quarta-feira, outubro 31, 2007

Poupar

Dia Mundial da Poupança.
Poupar?
A primeira questão que aparece é «poupar o quê» ou «em quê». Porque se poupar é gastar pouco, podemos poupar a água como nos aconselham uma vez que é um bem limitado, ou poupar na energia poluente para bem do futuro da humanidade, ou poupar no tempo que gastamos em inutilidades, ou poupar esforços em querer a quadratura do circulo.

Mas não. Quando se fala em «poupança», assim com Dia Mundial e tudo, o que se pensa é em dinheiro. Ora aí, começa a porca a torcer o rabo. E a pobre da porca bem se podia poupar a esse trabalho que nem lhe vai servir para nada. É que para se poupar temos de partir de um bem existente… Que raio de dinheiro é que se vai poupar???
O nosso querido Ministério da Economia, que só deseja o nosso bem, preparou uns conselhos. Simpático. Fez umas perguntas como, por exemplo,
“Pediu crédito para pagar bens que costumava pagar a pronto? Cancelou consultas médicas por razões financeiras?” e depois simpaticamente aconselha a que falemos a uma estrutura de defesa do consumidor.
Ah, bom. Afinal é essa a solução.

E também é interessante que um inquérito lançado (imagine-se por quem?) por um Banco, a meninos entre os 6 e os 13 anos diz-nos que 60% desses jovens infantes já pensam que a mesada é para poupar (Gostaria de saber melhor onde foi recolhida essa amostra...) Imagino que de preferência, depois de poupada a mesada deverá ir para uma contazinha no Banco que eles já sabem - é uma espécie de grande mealheiro.
Claro que o Ministério da Economia e os Bancos que fazem inquéritos, podiam explicar a quem, por exemplo, «Cancelou consultas médicas por razões financeiras», onde vai encontrar esse dinheiro para poupar.

Quando descobrirem, avisem.
Muito agradecida.

7 comentários:

  1. Este tema tem duas abordagens. A que fizeste, e bem, num tom irónico, mas pode olhar-se para isto «á séria» e pensar onde está o erro.
    Olha o que diz quem sabe:
    «O acesso facilitado ao crédito,
    o pouco conhecimento em relação a várias componentes do crédito,
    a agressividade de muitas campanhas »
    - e isto é mesmo assim.
    Para além de que «Estas situações agravam-se quando surgem problemas de desemprego, divórcio e doença, e o recente aumento das taxas de juro»
    Ou seja há factores externos, e ‘abençoados’ pelos tais agentes económicos que levam a que se vá gastando sem pensar. «Compre agora e pague depois»
    Contudo, também é verdade que o Consumismo é uma doença recente. A procura de compensação de desgostos ou problemas de várias ordens pela posse de produtos, é ‘doença’ actual e que não parece estar a diminuir. E aí, sim, pode e deve intervir-se.

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  2. Mas poupar o quê? Ainda há alguma coisa para poupar?
    Comecei ao contrário e não me posso aborrecer, porque estou de partida para a Invicta, para junto dos meus filhos e netos, por isso, não digo mais nada. Até amanhâ.

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  3. Mas repara que isto parece aquela manta que ou destapa os ombros ou destapa os pés!!!
    O povinho é incentivado por todas as formas a consumir. O tal «compre agora e pague depois» que nos entra pela casa a dentro por todas as formas. O crédito super-facilitado! Depois, aqui d'el rei que o dinheiro não chega.
    Contudo, por aquilo que dizem os estudos, ainda a maior fatia de endividamento é com a habitação. E aí, como é que se faz???

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  4. É isso mesmo King.
    E as "GENTES", vão para o crédito à habitação porque, em princípio, as mensalidades são mais em conta que as do arrendamento e há sempre a perspectiva de vir a ser, sua propriedade. Depois, entra a bronca, perdão, a banca.

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  5. Outro tema recorrente ...sem que haja onde recorrer.AB

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  6. Sobre à poupança...só pode ser GOZO! Para quando a regulação da publicidade?

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  7. É... as tais vertentes.
    É certo que eu também concordo que há dispositivos de incentivo ao consumo tramados, mas a verdade é que se o crédito à habitação é o maior responsável, não vejo que volta se dê.

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