sábado, abril 14, 2007

Os blogs e a boa educação


De vez em quando agita-se este nosso pequeno mundo, blogosférico: O problema é sempre o mesmo, o controlo do que se diz neste meio, ou seja aquilo que é que é escrito e por quem é escrito.
Num mundo ideal tal nunca se devia pôr. Cada ser humano adulto deveria ser responsável e assumir o que diz, defendê-lo com correcção, e não ultrapassar limites. Infelizmente comprova-se que assim não é.
Um blogger chamado Tim O’Reilly, decidiu com base em algumas propostas elaborar um

Código de Conduta .
Traduzindo e resumindo, esse Código diz que

a) Devemos ser responsáveis por aquilo que escrevemos e pelos comentários que permitimos – não devemos nem escrever, nem permitir que alguém escreva, injúrias nos nossos blogs.
b) Não devemos dizer on-line aquilo que também não diríamos pessoalmente.
c) Devemos primeiro tentar resolver os problemas em particular antes de partir para um ataque pessoal.
d) Se alguém ataca outrem injustamente, devemos procurar que peça desculpa.
e) Não devemos permitir comentários anónimos, deverá haver um endereço verdadeiro.
Ora bem, isto parece de bom-senso e não tem muito a ver com o fantasma da censura, não deveria ser necessário um Código para tal. Não vejo necessidade de que se torne público os nomes verdadeiros ( a verdade é que sempre existiram pseudónimos literários) mas existir um local, como por exemplo o servidor do blog, onde esse nome esteja registado sob segredo, não me parece mal. Assim como ao escrever um comentário em qualquer blog, é natural que o comentador se identifique com o seu endereço perante o blogger, mas já não concordo que apareça para o público em geral. Ou seja, parece-me de bom senso, que exista alguma responsabilidade sobre aquilo que sai do nosso teclado, mas sem impedir um relativo anonimato que permite que muito do que aqui se diz seja mais solto e bem disposto.
Eu tenho tido a sorte de só ter recebido até hoje comentários educados e até mesmo agradáveis. Conheço contudo casos onde isso se não passa, e aparecem os insultos mais desbragados – defendo inteiramente que se aplique a alínea A, nestes casos.
Quem não sabe conviver com civismo, deve ter a porta fechada até aprender.

7 comentários:

Anónimo disse...

Entendo o que dizes, mas a verdade é que os blogs a que costumo ir (digo ir, porque nunca comento, comentar 'esgoto-me' aqui!) são quase sempre civilizados. A verdade é que a selecção é natural, quando não apreciamos o estilo de qualquer blog há remédio fácil: não se vai lá.
Os conflitos em caixa de comentários como no Barnabé, e no Arrastão, se calhar tem a ver com a personalidade do blogger também.

cereja disse...

Realmente Joaninha, eu sou uma ingrata nunca agradeço o suficiente a tua colaboração. És a alma dos comentários daqui!!!
Tens algum razão, certos blogs atraem comentários parvos, nem sei porquê. Claro que também há por aí bloggers que respondem tão torto quando não se concorda com eles que a coisa azeda, é claro. Eu, como disse ali, tenho tido sorte.

Anónimo disse...

Acho que este é um post para ser comentado entre vocês bloggers, não é?
Quanto a comentários parvos, eu fico furioso com isso. Há tipos mesmo preversos que lixam as caixas com parvoíces, e transcrições intermináveis... Cambada de anormais!

josé palmeiro disse...

Concordo inteiramente, a verdadeira forma de "blogar", deverá ter em conta esses princípios éticos.

cereja disse...

É certo que há quem atropele tudo isto, Zé Palmeiro. Ali os nosso amigos Trolls de vez em quando têm uns ataques que nem dá para imaginar. Quanto ao blogger em si, quando eu passo por um blog e sinto demasiado agressivo ou provocador, simplesmente não volto a pôr lá os pés!

cereja disse...

Há blog que aprecio, chamado «A origem das Espécies» que não tem comentários. Portanto, como não o posso dizer lá e aquilo que o autor escreveu é exactamente o que penso, vou copiar para aqui todo o post:
De vez em quando fala-se da adopção de um código de conduta na blogosfera. O tema é recorrente e não parece inócuo, desde que seja adoptado por todos os blogs. Mas nunca deixará de ser facultativo. O passo definitivo para a adopção generalizada desse código de conduta, evidentemente, é o fim do anonimato. Desse modo deixarão de se ouvir queixas sobre esse mundo nebuloso e obscuro «que anda na internet». O que preocupa os queixosos em relação a esse mundo «que anda na internet» não é o anonimato, mas o facto de não se sujeitar aos mecanismos de controle e de validação presentes noutros meios. Este choque tecnológico (a existência da blogosfera) supõe a existência de um choque de natureza mais vasta, que pode passar pela chamada participação dos cidadãos. Não se pode querer uma coisa e limitar a outra. Por mim, aceito a ideia (indiscutível) de um código de conduta; aceito a (discutível) ideia do fim do anonimato. Mas não acho aceitável que a blogosfera seja tratada como um todo, em que, naturalmente, cabe o melhor e o pior da natureza humana. Como em tudo.

cereja disse...

:)
Faltou-me dizer algo importante: o blogger que eu citei ( o que não tem comentários ) chama-se Francisco José Viegas. Talvez ajude a entender porque o post é tão bem escrito...