sexta-feira, outubro 30, 2009

Antípodas


Na febre das estatísticas, números, estudos, avaliações, com que quase diariamente somos inundados, li no outro dia esta ‘belíssima’ informação: os portugueses vivem em média 44,6 anos de felicidade
Iupi!
Claro que aos 45 anos talvez seja melhor imigrar, porém até lá é felicidade garantida. Mainada!
Mas olhando para o «mapa da felicidade», (a felicidade é verde, heim?) vemos que se queremos viver bem, mesmo bem, para além dos países nórdicos do costume, e para além do Canadá, temos uma excelente hipótese que é a Austrália.
Austrália!!!!
É perfeito, porque concilia a bela qualidade de vida com a ausência do gelo que até parecia ser condição sine-qua-non para se conseguir essa boa qualidade de vida. Não senhor, lá há sol e as pessoas vivem felizes!
A verdade é que é um pais mais ou menos discreto, raramente chama a atenção. Vemos actores e filmes australianos que com alguma distracção até pensamos que são americanos, de vez em quando fala-se de uns incêndios, de um record de isto ou daquilo, mas não anda muito nas parangonas dos jornais. E pelos vistos, pelos melhores motivos . Está em segundo lugar no Índice de Desenvolvimento Humano, o que é fantástico, se associarmos a que é «a sexta nação mais feliz do mundo».
É fácil acreditar. Se está entre os primeiros pelos seus indicadores de económicos, funcionamento das instituições democráticas, educação, saúde, segurança, liberdades pessoais, e ainda por cima tem magníficas praias de surf, paisagens maravilhosas, e bom clima, o que se deseja mais?...
Nesta reportagem do i, os elogios cobrem tudo: rendas de casa, transportes, gás, electricidade e água são mais baratos do que em Portugal; é possível ir viajar durante um ano, sabendo que quando voltam arranjam trabalho; é fácil arranjar emprego, o clima é óptimo, a segurança social funciona; o meio de transporte principal nas cidades é o eléctrico; tem um sistema de saúde que, em vez de contribuir para acumular stress, ajuda os "aussies" a serem mais felizes...

Estamos nos nossos antípodas, é mesmo certo.

20 comentários:

King disse...

Costumo no início do dia, passar os olhos pelos jornais e espreitar aqui o Pópulo. Lendo isto, realmente fica-se a pensar o que estamos a fazer em Portugal.. ou se não se poderá chamar para cá uns tantos australianos para mostrar como fazem.
Mas, como disse, passo também os olhos pelos jornais e apanhei este artigo da Inês Pedrosa no expresso:
[...]«Ouço dizer que não é possível baixar os salários de topo, porque as cabeças douradas que fazem o sucesso das empresas fugiriam para outros países.As mesmas pessoas que assim pensam acham normal exigir entusiasmo e aumento de produtividade a trabalhadores barbaramente explorados. Claro que a produtividade precisa de incentivo - designadamente, de salários decentes. A crise tem as costas largas, e reverte sempre a favor dos mesmos.»

King disse...

É DAQUI "Um país de patrões".

sem-nick disse...

Uma imagem de sol e boa disposição aqui num dia de nevoeiro (pelo menos em Lisboa) e um tanto sombrio.
Essa história dos «anos de felicidade» parece uma brincadeira de sabor amargo. o que é isso de felicidade?...
como se 'mede'???!!!
Por acaso sou dos que nunca se lembra da Austrália, que aquilo é um país que é afinal um continente. Contudo não tinha ideia de que fosse assim tão bem organizado.

sem-nick disse...

Quanto a «bem organizado» aí sim podemos falar em antípodas!!! O caos em que vivemos é algo de formidável!

Joaninha disse...

É interessante, não fazia ideia. Talvez, como dizes, por influência das séries que vemos ou dos filmes, tinha tendência a pensar na Austrália como uma outra América.
E o modo com trataram os aborígenes não era de molde a fazer-nos simpatizar, mas por outro lado temos de pensar que isso já foi há muitas gerações atrás! Devemos acreditar que a Austrália actual é diferente da de há 100 anos.
Realmente as qualidades que ali se enumeram é de 'fazer crescer água na boca'...

