sexta-feira, dezembro 26, 2008

Modernices

Tinha ouvido falar do caso em notícias da rádio e lido nos jornais.
Mas ontem a história foi mesmo abordada no Jantar de Natal por uns primos que conheciam umas pessoas que o tinham feito, e concordavam com isso:
Começa a tornar-se «moda» passar-se a consoada num hotel.
Aqui há uns anos era até difícil encontrar um restaurante aberto e quem estivesse a morar num hotel teria certamente direito a jantar lá, mas devia sentir-se muito solitário no meio de um salão cheio de mesas vazias.
Mas, não sei se o boom foi este ano, ou isso já se andaria a passar e só este ano é que reparámos, agora tornou-se «moda» consoar num hotel.
O caso citado ontem à noite era o de uma família conhecida pelo primo que falava, família essa que constava agora de 50 pessoas (pais muito fecundos, com os respectivos filhos casados e igualmente fecundos, e as crianças de toda essa gente...) Ora meter 50 pessoas numa casa ‘normal’ era quase impossível, e portanto decidiram alugar um salão de um hotel.
Noutros casos, é porque é «mais prático». Faz-se a festa, volta-se para casa e não há loiça para lavar, nem tapetes para aspirar. É saltar da cama e ter tudo em ordem.
A coisa em si é compreensível. A cabeça diz-me que é racional e concordo que é mais prático e possivelmente melhor. Mas faz-me cá uma impressão terrível esta coisa de a ‘consoada’, o símbolo por excelência da intimidade familiar, se passar num local público.
Terei de me habituar, mas....


8 comentários:

king disse...

Também reparei nessas notícias.
..........
Só nos deixa a pensar que deve haver várias crises. Como na cantiga do «Salvem os ricos». Afinal alugar uma sala de hotel não deve ser apenas uns trocos!!!

josé palmeiro disse...

Tudo o que dizes é verdade.
Mas, deixa-me dizer que se nos dias anteriores foi a minha mulher que esteve dedicada inteiramente à cozinha, ontem, fui-o eu.
E não trocamos esse desprazer(?) por nada deste mundo pois, ele há prazer maior que juntar todos os possíveis membros de uma família, num espaço que tinha sido dos nossos ancestrais e que agora, depois de "sacrifícios tremendos", é nosso e recordar tempos e situações que nos foram e são caras?
Depois é a partilha e a comunhão das coisas, não prendas, que isso é acessório.

Mary disse...

Pois é.
Sinal dos tempos.

Eu entendo que 50 pessoas seja complicado, mas talvez se fizessem umas mesas para as crianças (que imagino fosse metade dessa multidão) e depois os crescidos fizessem o seu jantar. Mesmo que não fosse numa única mesa, era bem mais simpático.
Claro que 50 pessoas é uma graaande família. Devem vir cunhados e primos e gente de várias gerações, imagino!

sem-nick disse...

O 'franchising' do Pai Natal é formidável!!!!
Why not?...

Nós, Os Cachorros!!! disse...

Antes de mais nada, olá minha amiga!!!
A tempos não tenho te visitado, mas por motivos sérios!!!
A vida por aqui devido a crise financeira está deveras corrida...
Muito tumulto e muita confusão.
Ainda dou graças à Deus por ter meu trabalho em meio a tanto desemprego...
Esta semana porem fui acometido por algo pessoal, um canal inflamou e morri de dor durante dias...
Sem dormir e sem comer... rs
Mas, tudo está quase bom... Fui a dois dentistas e apenas o segundo conseguiu resolver o pequeno problema... rs
Bom, ai em Portugal, ou até mesmo no Brasil, ai se fazem aqueles banquetes, aquelas festas familiares.
Como o José mesmo disse, uma dia foi a esposa e no outro foi ele que passou o dia todo na cozinha.
Aqui, num pais não Cristão, o Natal não passa realmente de uma data comercial...
Triste, porém verdade...
Muitos nem sabem o significado desta data... Apenas conhecem "Santa Claus"...
Jantam em restaurantes (é preciso deixar reservado meses antes uma mesa) e a meia noite estão dormindo ou vendo televisão. Nada de comprimentos e uma ceia...
Dia 25 é serviço!!! Nada de feriado!!!
Já na casa dos brasileiros, peruanos, bolivianos e etc, vemos que apesar de tralharem no dia seguinte, muitos fazem um jantar e uma ceia rápida.
Eu em particular, costumo passar dormindo... rs
Beijossss

Emiele disse...

Coitadito, amigo aí do país do Sol Nascente, esses problemas de dentes não são pequenos, não senhor! O dente pode ser uma parte do corpo pequenita mas quando dói é o fim-do-mundo!!!
Espero que tudo já faça parte do passado.
E Bom Ano Novo - isso festeja-se em todo o mundo, não é?...

fj disse...

A contextualização de king é muito correta, referindo aqui e agora a situação, e insinuando que, finalmente, chegou a crise geral do capitalismo.Eu sei que não o disseste expressamente, mas adivinho que era um pressuposto do post.
Maryy, não sei se terás razão, 50 pessoas e vàrias mesas avós, filhos e netos parece-me que só usando os vários andares do prédio.Mais velhos no rés do chão, pais no primeiro , filhos e netos pelos restantes andares.Não me parece prático sobre o aspeto disciplinar, nem respeita a propriedade privada dos restantes inquilinos/condóminos, inocentes de a tal familia só pensar numa coisa.

Emiele disse...

Olá FJ!
Bom.......
Eu cá imagino que a dita famosa família vivesse numa casa que fosse bem maior que um T1 ou T2. Se os próprios tinham tido aí uns 6 , 7, ou 8 filhos, a casa tinha de ser grande! Daí que a ideia da Mary de uma consoada por gerações não fosse completamente descabida. E o certo é que o ano passado a coisa tinha-se resolvido sem hotel!
Estou a sentir-me mesmo bota-de-elástico (onde é que eu li que a expressão 'bota-de-elástico já é em si mesma 'bota-de-elástico'?) mas a tal ideia do Hotel não me consegue entrar.
E, como lembrou o King, adivinhando o que eu tinha pensado, também não é para todas as bolsas.