domingo, abril 15, 2007

O outro lado do trabalho infantil

De vez em quando toco aqui neste assunto. Há trabalho e …trabalho. Trabalho é uma actividade obrigatória e remunerada, mais ou menos condignamente. E quando se pensa em «trabalho infantil» se nos ocorrer as fábricas que se montam em países do 3º mundo onde crianças são exploradas e obrigadas a trabalhar sentimos naturalmente um aperto no coração.
Também pode acontecer falar-se em «trabalho infantil» quando uma criança ajuda os seus pais em tarefas onde toda a família participa. Aí, já tenho muitas dúvidas sobre a correcção do conceito. Desde que não abandone a escola por isso, não vejo nada de errado em que ajude os seus pais a apanhar o tomate, ou a fruta, e execute tarefas que estejam de acordo com o seu tamanho e força. É uma partilha de tarefas que ajuda a unidade familiar. Só pode fazer bem.
Mas há um outro trabalho de luxo e lembrei-me disso por ler que
uma menina, filha de portugueses a viver em Inglaterra é estrela de publicidade. Neste exacto momento com 7 anos já é olhada com admiração na escola e os colegas acham-na "rica e famosa". Os pais estão enlevados, e a mãe explica que a menina ganha mais à hora do que ela no seu trabalho.
Pois é. Não se pensa em «trabalho infantil» por ser bem pago e a criança se sentir importante. E quando chegar a adulta, saberá avaliar o preço das horas de brincadeira que a ajudariam a crescer com harmonia e já não podem voltar?


5 comentários:

Anónimo disse...

Bem. Comecei por cima e pensei que hoje não falavas a sério (também pode ser, ou não?) mas cá vem um post mais à séria.
Sabes que essa coisa do 'trabalho infantil' quando se trata de ajudar em casa já é muito reclamado por uns bisnicos de palmo e meio...? Esta menina que aparece aqui a ajudar a mãe a limpar a loiça, só noutros tempos, agora mandam-na dar uma volta!!! e os pais, ouvem e calam. por mim, acho mal. Como dizes no segundo parágrafo, colaborar na vida de casa não é 'trabalho' nesse sentido, é pedagógico na minha opinião.
Claro que a vedetazinha, ou os actores crianças das telenovelas, é outra história!

cereja disse...

Pois é, uma «história» bem diferente!!! Para mim acho que os pais não avaliam bem o que estão a fazer aos filhos tão cegos ficam com os lucros imediatos.

josé palmeiro disse...

Mais uma vez, em concordância total. Não há objecções a fazer.
E como vês, estou na segunda volta, isto é escravidão ou prazer?

Anónimo disse...

Olha, Zé, para mim é um verdadeiro hábito. Abro o pc e espreito o Pópulo. Ele devia era ter tambem aqueles indicadores como havia no Pópulo antigo que mostrava os últimos comentários para a gente saber se a Emiéle nos tinha respondido ou ainda não. (digo 'ainda' porque ela responde quase sempre...)
Quanto a isto de trabalho infantil tem muito que se lhe diga! O exemplo que dás de filhos que ajudam os pais na faina do campo, acho muitíssimo bem. É até educativo, aprendem coisas que podem ser úteis. Já aqueles que os ajudam no seu trabalho quando o trabalho é em casa, é diferente. Contudo quando isso acontece é porque a pobreza é grande e a ajuda dos filhos é necessária: ninguém faz uma criança trabalhar se não for preciso. São casos onde a Segurança Social devia intervir. e por último, as stars de palmo e meio é outra conversa.
Só me espanta que em Inglaterra não haja leis contra isso.

saltapocinhas disse...

é uma das coisas que me irrita profundamente: ajudar os pais, principalmente os que vivem da agricultura, é quase crime, é um deusnosacuda, que é trabalho infantil!
Se for para aparecer na televisão, já não é!
Alguém fará ideia de quantas crianças há em portugal a trabalhar (tanto quanto sei, arduamente)nas novelas??