quinta-feira, dezembro 04, 2008

As férias dos outros


É uma coisa que sempre me irritou um pouco, e vem sempre à baila todos os anos quando se aproxima o final de um ano e o princípio de um outro: a questão dos feriados e das férias.
Alguém em tempos pôs a circular a ‘informação’ de que em Portugal se trabalhava pouco por se ter muitas férias, ou antes
muitos demasiados feriados. É uma «lenda urbana» mas criou raízes.
Afirmo que é lenda porque tive em tempos uma agenda onde entre as milhares de informações completamente inúteis que normalmente elas nos fornecem, vinha a lista dos feriados em todos (ou quase todos) os países do Mundo. Fui dar uma vista de olhos e, tal como suspeitava, Portugal estava mesmo na média. Temos tantos ou tão poucos feriados como a maioria dos países...
Há quem tenha menos, há quem tenha mais, mas a coisa anda ela por ela.
Mas de novo volto a ler:
Trabalhadores param um terço do próximo ano
(e esta de falar em «um terço» é sugestiva, não?... imagina-se logo meses e meses de papo para o ar!)

O que é curioso é que quem, de um modo geral, faz estas insinuações não considera que faça parte do grupo de demasiadas férias, quem as têm são «os outros». Ou porque as têm um mês inteirinho, ou porque dividem muito e fazem ‘render’ o peixe, perdão, o descanso. Quem fala é um desgraçado, um mouro de trabalho, ele nem descansa, os outros é que sim!
E depois enche-se a boca com essa coisa das ‘pontes’. Ora uma ponte acontece quando existe um dia útil entre dois feriados, e o trabalhador escolhe esse dia para usar como dia de descanso. O que quer dizer que é menos um dia a gozar nas ‘outras’ férias, não é? Onde está o mal?
Há países onde esses feriados se juntam, o que é uma opção, mas costumam ser acompanhados pelo facto de quando o dia feriado recai num fim-de-semana salta para o dia útil seguinte, o que não se passa cá!

Sejamos objectivos: em Portugal pode produzir-se pouco mas não por haver muitos ou poucos feriados. Vamos mas é olhar para a motivação, para a organização do trabalho, para a planificação.
A produção não depende do tempo que se ocupa o posto do trabalho mas daquilo que rendemos quando lá estamos.




10 comentários:

king disse...

Está tudo resumido no último parágrafo.

Se é um facto real que se produz menos, não venham com essa da culpa dos feriados! Se forem a um país de boa produção (mas do 1º mundo) a diferença não existe.Mas quando se trabalha, TRABALHA-SE não se está a engonhar!

AB disse...

Onde se ouve mais essa conversa dos feriados que são os mais numerosos da Europa é na assembleia da Republica.AB

sem-nick disse...

É plenamente verdade.
Já trabalhei (enfim, fiz estágios, mas dá no mesmo...) noutro país, e é tal como dizes.
O tempo de descanso é igualinho, mas quando se trabalha é a sério.
O planeamento é completamente diferente.

king disse...

Olha ab, lá para essas bandas não me cheira que morram a trabalhar, mas nunca lá estive...

kika disse...

Tal e qual a tua ultima frase diz tudo, A falta de produtividade não tem a ver com os feriados, mas sim com a organização e motivação e ética.Em portugal fazem questão de não cumprir horarios e se cumprem , há quem entre na empresa , marque o ponto , para depois dizerem que trabalham muito, entram cedo e saiem tarde( tudo isto esta em consonancia com os filhos ou o desporto ) e o tempo é gasto ao telefone a reencaminhar mails as vezes até compras , café , bom tudo menos trabalho.Os nossos deputados alguns só marcam presença.. E reuniões, alguem chega a horas? quando chegam já está na hora do coffe-break , depois vem o almoço e a seguir a sonolencia...Há escravos , mas são poucos, porque a produtividade do País, é muito baixa

josé palmeiro disse...

Concordo inteiramente com a AB!
Este tema, abordado como está, já é requentado...

Mary disse...

Ouvimos e lemos muito essa coisa.
E, como sublinhas muito bem, são sempre OS OUTROS que gozam de enormes mordomias, quem diz estas coisas, são uns desgraçadinhos que nunca têm férias nem fazem nenhuma ponte.

De facto é como dizes, os países que conheço que evitam um dia útil entre feriados, 'encostando-o' ao fim-de-semana, também para compensar se recai num dia de folga, empurram-no para o próximo dia útil!

Mary disse...

E claro que se produz pouco, todos estamos de acordo, mas por outras causas.
Será que se está a pensar no modelo chinês, com 3 dias de descanso por ano?! Mas se assim fosse os senhores dirigentes e parlamentares deviam começar por dar o exemplo, né?...

Saltapocinhas disse...

tens toda a razão!

essa história também me irrita!!

sem falar que são essas pessoas que fazem "pontes" que desenvolvem o turismo interno!!
e que os dias são de férias e são descontados nas "férias grandes"!

Emiele disse...

Tal e qual Saltapocinhas. Até os publicitários inventaram o termo «escapadinha» se não me engano a essas mini-férias de 3 ou 4 dias. Porque o turismo também dá lucro! E parecem esquecer-se de que a 'ponte' não é um dia que de rouba ao tempo de trabalho é um dia de férias que noutra altura não se vai ter.