quarta-feira, outubro 24, 2007

Aviso

A «edição diária» do Pópulo, só irá para o ar lá pela hora do almoço.
Acontece...

terça-feira, outubro 23, 2007

O que é «a verdade»?

Nos tribunais americanos as testemunhas juram dizer a verdade, toda a verdade e nada mais do que a verdade. Soa bem e é uma grande mentira.
Cada um de nós diz «a sua verdade». Eles só podem prometer dizer aquilo que acreditam ser a verdade.
É o que há de mais subjectivo, a verdade.
Quando se diz com firmeza «sei muito bem, porque vi com os meus olhos», pode ser uma tolice. Eu, e todos nós, «vemos com os nossos olhos» o sol nascer a este, atravessar o céu durante o dia e ir desaparecer a oeste. É bem claro. E contudo, isso não é verdade. É a terra que está a girar, somo nós que nos movemos mesmo que isso se não veja.
O ser humano interpreta, e aquilo em que acredita é a tal realidade ‘interpretada’. E muitas vezes, analisada à luz de pressupostos que são os seus, próprios, particulares.
Jantei uma destas noites com a minha amiga Sofia que tinha passado um dia infernal.
À tarde tinha sido testemunha forçada de uma enorme zanga de um casal que, com gritos de ‘mentiroso/a’ negavam cada acusação que iam mutuamente fazendo. Cena desagradável que ela não podia mediar porque, na visão da minha amiga, se calhar os dois tinham razão. Um referia-se a 15 minutos, o outro a mais de uma hora, mas podia ser que ‘o tempo’ para um deles fosse de 15 minutos e para o outro se arrastasse por uma hora. Um acusava o outro de gritar, o que era veementemente negado porque talvez aquele tom não fosse considerado grito para quem o soltava. Um censurava o outro por ser gastador, mas as prioridades dos gastos não eram as mesmas. E por aí fora. Não se conseguia acordo porque cada um tinha «a sua verdade» e não arredava pé.
No final da tarde foi a vez da Sofia, também cansada e com problemas na sua vida, de ser acusada por uma sua amiga de ter tomado atitudes que teriam magoado a outra mas de que a Sofia nem se tinha dado conta. E, ao culpá-la de ter feito isto ou aquilo ‘ostensivamente’ (o que significa com intenção) não foi possível a análise calma desse(s) acto(s), uma vez que se parte de um juízo de intenção. Era «a verdade» da amiga da Sofia. Ela sentiu isso. Mas como poderia a Sofia provar «a sua verdade»?...
Temos de reflectir. Sabendo que a única verdade são os nossos sentimentos, é a essa luz que tudo o resto pode ser interpretado.
Simplesmente.


Dá que pensar

Parece que o sistema de apoio à família de que «beneficiamos» é tão bom ou tão mau, que já mais de 50 empresas incluem na folha de remunerações dos seus trabalhadores um "cheque" destinado a co-financiar as despesas com as creches dos seus filhos.
É o ovo do Colombo.
Por um lado, para essas empresas «é uma forma de isentar parte da remuneração das contribuições para a Segurança Social» que evidentemente que vai ficar mais enfraquecida mas não faz nada para o evitar, e por outro, para os trabalhadores é um recebimento «em espécie» que lhes dá muito jeito pois ficam dispensados de pagar IRS.

Liberalismo?

Joaquim Chissano

Ficamos tantas vezes chocados com os casos, infelizmente frequentes, de péssimos governantes africanos, que quase se é levado a generalizar e considerar que aquele continente é dominado por dirigentes sem escrúpulos e que praticam o abuso do poder.
Moçambique tem passado por momentos difíceis também. Sabemos isso. Mas o certo é que em país nenhum do mundo não se comentem erros e não há situações delicadas, sobretudo ao nascer uma democracia.
Há pouco tempo um amigo enviou-me «Os sete sapatos sujos» um texto de Mia Couto magnífico.
Vale a pena lê-lo todo até porque está escrito como só ele sabe, mas a frase «Poderemos ter mais técnicos, mais hospitais, mais escolas, mas, se não mudarmos de atitude, não seremos construtores de futuro» é a chave de muito o que ele pensa e diz, e que se podia aplicar inteiramente a nós.

