A força mal aproveitada dos media
É uma história que se repete, e repete, e repete. O modelo não varia:
Primeiro dá-se um acontecimento invulgar que chama a atenção. Em 99% das vezes é algo de muito mau, dramático, a que os focos da comunicação social emprestam umas tonalidades ainda mais sinistras. Já se começa a ironizar com a observação de que os telejornais têm de começar obrigatoriamente com um caso chocante, dramático ou escandaloso, e só depois vêm as «notícias normais».
De seguida, como todos os dias têm de surgir novos acontecimentos chocantes para alimentar esse sensacionalismo, o que foi gravíssimo há uma semana, cai no esquecimento, substituído pelo gravíssimo de hoje.
Um caso típico é o que se tem passado com a menina raptada, ainda recém-nascida, de um hospital. Foi primeira página aquando do rapto, naturalmente. Depois caiu no esquecimento. Voltou às primeiras páginas um ano depois, quando foi encontrada. Nessa altura a situação dificílima de uma família vivendo na pobreza e cheia de filhos foi analisada, e várias propostas de melhoria da situação foram avançadas. Uma das mais urgentes seria melhorar as condições habitacionais e isso foi prometido.
Passou-se um mês e tudo está na mesma. É que agora já não é primeira página. Os donativos para a menina têm chegado, vindos de muita gente, que nós somos generosos. Mas a base, as condições que uma política de família a sério deveriam dar, isso voltou a cair no esquecimento.
A não ser que volte a haver ali um desastre qualquer que chame a atenção dos media e tudo recomece.
É uma pena. Porque é óbvio que com o poder que têm a imprensa e TV podiam ser uma alavanca para transformar de facto alguma coisa na nossa sociedade.
Primeiro dá-se um acontecimento invulgar que chama a atenção. Em 99% das vezes é algo de muito mau, dramático, a que os focos da comunicação social emprestam umas tonalidades ainda mais sinistras. Já se começa a ironizar com a observação de que os telejornais têm de começar obrigatoriamente com um caso chocante, dramático ou escandaloso, e só depois vêm as «notícias normais».
De seguida, como todos os dias têm de surgir novos acontecimentos chocantes para alimentar esse sensacionalismo, o que foi gravíssimo há uma semana, cai no esquecimento, substituído pelo gravíssimo de hoje.
Um caso típico é o que se tem passado com a menina raptada, ainda recém-nascida, de um hospital. Foi primeira página aquando do rapto, naturalmente. Depois caiu no esquecimento. Voltou às primeiras páginas um ano depois, quando foi encontrada. Nessa altura a situação dificílima de uma família vivendo na pobreza e cheia de filhos foi analisada, e várias propostas de melhoria da situação foram avançadas. Uma das mais urgentes seria melhorar as condições habitacionais e isso foi prometido.
Passou-se um mês e tudo está na mesma. É que agora já não é primeira página. Os donativos para a menina têm chegado, vindos de muita gente, que nós somos generosos. Mas a base, as condições que uma política de família a sério deveriam dar, isso voltou a cair no esquecimento.
A não ser que volte a haver ali um desastre qualquer que chame a atenção dos media e tudo recomece.
É uma pena. Porque é óbvio que com o poder que têm a imprensa e TV podiam ser uma alavanca para transformar de facto alguma coisa na nossa sociedade.









7 comentários:
São os tabloides que de início era apenas uma parte dos media, mas hoje é quase a totalidade.
O escândalo é que vende!
Os media são empresas, como tal têm como função gerar dinheiro, acho que isto diz tudo. E a sua força é enorme, conseguem até "vender presidentes como se fossem sabonetes" se for preciso não era assim?
São tudo o que disseste, mais a Joaninha e o Farpas e mais os ínvios caminhos do"Volta Atrás"!
E conseguem! Só que os sabonetes muitas vezes cheiram melhor do que alguns presidentes... (por acaso estou a pensar no Bush, atenção!)
Mas nota que é tudo uma questão de posicionamento: eles dizem que dão às pessoas aquilo que elas gostam, mas o certo é que os gostos das ditas pessoas são «(des)educados» pelos próprios média... Pescadinha de rabo na boca?
Ups!
Hoje andei ao contrário do Zé Palmeiro e quando escrevi a minha resposta ainda não tinha lido o comentário dele!
É que é uma pena, porque com um pouco mais de 'balanço' talvez se corrigisse algumas destas «assimetrias sociais» para dizer a coisa de um modo suave.
Só duas coisas:
O papel muito importante, politicamente, dos sensacionalismos;
Quem dá umas dicas para uma verdadeira política de família?
FJ, carísssimo, mesmo na mouche!!! A verdade é que o sensacionalismo é o «circo» da vida actual (os romanos não tinham ainda disto...) Enquanto a malta se ocupar dos casos de faca-e-alguidar ou dos diplomas do primeiro-ministro não se lembram de outras coisas mais chatas. Portanto isso é bem-vindo e apoiado pelas forças neoliberais.
Por outro lado, só quem fala de «políticas sociais» ou de «família» são os chatos do costume, que não têm voz para chegar aos media. É isso, e mais nada.
Enviar um comentário