segunda-feira, setembro 22, 2008

O explicador

Há uma realidade que conheço mal e que, pelos vistos, atingiu uma dimensão gigantesca: o explicador que eu conhecia como um auxiliar do ensino, tipo ‘parente pobre’, afinal pode organizar-se, não ser já o conhecido explicador doméstico e até existem centros de explicações, muitos deles “franchising” de multinacionais !!!
Pelo menos é o que acabo de aprender ao ler este artigo.

Recordo-me de eu própria ter dado explicações. Jovem estudante pré-universitária na altura, mas bastante boa aluna em certas áreas, uns miúdos conhecidos da minha família pediram se os ajudava nessa matéria que eu conhecia melhor e fui paga por isso.
Fiquei muito contente com o primeiro dinheiro que ganhei na minha vida. Não foi lá muito como é natural. Recordo que com ele comprei uma caneca para a minha avó, porque quando era muito pequenina um dia parti-lhe uma e arrependidíssima tinha prometido «Avó, quando for crescida e ganhar dinheiro, compro-te uma nova!» Fi-lo nessa altura, com esse primeiro dinheiro.

Nessa altura dar explicações era uma actividade parente pobre do ensino. Era difícil subsistir com esses ganhos, apesar de se poder fazê-lo. Depois, a pouco e entendi que o preço de uma explicação tem vindo a subir, a subir, a subir…
Oiço alguns amigos lamentarem-se quando consideram que os filhos não se aguentam sem essa bengala, mas o seu orçamento familiar leva um rombo muito grande para satisfazer esse aspecto.
Vejo agora que esse «mercado» tem agora uma dimensão inesperada, atingindo o campo internacional!
São vários os factores, pelo que aqui se lê:

«a) em países com uma situação económica difícil ou onde a profissão de professor não é muito valorizada o recurso às explicações constitui uma forma de os professores assegurarem a sua sobrevivência.

b)a falta de vagas nas escolas alterou o percurso de muitos dos docentes recém-formados. Agora a carreira inicia-se frequentemente num centro de explicações e não tanto nas escolas».

Faz sentido.
Mas este aspecto de existirem «Centros de Explicações» a rivalizar com as escolas deixa-me pasmada.

6 comentários:

Mary disse...

Olha, fui ler o artigo e fiquei para aqui a pensar...

De facto estou velha.
Tal como tu também dei explicações quando era estudante. Claro que como não era formada ainda elas tinham de ter um pagamento modesto. Mas tinha familiares, tios por exemplo, já pessoas com licenciadas e com muitos conhecimentos, que contavam que até iam a casa dos alunos dar as explicações. Era realmente uma coisa muito familiar e 'doméstica'. que haja «empresas» de explicações, a minha alma fica parva! mas porque raio esse apoio não é deito na escola. Eu sei que estão prevista aulas de apoio para alunos mais fracos, não é? Isso não são as tais explicações?....

“Franchising” ????!!!!
Ooooooh!

Mary disse...

Isto de se escrever, emendar, mas não voltar a reler dá frase idiotas.
Quando ali escrevi:
«Mas tinha familiares [....]pessoas com licenciadas e com muitos conhecimentos [.....]» claro que se tem de apagar o com antes de licenciados porque a palavra devia vir antes dos conhecimentos. Que confusão...

king disse...

E que tal o «cartel» dos explicadores...?!

josé palmeiro disse...

Não estás a brincar, pois não, King?
Pois o meu primeiro dinheiro, ganho em explicações, também pela época que descrevem, serviu para comprar uma camisola.

Joaninha disse...

'Bóra aí, à arca das recordações...
Qual o estudante que não deu as suas explicações? Eu até pensei em seguir a 'carreira docente' nessa altura!

Eu entendo a piada do King: os 'explicadores avulso', simples professores que por falta de colocação e emprego vão ajudando a comprar manteiga para o pão com as explicações, é uma coisa.
Mas grandes «empresas» de explicadores, com “Franchising” e tudo, bem se podem unir em cartel!

Emiele disse...

Claro que eu não pretndia ofender os professores que recorrem a explicações por diversas necessidades. Aliás nem pretendo ofender ninguém, é claro!!!!
Mas quando se fala em empresas a sério, em Franchising e coisas do tipo, fico um tanto apalermada.
Como e tudo há gente boa e inocente e gente aproveitadora, e sabemos que esse «negócio» de explicações pode ter uma faceta menos simpática com uma enormíssima fuga aos impostos que todos os trabalhadores são obrigados a pagar.