Sabemos hoje que Joaquim Chissano foi o primeiro vencedor do prémio Mo Ibrahim, que premeia o sucesso na liderança africana.
Chissano sucedeu a Samora Machel, - morto quando o seu avião caiu, caso que nunca foi completamente esclarecido - foi presidente de 86 a 2004. Quando decidiu não se recandidatar houve alguma surpresa, pois em África (e não só) há quem se eternize no poder.
Ele considerou que tinha chegado a vez de dar lugar a outros. Continuou a trabalhar mas noutros sítios. Agora o comité que atribui o prémio considerou que "O papel de Chissano na conquista da paz, da reconciliação e do progresso económico em Moçambique impressionaram" e só podemos ficar satisfeitos.
Parabéns!

O Hermitage na Ajuda

Quando há uns anos fui a São Petersburgo, «passei» pelo Hermitage, é claro.
Era inevitável.
É uma referência tão importante que mesmo uma entrada por saída como foi o caso, era forçoso fazer-se. Mas só serviu para ter a noção de como era impossível visitar aquele museu.
É só pensar que são 4 palácios, com 1057 salas e três milhões de obras: segundo a propaganda que se podia ler, «se parasse um minuto para apreciar cada uma das peças, precisava de onze anos para o fazer». E apenas um minuto para cada obra exposta!
Como a estadia toda foi pouco mais de uma semana, a passagem pelo Hermitage foi para ver meia dúzia das peças mais famosas e pronto!
Mas agora vamos ter uma série de obras expostas no Palácio da Ajuda, e estuda-se a hipótese de ter «um pólo» desse museu em Lisboa, como já há em Amesterdão e Londres.
Como a importância dada à Cultura não tem sido relevante, custa-me a acreditar nesta benesse, mas enquanto a exposição cá estiver – de sexta-feira 26 até 17 de Fevereiro, é aproveitar.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Sempre os estereotipos

Eu não vi.
Mas houve quem tivesse visto, nos «apanhados» deste famoso Encontro de Lisboa uma cena que faria rir se não fosse no fundo bem vexatória.
Parece que naquelas recepções estavam umas meninas ‘hospedeiras’ ou lá como se chama, a acudir às dúvidas e dificuldades que os VIPs sentissem.
Gentis, educadas, dominando várias línguas, como é de norma nestes casos.
E, imagina-se que, com «bom aspecto».
O senhor Presidente da França, Sarkosy, gostou do que viu e perguntou de que país eram aquelas meninas.
Eram portuguesas, imagine-se.
Espanto, pois a sua ideia da mulher portuguesa não era de ninguém magrinho, elegante e loiro - correspondia sim à velha «concierge», moreníssima, gorda, de carrapito, e um buço notável.
Assim teriam de ser as portuguesas!
Valha-nos … (quem é o padroeiro dos diplomatas?...)
Não apenas que o pensasse como sobretudo que o dissesse!!!

Cá vamos...

Buááá...

Tem Gifs - Gifs para Orkut

As «especialidades» nos Centros de Saúde

O que é a Teoria e a Prática.
Na Universidade do Minho, andou-se a estudar a vantagem da
«cooperação entre médicos de família e psicólogos nos centros de saúde»
De modo mui douto, conclui-se ela que seria óptima porque assim «liberta os primeiros para consultas de outros utentes sem doenças do foro psicológico e permite uma maior complementaridade no tratamento do utente».
Sem dúvida.
A questão põe-se em saber quantos Centros de Saúde têm psicólogos a trabalhar?...
Certo, certo, eu sei que há alguns. Mas uma pequena gota de água.

Acredito que a dificuldade não esteja na «cooperação» entre os técnicos mas que eles estejam lá para cooperar. As ‘especialidades’ que encontramos num Centro de saúde são pouquíssimas e nem volto a tocar na tecla da pediatria que isso brada aos céus!!!

Quando se deseja a cadeia…

Foi apenas uma pequena notícia numa página interior mas é chocante como demonstração de aflição.
Há um homem, sem trabalho e em desespero que tendo sido libertado da cadeia, ameaçou fazer um crime qualquer para voltar para lá!
Não sei o que o terá levado à prisão.
O certo é que lá, trabalhou e até saiu com 60 euros devido ao seu trabalho.
Mas essa gota de água evaporou-se e sem trabalho
voltou a bater à porta da cadeia, onde terá ameaçado fazer um assalto para voltar à prisão.

Que sociedade é a nossa?...


Como se perverte uma medida

Quando se começou a falar em «medicamentos genéricos» a ideia com que o público em geral ficou é que se fabricaria, das muitas e muitas marcas dos mais variados medicamentos para uma doença, um produto que tivesse apenas o essencial e portanto seria mais barato.
Engano e ingenuidade.

