sábado, agosto 23, 2008

Outra vez os estereótipos


Este é um tema recorrente, tenho de o reconhecer. Volta não volta falo no mesmo, mas não é por acaso, é que os exemplos de estereótipos aparecem por todo o lado. E eu a cair neles, também, é claro!….
Como povo meridional que somos, o nosso tipo mais vulgar é moreno. Trigueiro, como se diria dantes. Claro que há portugueses que nascem loiros e de olhos azuis, mas são a excepção. E, nestas coisas, o mais banal é menosprezado e o que é raro é valorizado. Normal.
Assim, temos a tal conversa de que «os homens preferem as loiras», embora no género oposto a coisa não seja tão pacífica. Temos um pouco a ideia (também um tanto de lugar-comum) de que um homem loiro é ‘pãozinho-sem-sal’ e entre as mulheres há alguma tendência para os morenos – claro que podem ter também olhos verdes.
Claro que com o evoluir das técnicas de cabeleireiro já não se sabe bem quem é que é loira de nascença e até a cor dos olhos pode variar se forem escolhidas umas lentes de contacto coloridas. Mas o modelo está cá, no nosso íntimo. Conheço uma senhora, de uma família numerosa onde todos são altos, loiros, de olhos claros, e ela nasceu morena e até baixa!… Não consegue deixar de pensar que foi uma injustiça da natureza e quando olha para a mãe, uma valquíria pela sua descrição, fica a pensar como é que é filha dela!…
E o mais grave é que a sua filha, de 4 anos incompletos e também morena, já lhe lhe veio dizer quase a chorar «Mãe, a prima ***** diz que eu sou o patinho feio da família, todos são loirinhos e eu não…». Nem mais! O modelo em toda a sua força.

O giro é que ando a ler um romance onde a protagonista, alemã, é uma loira de nascença. Completamente loira, a típica ariana, e ainda há pouco tempo se glorificavam os arianos, essa ‘raça eleita’, iguais à protagonista do meu livro. Só que ela, não ‘se gosta’, acha-se banal, pãozinho sem sal, igual a todas e vai daí, tingiu os cabelos de preto.
Sucesso! Aqui nesta história, aquilo foi mesmo tiro e queda. Tornou-se o centro da atenção, - da boa atenção! – dos seus parceiros masculinos.

Assim são os mitos.

7 comentários:

Anónimo disse...

Gostos, são gostos, é claro.
E, depois, há essa verdade evidentíssima - o que é raro é sempre mais apreciado. A não ser que que seja tão, tão, tão diferente que também não se gosta, por ser demasiado diferente.

Anónimo disse...

Mas ainda volto a comentar o desabafo da menina pequenina moreninha ao pé das primas loiras: a mãe devia logo ter-lhe explicado que o patinho feio era um cisne em bebé. Aquilo era um elogio, a palerma da prima é que não sabia!

Anónimo disse...

Até a mitologia se resume à cosmética capilar!È mesmo silly season.AB

josé palmeiro disse...

Uma coisa, os cabeleireiros, não fazem. É pôr as pequenas grandes e as grandes, mais pequenas.
Estereótipos, como lhes chamas, que saem baratos, ao fim do mês.

josé palmeiro disse...

Lembra-me logo o "Restaurador Olex", "um Branco de carapinha e um Preto de cabeleira loura!!!"

Anónimo disse...

Antes a silly mitologia, estou em especial com kingii,ab,jp

cereja disse...

Palmeiro, tens toda a razão e essa da altura é também uma das mágoas da tal senhora morena filha da outra loira. Ela é baixinha e (azar dos azares!!!) tem tendência para engordar!...

Pois meus caros, essa cosmética capilar como chamou a AB, hoje é até fácil. Até para fazer um cabelo curto mais comprido existem aquelas coisas chamadas extenções.... O que «eles» inventam, né?...
Maa achei piada nesse romance a jovem alemã, muito ariana, a querer os cabelos negros e sentir que tinha ficado mais bonita. E cá para mim também acho que deve ter ficado.