quarta-feira, abril 08, 2009

A praga



Ia contar uma história mas, como se justificava um ‘prelúdio’ para não ficar aqui um grande lençol, vou dividir a coisa em dois posts. A parte engraçada fica para amanhã.

Ora isto tem a ver com os callcenters, e a seca que é as tais vendas forçadas ou lá como se chama a coisa.
Toda esta técnica começou há uns anos. Primeiro era na rua. Uns jovens bem treinados, com um bloco de notas e um ar muito técnico abordavam-nos dizendo que estavam a fazer um inquérito. Se não estivéssemos com muita, muita pressa, concordávamos em perder dois minutos e dar a nossa importante opinião sobre os transportes, o Serviço de Saúde, o crédito, a imprensa... eu sei lá. Os temas eram sempre aliciantes e os interrogadores usavam o isco com perícia. (digo isto por que caí mais de uma vez!) Depois de terem o nosso nome, idade, e a tal opinião sobre isto e aquilo, diziam que por se ter respondido ao inquérito tínhamos direito a um prémio, era só entrar ali numa porta já ao lado e pronto.
Se se entrava na dita porta, encontrava-se sempre o mesmo cenário: 4 ou 5 mesinhas onde de um lado estava sentado «o pato» que se estava a tentar confundir, e do outro um experiente vendedor. Claro que nos iam dar um prémio, pois então não, mas já tínhamos pensado que por uma módica quantia também podíamos ter direito a umas belas férias em sistema de time-sharing, coisa excelente que só nos dava vantagens? Ou um colchão ortopédico? Ou um serviço de chá de prata de lei? Ou... Claro que as vantagens eram inúmeras e o pagamento em prestações tão suaves, mas tão suaves, que até nos esquecíamos que se estava a pagar fosse o que fosse.
Esse sistema ainda existe. Mas desde há uns anos que em vez de abordar as pessoas na rua, é por telefone. E deve valer a pena, de certeza há quem caia, ou a coisa tinha acabado.
Mas, a verdade é que a população de Portugal não tem aumentado, e às tantas já toda a gente foi «apanhada» por essa rede e a coisa deixa de funcionar.
[ Devo deixar aqui um esclarecimento – quem censuro são as empresas que usam estas técnicas. A verdade é que quem apanha com o nosso mau génio são os pobres ‘telefonistas’ que são treinados a papaguear aquela lenga-lenga, a nunca desistir, a usar várias ‘contra-respostas’ a quem deste lado da linha quer desligar. Tenho verdadeira pena deles, mas o certo é que como são eles que aparecem, são eles que apanham com o nosso mau humor! ]
E agora já nos «atacam» por telemóvel. Claro que a gente «defende-se» como pode. O meu telefone de casa indica quem está a ligar e, se for um número não identificado, já nem atendo, assim como no telemóvel, se é anónimo deixo tocar. Se for importante deixam uma mensagem...
Mas, já ouvi contar que, como cada vez menos as pessoas se dão ao trabalho de sair de casa para ir «receber a tal prenda» que serve de isco, agora depois do telefonema, é o vendedor que vai a casa de cada um, levar «a prenda» e tentar convencer a comprar o tal produto baratíssimo que não o compra só se não tiver entendido bem as vantagens que daí lhe vêm, pátátá, pátátá, pátátá....

Livra!!!!


7 comentários:

AB disse...

Uma vez ,por que me ficava em caminho para o sitio onde ia, a seguir ao dito telefonema, passei de propósito e, quando saí não só trouxe as porcarias que eles tinham para dar(todas) como o resto do pessoal que estava a ser enrolado saiu das mesas e foi-se embora a insultar o chefe da coisa.Não é para me gabar, que sou rapariga modesta, mas foi Homérico!!!!Ali na Av.da Republica.Em 5 minutos.AB

Joana disse...

Chamar «praga» é pouco.

Conta da vez em que «caíste»...
Eu também caí, mas redimi-me!

Imagino aqui a nossa AB com o seu poder de argumentação!!
Eheheheh!!!

King disse...

Tal e qual!!
Mas mesmo tal e qual!

Sinto mais ou menos o mesmo, entre alguma pena de quem «está à vista» e grande raiva pelos manipuladores na sombra...

josé palmeiro disse...

Mas quem não caíu alguma vez numa situação dessas?
Estavamos nós no Algarve e o telefone tocou. A minha mulher vai ao telefone e, do outro lado, é convidada a participar num "jantar", em Albufeira, sem quaisquer intenções, que não o convívio e a recepção. Momentos de impasse, com os inevitáveis: "Zé, vamos?". Lembro-me então de lhe dizer para informar o introlocutor, que sim, que iríamos mas que a família era grande e que levaríamos os nossos três filhos, pois eram pequenos e não os podíamos deixar, sózinhos, em casa. Aceite a proposta, aí vamos nós para Albufeira, onde nos esperava um enorme discurso, feito por um brasileiro que dizia que nós, ao não aceitarmos a proposta estavamos a ver passar o elefante. às tantas, eu já farto de tanta verborreia, disse: "Meu amigo, estou aqui há horas, com as três crianças e fui convidado para um jantar, que até ao momento, nem vê-lo. Ou me dão o jantar ou vou-me já embora pois os miúdos já não aguentam."
Fomos de imediato, conduzidos à sala de jantar, onde nos serviram uma feberas de porco, porcamente grelhadas, acompanhadas de salada e com talheres de plástico....

kika disse...

Tambem já caí na rede, mas nunca caí na compra.Há dias telefonaram e disserem que se eu autorizasse me vinham trazer a oferta a casa. Bem ,é tentador!!! nao ter que me deslocar.. aceitei e tratei e avisar o porteiro que não deixasse subir ninguem para mim, mas sim que eu desceria,, e foi tal e qual Tratava-sa de promover uma editora III aupper que acham que lhes fica mais barato oferecer um presente do que fazer publicidade na televisão e aproveitam para mostrar o que editam.Não comprei, mas gostei. A coleççao abarca muitos temas e o primeiro foi a" Água recurso imprecindivel para a vida." Bom papel muito boa fotografia.. dava prazer passear os olhos por ali, pois fundamentalmente os temas eram sobre o planeta com muitas fotos do National Geographic. Concluindo ganhei o primeiro volume e uma caneca de filtrar água, pronta a usar. Já tinha uma e agora são duas...

zorro disse...

Há males que vêm por bem.
Ontem não consegui tempo para cá vir e hoje tenho duas histórias de uma vez só. Porque sem dúvida que esta se liga com a que contas lá em cima e eu já estive a ler.

Tenho a mesmíssima sensação que aqui contas: algum dó de quem vai para «a cabeça do touro» que afinal obedece a ordens para ganhar a vida, e a gente que 'estuda o mercado' de modo a forçar pessoas a ficarem com aquilo que não querem!
E já agora, que tal um pst a contar aquilo que dizes que se passou contigo. Se dizes que já caíste...

Emiele disse...

Olá a todos!
Passei por aqui a ver se os posts tinham entrado e aproveito para dar umas respostazinhas.
Olha Kika, a história que contas é igualzinha à da minha amiga que conto hoje, era exactamente a tal caneca de filtrar água e um livro, só que no caso dela o livro era pago e ainda era caro!!!
Não ficou nem uma coisa nem outra é claro!

Quanto a contar as minhas histórias, até me parece que já as contei, mas se calhar amanhã volto a contar...
Zé, essa também já se passou comigo, só que foi em Lisboa. era um jantar para mim e marido.... e vendiam um time-sharing. Fogo!!!!