quinta-feira, novembro 27, 2008

Ingenuidade

Fico sempre a «sorrir para dentro» quando oiço algumas pessoas declararem até com alguma indignação que elas, nunca, jamais, em tempo algum comprariam fosse o que fosse numa «loja dos chineses» [aqui há uns tempos eram as «lojas dos 300» quando as coisas de lá custavam 300 escudos...]

Creio, sinceramente, que seja verdade e que nunca os seus pés pisaram o chão de uma dessas lojas que surgem por todo o lado como cogumelos num bosque húmido.
Mas a verdade é que, com a excepção de algumas pessoas que de facto vivem num patamar económico ali junto das estrelas, o comum dos mortais, se for examinar os produtos que o rodeiam, obtidos nas lojas mais selectas de Centros Comerciais da moda, vai encontrar, mesmo que seja em letras pequeninas, «made in China».
Ou seja, a loja onde compraram era portuguesa (ou provavelmente de uma multinacional qualquer) mas o objecto em si, a sua fabricação, vinha de lá do mesmo local que abastece as famigeradas lojas onde nunca puseram os pés.
Pois é...


Imagem daqui

9 comentários:

king disse...

Não sei se hoje terei muito tempo para 'visitas' portanto começo já pelo Pópulo e se calhar fico por este blog. :)

Sabes que já tenho pensado nisso.Compro uma caneta, uma cafeteira, umas meias, mesmo que seja no Corte Inglês, na Zara, no Continente, se me der ao trabalho de ver de onde vem... vem da China!
E a minha mulher às vezes aparece com coisas com algum design e se digo alguma coisa, querendo saber quanto custou ri-se «foi ali em baixo, na loja dos chineses»!

AB disse...

Eu tenho dificuldade em entrar e escolher coisas onde está tudo ao "molho" e fé em Deus.Agonio-me e isto tb. é válido para o Corte Inglés.Tenho truques que é saber onde está a coisa que quero,ir lá direita e etc,etc,mas mesmo assim.AB

Emiele disse...

Eu pelo contrário, se tenho tempo, vou vendo peça por peça. E no meio da confusão encontro coisas francamente bonitas - é claro ao pé de outras de fugir, mas isso é um dado adquirido...
Entro ali com o espírito investigador com que entro num ferro-velho.
Em Macau os ferro-velhos chamavam-se os «tin-tins» porque muitas vezes se passeavam pelas ruas com a sua tralha a tocar uma campainha - tim - tim...

Mary disse...

É mesmo!
Tanta coisa que vou comprar ao Corte Inglês (já que falas nisso) e afinal vem de lá. Claro que a apresentação é diferente, a caixinha jeitosa,o embrulho sofisticado, mas... o conteúdo é bem semelhante.
Então electrodomésticos e peças de pc e coisas dessas...? Tudo «made in...»

josé palmeiro disse...

Falei, outro dia, por causa da "açorda", que, a tinha feito com "alhos chineses", comprados numa superfície comercial portuguesa.
Já há tempos atrás a minha filha precisava de uma bateria para o telemóvel e fui ver a original, que ostentava a marca, ( cá volta , novamente as marcas", do aparelho. Ao descascá-la, verifico que em letras muito fininhas se dizia : "made in china", e aí vou eu comparar os preços, da de marca com a dos "chineses". Logicamente, optei pelos "chineses" e ainda trabalha!
Já agora uma lembrança: E as gravatas dos chineses, em seda(?) que se compravam na rua, nos anos da minha juventude?

kika disse...

Para cá vem muito lixo dos chineses,porque eles têm coisas boas e bonitas como qualquer Pais .Praticamente é tudo lá fabricado ou nos países de mão de obra barata e ele há tantos!!!

Emiele disse...

Claro, Zé. mas a seda chinesa é belíssima. Eu quando vim de lá trouxe cortes de seda com a ideia de mandar fazer vestidos, que acabei por nunca fazer e ainda os ofereci a amigas minhas. Era seda natural e muito boa.
E tens razão Kika, apesar de haver muita coisa que é de usar e deitar fóra, (ou nem mesmo usar!) também há produtos lindos. Generalizar é sempre um erro! E eu quis brincar com as pessoas que imaginam que aquilo que compram é feito no céu entre nuvens branquinhas...

kuailô disse...

Só para chamar a atenção para que a foto não é de certeza de nenhuma loja aqui em Portugal, aquilo é ou na China ou Macau ou coisa assim. Já viram os letreiros?..
:))))
De resto devo acrescentar que como em tudo há coisas de excelente qualidade e outras que não prestam. Mas já repararam que nas tais «lojas de 300» as coisas baratas são «made in Spain»?!

Emiele disse...

Ora viva KUAILÔ!
Com este nick, só podes ter vindo (ou teres estado lá)

Para quem não entende - e devem ser todos os habituais leitores deste blog - chamava-se kuailou a um estrangeiro, lá nos orientes. Um português em Macau era kuailou...