Afinal os laboratórios, para além dos produtos que já fabricavam, passaram a produzir esses mesmos e «mais os seus genéricos». O que quer dizer que existem imensos genéricos com o mesmo fim, aumentando a confusão!...
Ficamos a saber que «só a substância activa para redução dos níveis de colesterol é comercializada através de 319 medicamentos genéricos» . Imagine-se!
As farmacêuticas não ficam nada abaladas com este negócio dos genéricos: é mais uma hipótese de negócio…
De tal modo que quem se queixa são as farmácias que nem têm espaço para armazenar tanta coisa!!!


domingo, outubro 21, 2007

A vida pessoal das figuras públicas

É claro que se calhar sempre assim foi.
O «preço» por se estar na berlinda é ter a sua vida pessoal vasculhada. Aliás, a verdade é que «quem está na berlinda» até gosta bastante de ver a vida pessoal dos seus opositores vasculhada…
Eu não gosto.
Deve ser uma mistura de feitio com educação, mas fico incomodada quando me vem dizer o que se passa dentro de portas de gente que só me interessa pelo que fazem como actores da «coisa pública». Quanto ao resto, pffff…!
O recém-eleito presidente da França anda agora muito badalado porque pouco tempo após a sua eleição, se divorciou. E que temos nós com isso?! Temos, ou têm os franceses, com a sua orientação política.
É certo que quando a vida pessoal contradiz os valores que defendem em praça pública, se pode sorrir e pensar que há alguma contradição mas é apenas um pormenor.

Por outro lado, também é certo que a tal vida pessoal pode ser manipulada pelo próprio de modo a colher dividendos.
Imagine-se que
Jaroslaw, [….]o homem mais influente da Polónia, escolheu o dia de ontem para se casar, tornando-se notícia em plena jornada de reflexão
Aqui a manipulação é outra.
Em dia véspera de eleições, e pelo que se prevê qualquer dos resultados não será flor perfumada, essa manobra lateral sendo permitida não parece nada inocente.

Às vezes os tiros saem pela culatra…


Preso por ter cão…

Lembram-se?
O Mundo ralha de tudo,
Tenha ou não tenha razão,
Quero contar uma história
Em prova desta asserção .
Esta nossa abençoada terra é a prova «provada» de que há sempre quem se sinta melindrado seja pelo que for. Uma questão de «poder»? De falta de diálogo?
Esta história só a sei pelo que a imprensa conta, portanto pode haver meandros desconhecidos e que alterem a perspectiva.
Mas, o que os jornais nos contam, é que se estava a pensar em instalar no Minho um grande parque eólico. Há pouco tempo, também se criou no Alentejo uma grande captação de energia solar e, à primeira vista, estas energias limpas só podem trazer benefícios.
Só que, pelos vistos, estas instalações implicam verbas elevadas. E quando entra dinheiro a festa estraga-se. As juntas de freguesia querem anular o contrato entre a Câmara e o grupo empresarial que ia montar o parque eólico Dizem que a Câmara não tinha poder sobre os baldios, e há uns argumentos sobre o impacto ambiental, a fealdade das estruturas, etc.
Nada que uma melhor distribuição dos lucros não faça desaparecer.

Um Caderno de Capa Castanha XVIII - leituras 2

«Contei-te a semana passada que desde muito pequenina me habituei a ver livros à minha volta. Nessa época não era tão normal pôr um livro nas mãos de uma criança de 2 anos como o é hoje - vendem-se livros até nos hipermercados e feitos de materiais resistentes. Naquela altura não acontecia a não ser em certas famílias, como tive a sorte de ser a minha. E assim, não só comecei a ler cedo e com prazer como tal «vício» me foi largamente alimentado mas também ‘dirigido’. Comecei com essas colecções, Manecas, Joaninha, com que ia enchendo as prateleiras de uma pequena estante do meu quarto, a tal Colecção Azul da Condessa de Ségur, mas onde também se lia o «Coração», «Contos de Grimm», «Perrault», «Andersen»… Lembro-me do «Romance da Raposa» de Aquilino, de «S. João subiu ao trono» de Carlos Amaro, histórias infantis muito bem escritas que ‘passaram de moda’.
Mas fui crescendo e apreciando livros maiores mas sempre
comoventes.
Não me esqueço de um que era em dois volumes e que chorava imenso a lê-lo: «Sem família» - um menino de uma família muito pobre que foi cedido a um saltimbanco a quem se afeiçoou muito. Triste, triste. E curiosamente, havia uma sequência desse romance, chamada «Em Família» que acabando bem, me interessou muito menos! E, claro, li «As Mulherezinhas» também, embora as achasse um tanto parvinhas. Curioso como o tema da criança órfã era uma constante na literatura infantil dessa época!

