segunda-feira, abril 16, 2007

24 de Abril - Correspondência

(mais um pormenor, mas que simbolizava toda uma mentalidade)
Hoje escreve-se muito pouco por correio. Com o telefone, telemóvel ou e-mail, o certo é que escrever uma carta em papel e envia-la pelo correio, é pouco vulgar. Mas duas gerações atrás isso não era assim. Escrevia-se bastante e era sabido que, tal como hoje, a correspondência era devia ser inviolável. Isso era um princípio geral e aceite por todos. Uma carta fechada só pode ser aberta pelo próprio a quem é dirigida, tal como é hoje em dia.Mas…Havia uma excepção. Um marido podia, segundo o Código Civil, abrir legalmente a correspondência da sua mulher. Pois se era sua mulher…! É inútil dizer que a inversa não era verdadeira, a mulher nunca poderia abrir as cartas do marido.


ComentárioSão estes ‘pequenos nadas’ que revelam toda uma mentalidade. Realmente nesses anos 40, 50, 60, a mulher tinha um estatuto infelizmente inferior ao do homem. Quando eram pessoas educadas no verdadeiro sentido da palavra, nem se notava. Mas eu soube de histórias complicadas, não na minha família, mas conheci algumas (sobretudo quando se pretendia um divórcio) porque realmente o marido violar a correspondência da mulher era legal e isso servia de prova.
Joaquim R. (King)

4 comentários:

Anónimo disse...

Olha o nosso King!!!!
(pelo que entendo a Emiéle aceitou a nossa colaboração, a dos leitores mais antigos e 'fieis'...)
Como dizes, isto para quem te leia pode parecer uma coisita insignificante ao pé dos grandes problemas, mas é importante pelo seu significado. E tal como o nosso King [o R será de Rei(s)? ] também o caso não se punha na minha família, mas conhecia algumas histórias bem complicadas com base nesse «direito» torto.

Farpas disse...

Mais um bom exemplo da privacidade e igualdade de tratamentos a que as mulheres eram sujeitas, sabes que ainda me entristece mais ouvir uma mulher dizer "no tempo de Salazar é que era bom" do que um homem...

josé palmeiro disse...

Vim do fim, e agora precebo o comentário do Farpas, no post da canção. Pois, infelismente, foi esse o tempo que nos calhou viver e que contribuímos para que acabasse. Pensávamos nós que, de vez, mas está novamente a tornar-se difícil. Já se escuta, pelos cantos e também já se vai ouvindo, a música que nos querem dar.

cereja disse...

Joaninha, és muito esperta! :D E tenho mais comentários teus, como sabes...
Farpas - Olha que eu, como mulher, sinto isso mesmo. Aliás considero que a responsabilidade de muitas atitudes «machistas» dos ditos machos é nossa, porque eles foram educados em pequeninos por mães, não é? Não saio fóra quando se trata de responsabilidades!