quinta-feira, maio 07, 2009

Catrapuz!

Vinha eu, anteontem, a descer a Rua Garrett - com calma e até com segurança para o meu costume que sou um tanto precipitada - e reparei vagamente que me estava a cruzar com um bando de teenagers, divertidas, alegres, risonhas.
Estava a virar a cabeça para olhar a montra do “Paris em Lisboa“, quando me sinto literalmente «rasteirada», uma perna presa numa perna alheia e as pedras escorregadias da calçada a aproximarem-se a uma velocidade alucinante. Tive apenas o reflexo de estender os braços e… encontrei-me de gatas no chão, com um saco para um lado e a mala para outro. Enquanto me levantava, vi-me rodeada por 4 ou 5 raparigas, consternadas, que queriam saber: «magoou-se?», ao que, meio atordoada, respondi tolamente: «Não sei…»
Eu devia estar branca de susto, porque a ‘culpada’ perguntou «quer água?» e partiu a correr procurar uma garrafinha de água. Digo «a culpada» porque ela própria se acusou, tinha deixado ficar uma perna para trás, em pose artística, e foi essa perna que me pregou a tal verdadeira rasteira! Nada disto teria a menor importância não fora eu, há bastante menos de um ano, ter sofrido uma operação a um joelho. Ora uma pancada forte nesse joelho reconstruido não é exactamente a fisioterapia que se recomenda.
Bem, tudo acabou sem dramas. Dei uns passos e as articulações funcionavam. Respirei fundo.
O interessante é que ontem, os músculos dos meus braços estavam doridos como nunca. Parecia que tinha andado a carregar com um piano (imagem de estilo, porque nunca tal fiz, é claro). É que na fracção de segundo que levei a tombar, devo ter tentado apoiar todo o meu peso nas mãos e braços, para poupar os joelhos.
E no dia seguinte lá estavam eles a apresentar a conta…
Não há bela sem senão!


16 comentários:

fj disse...

Não conhecia essa "brincadeira" mas era de prever ( não ontem, claro, em abstrato ).Boa a transferência de local de embate.Melhoras.

Emiele disse...

'Brigadinha!

Depois conto-te, mas com excepção de um pormenor foi exactamente assim. Graças aos santinhos, sou de borracha.

miguel disse...

Safaaaaaaaaaa!!! Imagino o susto. Sabes que essa é ainda uma das situações para a qual ainda não estou bem preparado... Quando tal me acontecer, confesso que ficarei extremamente apreensivo e, tal como tu, na altura tratarei de tentar preservar ao máximo o joelho.

King disse...

Uma história bem contada, e que de facto prega um susto do caraças!
Vendo bem, não houve «culpa» de ninguém, é das tais coisas que simplesmente acontecem!
As miúdas estavam a brincar, e não se fixaram no ponto em que alguém vinha a andar e segundos depois devia estar no sítio onde ela estava a fazer a pose. Tu, viste um grupo em andamento e não te ocorreu que não continuassem em andamento...
Mas uma pancada forte e seca nas pedras da rua, não devia fazer nenhum bem.

Joaninha disse...

Acho sempre graça a estas «cenas da vida doméstica» da Emiéle.
Calculo o susto e o que pensaste na fracção de segundo que levaste a cair... mas prova-se que o trabalho foi bem feito, não? E que os teus ossos estão sólidos. Nada de osteoporose e essas coisas parvas!

Joaninha disse...

E não estejam para aí a pensar coisas, que é só de velhinhos etc e tal. Há gente bem jovem ainda que tem osteoporose!!!!!

kika disse...

O instinto de sobrevivência funcionou e bem, neste caso funcionou mais para salvaguarda do teu joelho doente. Tudo acabou em bem e esses músculos dos braços estão mais fortes tal o esforço a que os obrigastes.
Rapidas melhoras

josé palmeiro disse...

Quando, comecei a ler e vi que tinhas caído, fiquei apreensivo. Depois, centrado mais no tom da descrição, pude constatar que a coisa tinha sido, sem consequências e ainda bem.
Lembra-te que já mão estamos em idade de cair, pois as sequelas são muito mais complicadas, felismente que os braços, funcionaram. Melhoras para as dores musculares!!!

Emiele disse...

'Brigadinha a todos!!!!
Miguel, essa solidariedade anima-me. Estava a pensar que eu é que estava a ser mariquinhas com este medo, mas se sentes o mesmo fico mais confortada.
Joaninha, claro que ainda há isso da osteoporose, mas por enquanto vou resistindo...
Zé, realmente como estava a contar a história em tom de brincadeira, via-se que não tinha partido nada, mas foi um susto!

Castanha Pilada disse...

As pitas a fazer poses artísticas. É um clássico!

Emiele disse...

É, não é, Castanha Pilada?
Acho que também fiz algumas parvoíces nessa altura da vida, talvez mais em privado, mas enfim...

Saltapocinhas disse...

quando alguém cai a mim dá-me uma imensa vontade de rir (com as crianças não, talvez porque com eles achamos natural)...

Emiele disse...

Saltapocinhas, NUNCA MAIS TE FALO!!!!!

Atão uma desgraçada apanha com uma rasteira, numa das ruas mais escorregadias de Lisboa e vens aqui dizer que dá vontade de rir?! És má comás cobras!!!

Saltapocinhas disse...

devias ter filmado, como o teu primo, que eu ainda me ria mais!

Maria disse...

Sou, quase sempre a última a comentar (falta de tempo) mas venho sempre ler os "posts", verifico que está bem e isso é o principal.
O que me fez sorrir foi o boneco com a "carinha" da Emiéle e pensar nas figuras tristes que já fiz com quedas- sãos os sacos que se espalham no chão a mala (que é quase uma casa ambulante)que se abre e fica tudo disperso e as pessoas à minha volta a tentarem apanhar tudo, passo cada vergonha...

Emiele disse...

Olá «retardatárias» :)
Saltapocinhas, eu disse que não te falava mais e, se continuas, nem te 'escrevo' mais! não tens emenda, é?!
Maria, fico ainda mais grata, se passas por cá mesmo com tanta falta de tempo. eu bem sei como é que há blogs com quem simpatizo tanto e nem consigo comentar lá, por andar à pressa.
Obrigada por a referência ao boneco. Realmente andei a fazer «a montagem» exactamente para dar um ar leve a esta história. É engraçado que de facto uma pessoa sente-se envergonhada quando cai, (e a Saltapocinhas a rir) como se fosse um acto feio. Bolas, como diz o povo «vergonha é roubar» não é?! Se uma pessoa tropeça, ou mete um pé num buraco, ou coisa assim a culpa não é dela. Se for um velhinho de bengala a gente não ri, não é?...
Claro que eu tenho uma excepção: Se vejo uma dama muito aperaltada, saltos altíssimos, cabelo muito arranjado, a desfilar como se fosse numa passerelle, e ela tropeçar, então também sorrio, mas pelo contraste da imagem de grande elegância que não se soube manter.