Mas, como te disse, os meus pais faziam muita questão em orientar aquilo que eu devia ler. E assim ia absorvendo colecções inteiras à medida que os livros iam sendo publicados. Lembro-me da colecção «Os grandes Livros da Humanidade» onde os clássicos eram adaptados numa linguagem simplificada «
destinando-se às crianças e ao povo» (tal e qual!) Só que essa adaptação era feita por nomes como João de Barros, Aquilino Ribeiro, Jaime Cortezão...
Uma outra colecção que me influenciou muito (não me recordo agora o nome mas «vejo» ainda muito bem as capas) apresentava pequenas biografias agrupadas, por exemplo Os 10 maiores cientistas, Os 10 maiores músicos, Os 10 maiores aventureiros. E eu gostava imenso dessas biografias romanceadas, a Vida de Edison, ou de Catarina da Rússia, ou de Pasteur que sentia 'familiares'.
Depois havia a História: a Vida Quotidiana no tempo de…, livros que varriam a História de uma ponta à outra mas de um modo muito cativante e lúdico. A Ficção Científica apareceu-me com Júlio Verne, uns romances que vinham de casa do meu avô em encadernações vermelho escuro. Aí, nem sempre me entusiasmava porque às vezes as descrições eram demasiado prolongadas, e eu saltava páginas inteiras para chegar ao que interessava! E… bem, não posso deixar de falar nos Jornais. Havia o Mosquito, e depois o Mundo de Aventuras e o Cavaleiro Andante! Esse é que coleccionei religiosamente todos os números tendo um espaço especial na estante para os guardar. Era um deslumbramento!»

Uma música ao Domingo

Uma voz que entra dentro de nós mesmo que não se percebesse o que ele diz.
Mas não é o caso: uma canção linda com letra de Lorca.


sábado, outubro 20, 2007

A DOR e dorzinhas

Escrevi esta manhã sobre a «Consulta da Dor», e a «Semana Europeia contra a Dor». Era um post sério porque o tema não pode ser mais grave.
Mas estava a escrevê-lo e cheiinha de vontade de contar uma historieta pessoal mostrando como «um pouco de dor» pode ser útil. Ora cá vem ela:
Eu acho que não sou mais piegas do que a maioria das pessoas. Bem, escuso de estar com falsas modéstias que afinal vocês não me conhecem – não sou nada piegas, pronto! Quando alguma coisa me dói, espero uns tempos a ver qual a reacção do organismo - se continua tomo qualquer coisa e se ainda continua, marco uma consulta, o que é raro.
Ora há uns dias, passei por estes trâmites, e o 'douto clínico' a que recorri, observou-me e decidiu que era necessária uma pequena cirurgia para que tudo voltasse a ficar bem. OK. Vamos lá a isso. No final explicou-me: «Como é num sítio que pode sofrer tracções, só lhe vou tirar os pontos uns dias depois do habitual, por uma questão de precaução»
Ouvi aquilo, toda bem disposta, e voltei para casa. Claro que a frase e as suas implicações se me varreram da cabeça, e como estava com tempo deitei-me ao trabalho de uma série de coisitas, nem sequer muito importantes. Sentia alguma dor no local, mas não era grande coisa e nem para lá olhei a não ser quando me senti encharcada. «Mas que é isto?!» pensei eu, quando dei conta de que tinha a roupa empapada em sangue. «Oh que chatice
Imaginam a trabalheira que esta estupidez provocou, escuso de me alongar mais. Mas a verdade é que se a dor tivesse sido mais forte ou eu um pouco mais piegas, tinha-me sentado quietinha em frente ao televisor a ver um CSI qualquer onde o sangue fosse dos outros!

Velhice…?!

Foi-me chamada a atenção, para uma entrevista dado por Rita Levi Montalcini, com 98 anos, que foi Prémio Nobel de Medicina quando tinha 77.
Notável.
Apesar de merecer ser lida de fio a pavio, realço uns pontos mais dignos de ficarmos a pensar:
- Como vai celebrar seus 100 anos?
Ah, não sei se viverei até lá, e, além disso, não gosto de celebrações. No que eu estou interessada e gosto é do que faço cada dia.
…..