Mary disse...

Joaninha, lembra-te que os primeiros habitantes que vieram da Europa eram para colónia penal! Afinal isso é que custa a crer, não que tratassem mal os aborígenes mas que conseguissem erguer aquela terra a esta altura.
Fica-se de boca aberta!

Joaninha disse...

E aquele artigo e os estudos deste tipo não serão promovidos pelo ministério de propaganda lá do sítio?
Vamos a ver, são os que fizerem o outro estudo que diz que nós temos 44 anos e tal de felicidade! :)

Anónimo disse...

Essa felicidade em tons de verde só me faz lembrar um certo clube desportivo...
Dizem que a esperança (que também é verde) nunca morre!

A Senhora disse...

Pronto! Já sei para onde mandar meus meninos para fazer intercâmbio!:)

beijinhos

kika disse...

Austrália, seria o País de eleição se tivesse de emigrar, mas como está nos antípodas , mesmo em turismo não é para todos...
Ali o king fala da Inês Pedrosa e limitei-me a sorrir. Tadinha... no comments.

gv disse...

sei desse estudo de blanchflower-oswald sobre (o paradoxo d)a felicidade australiana. e gosto da forma como eles representam a felicidade: "Happiness is U-shaped in age - that is, it falls off for a while, then stabilizes, and rises later in life." e também do facto de "Women report higher well-being than men." Menos de "Two of the biggest negatives in life" serem "unemployment and divorce." e outra vez bastante de"More educated people" reportarem "higher levels of happiness, even after taking account of income."

Anónimo disse...

Só mais uma coisita, isso da felicidade ser verde. É que o nosso verde na verdade não corresponde a cor da bandeira .. é clarinho..:) Ali ao lado é forte, mas sempre soubemos isso!!

fj disse...

Malta espanha já me chegava!Está nos típodas, com evidentes vantagens e estaria mais junto do cr9.

RS disse...

a felicidade pode ser verde mas não em Alvalade... :)
A vantagem da Austrália em relação aos países nórdicos é que falam uma língua que se entende. Embirro ir a uma terra e não perceber patavina do que por lá se diz! Bem, no Canadá também estava á vontade, mas o Canadá é frio!!!!

Zorro disse...

Aquela coisa do «mapa da felicidade» se bem que pateta dá para entreter. reparem que por exemplo, o Brasil é mais feliz (mais anos quero dizer) do que Portugal, assim como a Espanha!
(deve ser por isso que o FJ se propõe passar para a Espanha - é pertinho e bom caminho.
(Quanto ao CR7 dispenso; chegam-me os anúncios dos BES)

Emiele disse...

Eu decidi brincar um pouco porque sempre achei estranhíssimo essa coisa de «a felicidade» ser mensurável. Só aceito que se possa comparar de nós para nós: sinto-me mais feliz hoje do que o mês passado por exemplo, ou estava muito infeliz quando vivi em y mas fiquei mais feliz quando comecei a namorar com X. (atenção, isto são exemplos imaginados!!! não individualizem, p.f.) Portanto isso de povos felizes ou infelizes, pfff...

Contudo já acredito na qualidade de vida e que isso influencie o sentimento de bem estar. Nessa linha, parece de aceitar que os tais países nórdicos, Canadá ou Austrália, tendo melhor qualidade de vida na generalidade tenham também habitantes mais felizes.
Bem, daqui a pouco venho ver melhor as respostas de quem teve pachorra para entrar aqui neste jogo :)

estrela-do-mar disse...

