como tem a mania de vender as coisas às peças e convidar os compradores a fazerem a montagem, devia abdicar da autoria dos seus móveis e cada um de nós passaria a ter a estante Zé, ou a secretária Manel, ao gosto de quem a montou...
Opiniões.


9 comentários:

AB disse...

O RAP tem um texto engraçadissimo sobre as montagens do IKEA.Diz que não sabe se são móveis baratos ou puzzles caros.E eu concordo.No caso da capa "Magalhães" aplica~se o ditado"quem tem capa"....AB

Emiele disse...

Mas (nos casos dos móveis grandes não!) eu gosto de brincar aos puzles. Uma vez já há muito tempo escrevi uma coisa aqui no Pópulo exactamente sobre uma coisa que comprei lá, no IKEA, e me diverti imenso a montar. A tal coisa do dois em um: era móvel no final, mas brinquedo no começo... Claro que no meu caso especial, acho muita graça à bricolage.

Quanto ao dito Magalhães, já se disse quase tudo. Apenas que aquela conversa foi animadíssima, e ficamos todos na nossa primeira opinião, como sempre...

king disse...

As conversas desse tipo muitas vezes acabam aos berros e só ouvimos aquilo que nós próprios dizemos. Sei muito bem!

Mas, a senhora da crítica tinha alguma razão: as multinacionais mandam a técnica de construção e o produto é todo ele feito lá longe onde fica mais barato. Nem mesmo é montado na Alemanha ou Suécia...

Farpas disse...

O Magalhães é aquela máquina. Tudo o que dizes é verdade, e a comparação com os moveis do IKEA é inevitável, na altura em que o magalhães saiu fiz um post onde falava sobre cada componente do computador e cheguei a essa conclusão, apenas a caixa era de origem portuguesa, é que nem a ideia é portuguesa! É a desinformação!

Emiele disse...

Olá Farpinhas!!!
(até volto cá para te dizer olá!)
tens toda a razão. J+a tinhas escrito sobre isso e eu tinha uma vaga ideia. Por acaso fui lá à procura e não encontrei que já não está à vista mas agora fui vasculhar melhor e encontrei o teu post.
Está AQUI

Façam o favor de ler o Farpas que escreveu muuuito bem e até falou também no IKEA e Moviflor tudo...
Eu quase o plagiei sem ser por querer...

kika disse...

Então o Magalhães não existe há imenso tempo em vários paise até africanos? O nosso primeiro convenceu-se que os Portugueses são burros e que lhes pode vender todas as balelas. Calado tb estava melhor como ontem ao dizer que há Paises piores que o nosso, eu cá por mim já ficava um pouco mais contente se vivesse em Espanha nem ia mais longe

Joaninha disse...

tens razão, Kika, essa de que há-quem-esteja-pior sempre foi coisinha que me deixa pior que estragada!!!!
Lá por isso também há quem esteja muuuuuuuuuito melhor, não é?!
A mim o que me pode interessar é compara com aquilo que já tive e agora não tenho. Gosto de me compara comigo (ou com o que o nosso país teve) e ver o que se ganhou ou perdeu.

Joaninha disse...

(já cliquei e o comentário entrou... mas ainda me faltava dizer outra coisa)
Aceito que haja coisas que a famosa conjuntura internacional seja responsável. A crise de petróleo por exemplo, não dependeu de nós, e agora esta questão dos EUA e a questão das bolsas também não. Mas a gestão aqui dos nossos recursos tem ido de mal a pior. Por mais magras que todas as vacas estejam, algumas ainda dão leite, mas aqui as nossas nem levantam a cabeça.
E acho graça a essa 'desculpa' de que os outros estão piores, porque ele não a usa para si mesmo.

Emiele disse...

Olhem desta vez a Joaninha podia 'fechar a porta'.
Era o que eu ia dizer mais coisa menos coisa...