- E como está seu cérebro?
Igual quando tinha 20 anos! Não noto diferença em ilusões nem em capacidade. Amanhã voo para um congresso médico.
- Mas terá algum limite genético?
Não. Meu cérebro vai ter um século... mas não conhece a senilidade... O corpo se enruga, não posso evitar, mas não o cérebro! [……] Possuímos grande plasticidade neural: ainda quando morrem neurónios, os que restam se reorganizam para manter as mesmas funções, mas para isso é conveniente estimulá-lo [……] Mantenha seu cérebro com ilusões, activo, faz ele trabalhar e ele nunca se degenera.
- E viverei mais anos?
Viverá melhor os anos que vive, é isso o interessante. A chave é manter curiosidades, empenho, ter paixões
....
- A ideologia é emoção, é sem razão?
A razão é filha da imperfeição. Nos invertebrados tudo está programado: são perfeitos. Nós não. E, ao sermos imperfeitos, temos recorrido à razão, aos valores éticos: discernir entre o bem e o mal é o mais alto grau da evolução darwiniana!
…………..
- O que você faria hoje se tivesse 20 anos?
Mas eu estou fazendo!!!!


Que mulher!!!

Para adoçar o fim-de-seman


Ferrero Rocher e Mon Cheri

Os truques não se explicam

David Copperfield tinha na sua casa 2 milhões de dólares em dinheiro vivo
(Sempre gostei desta expressão ‘dinheiro vivo’, que insinua que o outro está ‘morto’)
Ora o homem não é ilusionista?
Aquilo é truque.
Estamos fartinhos de ver os ilusionistas a tirarem lenços e mais lenços e mais lenços da manga ou de um bolso.

Ele, mais inteligente, começou a treinar em casa tirar notas de dólar que sempre faz mais vista do que um lenço.
O que dá raiva é que já sei que ele não nos vai contar o truque.

A Dor

É um fenómeno fascinante.
A natureza, maquiavelicamente, dispôs as coisas de modo a que a dor possa ser algo de benéfico e algo de infernal.
Diz quem sabe, que sentir dor é «um cinto de salvação» - é por doer que não se cometem certas acções que podem por a vida em perigo. Um dos episódios do Dr. House que vi recentemente tratava o caso de uma doente que não sentia dores e como tal não se defendia de situações gravíssimas.
Mas o que é demais, é demais.
Existem doenças particularmente dolorosas, onde esse sofrimento é ‘inútil’ digamos assim, nem o organismo nem a ciência precisam dele para se conhecer a doença, e é inútil sobretudo em casos de ‘dor crónica’.
E assim existe uma «Consulta da Dor» em muitos locais, Hospitais e Centros de Saúde, mas ainda de um modo muito incipiente e necessitando de maior desenvolvimento. Como em quase tudo, na nossa terra há «poucos recursos e comparticipação insuficiente» além de que também «Portugal em termos de legislação na matéria é dos melhores países. O problema, diz “é passar à prática”» (onde é que já se ouviu isto…?).
Depois vem o absurdo: como os analgésicos têm pouca participação, os doentes começam a tomar anti-inflamatórios sem necessidade, apenas por estes terem uma comparticipação maior…

Estamos na Semana Europeia Contra a Dor. Vai ser dedicada à mulher. Este ano esteve-se mais atento à dor nos idosos e no ano passado foi dedicada às crianças.
Uma frase importante a terminar:
Dor é sempre que o doente diz que dói. Só os podemos tratar se acreditarmos neles, mesmo que não se encontre a causa para as suas queixas”.
Assim fala um técnico que sabe ser humano.

Museu do Neo-realismo

É hoje inaugurado em Vila Franca de Xira o Museu do Neo-Realismo.
Abre com uma exposição, chamada «A batalha pelo conteúdo» e poderemos ver lá o espólio de muitos artistas.
Escritores, que é de quem nos lembramos de imediato, Manuel da Fonseca, Soeiro Pereira Gomes, Joaquim Namorado, Alexandre Babo, Alves Redol e Orlando Costa, estão lá assim como muitos outros.

Mas também artistas plásticos, José Dias Coelho, Francisco Castro Rodrigues e Jorge de Oliveira e uma exposição de João Tabarra.
O museu mostra também uma vertente de espólios editoriais onde se podem ver o Diabo (as voltas que o nome dá!) Vértice, Horizonte e Cosmos.
A inauguração é esta tarde e creio que vai merecer uma visita.