Pois, essa ideia de medir a felicidade é um tanto estrambólica. Conhecemos todos pessoas que vivem no mesmo país, saudáveis, com vidas familiares parecidas, uma é uma optimista e vê tudo pela positiva e a outra uma desgraçada que acha que tudo lhe corre mal.
Mas neste caso, acho que essa coisa do clima ajuda. As terras sombrias, mais escuras, com grandes noites, sempre ouvi dizer que causam depressão, e diz-se que há muitos suicídios nos nórdicos apesar da sua 'boa vida'. Portanto é fácil imaginar que os australianos os ultrapassem, porque me parece que aquilo é um tanto tropical. A foto é linda!

Emiele disse...

Kika, para turismo de facto é um tanto cara a viagem, apesar de haver quem vá frequentemente ao Brasil que é mais barato mas... Contudo, se for para viver, ou seja para imigrar, não será por a viagem ser cara que se vai evitar. Eu não sei é se é assim tão fácil imigrar, imagino que não.
GV, pois eu não sabia nada disso. Quero dizer imaginei que oscilasse conforme o decorrer da vida, é certo, mas o resto não sabia, nem que estava associada, afinal, ao género. :)
King, obrigada pelo link, de facto a Inês Pedrosa tem algumas oscilações, desta vez valeu a pena ler.
Sem nick, a imagem de sol é a que nos vem logo à cabeça. E ali o eléctrico tem um ar simpático e 'doméstico' não é?
Senhora, para ti é bem mais perto, afinal... Quanto os teus filhos, lá farão essa coisa do «Erasmus» como aqui na Europa?...
FJ, claro que a Espanha é já aqui, mas «não é a mesma coisa» olha lá! Que é dos kangurus e dos koalas?

Miguel disse...

Como os camaradas comentadores já fizeram referência, em linha com o que pensas sobre o assunto, sem dúvida que medir a felicidade tem a sua piada...

Da Austrália só, basicamente, tenho ouvido falar bem. De quem lá vai - o meu pai já lá foi algumas vezes e cada vez que está comigo diz-me que se tivesse a minha idade pirava-se para lá - e de quem lá está ou esteve a viver, imigrado. Quando fizer a minha sabática, encalharei por lá algum tempo :p

King, o mundo de hoje é assim. Não há meio termo... Há os eleitos e a carne para canhão, os que não contam a não ser para efeitos estatísticos. Ou será que alguém realmente se importa?

Indo directamente ao que escreveu Inês Pedrosa, pergunto-me se fosse colocado o desafio aos trabalhadores barbaramente explorados de assim continuarem, mantendo os postos de trabalho, ou de se darem melhores condições salariais incorrendo o colectivo na redução do número de postos de trabalhos pelo não aumento da produtividade logo provocando uma necessária redução de custos para evitar danos maiores?...

É que, não há milagres...

De igual modo, porque é que os fazedores de opinião não transferem o foco da sua análise não para os míseros tostões auferidos pelos trabalhadores barbaramente explorados mas pelo baixo poder de compra dos mesmos devido não aos seus patrões mas a quem tem margens brutais no que se considera essencial para se viver minimamente hoje em dia:

1º habitação
2º energia, água, gás
3º transportes
4º alimentação
5º saúde
6º educação
7º etc...

Assunto este que dá pano para mangas.

Emiele disse...

Olá Miguel :)
Que satisfeita por te ter por cá - ontem passaste a uma hora que já não entra no meu fim-de-semana :)

Pois é, para além do cómico de 'medir a felicidade', estou como tu, a Austrália levanta muita curiosidade e parece conciliar as vantagens dos países nórdicos com um clima mais simpático. E se o teu pai tem essa opinião...
A questão económica é complicada, e já sei que de economia entendes mais do que eu, mas... repara Miguel que mesmo com o teu raciocínio, se segundo as tuas palavras passasse a análise não para os míseros tostões auferidos pelos trabalhadores barbaramente explorados mas pelo baixo poder de compra dos mesmos afinal a diferença não é grande: têm baixo poder de compra também porque os salários são muito baixos. Poderemos é ver quem tem as «margens brutais» que tornam os produtos tão caros.
.........
De qualquer modo não há dúvida que nos sorri a ideia de ir para a Pasárgada, mesmo que se chame Austrália :)