24 de Abril - Canções
Comentário: (roubado à Inês)
a 20 escudos «...a cumplicidade por inacção ou por omissão é quase tão grave como a dos cúmplices directos. Esta questão colocou-se-nos claramente, aos músicos resistentes ao fascismo, logo a seguir à breve "primavera marcelista" de 70-71, quando o governo passou a impor a censura prévia aos discos de canções (que até então só eram censurados após a edição, tal como os livros e outras publicações não periódicas). Que fazer?, discutíamos. O meu segundo álbum de canções, de parceria com o escritor Álvaro Guerra, Crónica, de 1972, nunca foi publicado porque eu não admiti os cortes que a censura lhe fez. E, como sabíamos "como se faz um disco", decidimos passar a fazer (também) discos clandestinos ou marginais. Foi o caso da Ronda do Soldadinho , de que conseguimos meter 2 ou 3 mil exemplares em Portugal, que se venderam a 20 escudos por baixo das mesas de café. Assim se tentou, mal que bem, assegurar a função social das canções em disco.»
excerto de O SILÊNCIO ENSURDECEDOR DOSJORNALISTAS PORTUGUESES de José Mário Branco (sublinhados da Inês)








5 comentários:
Todo o valor, interesse e todos os adjectivos que possamos aplicar, estão na razão inversa do porquê, ainda hoje, esse tipo de música e, essencialmente, as palavras, ianda hoje serem difíceis de ouvir, quando não totalmente silenciadas.
Hoje acham que são ritmos que passaram «de moda» e textos que «já não fazem sentido». Parece terem perdido por dois lados...
A não ser os «resistentes» como nós que insistimos em lembrar.
Mais uma vez parabéns ás duas - Emiéle e Inês. Neste caso por a Inês ter descoberto esta citação.
A Inês é excelente e o seu blog muito discreto, o que até é pena. Ela tem muito que contar!
É mesmo isso. E boa ideia «acoplares» a Inês-Teacher. Também gosto muito de a ler apesar de escrever muito poucochinho.
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